Especialistas falam sobre Recursos Educacionais Abertos

Gabinete Digital do Governador, publicou um vídeo com depoimentos de especialistas participantes do Seminário Recursos Educacionais Abertos (REA), realizado em Porto Alegre (12/09) e que debateu conceito e potencialidades de REA, assim como, apresentou projetos inovadores em educação.



Leia também: Seminário promoveu reflexão sobre Recursos Educacionais Abertos

PL sobre Recursos Educacionais Abertos é apresentado em São Paulo

No dia 04/09, o deputado estadual Simão Pedro foi recebido pelo secretário Estadual da Educação, Herman Voorwald em seu gabinete. O objetivo foi debater o seu Projeto de Lei 989/2011, que institui política de disponibilização de Recursos Educacionais comprados ou desenvolvidos por subvenção da administração direta e indireta estadual.


Simão Pedro foi acompanhado por sua assessoria e também por Debora Sebriam e Pedro Markun (ambos representantes do REA-Brasil). Na oportunidade, o deputado comentou sua ida à França, em junho deste ano, para participar do Encontro Mundial sobre Recursos Educacionais Abertos, promovido pela Unesco. O objetivo do congresso é incentivar os governos a adotar políticas que incluam REA, e foi contando com a participação do governo do Estado nesta causa que Simão Pedro solicitou a demanda para o secretário.

Herman já tinha dito em uma audiência pública na Assembleia Legislativa que havia interesse do Estado em disponibilizar os conteúdos educacionais da sua pasta na internet e que estava vendo os meios jurídicos para dar concretude. Simão Pedro explicou para o secretário que este é um movimento mundial e que, portanto, São Paulo não pode ficar de fora. “O Estado está atrasado, o município já disponibiliza os recursos educacionais na rede”, comentou. “Estive reunido com a assessoria do Ministério da Educação que está estudando a viabilidade da implantação do REA no Brasil”. “São Paulo tem que começar e o primeiro passo seria aprovando meu Projeto de Lei”, reforçou.

O secretário se comprometeu a encaminhar o projeto ao departamento jurídico da secretaria para que, caso aprovado, sua pasta pudesse entrar na era do Creative Commons. O Projeto de Lei 989/2011 já foi aprovado em todas as Comissões Permanentes e está pronto para ser votado. Sua aprovação garantiria a participação do REA no Estado.


REA
Recursos Educacionais Abertos são materiais de ensino, aprendizado e pesquisa em qualquer suporte ou mídia, que estão sob domínio público, ou estão licenciados de maneira aberta, permitindo que sejam utilizados ou adaptados por terceiros. O uso de formatos técnicos abertos facilita o acesso e o reuso potencial dos recursos publicados digitalmente. Recursos Educacionais Abertos podem incluir cursos completos, partes de cursos, módulos, livros didáticos, artigos de pesquisa, vídeos, testes, software, e qualquer outra ferramenta, material ou técnica que possa apoiar o acesso ao conhecimento. (Unesco/Commonwealth of Learning com colaboração da Comunidade REA-Brasil, 2011).


PL 989/2011
O Projeto de Lei 989/2011 institui política de disponibilização de Recursos Educacionais comprados ou desenvolvidos por subvenção da administração direta e indireta estadual. Os Recursos Educacionais desenvolvidos pela administração deverão ser disponibilizados em sítio eletrônico destas instituições ou no portal do governo estadual e licenciados para livre utilização, compreendendo a cópia, a distribuição, o download e a redistribuição, desde que observadas a preservação do direito de atribuição do autor e a utilização para fins não comerciais.

Segundo Simão Pedro, autor do projeto, o direito fundamental à educação inscrito no artigo 6º da Constituição Federal só pode ser plenamente pensado pelo Estado se este, num esforço contínuo, der a oportunidade a todos de acesso a toda forma moderna e inclusiva de educação.

“É a idéia presente no chamado Creative Commons, que propõe que muitas pessoas podem pensar melhor sobre um determinado assunto, agindo colaborativamente em busca de melhoras para todos. A administração pública tem papel fundamental na produção de Recursos Educacionais, tanto para uso na sua rede de ensino, como na produção técnico científica”, afirma Pedro na justificativa.

Fonte: AlespUNALE

Governo do RS e Projeto REA Brasil promovem seminário

O Seminário Recursos Educacionais Abertos aconteceu em Porto Alegre, no último dia 12/09, na Casa Mário Quintana (veja programação e anúncio aqui). O evento é uma promoção conjunta do Projeto REA BrasilInstituto Educadigital e Governo do Estado do Rio Grande do Sul, através da Secretarias de Educação, de Comunicação e Inclusão Digital, e do Gabinete Digital do Governador.

O objetivo do evento foi proporcionar um espaço de debate e reflexão com representantes do governo do Estado do Rio Grande do Sul e os representantes dos Núcleos de Tecnologia Educacional que em sua grande maioria teve a sua primeira aproximação com a tema REA.

O evento foi aberto pela diretora do Departamento de Logística e Suprimento da Secretaria de Estado da Educação (Seduc), Ana Cláudia Figueroa, e pelo diretor de Inclusão Digital da Secretaria de Comunicação e Inclusão Digital (Secom), Gerson Barrey.

Após a abertura, Débora Sebriam e Priscila Gonsales iniciaram a parte introdutória a REA, propondo uma dinâmica a todos os presentes. Eles deveriam se posicionar em uma linha de concordância ou discordância sobre a afirmativa: autoria é sinônimo de propriedade. A maioria do grupo de quase 100 pessoas se posicionou contrário a afirmativa. Encerramos essa parte com a apresentação do vídeo “Drive”.



Drive from EISE on Vimeo.

Em seguida fizemos uma “apresentação-debate” sobre a origem, o conceito, as potencialidades, formatos e licenças abertas, projetos no Brasil, novos modelos de negócio em REA, sempre com a intervenção e participação do grupo.

Fechamos essa primeira parte do encontro com o seguinte desafio aos participantes:

Vocês irão lançar um livro com uma coletânea das produções dos NTE’s e publicar na internet. Como vocês compartilhariam esse conteúdo?

Escolha o(s) formato(s) e uma licença para o livro e justifique a sua escolha.

Três licenças foram levantadas – CC-BY, CC-BY-SA E CC-BY-NC e após um debate entre os participantes e considerando a sua posição de servidores públicos, a maioria achou interessante a adoção da licença CC-BY-SA, para garantir que obras derivadas não se tornem restritivas ou fechadas.

O período da tarde foi dedicado a debater sobre alguns projetos inovadores em REA e políticas públicas no Brasil.


REA e iniciativas inovadoras em educação

Anderson Duarte – Rede Social Educativa REDU (veja a apresentação aqui)

Anunciou aos presentes que o REDU (um verdadeiro mix de AVA com rede social), uma plataforma de ensino que foi construída tendo como base as interações sociais, prevê uma área de Recursos Educacionais Abertos dentro da própria plataforma para que os professores possam inseri-los em seus espaços de sala de aula online.

Rafael Pezzi (UFRGS) – Centro de Tecnologia Acadêmica

O Centro de Tecnologia Acadêmica (CTA) vinculado ao instituto de Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul tem como objetivo o desenvolvimento de projetos científicos e tecnológicos compatíveis com o compartilhamento de conhecimento, natural do espírito científico, fomentando o desenvolvimento e adoção de tecnologias livres e recursos educacionais abertos. Ele abordou os projetos de Estação Meteorológica ModularBlender Topográfico.

Eduardo Nogueira – Duda Library

Duda Library é um software livre que mapeia, indexa, armazena e redistribui Recursos Educacionais Abertos promovendo o uso educativo em escolas com pouca ou nenhuma conexão com a Internet. Segundo Eduardo Nogueira, a ideia é termos o Duda Library Central, que será responsável por indexar e fazer o download dos REAs dispostos em diversas Fontes de REAs (Ex: Domínio Público, Khan Academy, Portal do Professor, etc.). Após esta fase, o sistema o “empacota” e cria um formato padrão. Na outra ponta, no servidor da escola/comunidade, você pode instalar o Duda Library e baixar os conteúdos da Central pela Internet (durante a madrugada, por exemplo, fazendo um uso eficiente da conexão) ou HD Externo/pendrive. Os alunos/comunidade poderão então acessar os REAs pelo navegador. A disponibilidade da API permitirá a criação de aplicativos para tablets/desktops/celulares. Leia entrevista ao site REA aqui.

Priscila Gonsales – Projeto Biografia Colaborativa da Lea Fagundes (veja a apresentação aqui)

Colaboração em rede e licença aberta é o caminho que se busca para a construção dessa biografia e vem dando certo! Nos últimos dias o IED comemorou uma etapa importante e bem-sucedida do projeto. Com 213 apoiadores, a parte audiovisual da biografia, um vídeo-entrevista com a própria Léa Fagundes, foi financiada na plataforma de crowdfunding Catarse e será produzida nos próximos meses.


Políticas Públicas de REA no Brasil

Para fechar o evento Mary Lane Hutner e Débora Sebriam falaram sobre políticas públicas que apoiam e incentivam REA no Brasil como o Projeto Folhas e o Livro Didático Público no Estado do Paraná e os Projetos de Lei Federal e PL Estadual de São Paulo, além do Decreto REA da cidade de São Paulo e o PNE. Veja apresentações abaixo.

Notícias vinculadas:

Gabinete Digital: Governo do RS promove Seminário sobre Recursos Educacionais Abertos

Secretaria de Educação do RS: NTEs discutem uso de recursos educacionais abertos

Bagé e Ijuí no RS, recebem palestra REA: práticas colaborativas na web

Entre os dias 29 e 30 de agosto, o projeto REA Brasil, projeto que o Instituto Educadigital é o atual gestor regional no Brasil, participou e apoiou dois eventos regionais no Rio Grande do Sul, o Seminário Binacional Brasil-Uruguai sobre Modernização Tecnológica na Educação, em Bagé e o IX Seminário de Tecnologia Educacional – Cultura Digital: cenário para o diálogo escolar, realizado pelo Núcleo de Tecnologia Educacional de Ijuí.

Em postagem pré-evento de Bagé, o gestor de mídias sociais do Gabinete Digital, Everton Rodrigues destacou o uso dos Recursos Educacionais Abertos (REA) como algo estratégico para potencializar o desenvolvimento de uma educação participativa. Os REA promovem a superação da educação broadcasting onde todos recebem o mesmo conteúdo independente da realidade local. “Livros didáticos financiados com dinheiro público devem ser licenciados de forma a permitir que professores e alunos possam adaptar os conteúdos à sua realidade local, transformando-se em co-autores dos materiais e conteúdos didáticos, desenvolvendo assim, uma consciência coletiva crítica”.

Os dois eventos contaram com a presença de grande público e em sua maioria ouviu pela primeira vez sobre REA . Os projetos de política pública REA tiveram destaque na fala das representantes do REA Brasil, Débora Sebriam e Priscila Gonsales, além de vários projetos REA no Brasil. Houve também lançamento do livro Recursos Educacionais Abertos: práticas colaborativas e políticas públicas.

Copie, distribua, remixe, crie a sua própria formação REA usando o arquivo abaixo.


Vídeos do Simpósio REA: Promovendo o acesso e o intercâmbio de conhecimento estão disponíveis!

O Simpósio REA: Promovendo o acesso e o intercâmbio de conhecimento e lançamento oficial do livro Recursos Educacionais Abertos: práticas colaborativas e políticas públicas agitou a comunidade REA Brasil no final de maio. O simpósio aconteceu em São Paulo, na Casa de Cultura Digital, foi totalmente aberto e transcorreu no clima de batepapo com muitas intervenções e troca de experiências dos presentes e também online através do Twitter e Facebook. O Instituto Educadigital e Projeto REA Brasil são um dos apoiadores do evento e contou com a intervenção de Priscila Gonsales, Bianca Santana e Débora Sebriam.


Mesa 1: REA e a educação brasileira
Alexandre Shneider, Bianca Santana, Nelson Pretto


Mesa 2: Políticas públicas, padrões, e licenças
Sergio Amadeu, Cristiana Gonzalez, Priscila Gonsales


Mesa 3: REA na educação básica
Mary Lane Hutner, Nelson Pretto, Tel Amiel


Mesa 4: REA na educação superior e não formal
Adriana Luccisano, Marcelo Akira, Andreia Inamorato


Veja também:

REA: Promovendo o Acesso e Intercâmbio de Conhecimento

Simpósio e lançamento do livro REA

Entrevista de Débora Sebriam sobre Recursos Educacionais Abertos (REA)

Entrevista ao Jornal Tribuna do Planalto – Ano 26 – Nº1.345 –  Goiânia, 16 a 22 de setembro  de 2012


O nome é novo e ainda desconhecido: Recursos Educacionais Abertos ou somente REA. “São materiais de ensino, aprendizado e pesquisa em qualquer suporte ou mídia, que estão em domínio público, ou estão licenciados de maneira aberta, permitindo que sejam utilizados ou adaptados por terceiros.” Quem explica é Débora Sebriam, uma das responsáveis pela difusão da proposta no Brasil.

A equipe do Caderno Escola a procurou para tirar dúvidas sobre o assunto e explicar o que isso tem a ver com a sala de aula. Débora é educadora e faz parte da equipe do Projeto Recursos Educacionais Abertos Brasil (REA-Brasil). Ela é mestre em Engenharia de Mídias para a Edu­cação pelas Universidades Técnica de Lis­boa, de Poitiers e Nacional de Educação à Distância de Madri.

As discussões sobre o tema estão florescendo. No início de março, foi realizada a primeira Semana Mundial da Educação Aberta. Mas o tema ganhou mais espaço na mídia brasileira a partir do final do mesmo mês, quando o Rio de Janeiro recebeu o Fórum Regional REA – América Latina, evento realizado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Um de seus objetivos foi a elaboração de uma declaração que será apresentada no Congresso Mundial sobre Recursos Educacionais Abertos, a ser realizado em Paris, em junho. O assunto é internacional, mas pode se encaixar em qualquer sala de aula. Débora explica que os REA podem tornar todos os atores da educação ativos disseminadores e construtores do conhecimento.

“A autoria individual e colaborativa pode ser potencializada quando professores e alunos criam e publicam suas obras criativas, dando possibilidade para que outras pessoas possam adotar e /ou adaptar os materiais criados”, afirma. Por e-mail, ela respondeu algumas questões sobre o tema.


O que são, exatamente, os Recursos Educacionais Abertos? Quais são as possibilidades deles para o ensino?

Recursos Educacionais Abertos são materiais de ensino, aprendizado e pesquisa em qualquer suporte ou mídia, que estão em domínio público, ou estão licenciados de maneira aberta, permitindo que sejam utilizados ou adaptados por terceiros. Incluem livros, planos de aula, softwares, jogos, resenhas, trabalhos escolares, vídeos, áudios, imagens e outros.

As possibilidades são inúmeras se partirmos da compreensão de REA como bens educacionais essenciais ao usufruto do direito de acesso à educação e à cultura. Eles podem facilitar o acesso ao conhecimento das pessoas que estão nas escolas e universidades e das que estão fora delas; incentivar práticas de colaboração, participação ativa da comunidade e compartilhamento.

É também uma forma de ter melhor aproveitados os investimentos públicos investidos em material didático. Os REA garantem liberdade, inovação metodológica e criatividade de produção, além de ser uma maneira de valorizar e reconhecer o professor como autor.


Qual a aplicabilidade deles para a Educação Básica?
Para a Educação Básica, os REA podem ser adotados como política educacional. Isso poderia ser feito em várias frentes, por exemplo, com a adoção preferencial por softwares livres, incentivo ao uso e à publicação de recursos educacionais com licenças abertas.

Para professores e alunos, abre-se a possibilidade de uso, redistribuição, remix de conteúdo aberto. A autoria individual e colaborativa pode ser potencializada quando professores e alunos produzem e publicam suas obras criativas, dando possibilidade para que outras pessoas possam adotar e /ou adaptar os materiais criados.

Para todos os atores implicados na educação, os REA podem torná-los ativos disseminadores e construtores colaborativos do conhecimento. Especifi­camente, esses recursos também potencializam metodologias educacionais que envolvem a solução de problemas, o construtivismo e o aprendizado individualizado. Isso porque as licenças abertas permitem que aquele material educacional seja moldado não só a necessidades regionais, mas também a necessidades individuais.

Os REA, além de poderem ser o elemento essencial do currículo, podem formar uma base gigantesca de recursos complementares para aqueles alunos que precisam de reforço escolar ou que aprendem melhor por meio das tecnologias, games ou exercícios interativos. Outro ponto são as inovações que a metodologia REA trouxe para crianças e adolescentes na maneira como interagem com livros didáticos. Nesse caso, chamamos de livros didáticos abertos (do inglês Open Textbooks). Esses livros permitem grande interação do indivíduo com o livro e com comunidades de prática que surgem ao redor daquele livro. Aqui você não só colabora com alunos de sua classe ou escola, mas com alunos do mundo inteiro que adotaram aquele livro didático.


Será preciso uma formação específica de professores para o uso dos REA?
Certamente os professores têm condições de ensinar e aprender com REA! Hoje, temos um professor que integra diferentes mídias no processo pedagógico. No contexto da cultura digital e da Sociedade da Informação, o professor já faz uso de muitos materiais compartilhados na internet e também compartilha seus materiais e experiências.

REA seriam um complemento para uma formação que já caminha com pernas próprias e que enfoca novos contextos de mediação em sala de aula. Os recursos educacionais abertos são baseados nos princípios de conteúdos de aprendizagem, ferramentas de criação e propriedade intelectual. Os professores já dominam ou estão a caminho de dominar pelo menos dois princípios (conteúdos e ferramentas de criação que podem incluir mídias digitais), falta uma discussão sobre propriedade intelectual.

Um entendimento sobre licenças abertas facilita a utilização de material e abre portas para que professores autores decidam como suas obras criativas podem ser usadas por outros, sem necessidade de intermediários. E também pode contribuir para que a escola saia da sombra da pirataria e gere uma conduta mais ética em relação à pesquisa e à produção de trabalhos de professores e alunos.

Os Recursos Educacionais Abertos podem abrir portas para que professores de todo o lugar do Brasil se tornem autores. E, quem sabe, tornem-se autores que tenham suas obras e trabalhos adotados em outras regiões.


Como teve início e se desenvolve hoje o Projeto REA-Brasil?
O Projeto REA-Brasil foi fundado em 2008 por Carolina Rossini e as atividades do projeto tiveram início com a visita de uma delegação internacional de experts e desenvolvedores de REA ao Ministério da Educação e com a realização de uma série de eventos de sensibilização em São Paulo e Brasília.

Esse projeto é um dos primeiros projetos no Brasil que tentam apropriar à realidade e às perspectivas brasileiras a discussão internacional acerca de REA e da Educação Aberta. Desde então, uma comunidade ativa de mais de 300 pessoas voluntárias ajudam a consolidar a discussão sobre REA no Brasil.

Atualmente, o Projeto REA-Brasil mantém relação e oferece suporte a diversos governos e instituições brasileiras e internacionais, incentivando ações. Atuamos colaborando com colégios, secretarias municipais de educação e até mesmo com as câmaras estadual e federal de deputados. Ajudamos a organizar e participamos de eventos, conferências, palestras e atividades educativas sobre REA no Brasil.

Em eventos internacionais, mantemos conversas com algumas editoras sobre novos modelos de negócio alternativos que gerem livros didáticos abertos ou versões digitais mais acessíveis e abertas em diferentes formatos. Também participamos ativamente da construção de políticas e leis que incentivam a adoção de REA.


Quais entraves os REA ainda encontram no Brasil para se popularizarem em políticas educacionais?
O conceito REA é novo não só no Brasil e ainda há muito por fazer. Há necessidade de um grande trabalho em cultura institucional para que a cultura colaborativa e de compartilhamento por meio da internet e dos REA seja vista como algo positivo e que tira nossos professores da sombra da “pirataria”.

Muitas vezes projetos têm como objetivo gerar recursos livres e práticas colaborativas, como é o caso do Portal do Professor do MEC [Ministério da Educação], mas acabam falhando na adoção de políticas claras de como os usuários podem, de fato, utilizar e apropriar-se de tais materiais. Ademais, no Brasil, as editoras possuem grande poder econômico, político e de mídia, como vemos há alguns anos ao redor do debate das cópias dos livros e da reforma de lei de direito autoral.

Tais atores econômicos ainda têm muito receio em relação à sustentabilidade de práticas REA e como tais práticas vão afetar seu poder de mercado. Por isso, nós do Projeto REA também tentamos estudar e gerar conhecimento sobre novos modelos de negócio que podem gerar sustentabilidade para as editoras.

Por fim, o governo brasileiro, diferente de outros, como o dos EUA ou da África do Sul (este último acabou de adotar livros didáticos abertos para todas as suas escolas da rede pública), ainda está longe desse debate. No Brasil, as práticas REA têm surgido de indivíduos que levam suas ideias para suas instituições, que reconhecem REA como parte de sua função social de geração e publicação de conhecimento e pesquisa.

Link original: Tribuna do Planalto