Unicamp e Universidade de Bristol divulgam relatório sobre letramentos digitais e inclusão digital no Brasil contemporâneo

O documento foi utilizado como material preparatório de workshop interdisciplinar organizado por ambas as instituições acadêmicas com apoio do Newton Fund e da FAPESP

Para debater o novo contexto da inclusão digital e dos letramentos digitais emergentes no Brasil contemporâneo, o Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp, em parceria com a Universidade de Bristol, realizaram workshop interdisciplinar nos dias 13 a 15 de julho de 2021. Com financiamento do British Council-FAPESP Researcher Links, o evento teve o objetivo de estimular vínculos de longo prazo entre pesquisadores do Reino Unido e de universidades do Estado de São Paulo, bem como contribuir para o desenvolvimento pessoal e profissional dos participantes. 

O workshop reuniu dezenas de pesquisadores com até 10 anos de doutorado, convidados a discutir seus estudos atuais com pesquisadores estabelecidos na área e também representantes de organizações da sociedade civil (OSC) brasileiras que trabalham com inclusão digital no Brasil. 

No intuito de ampliar o alcance da iniciativa e inspirar ainda mais novos diálogos e trabalhos de advocacy sobre o tema, o relatório preparatório está disponível para download. O documento foi financiado pela Research England’s Quality-related Research Strategic Priorities Funding e produzido sob uma Licença Creative Commons por Priscila Gonsales, fundadora e diretora da OSC Educadigital, cuja missão há 10 anos é contribuir para novas oportunidades de aprendizagem em uma sociedade em constante transformação, com foco na educação aberta, e na defesa dos direitos digitais.

O relatório preparatório abrange um estado da arte sobre os conceitos de “inclusão digital” e “letramento digital” atualmente válidos nas instituições públicas e no terceiro setor no Brasil. Traz também um panorama do cenário atual da cultura digital, ou seja, um cenário fortemente marcado por plataformas de comunicação, dadificação, algoritmos de IA, vigilância, populismo digital, desinformação sistemática, além da ocupação de espaços cívicos e institucionais por oligopólios empresariais. 

"É importante que o documento seja disponibilizado para que possa incentivar mais pesquisas e estudos na área e estimular mais diálogos entre a academia e aqueles que trabalham com iniciativas de letramento e inclusão digital no governo e no terceiro setor."
Edward King
Universidade de Bristol, coorganizador do workshop

Entre vários aspectos relacionados ao atual momento brasileiro, o relatório destaca que o acesso à internet no país tem sido feito por telefone celular, ou seja, o celular é o principal dispositivo de acesso à internet.  Boa parte da população utiliza um plano mensal de dados pré-pagos, assim, quando o plano termina, as pessoas têm acesso somente às redes sociais como Facebook e Whatsapp, que pertencem à mesma empresa. 

Outro ponto destacado é a educação pública que tem se mantido à parte da discussão de políticas de cultura digital, tais como, apropriação de ambientes tecnológicos e, especialmente, questões relacionadas à construção de marcos legais, tais como, Marco Civil da Internet, reforma dos direitos autorais e Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Durante a pandemia, universidades públicas e secretarias de educação intensificaram a adoção de plataformas das BigTechs sem a devida preocupação com a proteção de dados de estudantes e docentes. 

O relatório também traz exemplos de casos recentes sobre cultura digital, estudos acadêmicos sobre vigilância na educação, projetos de divulgação científica e iniciativas de organizações sociais cobrindo temas da atualidade, tais como, conscientização anti-racismo e anti-discriminação, agenda feminista, dentre outros.  

"No passado, nossa preocupação era que as pessoas tivessem acesso e habilidades para usar a internet em favor do seu crescimento e do desenvolvimento de suas comunidades. Atualmente lidamos com um nível mais sofisticado de problemas advindo justamente do fato de que o acesso se universaliza de formas pouco neutras e os conhecimentos necessários vão muito além de saber usar as máquinas e os serviços: é preciso agora entender o que e a quem as tecnologias usam, e como."
Marcelo Buzato
Unicamp, coorganizador do workshop

Simpósio mobiliza educadores e estudantes para cocriar boas ideias a partir de desafios atuais da educação

Totalmente on-line, o evento tem o objetivo de propiciar a educadores, gestores educacionais e demais profissionais que atuam em formação de pessoas, uma vivência na abordagem do Design Thinking no formato remoto

A estrutura do Simpósio é focada na interatividade com os participantes, ou seja, em vez de palestras, atividades cocriativas, “cases” inspiradores e ideação coletiva. Para conhecer nossa equipe de facilitadores, acesse a página do evento.

Um resumo das ideias geradas em cada dia pode ser lido aqui, basta clicar nas abas abaixo:

No primeiro dia do Simpósio, o tema foi “Cidadania Digital”,  apresentado pela facilitadora Priscila Gonsales, que enfatizou a que trabalhar com cidadania digital envolve criar práticas educativas relacionadas a direitos humanos, além do uso seguro e consciente da internet. 

A primeira atividade em grupo foi compreender os desafios possíveis para esse tema e considerar as pessoas envolvidas. O grupo escolheu fazer um “mapa da empatia” dos professores. Na sequência foram criadas salas de trabalho em grupo para a ideação.

Saiba mais: 
O que é Design Thinking – entrevista com Priscila Gonsales
Apresentação sobre Cidadania Digital
Link para os murais criados: grupo 1grupo 2 e grupo 3

O segundo dia tratou do tema “Educação Híbrida”, apresentado pelo facilitador Robson Santos, que ressaltou como o conceito não é novo, que há muito tempo a educação utiliza diferentes estratégias didáticas para além da sala de aula. Mas que agora, com a pandemia o conceito de “híbrido” vem ganhando força, especialmente pela mediação de plataformas on-line. 

A primeira atividade coletiva deste dia foi compreender as “certezas” e “dúvidas” que o tema traz para só então poder identificar qual o desafio a ser enfrentado. Cada matriz permite elencar diversos desafios, a questão é saber escolher quais os mais urgentes.

Na sequência, o grupo criou uma “persona escola”, para puder retratar as características positivas que a escola como equipamento social oferece, bem como o que ela deixa a desejar. 

E, por fim, os grupos de ideação conversaram sobre possibilidades concretas: grupo 4grupo 5 e grupo 6

Vídeos inspiradores sobre Educação Híbrida:
Missão Galo
Amazônia: laboratório natural

O último dia contou com a participação especial de 5 estudantes do Ensino Médio: Ariane Tobias, de Canindé do São Francisco (SE), Natalhia Viana, do Rio de Janeiro (RJ), ambas do grupo de jovens do projeto Criativos da Escola. Também estiveram presentes três alunas do CIEP Cecília Meireles, de Petrópolis (RJ): Maria Beatriz Alves, Maria Eduarda Kaezer e Viviane Maciel. 

As convidadas vieram cocriar com os educadores participantes sobre o tema Projetos de Vida e Itinerários Formativos, apresentado pela facilitadora Ana Marcia Paiva. Apesar de bastante pertinente, ainda é raro encontrar escolas que envolvem estudantes no processo de concepção e planejamento de itinerários. 

Os participantes todos, incluindo as alunas, fizeram o quadro de “motivações” e “tensões” para compreender melhor o tema e saber quais os entraves de implementação. Fizeram, ainda, a persona “estudante” para uma conexão empática com a faixa etária de quem está cursando Ensino Médio nos dias de hoje. 

Na sequência, as salas de grupos para ideiação de possibilidades. Nos links de cada grupo vai aparecer também os ambientes utilizados nas atividades coletivas gerais: grupo 7grupo 8grupo 9

Esse dia também foi transmitido ao vivo para quem quisesse acompanhar. 

Saiba mais:  

Vídeo sobre Itinerários Formativos da Ana Marcia Paiva

Projetos de vida – educação em valores 

 

 

Educadigital lança novo curso aberto e gratuito

Com alegria que anunciamos mais uma parceria com a Escola Virtual da Fundação Bradesco para a produção e disponibilização de conhecimento aberto e acessível. 

Já está disponível para matrículas o novo curso Inteligência Artificial e o Novo Contexto da Cultura Digital, de autoria da pesquisadora e diretora do Educadigital, Priscila Gonsales.

O curso, no modelo autoformativo — ou autoinstrucional — é destinado a profissionais e estudantes da educação interessados em compreender e refletir sobre as mudanças na cultura digital a partir dos avanços atuais das técnicas de inteligência artificial (IA). 

“É fundamental que educadores ampliem seus conhecimentos sobre questões da atualidade no mundo digital, como Big Data, algoritmos de IA, direitos digitais, dentre outros”, pontua Priscila. 

Outro aspecto bastante relevante sobre o curso é que ele é um remix, ou seja,  parte do conteúdo foi elaborada a partir dos módulos do curso Líder Educação Aberta, criado pela Iniciativa Educação Aberta e UNESCO do Brasil, do qual Priscila é professora e coordenadora. 

Acesse aqui o curso

Conheça outros cursos realizados em parceria com a Escola Virtual da Fundação Bradesco: Design Thinking para Educadores e Recursos Educacionais Abertos 

Inteligência Artificial no contexto brasileiro: olhar da juventude

Acessar, usar e interagir com tecnologias baseadas em inteligência artificial faz parte do cotidiano de crianças e adolescentes. Dados da pesquisa TIC Kids Online Brasil 2019, do Cetic.br|NIC.br, apontam que 89% das crianças e adolescentes de nove a 17 anos eram usuários de Internet (95% declararam acesso pelo celular). Além disso, 68% afirmaram ter utilizado redes sociais e 79%, enviado mensagens instantâneas. 

Tal como notado pelo UNICEF, plataformas como o YouTube lançam mão de algoritmos para recomendar conteúdos e, em especial no caso do YouTube Kids, mediar vídeos apropriados a esse público. Além da preocupação com a opacidade e a falta de transparência em relação aos algoritmos, coloca-se o desafio da possível exposição a conteúdo mercadológico.

Segundo resultados da edição de 2018 da pesquisa TIC Kids Online Brasil, mais da metade das crianças e adolescentes usuários de Internet teve contato com propaganda em redes sociais e sites de vídeos.

Algoritmos baseados em IA estão incorporados às plataformas e a outras aplicações on-line utilizadas por crianças. No entanto, a percepção sobre a presença desses sistemas não é intuitiva e pode ser dificultada à medida que as interações com tais tecnologias se tornam mais integradas.

Diante disso, para captar o entendimento de crianças sobre o tema é necessário, primeiro, identificar como essa população compreende os sistemas baseados em IA e interage com eles. Ao serem estimulados a comentar sobre o que pensam ao ouvir o termo “Inteligência Artificial”,  participantes dos workshops brasileiros mesclaram exemplos que vão desde tecnologias presentes no cotidiano, tal como assistentes virtuais (Siri, Alexa, Google Assistente), assistentes de lojas e de bancos (BIA, do Bradesco, Aura, da Vivo, Lu, do Magazine Luiza), até casos de ficção científica (Exterminador do futuro, Matrix, Homem de Ferro).

Ou seja, ao mesmo tempo que percebem a presença de IA em tecnologias utilizadas no dia a dia, fazem referência a ficções e futuros distantes que beiram cenários distópicos. 

Entre 2019 e 2020, o UNICEF realizou , com o apoio do governo da Finlândia, consultas globais com especialistas em IA, infância e direitos digitais para a elaboração do Guia de Política para Inteligência Artificial e Infância. Ciente da importância de dar voz às populações jovens nos processos que as envolvem, o projeto incluiu workshops com esse público. 

Dois dos workshops ocorreram em Manaus (AM) e São Paulo (SP) reuniu 42 adolescentes participantes, com idades entre 12 e 19 anos. A seguir, um resumo sobre as percepções dos jovens nas entrevistas em profundidade: 

Benefícios associados ao uso de IA

  • o acesso rápido e prático à informação; a agilidade para realizar atividades específicas;
  • a sugestão de filmes e músicas adequada aos gostos pessoais;
  • a melhora no diagnóstico e no tratamento de doenças;
  • o desenvolvimento de carros que dirigem sozinhos; 
  • a possibilidade de aprender novos idiomas;
  • o potencial de desenvolvimento de sistemas personalizados para acompanhar idosos, melhorar a acessibilidade e ajudar aqueles com dificuldade de compreensão. 

Dúvidas e preocupações

  • o uso de seus dados;
  • a falta de clareza sobre etapas de desenvolvimento de sistemas;
  • os possíveis impactos sociais;
  • o futuro do trabalho;
  • as incertezas em relação ao controle e à responsabilização dos atores envolvidos em toda a cadeia de desenvolvimento das tecnologias.

As respostas nas entrevistas demonstram que aspectos centrais às discussões sobre IA – como privacidade e proteção de dados pessoais – fazem parte de suas preocupações, o que reforça a necessidade de que os princípios de IA sejam adequados às demandas das populações jovens. Entre as questões estão: “Quem exatamente cria [os sistemas de IA]?”, “Como ela [IA] funciona e faz as coisas que deve?”,  “Como os meus dados são utilizados, onde ficam armazenados e quem tem acesso a eles?” e “Quem se responsabiliza por esses dados?”.

As preocupações levantadas pelas crianças e adolescentes podem ser compreendidas como formas de reivindicação por sistemas que considerem a proteção de dados pessoais, assegurem que os dados não sofram ataques externos, sejam confiáveis e operem da maneira proposta.

No entanto, a complexidade envolvida no desenvolvimento de sistemas baseados em IA cria desafios significativos para a governança dessas iniciativas, uma vez que, além das implicações técnicas, sua implementação e utilidade nem sempre são claras.

Entre os requisitos listados pelo UNICEF para desenvolver sistemas de IA centrados em crianças e adolescentes estão: garantir a inclusão dessa população, priorizar a equidade e a não discriminação. Para cumpri-los, é necessário considerar o processo de desenvolvimento de tais sistemas desde o início, o que significa olhar tanto para os dados e os algoritmos (uma vez que influenciam os resultados) quanto para uma abordagem de design inclusiva. Sobre os dados, o UNICEF preconiza que representem características importantes para os grupos que farão uso ou serão afetados pelos sistemas, tais como gênero e cultura, de forma a minimizar possíveis discriminações. Já a abordagem inclusiva pode garantir que, independentemente de aspectos como idade, diversidade geográfica e cultural, todas as crianças possam usar as tecnologias baseadas em IA, mesmo aquelas que potencialmente seriam excluídas por vieses dos algoritmos das plataformas. 

Outro aspecto importante é a adaptação dos sistemas ao contexto nacional e local. Para isso, as políticas e diretrizes voltadas à IA devem priorizar as crianças e adolescentes mais vulneráveis, considerar o desenvolvimento de bases de dados que incluam dados de crianças diversas, bem como eliminar vieses que resultem em discriminação e exclusão. 

Cientes das raízes históricas dos problemas sociais abordados, adolescentes identificam que a sub-representação de grupos populacionais no desenvolvimento de IA se associa ao papel de quem desenvolve tais tecnologias: “A gente percebe o quanto está difícil de o machismo ter fim e como ele é reproduzido por IA. A empresa vai contratar mais homens porque ela [base de dados que alimenta o algoritmo de IA] tem mais currículos de homens, e quem programou considerou isso. O machismo passa do homem para a máquina” (menina, 14 anos, Manaus).

Além da reprodução de preconceitos por sistemas alimentados por dados não representativos, os tomadores de decisão na criação e no desenvolvimento de sistemas baseados em IA podem subestimar as necessidades de populações vulneráveis ou marginalizadas, o que aparece em exemplos citados por jovens indígenas.  “Existem indígenas que não falam português direito. A tecnologia precisa ser aprimorada porque considera a diversidade só em português. Só aqui no Amazonas são mais de 350 etnias com línguas variadas. A tecnologia não se interessa por essas etnias” (menino, 14 anos, Manaus).

Se a multiplicidade de atores e interesses for desconsiderada no desenvolvimento de tecnologias de IA, o alcance de soluções inclusivas e efetivas estará comprometido. Nesse sentido, a escuta a jovens de realidades diversas pode inspirar saídas valiosas e inovadoras. 

Os jovens participantes dos workshops identificam que a criação, o desenvolvimento e a aplicação de sistemas de IA pressupõem o controle humano, assim como reconhecem os possíveis impactos decorrentes de interesses específicos. No entanto, observa-se a falta de clareza sobre quem são os atores responsáveis por garantir que as oportunidades trazidas por esses sistemas sejam de fato aproveitadas e que os riscos sejam mitigados. O desenvolvimento de sistemas é bastante associado a cientistas e desenvolvedores que trabalham com IA, mas há pouca menção às empresas (enquanto instituições) responsáveis por disponibilizar tais sistemas. Isso pode representar uma incompreensão dos participantes a respeito do ecossistema de IA como um todo, levando à falta de entendimento sobre quem responde pelas tecnologias e quais seus interesses. Além disso, embora possíveis falhas e vieses sejam recorrentes nas falas dos jovens, são raras as referências ao desenvolvimento de instrumentos normativos em relação ao papel do Estado. Ainda que haja criticidade por parte das populações jovens e potência para o seu engajamento no debate em torno de IA, as lacunas em instâncias de participação causam dúvidas sobre como se inserir nesses espaços e a quem cobrar por seus direitos.

Sem que as perspectivas e as necessidades específicas de crianças e adolescentes sejam de fato consideradas, o desenvolvimento de tecnologias seguras, justas, equitativas e voltadas às demandas desse público não será efetivo. É determinante que essa população seja consultada e inserida nas arenas de participação, tendo contato com a multiplicidade de atores e interesses envolvidos na cadeia de produção das tecnologias. 

Em abril de 2021, a ONU lançou o  Comentário Geral sobre Direitos das Crianças em Relação ao Ambiente Digital. Disponível em Português, Espanhol e Ingles, o documento pontua como a Convenção sobre os Direitos da Criança, tratado de direitos humanos mais ratificado em todo o mundo (com mais de 190 Estados signatários), se aplica igualmente ao mundo digital.

Nada é grátis, apenas não pagamos com dinheiro

Que os novos termos de uso do Whatsapp permitam ampliar o entendimento e a reflexão sobre como funcionam os modelos de negócio do mundo digital

Priscila Gonsales

Logo no início do ano, usuários do mensageiro instantâneo Whatsapp foram pegos de surpresa com o aviso (ultimato, na verdade!) da empresa de Mark Zubkerberg. A partir de 8 de fevereiro, somente poderão continuar no zap zap se aceitarem os novos termos: seus dados serão obrigatoriamente compartilhados com o Facebook.

O assunto não é de hoje, vem desde quando o Facebook comprou o Whatsapp em 2014. Na época, o discurso que a privacidade seria preservada prevaleceu. Dois anos depois, porém, passou a fazer o compartilhamento por padrão, mas os usuários tinham, ao menos, a chance de impedir alterando as configurações. A partir de fevereiro, ou aceita ou cai fora.

Ao concordar com os termos para poder permanecer, precisamos entender que nosso número do telefone, o endereço de IP e os contatos que temos de pessoas e empresas serão disponibilizados também para o Facebook, já que é por lá que os anúncios publicitários são realizados. Isso vai aprimorar o serviço de perfilamento aos anunciantes, assim como aperfeiçoar os algoritmos que fazem sugestões de amizade, grupos e conteúdos. Há ainda a previsão de possibilitar compras pelo Whatsapp com o Facebook Pay.

Para nós educadores —profissionais ou mães/pais —, a situação surge como uma grata oportunidade para incentivar a reflexão sobre o significado do “grátis” no mundo digital. CONTINUE LENDO NO LINKEDIN

Blog do Sargento: prototipando a cultura digital antes, durante e após a pandemia

Cidadania Digital não era uma expressão disseminada como tem sido nestes tempos de pandemia.  O que vem acontecendo é que a cidadania digital foi acelerada e está chegando do jeito que “dá”, contexto da subjetividade de cada docente e da própria escola

Por Graça Santos 
facilitadora associada em Design Thinking para Educadores

Blog da Escola Municipal Sargento Euclides Alves de Araújo surgiu em junho de 2019, com o propósito inicial de registrar e tornar pública as ações praticadas. Ao diagnosticar as demandas pedagógicas “abaixo do iceberg” entre ensino e aprendizagem,  boas práticas, formação continuada livre, alfabetização, letramento e projetos em geral, entendi que poderia ampliar e aprofundar as boas práticas da orientação educacional a distância, ou seja, não apenas nos dias em que atuava na carga horária, e ou nas reuniões pedagógicas e com os responsáveis e familiares.

O blog tem as seguintes seções:
A Escola – apresento a escola com um texto de Paulo Freire; Dados do Censo Escolar e ao nome das pessoas e suas atribuições;
O Blog –  registro a intencionaliodade do Blog;
Projeto Mentes & Corações – Conexões e Diálogos sobre Educação;
Escrita, Alfabetização & Letramento – Pesquisa e Curadoria de materiais diversos para trabalhar leitura, escrita, alfabetização;
Aprendizagem Criativa – Incentivo ao conhecimento da Rede Criativa de Aprendizagem;
BNCC em profundidade – Materiais para  consulta docente
Estante Mágica no Sargento – Registros do processo de execução do projeto, que antes era na escola, e durante a quarentena, tornou-se um projeto piloto em casa. 

A situação que precisava ser aprimorada era oferecer apoio constante aos docentes, a partir das demandas diagnosticadas pedagogicamente. Em seguida, ser o vínculo entre professores, escola, alunos e pais durante a pandemia. O Blog tem funcionado como um “diário de bordo” de cada docente.

Objetivos da prática

• Promover ao máximo o bem-estar dos professores e resolver os seus desafios pedagógicos;
• Propor uma nova cultura de trabalho; 
• Gerar ideias que se complementam e criam algo novo vinculando o ensino e a aprendizagem, o aluno e a escola no período da pandemia; 
• Estimular o protagonismo docente e a cultura de colaboração; 
• Orientar quem orienta antes, durante e após pandemia.

Processo de implementação

Para implementar a prática, foram usadas argumentações pedagógicas individuais, coletivas e colaborativas, demonstrando a possibilidade de oferecer apoio remoto contínuo, afetivo e efetivo.

• Acolhimento constante das dores e urgências pedagógicas; 
• Criatividade, tempo, dedicação, disponibilidade para acolher, escutar e orientar os docentes engajados em promoverem a sua prática docente remotamente; 
• Orientações sobre curadoria de materiais diversos (vídeos, youtube, drive, pdfs, links etc).

Abordagem metodológica

O Design Thinking, por ser uma a abordagem de pensamento que combina a necessidade do contexto educacional com as possibilidades para atender as demandas pedagógicas dos professores foi usada para guiar boa parte dos caminhos e desafios constantes.

Passo 1 – Empatia
• Entendimento da situação contextual da escola, antes e durante pandemia.
• Observações da prática docente em sala de aula com autorização da professora.
• Escutas individuais para buscar as necessidades das professoras;
• Escutas coletivas em encontros pedagógicos;
• Vivências colaborativas em sala de aula com alunos e professoras;
• Imersão nas anotações e comentários das professoras e especialistas para compreensão de quais informações e contextos pedagógicos poderiam apoiar as professores na realização de atividades em ambientes digitais de aprendizagem;

Passo 2 – Definição dos múltiplos desafios
• Registros, anotações referentes à cada observação e escuta pedagógica individualmente;
• Compilação das falas, anseios e necessidades didáticas pedagógicas das professoras por ano de escolaridade; 
• Identificação de padrões urgentes e necessários para propor uma nova cultura de atuação docente. 

Passo 3 – Ideias
• Criação de uma conta  e endereço eletrônico;
• Criação do blog e nome do Blog;
• Criação da URL e template dinâmico;
• Criação das páginas fixas com Recursos e Estratégias Pedagógicas;
• Criação de pasta compartilhada;
• Criação de um canal no youtube para converter os vídeos enviados via mensagens instantâneas;
• Encontro pedagógico para apresentar as ideias;
• Convites à criação e cocriação das atividades;
• Criação de links específicos para professores;
• Envio das atividades pelos professores para as especialistas da escola;
• Revisão do material enviado e conversão em pdf;
• Criação de uma “capa” padrão para identificação dos professores;
• O link dos professores será sempre atualizado com as atividades e materiais enviados.
• Combinação de um dia da semana, no caso a sexta-feira, para envios das atividades, imagens, vídeos;
• Alimentação do blog e curadoria. 

Passo 4 – Protótipos
• Apresentação do blog por meio de envios do link para cada professor via mensagem instantânea;
• Orientações de como acessar e enviar aos grupos de mensagem instantânea para familiares criados pelas professoras;
• Orientações de como multiplicar os acessos ao link específico tornando ainda mais visível o trabalho docente para alunos e familiares;
• Atualizações semanais dos links específicos, a partir dos envios de materiais pelas professoras e especialistas;
• Envio da atualização do blog;
• Orientações de como localizar o espaço para escrever comentários;

 Passo 5 – Experimentações
• Interação constante a partir da compreensão da rotina pedagógica de cada professor;
• Cocriação de uma boa experiência coletiva, envolvendo professores, alunos, especialistas e familiares. 

Cidadão na rede: para usar e disseminar

Projeto Cidadão na Rede  alerta sobre os principais perigos da internet e aponta caminhos para usá-la da melhor forma. 

Lançado em outubro de 2020 pelo Ceptro.br, órgão do NIC.br que desenvolve diversas ações de formação, medição e disseminação sobre a infraestrutura da Internet no Brasil, o site apresenta 12 vídeos de aproximadamente 15 segundos cada, bastante simples e de fácil compreensão, que trazem  exemplos sobre  como se prevenir e resolver problemas na internet. 

O primeiro vídeo apresenta o problema do cyberbullying, enfatizando a seriedade  do tema e que não se deve desrespeitar ninguém na internet. O segundo destaca que  reiniciar o roteador pode resolver o problema de conexão fraca da internet. O terceiro mostra que o direito do consumidor também existe na internet, podendo cancelar uma compra em até 7 dias depois.. O quarto traz alertas para verificar se o site é seguro, como por exemplo, observar se tem cadeado fechado. 

O quinto vídeo explica que vídeos em geral consomem muita internet e que caso tenha mais pessoas usando pode sobrecarregar. O sexto mostra que existe um gerenciador de senhas para guardar todas elas sem esquecer. O sétimo fala sobre como verificar a senha em duas etapas além de ter uma senha forte. O oitavo mostra que existem repetidores de wifi para ampliar o sinal, caso um cômodo da casa esteja sem internet. O nono alerta para não deixar o roteador em lugar fechado. O décimo aconselha a não usar a mesma senha para várias contas. O penúltimo vídeo reforça a importância de criar senhas fortes para mais segurança. E o último alerta para não compartilhar boatos como verdades na internet. 

O Centro de Estudos e Pesquisas em Tecnologia de Redes e Operações é responsável por iniciativas e projetos que apoiam ou aperfeiçoam a infraestrutura da Internet no Brasil, contribuindo para seu desenvolvimento. Entre as iniciativas para medir a qualidade da Internet no País, destaque para o SIMET, que, com medições independentes, subsidia os provedores de acesso com informações que possibilitam a melhoria contínua das redes. 

Entrevista – Grace Gonçalves

Este é o 10º post da série de mini-entrevistas com especialistas e
estudantes convidados que vão apresentar seu ponto de vista para perguntas-chave sobre educar em cidadania digital, tema do nosso novo projeto, a plataforma colaborativa Pilares do Futuro

Bacharel em Sistemas de Informação, MBA em Sustentabilidade em Tecnologia da Informação e Comunicação (LASSU), graduanda em matemática e pós-graduanda em Computação aplicada à Educação pela USP ICMC. Atualmente é Design de Tecnologia Educacional no Colégio Miguel de Cervantes, coordenadora da Comunidade Praxis e  coordenadora da Comunidade Te & Ti Partners Brasil.

Como você definiria a importância de educar para a cidadania digital atualmente? 

Sempre soubemos da importância de educar e compartilhar nossas experiências, mas o ano de  2020 impactou a rotina de todos. Muitas pessoas viveram a necessidade crescente de se apoiar em alguma experiência inovadora, alguma tecnologia que prendesse a atenção dos  alunos, ou alguma ação que pudesse amenizar todo o impacto das mudanças, com o objetivo  contínuo de oferecer cidadania, momentos produtivos, saudáveis e colaborativos. A cidadania digital pautou toda e qualquer ação educativa; qualquer detalhe do mundo virtual,  grande ou pequeno, exigiu atenção redobrada. Nunca estivemos tão conectados como hoje.  Isso, em minha opinião, evidencia a importância de trabalhar a cidadania digital em todos os  âmbitos e chama a atenção para o papel preponderante da escola, na figura do professor, dos estudantes e de todos os envolvidos nesse processo.  

Quais os temas você considera prioritários de serem trabalhados pela escola? 

Considero importante um olhar direcionado e atencioso, pois é preciso trabalhar cada momento de maneira individual, respeitando a realidade de cada instituição. É necessário  focar na prevenção, trazendo à tona temas relevantes como fakenews, phishing e  cyberbullying, amplificando conceitos da cidadania digital como a saúde e o bem-estar digital.  Precisamos discutir direito e responsabilidade, treinando a escuta e tornando os alunos protagonistas das iniciativas e dos projetos de cidadania digital, para que desenvolvam a capacidade de saber como e quando usar a tecnologia digital. 

Gostaria de recomendar algum material ou publicação de orientação que pode inspirar a elaboração de boas práticas? 

Recomendo um tour pelo site da comunidade TE e TI Partners, que surgiu no formato de uma  tímida fanpage de Tecnologia Educacional e Sustentabilidade em 2012 e, com o passar dos anos, se tornou uma sólida comunidade de profissionais e especialistas em Tecnologia Educacional e Tecnologia da Informação voltados à educação, cujo objetivo é apoiar colegas  que atuam em outras instituições, ampliando o compartilhamento de experiências e  conhecimentos entre as áreas , estreitando a parceria e o alinhamento de processos e serviços por meio de encontros presenciais, lives e grupos em redes sociais, sempre em busca das  melhores e mais adequadas soluções para potencializar as aprendizagens de todos os  envolvidos nessa área, sejam eles alunos, educadores ou gestores. 

Conhece alguma boa prática em cidadania digital que poderia relatar brevemente? 

Pensando no ensino remoto, para as aulas recomendo o site (espanhol) pantallas amigas, que apoia as abordagens relacionadas à cidadania digital. Para as famílias, prescrevo o curso do NIC.br totalmente gratuito e on-line organizado pelas brilhantes instrutoras Kelli Angelini e  Karolyne Utomi, chamado Filhos Conectados. O curso oferece todo o conteúdo que pais, mães  e responsáveis precisam para proteger seus filhos e filhas no ambiente digital e para prepará los para utilizar a Internet da melhor forma possível. E para as escolas, recomendo os projetos e as palestras realizadas pela da Dra. Cristina Sleiman, tive a oportunidade de participar de alguns projetos educacionais organizados por ela, e sem dúvida aprendi muito, foi de grande valia para minha atuação profissional e social. 

O que você considera mais desafiante: elaborar uma atividade educativa sobre cidadania digital ou registrar e compartilhar a atividade? 

Como design de projetos, para mim é prazeroso poder elaborar, registrar e compartilhar  atividades sobre cidadania digital. Todavia considero desafiador cimentar projetos de etiqueta ou alfabetização de cidadania digital, e fazer suas ações perdurarem de modo a não apenas  remediar a causa inicial de um eventual problema, mas transformando-os em gatilhos preventivos que possam evitar situações futuras inóspitas, e compor a rotina diária dos  usuários super conectados do século XXI.

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Pilares do Futuro encerra primeira chamada de boas práticas

Plataforma do Educadigital em parceria com NIC.br e UNESCO para promover a educação em cidadania digital terá próxima chamada será em fevereiro de 2021  

Lançada em agosto de 2020, a Pilares do Futuro é uma plataforma totalmente dedicada à busca e compartilhamento de boas práticas educativas em cidadania digital.

Na sequência do lançamento, foi organizada uma Jornada de LIVES sobre temas relacionados à cidadania digital: proteção de dados, diversidade, alfabetização midiática e formação de professores. Todas estão disponíveis aqui.

Em outubro, a equipe da Pilares realizou duas oficinas, uma delas no Movimento Inova, para centenas de educadores e alunos da rede estadual paulista e que já pode ser vista no vídeo a seguir: 

A segunda oficina, para ideação de boas práticas (foto acima), recebeu o nome de Cidadania Digital Design Meeting e ocorreu no dia 28/10.  As 20 vagas foram preenchidas por meio de um processo seletivo, que priorizou diversidade regional.  A oficina teve, ainda, a participação de duas estudantes do Imprensa Jovem da rede municipal de São Paulo. 

Para 2021, estão previstas outras oficinas e formações que serão divulgadas em breve. 

Desde que lançou uma  chamada aberta para educadores enviarem propostas ou relatos de práticas pedagógicas sobre cidadania digital,  recebeu 24 envios nas seguintes temáticas: 

  • Superexposição
  • Alfabetização mediática
  • Cybersegurança
  • Cultura da colaboração
  • Identidade digital
  • Intimidade na internet
  • Saúde mental e física na internet

Algumas práticas já foram publicadas, outras ainda estão sendo analisadas pelo comitê curador, mas até o final do semestre, todas já estarão na plataforma. 

No dia 16/11, Priscila Gonsales, uma das idealizadoras e curadora da Pilares participa de painel sobre práticas em proteção de direitos de crianças e adolescentes no 5º Simpósio Crianças e Adolescentes na Internet.

Pilares do Futuro estreia oficina no Movimento Inova, evento on-line da rede estadual paulista 

PRI - Pilares Templates (8)

Educadores e estudantes da rede estadual paulista terão a oportunidade de conhecer e experimentar a plataforma  Pilares do Futuro.  Trata-se da segunda edição do Movimento Inova, evento organizado pela Secretaria de Educação do Estado de São Paulo que, ao longo de dois dias, vai oferecer a professores e estudantes  palestras, oficinas, hackathons e  apresentação de  experiências de práticas educacionais inovadoras. 

Nessa primeira experiência formativa da Pilares do Futuro, a expectativa é sensibilizar  estudantes sobre essa temática por meio de atividades cotidianas como por exemplo, entender como os algoritmos funcionam  quando fazemos uma busca por algum termo ou assunto. “Você sabia que a nuvem não existe?”, essa será uma das diversas reflexões que a oficina pretende instigar também nos docentes, para que possam ampliar o olhar para a tecnologia como um campo de conhecimento, não apenas uma “ferramenta” de ensino. 

Batizada de  Cidadania Digital Design Meeting, a oficina será conduzida pela educadora Bruna Nunes, editora da Pilares do Futuro. 

Agende-se
Data:  23 de Outubro
Hora: 15:30
Transmissão ao vivo pelo canal do Youtube, e página no Facebook do Centro de Mídias da Educação de São Paulo e pela TV Escola.

Fique atento e participe!!!