Inteligência Artificial no contexto brasileiro: olhar da juventude

Acessar, usar e interagir com tecnologias baseadas em inteligência artificial faz parte do cotidiano de crianças e adolescentes. Dados da pesquisa TIC Kids Online Brasil 2019, do Cetic.br|NIC.br, apontam que 89% das crianças e adolescentes de nove a 17 anos eram usuários de Internet (95% declararam acesso pelo celular). Além disso, 68% afirmaram ter utilizado redes sociais e 79%, enviado mensagens instantâneas. 

Tal como notado pelo UNICEF, plataformas como o YouTube lançam mão de algoritmos para recomendar conteúdos e, em especial no caso do YouTube Kids, mediar vídeos apropriados a esse público. Além da preocupação com a opacidade e a falta de transparência em relação aos algoritmos, coloca-se o desafio da possível exposição a conteúdo mercadológico.

Segundo resultados da edição de 2018 da pesquisa TIC Kids Online Brasil, mais da metade das crianças e adolescentes usuários de Internet teve contato com propaganda em redes sociais e sites de vídeos.

Algoritmos baseados em IA estão incorporados às plataformas e a outras aplicações on-line utilizadas por crianças. No entanto, a percepção sobre a presença desses sistemas não é intuitiva e pode ser dificultada à medida que as interações com tais tecnologias se tornam mais integradas.

Diante disso, para captar o entendimento de crianças sobre o tema é necessário, primeiro, identificar como essa população compreende os sistemas baseados em IA e interage com eles. Ao serem estimulados a comentar sobre o que pensam ao ouvir o termo “Inteligência Artificial”,  participantes dos workshops brasileiros mesclaram exemplos que vão desde tecnologias presentes no cotidiano, tal como assistentes virtuais (Siri, Alexa, Google Assistente), assistentes de lojas e de bancos (BIA, do Bradesco, Aura, da Vivo, Lu, do Magazine Luiza), até casos de ficção científica (Exterminador do futuro, Matrix, Homem de Ferro).

Ou seja, ao mesmo tempo que percebem a presença de IA em tecnologias utilizadas no dia a dia, fazem referência a ficções e futuros distantes que beiram cenários distópicos. 

Entre 2019 e 2020, o UNICEF realizou , com o apoio do governo da Finlândia, consultas globais com especialistas em IA, infância e direitos digitais para a elaboração do Guia de Política para Inteligência Artificial e Infância. Ciente da importância de dar voz às populações jovens nos processos que as envolvem, o projeto incluiu workshops com esse público. 

Dois dos workshops ocorreram em Manaus (AM) e São Paulo (SP) reuniu 42 adolescentes participantes, com idades entre 12 e 19 anos. A seguir, um resumo sobre as percepções dos jovens nas entrevistas em profundidade: 

Benefícios associados ao uso de IA

  • o acesso rápido e prático à informação; a agilidade para realizar atividades específicas;
  • a sugestão de filmes e músicas adequada aos gostos pessoais;
  • a melhora no diagnóstico e no tratamento de doenças;
  • o desenvolvimento de carros que dirigem sozinhos; 
  • a possibilidade de aprender novos idiomas;
  • o potencial de desenvolvimento de sistemas personalizados para acompanhar idosos, melhorar a acessibilidade e ajudar aqueles com dificuldade de compreensão. 

Dúvidas e preocupações

  • o uso de seus dados;
  • a falta de clareza sobre etapas de desenvolvimento de sistemas;
  • os possíveis impactos sociais;
  • o futuro do trabalho;
  • as incertezas em relação ao controle e à responsabilização dos atores envolvidos em toda a cadeia de desenvolvimento das tecnologias.

As respostas nas entrevistas demonstram que aspectos centrais às discussões sobre IA – como privacidade e proteção de dados pessoais – fazem parte de suas preocupações, o que reforça a necessidade de que os princípios de IA sejam adequados às demandas das populações jovens. Entre as questões estão: “Quem exatamente cria [os sistemas de IA]?”, “Como ela [IA] funciona e faz as coisas que deve?”,  “Como os meus dados são utilizados, onde ficam armazenados e quem tem acesso a eles?” e “Quem se responsabiliza por esses dados?”.

As preocupações levantadas pelas crianças e adolescentes podem ser compreendidas como formas de reivindicação por sistemas que considerem a proteção de dados pessoais, assegurem que os dados não sofram ataques externos, sejam confiáveis e operem da maneira proposta.

No entanto, a complexidade envolvida no desenvolvimento de sistemas baseados em IA cria desafios significativos para a governança dessas iniciativas, uma vez que, além das implicações técnicas, sua implementação e utilidade nem sempre são claras.

Entre os requisitos listados pelo UNICEF para desenvolver sistemas de IA centrados em crianças e adolescentes estão: garantir a inclusão dessa população, priorizar a equidade e a não discriminação. Para cumpri-los, é necessário considerar o processo de desenvolvimento de tais sistemas desde o início, o que significa olhar tanto para os dados e os algoritmos (uma vez que influenciam os resultados) quanto para uma abordagem de design inclusiva. Sobre os dados, o UNICEF preconiza que representem características importantes para os grupos que farão uso ou serão afetados pelos sistemas, tais como gênero e cultura, de forma a minimizar possíveis discriminações. Já a abordagem inclusiva pode garantir que, independentemente de aspectos como idade, diversidade geográfica e cultural, todas as crianças possam usar as tecnologias baseadas em IA, mesmo aquelas que potencialmente seriam excluídas por vieses dos algoritmos das plataformas. 

Outro aspecto importante é a adaptação dos sistemas ao contexto nacional e local. Para isso, as políticas e diretrizes voltadas à IA devem priorizar as crianças e adolescentes mais vulneráveis, considerar o desenvolvimento de bases de dados que incluam dados de crianças diversas, bem como eliminar vieses que resultem em discriminação e exclusão. 

Cientes das raízes históricas dos problemas sociais abordados, adolescentes identificam que a sub-representação de grupos populacionais no desenvolvimento de IA se associa ao papel de quem desenvolve tais tecnologias: “A gente percebe o quanto está difícil de o machismo ter fim e como ele é reproduzido por IA. A empresa vai contratar mais homens porque ela [base de dados que alimenta o algoritmo de IA] tem mais currículos de homens, e quem programou considerou isso. O machismo passa do homem para a máquina” (menina, 14 anos, Manaus).

Além da reprodução de preconceitos por sistemas alimentados por dados não representativos, os tomadores de decisão na criação e no desenvolvimento de sistemas baseados em IA podem subestimar as necessidades de populações vulneráveis ou marginalizadas, o que aparece em exemplos citados por jovens indígenas.  “Existem indígenas que não falam português direito. A tecnologia precisa ser aprimorada porque considera a diversidade só em português. Só aqui no Amazonas são mais de 350 etnias com línguas variadas. A tecnologia não se interessa por essas etnias” (menino, 14 anos, Manaus).

Se a multiplicidade de atores e interesses for desconsiderada no desenvolvimento de tecnologias de IA, o alcance de soluções inclusivas e efetivas estará comprometido. Nesse sentido, a escuta a jovens de realidades diversas pode inspirar saídas valiosas e inovadoras. 

Os jovens participantes dos workshops identificam que a criação, o desenvolvimento e a aplicação de sistemas de IA pressupõem o controle humano, assim como reconhecem os possíveis impactos decorrentes de interesses específicos. No entanto, observa-se a falta de clareza sobre quem são os atores responsáveis por garantir que as oportunidades trazidas por esses sistemas sejam de fato aproveitadas e que os riscos sejam mitigados. O desenvolvimento de sistemas é bastante associado a cientistas e desenvolvedores que trabalham com IA, mas há pouca menção às empresas (enquanto instituições) responsáveis por disponibilizar tais sistemas. Isso pode representar uma incompreensão dos participantes a respeito do ecossistema de IA como um todo, levando à falta de entendimento sobre quem responde pelas tecnologias e quais seus interesses. Além disso, embora possíveis falhas e vieses sejam recorrentes nas falas dos jovens, são raras as referências ao desenvolvimento de instrumentos normativos em relação ao papel do Estado. Ainda que haja criticidade por parte das populações jovens e potência para o seu engajamento no debate em torno de IA, as lacunas em instâncias de participação causam dúvidas sobre como se inserir nesses espaços e a quem cobrar por seus direitos.

Sem que as perspectivas e as necessidades específicas de crianças e adolescentes sejam de fato consideradas, o desenvolvimento de tecnologias seguras, justas, equitativas e voltadas às demandas desse público não será efetivo. É determinante que essa população seja consultada e inserida nas arenas de participação, tendo contato com a multiplicidade de atores e interesses envolvidos na cadeia de produção das tecnologias. 

Em abril de 2021, a ONU lançou o  Comentário Geral sobre Direitos das Crianças em Relação ao Ambiente Digital. Disponível em Português, Espanhol e Ingles, o documento pontua como a Convenção sobre os Direitos da Criança, tratado de direitos humanos mais ratificado em todo o mundo (com mais de 190 Estados signatários), se aplica igualmente ao mundo digital.

Nada é grátis, apenas não pagamos com dinheiro

Que os novos termos de uso do Whatsapp permitam ampliar o entendimento e a reflexão sobre como funcionam os modelos de negócio do mundo digital

Priscila Gonsales

Logo no início do ano, usuários do mensageiro instantâneo Whatsapp foram pegos de surpresa com o aviso (ultimato, na verdade!) da empresa de Mark Zubkerberg. A partir de 8 de fevereiro, somente poderão continuar no zap zap se aceitarem os novos termos: seus dados serão obrigatoriamente compartilhados com o Facebook.

O assunto não é de hoje, vem desde quando o Facebook comprou o Whatsapp em 2014. Na época, o discurso que a privacidade seria preservada prevaleceu. Dois anos depois, porém, passou a fazer o compartilhamento por padrão, mas os usuários tinham, ao menos, a chance de impedir alterando as configurações. A partir de fevereiro, ou aceita ou cai fora.

Ao concordar com os termos para poder permanecer, precisamos entender que nosso número do telefone, o endereço de IP e os contatos que temos de pessoas e empresas serão disponibilizados também para o Facebook, já que é por lá que os anúncios publicitários são realizados. Isso vai aprimorar o serviço de perfilamento aos anunciantes, assim como aperfeiçoar os algoritmos que fazem sugestões de amizade, grupos e conteúdos. Há ainda a previsão de possibilitar compras pelo Whatsapp com o Facebook Pay.

Para nós educadores —profissionais ou mães/pais —, a situação surge como uma grata oportunidade para incentivar a reflexão sobre o significado do “grátis” no mundo digital. CONTINUE LENDO NO LINKEDIN

Blog do Sargento: prototipando a cultura digital antes, durante e após a pandemia

Cidadania Digital não era uma expressão disseminada como tem sido nestes tempos de pandemia.  O que vem acontecendo é que a cidadania digital foi acelerada e está chegando do jeito que “dá”, contexto da subjetividade de cada docente e da própria escola

Por Graça Santos 
facilitadora associada em Design Thinking para Educadores

Blog da Escola Municipal Sargento Euclides Alves de Araújo surgiu em junho de 2019, com o propósito inicial de registrar e tornar pública as ações praticadas. Ao diagnosticar as demandas pedagógicas “abaixo do iceberg” entre ensino e aprendizagem,  boas práticas, formação continuada livre, alfabetização, letramento e projetos em geral, entendi que poderia ampliar e aprofundar as boas práticas da orientação educacional a distância, ou seja, não apenas nos dias em que atuava na carga horária, e ou nas reuniões pedagógicas e com os responsáveis e familiares.

O blog tem as seguintes seções:
A Escola – apresento a escola com um texto de Paulo Freire; Dados do Censo Escolar e ao nome das pessoas e suas atribuições;
O Blog –  registro a intencionaliodade do Blog;
Projeto Mentes & Corações – Conexões e Diálogos sobre Educação;
Escrita, Alfabetização & Letramento – Pesquisa e Curadoria de materiais diversos para trabalhar leitura, escrita, alfabetização;
Aprendizagem Criativa – Incentivo ao conhecimento da Rede Criativa de Aprendizagem;
BNCC em profundidade – Materiais para  consulta docente
Estante Mágica no Sargento – Registros do processo de execução do projeto, que antes era na escola, e durante a quarentena, tornou-se um projeto piloto em casa. 

A situação que precisava ser aprimorada era oferecer apoio constante aos docentes, a partir das demandas diagnosticadas pedagogicamente. Em seguida, ser o vínculo entre professores, escola, alunos e pais durante a pandemia. O Blog tem funcionado como um “diário de bordo” de cada docente.

Objetivos da prática

• Promover ao máximo o bem-estar dos professores e resolver os seus desafios pedagógicos;
• Propor uma nova cultura de trabalho; 
• Gerar ideias que se complementam e criam algo novo vinculando o ensino e a aprendizagem, o aluno e a escola no período da pandemia; 
• Estimular o protagonismo docente e a cultura de colaboração; 
• Orientar quem orienta antes, durante e após pandemia.

Processo de implementação

Para implementar a prática, foram usadas argumentações pedagógicas individuais, coletivas e colaborativas, demonstrando a possibilidade de oferecer apoio remoto contínuo, afetivo e efetivo.

• Acolhimento constante das dores e urgências pedagógicas; 
• Criatividade, tempo, dedicação, disponibilidade para acolher, escutar e orientar os docentes engajados em promoverem a sua prática docente remotamente; 
• Orientações sobre curadoria de materiais diversos (vídeos, youtube, drive, pdfs, links etc).

Abordagem metodológica

O Design Thinking, por ser uma a abordagem de pensamento que combina a necessidade do contexto educacional com as possibilidades para atender as demandas pedagógicas dos professores foi usada para guiar boa parte dos caminhos e desafios constantes.

Passo 1 – Empatia
• Entendimento da situação contextual da escola, antes e durante pandemia.
• Observações da prática docente em sala de aula com autorização da professora.
• Escutas individuais para buscar as necessidades das professoras;
• Escutas coletivas em encontros pedagógicos;
• Vivências colaborativas em sala de aula com alunos e professoras;
• Imersão nas anotações e comentários das professoras e especialistas para compreensão de quais informações e contextos pedagógicos poderiam apoiar as professores na realização de atividades em ambientes digitais de aprendizagem;

Passo 2 – Definição dos múltiplos desafios
• Registros, anotações referentes à cada observação e escuta pedagógica individualmente;
• Compilação das falas, anseios e necessidades didáticas pedagógicas das professoras por ano de escolaridade; 
• Identificação de padrões urgentes e necessários para propor uma nova cultura de atuação docente. 

Passo 3 – Ideias
• Criação de uma conta  e endereço eletrônico;
• Criação do blog e nome do Blog;
• Criação da URL e template dinâmico;
• Criação das páginas fixas com Recursos e Estratégias Pedagógicas;
• Criação de pasta compartilhada;
• Criação de um canal no youtube para converter os vídeos enviados via mensagens instantâneas;
• Encontro pedagógico para apresentar as ideias;
• Convites à criação e cocriação das atividades;
• Criação de links específicos para professores;
• Envio das atividades pelos professores para as especialistas da escola;
• Revisão do material enviado e conversão em pdf;
• Criação de uma “capa” padrão para identificação dos professores;
• O link dos professores será sempre atualizado com as atividades e materiais enviados.
• Combinação de um dia da semana, no caso a sexta-feira, para envios das atividades, imagens, vídeos;
• Alimentação do blog e curadoria. 

Passo 4 – Protótipos
• Apresentação do blog por meio de envios do link para cada professor via mensagem instantânea;
• Orientações de como acessar e enviar aos grupos de mensagem instantânea para familiares criados pelas professoras;
• Orientações de como multiplicar os acessos ao link específico tornando ainda mais visível o trabalho docente para alunos e familiares;
• Atualizações semanais dos links específicos, a partir dos envios de materiais pelas professoras e especialistas;
• Envio da atualização do blog;
• Orientações de como localizar o espaço para escrever comentários;

 Passo 5 – Experimentações
• Interação constante a partir da compreensão da rotina pedagógica de cada professor;
• Cocriação de uma boa experiência coletiva, envolvendo professores, alunos, especialistas e familiares. 

Cidadão na rede: para usar e disseminar

Projeto Cidadão na Rede  alerta sobre os principais perigos da internet e aponta caminhos para usá-la da melhor forma. 

Lançado em outubro de 2020 pelo Ceptro.br, órgão do NIC.br que desenvolve diversas ações de formação, medição e disseminação sobre a infraestrutura da Internet no Brasil, o site apresenta 12 vídeos de aproximadamente 15 segundos cada, bastante simples e de fácil compreensão, que trazem  exemplos sobre  como se prevenir e resolver problemas na internet. 

O primeiro vídeo apresenta o problema do cyberbullying, enfatizando a seriedade  do tema e que não se deve desrespeitar ninguém na internet. O segundo destaca que  reiniciar o roteador pode resolver o problema de conexão fraca da internet. O terceiro mostra que o direito do consumidor também existe na internet, podendo cancelar uma compra em até 7 dias depois.. O quarto traz alertas para verificar se o site é seguro, como por exemplo, observar se tem cadeado fechado. 

O quinto vídeo explica que vídeos em geral consomem muita internet e que caso tenha mais pessoas usando pode sobrecarregar. O sexto mostra que existe um gerenciador de senhas para guardar todas elas sem esquecer. O sétimo fala sobre como verificar a senha em duas etapas além de ter uma senha forte. O oitavo mostra que existem repetidores de wifi para ampliar o sinal, caso um cômodo da casa esteja sem internet. O nono alerta para não deixar o roteador em lugar fechado. O décimo aconselha a não usar a mesma senha para várias contas. O penúltimo vídeo reforça a importância de criar senhas fortes para mais segurança. E o último alerta para não compartilhar boatos como verdades na internet. 

O Centro de Estudos e Pesquisas em Tecnologia de Redes e Operações é responsável por iniciativas e projetos que apoiam ou aperfeiçoam a infraestrutura da Internet no Brasil, contribuindo para seu desenvolvimento. Entre as iniciativas para medir a qualidade da Internet no País, destaque para o SIMET, que, com medições independentes, subsidia os provedores de acesso com informações que possibilitam a melhoria contínua das redes. 

Entrevista – Grace Gonçalves

Este é o 10º post da série de mini-entrevistas com especialistas e
estudantes convidados que vão apresentar seu ponto de vista para perguntas-chave sobre educar em cidadania digital, tema do nosso novo projeto, a plataforma colaborativa Pilares do Futuro

Bacharel em Sistemas de Informação, MBA em Sustentabilidade em Tecnologia da Informação e Comunicação (LASSU), graduanda em matemática e pós-graduanda em Computação aplicada à Educação pela USP ICMC. Atualmente é Design de Tecnologia Educacional no Colégio Miguel de Cervantes, coordenadora da Comunidade Praxis e  coordenadora da Comunidade Te & Ti Partners Brasil.

Como você definiria a importância de educar para a cidadania digital atualmente? 

Sempre soubemos da importância de educar e compartilhar nossas experiências, mas o ano de  2020 impactou a rotina de todos. Muitas pessoas viveram a necessidade crescente de se apoiar em alguma experiência inovadora, alguma tecnologia que prendesse a atenção dos  alunos, ou alguma ação que pudesse amenizar todo o impacto das mudanças, com o objetivo  contínuo de oferecer cidadania, momentos produtivos, saudáveis e colaborativos. A cidadania digital pautou toda e qualquer ação educativa; qualquer detalhe do mundo virtual,  grande ou pequeno, exigiu atenção redobrada. Nunca estivemos tão conectados como hoje.  Isso, em minha opinião, evidencia a importância de trabalhar a cidadania digital em todos os  âmbitos e chama a atenção para o papel preponderante da escola, na figura do professor, dos estudantes e de todos os envolvidos nesse processo.  

Quais os temas você considera prioritários de serem trabalhados pela escola? 

Considero importante um olhar direcionado e atencioso, pois é preciso trabalhar cada momento de maneira individual, respeitando a realidade de cada instituição. É necessário  focar na prevenção, trazendo à tona temas relevantes como fakenews, phishing e  cyberbullying, amplificando conceitos da cidadania digital como a saúde e o bem-estar digital.  Precisamos discutir direito e responsabilidade, treinando a escuta e tornando os alunos protagonistas das iniciativas e dos projetos de cidadania digital, para que desenvolvam a capacidade de saber como e quando usar a tecnologia digital. 

Gostaria de recomendar algum material ou publicação de orientação que pode inspirar a elaboração de boas práticas? 

Recomendo um tour pelo site da comunidade TE e TI Partners, que surgiu no formato de uma  tímida fanpage de Tecnologia Educacional e Sustentabilidade em 2012 e, com o passar dos anos, se tornou uma sólida comunidade de profissionais e especialistas em Tecnologia Educacional e Tecnologia da Informação voltados à educação, cujo objetivo é apoiar colegas  que atuam em outras instituições, ampliando o compartilhamento de experiências e  conhecimentos entre as áreas , estreitando a parceria e o alinhamento de processos e serviços por meio de encontros presenciais, lives e grupos em redes sociais, sempre em busca das  melhores e mais adequadas soluções para potencializar as aprendizagens de todos os  envolvidos nessa área, sejam eles alunos, educadores ou gestores. 

Conhece alguma boa prática em cidadania digital que poderia relatar brevemente? 

Pensando no ensino remoto, para as aulas recomendo o site (espanhol) pantallas amigas, que apoia as abordagens relacionadas à cidadania digital. Para as famílias, prescrevo o curso do NIC.br totalmente gratuito e on-line organizado pelas brilhantes instrutoras Kelli Angelini e  Karolyne Utomi, chamado Filhos Conectados. O curso oferece todo o conteúdo que pais, mães  e responsáveis precisam para proteger seus filhos e filhas no ambiente digital e para prepará los para utilizar a Internet da melhor forma possível. E para as escolas, recomendo os projetos e as palestras realizadas pela da Dra. Cristina Sleiman, tive a oportunidade de participar de alguns projetos educacionais organizados por ela, e sem dúvida aprendi muito, foi de grande valia para minha atuação profissional e social. 

O que você considera mais desafiante: elaborar uma atividade educativa sobre cidadania digital ou registrar e compartilhar a atividade? 

Como design de projetos, para mim é prazeroso poder elaborar, registrar e compartilhar  atividades sobre cidadania digital. Todavia considero desafiador cimentar projetos de etiqueta ou alfabetização de cidadania digital, e fazer suas ações perdurarem de modo a não apenas  remediar a causa inicial de um eventual problema, mas transformando-os em gatilhos preventivos que possam evitar situações futuras inóspitas, e compor a rotina diária dos  usuários super conectados do século XXI.

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Pilares do Futuro encerra primeira chamada de boas práticas

Plataforma do Educadigital em parceria com NIC.br e UNESCO para promover a educação em cidadania digital terá próxima chamada será em fevereiro de 2021  

Lançada em agosto de 2020, a Pilares do Futuro é uma plataforma totalmente dedicada à busca e compartilhamento de boas práticas educativas em cidadania digital.

Na sequência do lançamento, foi organizada uma Jornada de LIVES sobre temas relacionados à cidadania digital: proteção de dados, diversidade, alfabetização midiática e formação de professores. Todas estão disponíveis aqui.

Em outubro, a equipe da Pilares realizou duas oficinas, uma delas no Movimento Inova, para centenas de educadores e alunos da rede estadual paulista e que já pode ser vista no vídeo a seguir: 

A segunda oficina, para ideação de boas práticas (foto acima), recebeu o nome de Cidadania Digital Design Meeting e ocorreu no dia 28/10.  As 20 vagas foram preenchidas por meio de um processo seletivo, que priorizou diversidade regional.  A oficina teve, ainda, a participação de duas estudantes do Imprensa Jovem da rede municipal de São Paulo. 

Para 2021, estão previstas outras oficinas e formações que serão divulgadas em breve. 

Desde que lançou uma  chamada aberta para educadores enviarem propostas ou relatos de práticas pedagógicas sobre cidadania digital,  recebeu 24 envios nas seguintes temáticas: 

  • Superexposição
  • Alfabetização mediática
  • Cybersegurança
  • Cultura da colaboração
  • Identidade digital
  • Intimidade na internet
  • Saúde mental e física na internet

Algumas práticas já foram publicadas, outras ainda estão sendo analisadas pelo comitê curador, mas até o final do semestre, todas já estarão na plataforma. 

No dia 16/11, Priscila Gonsales, uma das idealizadoras e curadora da Pilares participa de painel sobre práticas em proteção de direitos de crianças e adolescentes no 5º Simpósio Crianças e Adolescentes na Internet.

Pilares do Futuro estreia oficina no Movimento Inova, evento on-line da rede estadual paulista 

PRI - Pilares Templates (8)

Educadores e estudantes da rede estadual paulista terão a oportunidade de conhecer e experimentar a plataforma  Pilares do Futuro.  Trata-se da segunda edição do Movimento Inova, evento organizado pela Secretaria de Educação do Estado de São Paulo que, ao longo de dois dias, vai oferecer a professores e estudantes  palestras, oficinas, hackathons e  apresentação de  experiências de práticas educacionais inovadoras. 

Nessa primeira experiência formativa da Pilares do Futuro, a expectativa é sensibilizar  estudantes sobre essa temática por meio de atividades cotidianas como por exemplo, entender como os algoritmos funcionam  quando fazemos uma busca por algum termo ou assunto. “Você sabia que a nuvem não existe?”, essa será uma das diversas reflexões que a oficina pretende instigar também nos docentes, para que possam ampliar o olhar para a tecnologia como um campo de conhecimento, não apenas uma “ferramenta” de ensino. 

Batizada de  Cidadania Digital Design Meeting, a oficina será conduzida pela educadora Bruna Nunes, editora da Pilares do Futuro. 

Agende-se
Data:  23 de Outubro
Hora: 15:30
Transmissão ao vivo pelo canal do Youtube, e página no Facebook do Centro de Mídias da Educação de São Paulo e pela TV Escola.

Fique atento e participe!!! 

Já ouviu falar em “T Shaped Individuals”?

Pixabay

Palestra no Four Summit 2019 apresenta o conceito de profissionais que se aprofundam em um determinado assunto sem deixar de lado a visão do todo e a curiosidade por outras áreas do saber

T Shaped Individual” é um termo utilizado para caracterizar a experiência, o aprendizado e a adaptabilidade humana, destacando que não é suficiente se especializar em uma determinada área de conhecimento, e não se interessar por outros temas. Esse foi o tema da palestra ministrada por Levindo Santos, que utilizou três exemplos para explicar o “T Shaped Individual”.

O primeiro exemplo foi o experimento social feito pelo Washington Post em que o famoso violinista Joshua Bell toca numa estação de metrô da cidade dois dias depois de ter feito uma performance lotada de gente. Quando ele toca, anonimamente, na estação, a reação é muito diferente, poucas pessoas pararam para ouvi-lo e só uma reconhece o músico. Um funcionário da estação nem percebeu que tinha um músico pois estava de fones de ouvido. O exemplo, segundo o palestrante, teve a intenção de mostrar que muitas vezes nos condicionamos a só “ouvir” o que programamos, nem pensamos em descobrir coisas diferentes.

O segundo exemplo foi de uma faculdade nos EUA chamada “St John’s College” uma instituição que à primeira vista, até causa uma má impressão, pois ela oferece um único curso superior, sem graduação específica, um diploma de “bacharel interdisciplinar”. Como exigência, leitura de 25 livros por ano, ensino a distância, e custa 135 mil reais por ano. Porém, essa faculdade já existe desde 1697, e o palestrante mostra um vídeo com vários depoimentos de ex-alunos dizendo que a faculdade foi ótima para eles pois os preparou pra vida, mais do que para um tema em si.

O último exemplo foi de uma pessoa que ficou órfã aos 10 anos, sempre morou na mesma região em que nasceu, e nunca viajou mais do que 300 km de sua casa. Qual seria a chance de essa pessoa, por exemplo, deixar algum legado pra humanidade? Pois essa pessoa é Johann Sebastian Bach, um dos maiores compositores da história, que descobriu seu talento para música muito jovem, tocava violino, cello, flauta, harpa, órgão, cravo e ainda cantava. Estudou a música de sua época, foi compositor, professor, músico de performance, matemático etc. Compôs para todos os gêneros musicais da sua época com exceção de sinfonias e óperas, e influenciou outros gênios da música como Mozart e Beethoven. Tudo isso sem viajar mais do que 300 km, algo que não fez diferença para que ele deixasse um dos maiores legados para a humanidade. 

A ideia do palestrante em expor o “T Shaped Individual” foi chamar a atenção para a importância de se dar uma chance para a sorte, por mais que as possibilidades de encontrar o Joshua Bell tocando numa estação de metrô sejam muito pequenas. É fundamental que se busque, que se vá atrás para algo acontecer, também tirar os fones, caminhar mais, descobrir seus interesses, mesmo que você não veja uma aplicação prática para eles, escutar música, aprender instrumentos, ler sobre temas distintos, estudar sobre artes, cinema etc. “As pessoas interessadas tendem a ser pessoas interessantes”, conclui.

O necessário dilema das redes

Documentário da Netflix vem chamar a atenção para a urgência de encararmos os paradoxos da tecnologia em nossas vidas

fonte: Pixabay

Por Priscila Gonsales

Depois de Privacidade Hackeada, o documentário Dilema das Redes é o mais novo foco de polêmica, claro, nas próprias redes sociais que enredam a narrativa. Dirigido por Jeff Orlowski, o filme fala sobre manipulação em massa e alerta para o perigo viciante das redes. Foram muitas as críticas que li e ouvi nas duas últimas semanas. Algumas bastante pertinentes, como por exemplo, a omissão de citação da empresa produtora Netflix, que também usa e abusa das técnicas de inteligência artificial desde que nasceu.

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Taxonomia em código aberto destaca soluções on-line para competências e habilidades

Consultoria internacional mapeia plataformas e aplicativos que favorecem a aprendizagem de competências e habilidades

Com o objetivo de conectar o mundo com a tecnologia e impulsionar o crescimento e a inovação na educação, a empresa HolonIQ, de inteligência de mercado educacional, lançou a plataforma “Global Learning Landscape”, que traz um mapeamento de soluções, plataformas e aplicativos on-line que oferecem diversos tipos de aprendizado. A taxonomia utilizada está disponívem em Creative Commons Atribuição.

A plataforma mostra categorias e habilidades de inovação na educação. Dentre elas, destaca-se a “Experimentando o Aprendizado”, algo que pouco se usa na escola. Um dos aspectos, por exemplo, é usar realidade virtual e aumentada para engajar o aprendizado; outros envolvem usar a prática de robótica para ter noção de automação, aplicativos de aprendizagem e também o ensino de programação. Todas as habilidades dessa categoria, muito presentes no mercado de trabalho, são pouco utilizadas nas escolas.

Vale destacar também a categoria “Educação Internacional”, também bastante fraca nos currículos das escolas, pois o aprendizado de idiomas, principalmente o inglês, precisa ser melhorado. Suas habilidades contam com propostas de inovação no ensino e novas formas de avaliação do trabalho com idiomas.

Algumas habilidades destacadas na plataforma até aparecem na escola, como  “Recursos de Professores” da categoria “Apoio de aprendizado”. Muitas vezes, os professores e os alunos têm acesso a conteúdos on-line para facilitar o trabalho pedagógico e os estudos, disponíveis especialmente para quem perdeu aula. Existem também habilidades para oferecer aprendizagem e oportunidade de estágios, na categoria “Empregos e Habilidades”, uma vez que as vagas de estágios estão cada vez mais concorridas e esse programa mostra novas oportunidades para que mais alunos possam se preparar para o trabalho.

A plataforma aborda muitos outros assuntos em várias categorias. Para saber mais acesse o site do “Global Learning Landscape”.