Entrevista – Kelli Angelini

Este é o 7º post da série de mini-entrevistas com especialistas e
estudantes convidados que vão apresentar seu ponto de vista para 5 perguntas-chave sobre educar em cidadania digital, tema do nosso novo projeto, a plataforma colaborativa Pilares do Futuro

Advogada atuante na área de Direito Digital. Mestre em Direito Civil
pela PUC/SP. Gerente do jurídico do NIC.br e do CGI.br desde 2002.
Autora dos Guias Internet com Responsa – cuidados e responsabilidades no uso da Internet para pais, educadores e adolescentes. Palestrante e
professora convidada nos cursos de pós-graduação de direito
eletrônico da Escola Paulista de Direito e Insper. Membro do comitê curador da futura plataforma Pilares do Futuro

Como você definiria a importância de educar para a cidadania digital atualmente?

Atualmente a educação relacionada à cidadania digital não só é importante, mas essencial. A cada dia mais a sociedade como um todo, independentemente da faixa etária que se encontra, está mais conectada, ainda mais agora diante da pandemia.

Em pesquisa realizada pelo CETIC.br em 2018, foi apontado que 86% das crianças e adolescentes são usuários da Internet. Portanto, lecionar sobre a cidadania digital é tão importante quanto lecionar sobre as demais matérias presentes na BNCC, como matemática, geografia, história, entre outras.

Falar sobre cidadania digital envolve muito mais do que ter habilidades sobre ferramentas tecnológicas, envolve ensinar para o uso da tecnologia de forma responsável, consciente e crítica e, por isso, precisamos deixar de, ingenuamente, acreditar que crianças e adolescentes já nascem totalmente aptos e habilidosos tecnologicamente. Todos nós precisamos praticar a cidadania digital e quanto mais cedo crianças e adolescentes estiverem envolvidos neste assunto, melhor.

Sabemos, e agora mais do que nunca, que as tecnologias são excelentes aliadas para as atividades  do nosso dia a dia em todos os aspectos. Mas se fizermos uso da Internet sem responsabilidade, o que é ótimo pode se tornar um problema, como por exemplo com situações de cyberbullying, exposição excessiva, fraudes online, violação de direito de imagem, violação de direitos autorais, fakenews,  ofensas e xingamentos online, dentre outros.

Além de ser necessário para todos saberem os deveres a serem cumpridos no ambiente digital, também temos a necessidade de que todos saibam os seus direitos neste ambiente, e principalmente desmitificar que a Internet é uma terra sem leis.

Em tempos de coronavírus, essa urgência aumenta, pois se antes estávamos conectados, hoje estamos muitas vezes mais.

 

Quais os temas você considera prioritários de serem trabalhados pela escola?

Acredito que todos os temas que envolvem cidadania digital tenham sua devida importância, sendo que o conjunto deles forma um cidadão benemérito e ético.

Contudo se for para apontar por onde começar, ressalto a importância de haver o conhecimento sobre direitos constitucionais básicos que muito se aplicam no uso da Internet, como boas ações online, uso adequado da imagem de terceiros em fotos e vídeos, compartilhamento responsável de fotos, vídeos e textos, liberdade de expressão e privacidade na Internet, consequências advindas de ofensas, xingamentos, cyberbullying, constrangimentos, entre outros. Assim como, abordar valores morais e éticos, como respeito ao próximo, empatia, solidariedade, tolerância nas ações no uso da Internet é fundamental.

A importância de cada tema presente no conceito de cidadania digital é percebida na medida em que vemos, frequentemente, jovens sendo punidos por infrações na Internet, como pelo envio ou uso desautorizado de fotos e vídeos, pela prática de xingamentos e ofensas online, fraudes, ameaças, criação de perfis falsos para humilhar e ofender pessoas, etc.

 

Conhece alguma boa prática em cidadania digital que poderia relatar brevemente?

Existem iniciativas muito úteis que podem apoiar escolas e pais a transmitir informações sobre cidadania digital a crianças e adolescentes, cito aqui uma que estou envolvida diretamente, que faz parte do projeto do NIC.br, Internet com Responsa. São mini-livros gratuitos para públicos diferentes, crianças, adolescentes, pais de crianças e adolescentes, idosos, professores, entre outros, estimulando o uso consciente e responsável da Internet e advertindo sobre as consequências de praticar atos irregulares na Internet. Também organizamos periodicamente o Curso de Capacitação para multiplicadores, presencial e totalmente gratuito, tem como público alvo, educadores de instituições públicas e privadas, para que se capacitem a ensinar sobre educação e cidadania digital aos seus alunos. Abordamos diversos temas como: direitos humanos, cyberbullying, direitos e responsabilidades na Internet, valores morais e éticos, nudes, fakenews, entre muitos outros.

 

Como o profissional da educação pode buscar formação e informações sobre temas de cidadania digital?

O Curso de Capacitação que citei anteriormente é uma ótima opção, por isso indico que todos acompanhem as novas turmas. Ademais também existem diversos cursos e materiais, inclusive também gratuitos, disponíveis na internet. O importante é o profissional ficar atento a qual instituição está oferecendo aquelas informações e capacitação, se realmente é uma instituição séria. Essa pesquisa é fundamental. Indico aqui algumas instituições: NIC.br, Safernet, UNICEF, entre outras.

 

De que forma uma plataforma para buscar e compartilhar boas práticas pode apoiar o trabalho docente?

Existem muitas formas de fazer uma colaboração efetiva ao trabalho docente, algumas delas são:

– Colocar em práticas a cidadania digital pela própria plataforma, o que eu quero dizer com isso é, não adianta termos uma excelente ferramenta que não é acessível para deficientes visuais, por exemplo. Ou que privilegia apenas uma classe social. Nem sempre é fácil chegar à perfeição, mas isso deve ser ponderado dentro dos limites que cada plataforma tem.

– Ser intuitiva, pois temos que levar em consideração que nem todos que usarão a ferramenta possuem conhecimento avançado sobre tecnologia;

– Ser aberta a colaborações externas e comentários;

– Manter-se atualizada;

– Ter possibilidades de acesso de forma gratuita;

– Indicar as fontes quando citar dados ou informações e estudos específicos;

-Fazer uma boa divulgação do trabalho realizado pela plataforma para alcançar o maior número de pessoas.

 

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Cidadania Digital é o 3º tema de maior interesse entre os professores 

Entrevista – Valdenice Minatel

Este é o 6º post da série de mini-entrevistas com especialistas e
estudantes convidados que vão apresentar seu ponto de vista para 5 perguntas-chave sobre educar em cidadania digital, tema do nosso novo projeto, a plataforma colaborativa Pilares do Futuro

Graduada em Pedagogia pela Universidade Estadual de Campinas. Mestra e doutora em Educação: Currículo (na linha de pesquisa Novas Tecnologias) pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (SP). Atualmente é Diretora-Geral Pedagógica do Colégio Dante Alighieri (SP) e também ocupou o cargo de Diretora de Tecnologia na mesma instituição. Editora da Revista de pré-iniciação científica InCiência 

Como você definiria a importância de educar para a cidadania digital atualmente?

Mais do que nunca ganha uma grandeza, temos necessidade urgente dessa educação para a cidadania digital.  Ainda mais em tempos de educação emergencial por conta da COVID-19, em que nos baseamos nos meios digitais,  o educador precisa exercitar essa cidadania e, portanto, todo processo educativo precisa ter esse pilar porque somente assim ela será uma educação completa, já que a cidadania digital comporta também uma relação dialética com a própria cidadania, num âmbito mais conhecido.  A escola tem o dever, a responsabilidade e, ainda bem, o papel de construir junto com a sociedade essa cidadania para que nós tenhamos pessoas cada vez mais empoderadas no sentido de poder atuar no meio em que vivem, na comunidade em que atuam. Não somente ajudando, mas também mudando este mundo para um mundo melhor e mais justo.


Quais os temas que você considera prioritários de serem trabalhados pela escola?

Dentro desse contexto da cidadania digital eu acho que primeiramente o respeito, a empatia e a gentileza são conceitos muito aplicados para a cidadania digital e para além dela, para o mundo não digital. Tais conceitos vêm embasados num cenário de educação sócioemocional e acho que com isso a gente consegue criar os vínculos e o ambiente necessário para  uma aprendizagem ainda mais ampliada  e significativa.

Obviamente, todas as questões de cybersecurity são importantes. Particularmente, destaco o combate a fakenews e desinformação, fundamental especialmente para o momento que nós estamos vivendo.


Conhece alguma boa prática sobre cidadania digital que poderia relatar brevemente?

Não poderia não mencionar o trabalho do Dante, que é liderado pela Verônica Cannatá, coordenadora  de Tecnologia Educacional. Temos feito um trabalho muito raiz mesmo, um trabalho que envolve toda a escola, que chama a responsabilidade de todos os sujeitos. Temos o que chamamos de “Jornada de Cidadania Digital“, que acontece em setembro e é um trabalho que nos enche de orgulho, pois vai de ponta a ponta, da educação infantil até o ensino médio, envolvendo os funcionários, os professores, pais, enfim eu acho que é um trabalho que merece destaque.


Como o profissional da educação deve buscar formação e informações sobre tema da cidadania digital?

Considero o NIC.br como um grande centro difusor de boas ideias e boas práticas e eu acho que você mesmo, Priscila, via Educadigital, tem contribuído muito para a gente poder ter informações curadas e de alto nível.  É sempre importante buscar pessoas e instituições que tenham uma trajetória consolidada nos meios digitais e estabelecer um diálogo com essas instituições e pessoas, formando uma grande rede de colaboração que no fundo é uma grande rede de apoio também.


De que forma uma plataforma para compartilhar boas práticas pode apoiar o trabalho do docente?

O primeiro item a ser observado é a qualidade dessas informações para que o docente possa  sentir confiança e sentir que ele está realmente minerando dados num lugar que é confiável, que vai produzir possibilidades de construção de conhecimentos bastante assertivos neste cenário. Volto a dizer, que você, Débora Sebriam e agora com a Rosa Lamana têm feito um trabalho muito importante desde os recursos educacionais abertos e neste momento mais voltado para a prática de conectar as pessoas e as boas ideias sobre segurança e cidadania digital. Ações como essas são necessárias e indicam que a gente tem um longo caminho ainda pela frente mas temos boas ferramentas para trilhar este caminho juntos.

 


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Cidadania Digital é o 3º tema de maior interesse entre os professores 

 

Educadigital na Bett Educar 2020

O Educadigital foi convidado para ministrar duas oficinas na Bett Educar, considerado o maior evento de educação e tecnologia da América Latina. 

A pedagoga e coach educacional Graça Santos, facilitadora associada do Educadigital no Rio de Janeiro, vai facilitar uma oficina de Design Thinking para Educadores, enfatizando como a abordagem possibilita que educadores e educandos exercitem o autoconhecimento quando aprendem.  
                       Dia 13 de maio 
                       14h-16h 

Já a diretora-fundadora do Educadigital, Priscila Gonsales, vai trazer a perspectiva da Inteligência Artificial na atualidade, que se baseia no uso de dados e metadados para refletir com os participantes os desafios que a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais trazem para o contexto educacional. 
                       Dia 15 de maio 
                       14h-16h 


A Bett Educar congrega, anualmente, mais de 270 empresas nacionais e internacionais, mais de 20 startups do setor e cerca de 30.000 participantes da comunidade educacional de todos os estados brasileiros, que se encontram com o propósito de buscar inspiração, discutir o futuro da educação e o papel que a tecnologia e a inovação desempenham na formação de todos os educadores e estudantes.

Local: Transamerica Expo Center
Av. Dr. Mário Vilas Boas Rodrigues, 387 – Santo Amaro-SP

Inscrições devem ser feitas diretamente no site do evento.

Cidadania digital é o 3º tema de maior interesse dos professores em relação à tecnologia

Além de aprender sobre possibilidades de aplicação em sua própria disciplina e na criação de novas práticas de ensino, docentes gostariam de saber mais como orientar alunos para o uso seguro, responsável e consciente da internet. Com isso, surge a Cidadania Digital.

Em sua última edição, divulgada em 2019, a pesquisa TIC Educação, realizada pelo Cetic.br, destacou que 57% dos professores gostariam de encontrar mais orientações sobre como trabalhar com os alunos questões relacionadas ao uso seguro, consciente e responsável da internet.  Entre os respondentes, 38% afirmam já ter apoiado algum aluno a enfrentar situações incômodas na internet. Por exemplo, bullying, discriminação, assédio, disseminação de imagens sem consentimento, entre outras.

Anualmente, em meados de fevereiro, uma intensa mobilização global, envolvendo mais de 140 países, vem chamar a atenção para o Dia Mundial da Internet Segura. Em 2020, a data marcada é 11 de fevereiro, mas a intenção é que a mobilização não se restrinja a um único dia nem a uma semana, mas sim esteja presente durante o ano todo, nas escolas, instituições e famílias.

“Quando falamos em uso seguro, responsável e consciente da internet, enfatizamos a importância que a cidadania digital tem cada vez mais em nossa vida e em nossa convivência em sociedade e pode ser trabalhada em diversas disciplinas e mais ainda de forma interdisciplinar”, explica Rosa Maria Lamana, da Escola de Formação e Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação da Secretaria Estadual da Educação de São Paulo.

Por sua atuação constante em diversos eventos sobre a temática, como o Fórum da Internet e o Simpósio Crianças e Adolescentes na Internet, e também por estar sempre atenta às necessidades dos docentes, Rosa procurou o Educadigital com uma constatação bem pertinente. “Existem muitas fontes de informação, vários materiais de apoio consistentes, mas não temos ainda onde encontrar sugestões de como colocar em prática”, relatou Rosa.

Em conversas com a diretora-executiva do Educadigital, Priscila Gonsales, aquela constatação foi acolhida e acabou gerando uma ideia concreta. “Logo pensei que também faltava valorizar as boas práticas que já estão sendo feitas, mas são bem pouco divulgadas”, explicou Priscila.

Desde 2018, o Educadigital mantém a plataforma REliA, um referatório de recursos educacionais com licenças abertas (REA), organizado por área do conhecimento, tipos de mídia e disciplinas. Portanto, ao remixar a base tecnológica em código aberto do REliA, vai surgir uma nova plataforma, especialmente voltada para a busca e o compartilhamento de boas práticas em cidadania digital.

cidadania digital

Essa nova plataforma receberá o nome de Pilares do Futuro, para remeter aos 4 pilares da educação da UNESCO —aprender, fazer, ser e conviver— que formam a base das competências socioemocionais e também das competências gerais da Base Nacional Curricular Comum (BNCC). “Pilar ainda representa alicerce, ou seja, a consistência que uma prática em cidadania digital deve ter”, ressalta Débora Sebriam, coordenadora de projetos do Educadigital.

Então, com apoio inicial do NIC.br, a Pilares do Futuro está sendo construída e tem lançamento previsto para março de 2020. Primordialmente além dos temas bastante procurados como cyberbullying e superexposição, também serão destaque:

  • Inteligência artificial
  • Proteção de dados
  • Direito autoral
  • Fake news
  • Publicidade
  • Consumo
  • Dentre outros

Quer participar desse projeto?

2019 foi um ano daqueles!

Como precisamos de resiliência e perseverança para esse ano que passou! Mesmo com tanta adversidade, seguimos firmes em nossa missão de disseminar a educação aberta pelo Brasil. E já agora neste fim de ano, para adentrar 2020 em nova perspectiva, ampliamos nosso foco de atuação, trazendo a pauta dos direitos digitais — acesso à informação, liberdade de expressão e privacidade de dados pessoais — para o centro da nossa missão. 

Completamos 5 anos de Design Thinking para Educadores levando formação em práticas pedagógicas abertas para mais de 10 mil professores, gestores, estudantes e também para profissionais de organizações sociais de todo o Brasil.

Nosso material aberto e gratuito foi oficialmente recomendado por redes públicas como apoio na readequação curricular para a Base Nacional Curricular Comum. No Rio Grande do Sul, por exemplo, nossa facilitadora associada, Sandra Mendez, apoiou o processo em escolas de Pelotas e do Chuí. Lançamos novo material igualmente aberto e gratuito, especialmente voltado para resolver problemas de gestão. Fizemos várias palestras sobre inovação em educação e contribuímos com o curso de formação para diretores ingressantes da SEE-SP, com o vídeo: 

Foi um ano importante em reconhecimento internacional de nosso trabalho, ganhamos prêmio e indicação para prêmio por nossa expertise de formação de gestores públicos para a implementação de política de educação aberta. Também fizemos mentoria internacional em eventos da área na Europa (Polônia) e na América Latina (Peru). Conseguimos aprovar o Projeto de Lei sobre Recursos Educacionais Abertos em mais uma comissão na Câmara dos Deputados. Lançamos o Jogo da Política de Educação Aberta, disponível em três idiomas: português, inglês e espanhol. Você já viu nosso novo vídeo sobre a diferença entre recursos grátis e abertos?  

Lançamos um site novo para poder organizar melhor as informações sobre nossas iniciativas, projetos e ações, além de facilitar a que todas as nossas produções — impressas e digitais — realizadas ao longo dos últimos 9 anos possam ser encontradas. 

E aguardem novidades para 2020: novo cursolab de formação de Líderes em Educação Aberta e uma plataforma de compartilhamento de boas práticas em cidadania digital! 

Inteligência Artificial e Alfabetização em Dados

Estreamos a nova oficina do Educadigital no LER – Salão Carioca do Livro, dia 28 de novembro, na Biblioteca Parque, Rio de Janeiro

Pela primeira vez, o tradicional LER – Salão Carioca do Livro organizou o Encontro com o Educador, um evento simultâneo com várias atividades práticas e mesas-redondas sobre temas contemporâneos da educação. 
O Educadigital esteve presente com duas oficinas, a de Design Thinking para Educadores, conduzida por Priscila Gonsales, diretora-executiva, e por Graça Santos, facilitadora associada no Rio de Janeiro. Em apenas duas horas, foi possível apresentar como uma abordagem baseada em empatia, colaboração e experimentação pode ser transformadora. Vários professores se emocionaram ao se verem contemplados como autores de processos de transformação da educação. 

A segunda oficina foi sobre Inteligência Artificial e Alfabetização em Dados, estreia nas formações do Educadigital e tem por objetivo levar mais conscientização aos educadores em relação às escolhas de ferramentas e aplicativos que são feitas para uso em sala de aula. “Hoje não basta levar as tecnologias para a escola, é fundamental questionar como uma determinada tecnologia captura e usa dados de nossas crianças e adolescentes”, ressaltou Priscila Gonsales. 
Veja mais fotos aqui 

Leve essa formação para a sua escola entre em contato!  

Não se iluda: inovar em educação não depende da ferramenta que você usa

Certificados fornecidos por empresas de tecnologia podem ocultar uma visão restrita e limitada das possibilidades de ensinar, inovar e aprender na cultura digital 

O que é inovar na educação para você? Repare que a pergunta é bastante subjetiva, pede uma resposta pessoal mesmo. Uma resposta que faça sentido na sua perspectiva, no seu contexto como educador(a) e na vida das pessoas com as quais você se relaciona. Inovação é essencial em qualquer área do saber e, não tenho dúvida, continuará sendo daqui a 50 anos, sempre despertando inquietações. No entanto, um ponto é certo: inovar em educação não depende da ferramenta tecnológica que você usa. E mais: nem sempre tem a ver com uso de uma tecnologia digital.

Não é raro ver empresas de tecnologia concedendo certificados específicos para educadores que sabem como utilizar bem ferramentas e aplicativos que elas mesmas produzem e, assim, vão formando uma rede promissora de divulgadores qualificados. São oferecidos cursos e outros atrativos — gratuitos ou não — e a expectativa de fazer parte de um “grupo seleto”.

Acho simpático quando empresas de tecnologia criam ações com a intenção de colaborar com a educação. A educação precisa sim do apoio de todos os setores. Mas qual é o limite? Tanto por parte de quem oferece o apoio quanto de quem recebe? Soube que há escolas contratando apenas professores “certificados” por empresas, algo que me soa preocupante e contraditório com os princípios de uma visão libertária de educação, ou seja, que valoriza as diversas possibilidades existentes de ferramentas e não apenas aquelas produzidas pela empresa X ou Y.

Há quase 20 anos atuando na área de educação e tecnologia digital, tive oportunidade de vivenciar diferentes formas de cooperação entre empresas e escolas, algumas delas bastante assertivas ao concentrar esforços no potencial criativo e autoral de professores e estudantes, independentemente das ferramentas que utilizam.

Só que nos dias de hoje isso não é o bastante. Precisamos ampliar os canais de colaboração entre educadores para promover trocas de qualidade e também fomentar a consciência crítica visando boas escolhas, escolhas essas que façam sentido.

Sou defensora dos recursos educacionais abertos e do software livre, pois permitem uso, reuso e adaptação. Além disso, carregam uma perspectiva baseada em flexibilidade, liberdade, compartilhamento e aprimoramento constante, pontos essenciais para gerar inovação. Para saber mais, assista ao programa da TV Escola sobre o tema:

Entendo, contudo, que algumas escolhas possam privilegiar ferramentas proprietárias, seja pelo serviço de suporte embutido ou pelo hábito de uso. Mas é preciso que tais escolhas sejam feitas com consciência.

Alguns pontos que considero importantes de serem ponderados:

  • Ferramentas gratuitas não são, necessariamente, abertas; para serem abertas precisam ter licenças que definam quais ações estão autorizadas, como por exemplo, adaptações e recriações a partir do código disponibilizado;
  • Qualquer material que você acessa na internet sem usar dinheiro tem um custo, ou seja, sempre há um pagamento oculto ou disfarçado, como por exemplo, o envio de seus dados (interesses, rede de contatos, localização etc) ou dos dados das pessoas de sua rede, escola, instituição;
  • Se você é profissional do serviço público, procure saber mais sobre educação aberta e licenças abertas como fatores fundamentais para o acesso ao conhecimento, principalmente se há fundos públicos empenhados na compra, subsídio ou aquisição de materiais e softwares educacionais. Este Livro-Guia pode ajudar;
  • Se você considera importante receber a certificação por uma empresa de tecnologia, procure saber antes quais as condições e as contrapartidas envolvidas;
  • Certificações que reproduzem a dinâmica concorrente e competitiva do mercado não combinam com a cooperação e o trabalho em equipe de um ambiente educativo;
  • Certificados, títulos ou diplomas não são garantia de qualidade de experiências, práticas e conhecimentos adquiridos.

De toda forma, mesmo que a opção seja continuar usando e propagando ferramentas proprietárias, vale saber se existem alternativas abertas ao que você já conhece e usa. Essa atitude de pesquisador(a) é bem importante para quem deseja inovar.

Considere, ainda, apresentar tais alternativas a estudantes ou outros educadores como forma de ampliar a visão e a escolha consciente deles também.

DICAS

Referatório de Recursos Educacionais com Licenças Abertas
http://www.relia.org.br

Softwares livres para conhecer
https://prism-break.org/pt/ 

Comunidades de troca entre educadores
Rede Brasileira de Aprendizagem Criativa
Educadores, estudantes, pesquisadores, artistas e diversos interessados em criar e trocar experiências sobre práticas pedagógicas mão na massa.
http://aprendizagemcriativa.org/

Scratch Day
Rede global de eventos de aprendizagem a partir do uso do Scratch, linguagem de programação em código aberto criada em 2007 pelo MIT Media Lab.
https://day.scratch.mit.edu/

Conane
Conferência Nacional de Alternativas para uma Nova Educação reúne educadores, pais, alunos e interessados em uma educação emancipadora, autônoma e inclusiva.
https://www.conane.com.br/

Educadigital indicado ao prêmio WSIS 2019

O Educagital foi indicado na categoria Desenvolvimento de Competências (Capacity Building) na edição 2019 do WSIS Prizes (Prêmio da Cúpula Mundial para a Sociedade da Informação – CMSI), instituição ligada à ONU (Organização das Nações Unidas). Foram 143 indicações nessa categoria; ao todo são 18 categorias, sendo que cada uma delas reflete uma das linhas de ações da CMSI. A cerimônia de premiação acontece em abril, na Itália.


Coorganizado pela UIT (União Internacional de Telecomunicações – a agência da ONU especializada em tecnologias de informação e comunicação), UNESCO, PNUD e UNCTAD, o prêmio existe desde 2012. Para poder participar, é necessário comprovar o trabalho social realizado a partir de experiências de uso e promoção de tecnologias da informação e comunicação que possam ser reconhecidas como assertivas e com potencial de replicabilidade. O prêmio é aberto a participação de governos, instituições de pesquisa e setor privado.

Para Priscila Gonsales, fundadora e diretora do Educadigital, a indicação já é um reconhecimento fabuloso. “Somos uma organização da sociedade civil de pequeno porte, com modelo próprio de operação e sustentabilidade e, mesmo assim, estamos conseguindo disseminar pelo Brasil a importância da educação aberta alinhada a uma perspectiva de abordagem colaborativa de aprendizagem”, ressalta Priscila.    “É muito importante saber que estamos no caminho certo quando o assunto é educar com tecnologias, ainda mais globalmente.”

Criado em dezembro de 2010, o Educadigital é uma organização da sociedade civil que tem como missão contribuir para a criação e o desenvolvimento de novas oportunidades de aprendizagem que estimulem a formação de cidadãos críticos e criativos, capazes de compartilhar informação conhecimento e cultura em uma sociedade digital em constante transformação

Atua na perspectiva da Educação Aberta na Cultura Digital, sendo co-organizador da Iniciativa Educação Aberta com a Cátedra UNESCO de Educação Aberta e a Distância do Brasil, sediada na Universidade de Brasília. Trata-se de um conjunto de ações de formação de gestores públicos e projetos de fomento a políticas públicas de Recursos Educacionais Abertos (REA), com referências e publicações sobre o tema, além de atividades de formação para educadores e gestores.

O Educadigital foi pioneiro ao trazer para o Brasil a abordagem do Design Thinking na educação, por meio de um material aberto e gratuito e de cursos e formações presenciais e a distância.

Priscila Gonsales, co-fundadora e diretora-executiva foi selecionada como fellow Ashoka em 2013, instituição global que identifica empreendedores sociais no mundo todo.

Educar com tecnologia sem a tecnologia

A falta de equipamentos para todos ou a baixa conectividade não impedem o desenvolvimento de bons projetos educativos

Por Priscila Gonsales (originalmente publicado em Medium)


Fui convidada para falar sobre tecnologias emergentes na educação no encontro do Projeto Educanvisa, organizado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) desde 2006 e que reúne 1.456 escolas públicas de todo o Brasil. A programação do evento, realizado nos dias 18 e 19 de setembro, em Brasília, priorizou o compartilhamento de ideias e experiências entre os professores, em uma empolgante valorização da diversidade de vozes e saberes. Em comum, todos tinham como base um projeto de educação em saúde, desenvolvido a partir de diversas metodologias participativas e em diferentes níveis de ensino.

Apesar de existir há 12 anos, o Educanvisa é ainda pouco conhecido por se tratar de uma ação de outro Ministério, o da Saúde, em parceria direta com escolas e secretarias de educação. Diversos materiais de uso educativo são produzidos e estão disponíveis para acesso e download pelo site para qualquer usuário interessado. O livro mais recente, com a sistematização de boas práticas educativas desenvolvidas nos últimos dois anos, foi lançado no evento.

Fiquei com vontade de registrar aqui um ponto que me chamou muito a atenção. Nem todos os trabalhos apresentados fizeram uso de uma tecnologia digital, mas todos, de alguma forma, trabalharam com a tecnologia digital. Parece contraditório? Pois é perfeitamente possível educar no contexto da cultura digital mesmo sem ter equipamentos disponíveis ou excelente conectividade .

A qualidade metodológica das propostas roubou a cena por conseguir relacionar diversos temas de saúde e qualidade de vida com o advento da tecnologia que permeia a sociedade atual, tais como, acesso à informação, discursos ocultos em materiais de divulgação/publicidade, interesses econômicos X interesse público, ações cooperativas em rede. Além disso, o papel do professor na mediação do processo ficou bastante evidente.

É claro que isso não invalida a luta pela ampliação do acesso à internet nas escolas, até porque segundo a pesquisa TIC Educação 2016, somente 4% das escolas públicas brasileiras têm mais de 20 Mbps de internet, valor mínimo de velocidade recomendado para uso pedagógico com os alunos.

No entanto, mesmo em um cenário ideal de conectividade e acesso, se não houver uma boa proposta pedagógica, pouca coisa vai mudar de fato. Queremos sempre mais tecnologia, mas nem sempre sabemos por que ou para que queremos. Simplesmente queremos. No entanto, precisamos mesmo é de mais metodologias do que de tecnologias para poder inovar em educação.

Pensando nisso, gostaria de propor um desafio: podemos trabalhar com tecnologia na escola sem ter a tecnologia?

Em 2013, escrevi um artigo sobre como lidar com os inconvenientes das tecnologias digitais. Algumas das recomendações são ainda bem pertinentes, mas se fosse fazer uma atualização para 2018, citaria o desenvolvimento do espírito hacker (conhecer bem um sistema para propor melhorias a partir dos recursos disponíveis) e o uso da abordagem do design thinking (empatia, colaboração e experimentação) como elementos importantes para educar com tecnologia — seja com ou sem a tecnologia.

Seguindo nesse caminho, pontuo aqui apenas algumas sugestões que podem gerar insights para planejamento e desenvolvimento de debates e/ou projetos variados, integrando diferentes componentes curriculares:

– Análise do discurso a partir de postagens nas redes sociais;

– Produção de memes com materiais “analógicos” como colagem, massinha, desenho livre etc

– Linguagem internetês, emojis e seus significados na “língua culta”;

– O que são e como funcionam os algoritmos: criação de roteirização ou sequência lógica para a realização de uma dad atividade;

– Criptografia: a matemática como chave para uma investigação;

– Chuva de ideias para usos possíveis do celular em uma atividade educativa (os alunos são excelentes parceiros para essa cocriação);

– Produção de textos curtos (capacidade de síntese) para uso em mídias com limite de caracteres;

– Comunidade virtual de prática: produção colaborativa a distância com uma outra escola do bairro ou mesmo outra turma da mesma escola;

– Identidade e selfie: quem somos ou quem queremos ser quando postamos? Outras formas de auto-representação;

– Robôs e inteligência artificial que já fazem parte de nosso cotidiano e que quase nem percebemos;

– O que já sabemos fazer usando tecnologia digital que podemos ensinar a outra pessoa;

– Privacidade: o que são dados pessoais, quais podem ser públicos e quais devem ser privados;

– Que aprendizagens não teríamos antes do acesso à internet?

– Quais os tipos de tecnologia digital já temos em nossa escola e como é utilizada;

– O que poderíamos fazer se tivéssemos mais recursos da tecnologia digital que ainda não fazemos?

Termino com o vídeo abaixo, disponível no youtube, que traz uma produção reflexiva exatamente sobre o tema “metodologia x tecnologia” que, embora embalado pelo hit “Pela Internet” do Gilberto Gil lançado há 20 anos, segue sendo desafio.