Nada é grátis, apenas não pagamos com dinheiro

Que os novos termos de uso do Whatsapp permitam ampliar o entendimento e a reflexão sobre como funcionam os modelos de negócio do mundo digital

Priscila Gonsales

Logo no início do ano, usuários do mensageiro instantâneo Whatsapp foram pegos de surpresa com o aviso (ultimato, na verdade!) da empresa de Mark Zubkerberg. A partir de 8 de fevereiro, somente poderão continuar no zap zap se aceitarem os novos termos: seus dados serão obrigatoriamente compartilhados com o Facebook.

O assunto não é de hoje, vem desde quando o Facebook comprou o Whatsapp em 2014. Na época, o discurso que a privacidade seria preservada prevaleceu. Dois anos depois, porém, passou a fazer o compartilhamento por padrão, mas os usuários tinham, ao menos, a chance de impedir alterando as configurações. A partir de fevereiro, ou aceita ou cai fora.

Ao concordar com os termos para poder permanecer, precisamos entender que nosso número do telefone, o endereço de IP e os contatos que temos de pessoas e empresas serão disponibilizados também para o Facebook, já que é por lá que os anúncios publicitários são realizados. Isso vai aprimorar o serviço de perfilamento aos anunciantes, assim como aperfeiçoar os algoritmos que fazem sugestões de amizade, grupos e conteúdos. Há ainda a previsão de possibilitar compras pelo Whatsapp com o Facebook Pay.

Para nós educadores —profissionais ou mães/pais —, a situação surge como uma grata oportunidade para incentivar a reflexão sobre o significado do “grátis” no mundo digital. CONTINUE LENDO NO LINKEDIN

Blog do Sargento: prototipando a cultura digital antes, durante e após a pandemia

Cidadania Digital não era uma expressão disseminada como tem sido nestes tempos de pandemia.  O que vem acontecendo é que a cidadania digital foi acelerada e está chegando do jeito que “dá”, contexto da subjetividade de cada docente e da própria escola

Por Graça Santos 
facilitadora associada em Design Thinking para Educadores

Blog da Escola Municipal Sargento Euclides Alves de Araújo surgiu em junho de 2019, com o propósito inicial de registrar e tornar pública as ações praticadas. Ao diagnosticar as demandas pedagógicas “abaixo do iceberg” entre ensino e aprendizagem,  boas práticas, formação continuada livre, alfabetização, letramento e projetos em geral, entendi que poderia ampliar e aprofundar as boas práticas da orientação educacional a distância, ou seja, não apenas nos dias em que atuava na carga horária, e ou nas reuniões pedagógicas e com os responsáveis e familiares.

O blog tem as seguintes seções:
A Escola – apresento a escola com um texto de Paulo Freire; Dados do Censo Escolar e ao nome das pessoas e suas atribuições;
O Blog –  registro a intencionaliodade do Blog;
Projeto Mentes & Corações – Conexões e Diálogos sobre Educação;
Escrita, Alfabetização & Letramento – Pesquisa e Curadoria de materiais diversos para trabalhar leitura, escrita, alfabetização;
Aprendizagem Criativa – Incentivo ao conhecimento da Rede Criativa de Aprendizagem;
BNCC em profundidade – Materiais para  consulta docente
Estante Mágica no Sargento – Registros do processo de execução do projeto, que antes era na escola, e durante a quarentena, tornou-se um projeto piloto em casa. 

A situação que precisava ser aprimorada era oferecer apoio constante aos docentes, a partir das demandas diagnosticadas pedagogicamente. Em seguida, ser o vínculo entre professores, escola, alunos e pais durante a pandemia. O Blog tem funcionado como um “diário de bordo” de cada docente.

Objetivos da prática

• Promover ao máximo o bem-estar dos professores e resolver os seus desafios pedagógicos;
• Propor uma nova cultura de trabalho; 
• Gerar ideias que se complementam e criam algo novo vinculando o ensino e a aprendizagem, o aluno e a escola no período da pandemia; 
• Estimular o protagonismo docente e a cultura de colaboração; 
• Orientar quem orienta antes, durante e após pandemia.

Processo de implementação

Para implementar a prática, foram usadas argumentações pedagógicas individuais, coletivas e colaborativas, demonstrando a possibilidade de oferecer apoio remoto contínuo, afetivo e efetivo.

• Acolhimento constante das dores e urgências pedagógicas; 
• Criatividade, tempo, dedicação, disponibilidade para acolher, escutar e orientar os docentes engajados em promoverem a sua prática docente remotamente; 
• Orientações sobre curadoria de materiais diversos (vídeos, youtube, drive, pdfs, links etc).

Abordagem metodológica

O Design Thinking, por ser uma a abordagem de pensamento que combina a necessidade do contexto educacional com as possibilidades para atender as demandas pedagógicas dos professores foi usada para guiar boa parte dos caminhos e desafios constantes.

Passo 1 – Empatia
• Entendimento da situação contextual da escola, antes e durante pandemia.
• Observações da prática docente em sala de aula com autorização da professora.
• Escutas individuais para buscar as necessidades das professoras;
• Escutas coletivas em encontros pedagógicos;
• Vivências colaborativas em sala de aula com alunos e professoras;
• Imersão nas anotações e comentários das professoras e especialistas para compreensão de quais informações e contextos pedagógicos poderiam apoiar as professores na realização de atividades em ambientes digitais de aprendizagem;

Passo 2 – Definição dos múltiplos desafios
• Registros, anotações referentes à cada observação e escuta pedagógica individualmente;
• Compilação das falas, anseios e necessidades didáticas pedagógicas das professoras por ano de escolaridade; 
• Identificação de padrões urgentes e necessários para propor uma nova cultura de atuação docente. 

Passo 3 – Ideias
• Criação de uma conta  e endereço eletrônico;
• Criação do blog e nome do Blog;
• Criação da URL e template dinâmico;
• Criação das páginas fixas com Recursos e Estratégias Pedagógicas;
• Criação de pasta compartilhada;
• Criação de um canal no youtube para converter os vídeos enviados via mensagens instantâneas;
• Encontro pedagógico para apresentar as ideias;
• Convites à criação e cocriação das atividades;
• Criação de links específicos para professores;
• Envio das atividades pelos professores para as especialistas da escola;
• Revisão do material enviado e conversão em pdf;
• Criação de uma “capa” padrão para identificação dos professores;
• O link dos professores será sempre atualizado com as atividades e materiais enviados.
• Combinação de um dia da semana, no caso a sexta-feira, para envios das atividades, imagens, vídeos;
• Alimentação do blog e curadoria. 

Passo 4 – Protótipos
• Apresentação do blog por meio de envios do link para cada professor via mensagem instantânea;
• Orientações de como acessar e enviar aos grupos de mensagem instantânea para familiares criados pelas professoras;
• Orientações de como multiplicar os acessos ao link específico tornando ainda mais visível o trabalho docente para alunos e familiares;
• Atualizações semanais dos links específicos, a partir dos envios de materiais pelas professoras e especialistas;
• Envio da atualização do blog;
• Orientações de como localizar o espaço para escrever comentários;

 Passo 5 – Experimentações
• Interação constante a partir da compreensão da rotina pedagógica de cada professor;
• Cocriação de uma boa experiência coletiva, envolvendo professores, alunos, especialistas e familiares. 

Cidadão na rede: para usar e disseminar

Projeto Cidadão na Rede  alerta sobre os principais perigos da internet e aponta caminhos para usá-la da melhor forma. 

Lançado em outubro de 2020 pelo Ceptro.br, órgão do NIC.br que desenvolve diversas ações de formação, medição e disseminação sobre a infraestrutura da Internet no Brasil, o site apresenta 12 vídeos de aproximadamente 15 segundos cada, bastante simples e de fácil compreensão, que trazem  exemplos sobre  como se prevenir e resolver problemas na internet. 

O primeiro vídeo apresenta o problema do cyberbullying, enfatizando a seriedade  do tema e que não se deve desrespeitar ninguém na internet. O segundo destaca que  reiniciar o roteador pode resolver o problema de conexão fraca da internet. O terceiro mostra que o direito do consumidor também existe na internet, podendo cancelar uma compra em até 7 dias depois.. O quarto traz alertas para verificar se o site é seguro, como por exemplo, observar se tem cadeado fechado. 

O quinto vídeo explica que vídeos em geral consomem muita internet e que caso tenha mais pessoas usando pode sobrecarregar. O sexto mostra que existe um gerenciador de senhas para guardar todas elas sem esquecer. O sétimo fala sobre como verificar a senha em duas etapas além de ter uma senha forte. O oitavo mostra que existem repetidores de wifi para ampliar o sinal, caso um cômodo da casa esteja sem internet. O nono alerta para não deixar o roteador em lugar fechado. O décimo aconselha a não usar a mesma senha para várias contas. O penúltimo vídeo reforça a importância de criar senhas fortes para mais segurança. E o último alerta para não compartilhar boatos como verdades na internet. 

O Centro de Estudos e Pesquisas em Tecnologia de Redes e Operações é responsável por iniciativas e projetos que apoiam ou aperfeiçoam a infraestrutura da Internet no Brasil, contribuindo para seu desenvolvimento. Entre as iniciativas para medir a qualidade da Internet no País, destaque para o SIMET, que, com medições independentes, subsidia os provedores de acesso com informações que possibilitam a melhoria contínua das redes. 

Entrevista – Grace Gonçalves

Este é o 10º post da série de mini-entrevistas com especialistas e
estudantes convidados que vão apresentar seu ponto de vista para perguntas-chave sobre educar em cidadania digital, tema do nosso novo projeto, a plataforma colaborativa Pilares do Futuro

Bacharel em Sistemas de Informação, MBA em Sustentabilidade em Tecnologia da Informação e Comunicação (LASSU), graduanda em matemática e pós-graduanda em Computação aplicada à Educação pela USP ICMC. Atualmente é Design de Tecnologia Educacional no Colégio Miguel de Cervantes, coordenadora da Comunidade Praxis e  coordenadora da Comunidade Te & Ti Partners Brasil.

Como você definiria a importância de educar para a cidadania digital atualmente? 

Sempre soubemos da importância de educar e compartilhar nossas experiências, mas o ano de  2020 impactou a rotina de todos. Muitas pessoas viveram a necessidade crescente de se apoiar em alguma experiência inovadora, alguma tecnologia que prendesse a atenção dos  alunos, ou alguma ação que pudesse amenizar todo o impacto das mudanças, com o objetivo  contínuo de oferecer cidadania, momentos produtivos, saudáveis e colaborativos. A cidadania digital pautou toda e qualquer ação educativa; qualquer detalhe do mundo virtual,  grande ou pequeno, exigiu atenção redobrada. Nunca estivemos tão conectados como hoje.  Isso, em minha opinião, evidencia a importância de trabalhar a cidadania digital em todos os  âmbitos e chama a atenção para o papel preponderante da escola, na figura do professor, dos estudantes e de todos os envolvidos nesse processo.  

Quais os temas você considera prioritários de serem trabalhados pela escola? 

Considero importante um olhar direcionado e atencioso, pois é preciso trabalhar cada momento de maneira individual, respeitando a realidade de cada instituição. É necessário  focar na prevenção, trazendo à tona temas relevantes como fakenews, phishing e  cyberbullying, amplificando conceitos da cidadania digital como a saúde e o bem-estar digital.  Precisamos discutir direito e responsabilidade, treinando a escuta e tornando os alunos protagonistas das iniciativas e dos projetos de cidadania digital, para que desenvolvam a capacidade de saber como e quando usar a tecnologia digital. 

Gostaria de recomendar algum material ou publicação de orientação que pode inspirar a elaboração de boas práticas? 

Recomendo um tour pelo site da comunidade TE e TI Partners, que surgiu no formato de uma  tímida fanpage de Tecnologia Educacional e Sustentabilidade em 2012 e, com o passar dos anos, se tornou uma sólida comunidade de profissionais e especialistas em Tecnologia Educacional e Tecnologia da Informação voltados à educação, cujo objetivo é apoiar colegas  que atuam em outras instituições, ampliando o compartilhamento de experiências e  conhecimentos entre as áreas , estreitando a parceria e o alinhamento de processos e serviços por meio de encontros presenciais, lives e grupos em redes sociais, sempre em busca das  melhores e mais adequadas soluções para potencializar as aprendizagens de todos os  envolvidos nessa área, sejam eles alunos, educadores ou gestores. 

Conhece alguma boa prática em cidadania digital que poderia relatar brevemente? 

Pensando no ensino remoto, para as aulas recomendo o site (espanhol) pantallas amigas, que apoia as abordagens relacionadas à cidadania digital. Para as famílias, prescrevo o curso do NIC.br totalmente gratuito e on-line organizado pelas brilhantes instrutoras Kelli Angelini e  Karolyne Utomi, chamado Filhos Conectados. O curso oferece todo o conteúdo que pais, mães  e responsáveis precisam para proteger seus filhos e filhas no ambiente digital e para prepará los para utilizar a Internet da melhor forma possível. E para as escolas, recomendo os projetos e as palestras realizadas pela da Dra. Cristina Sleiman, tive a oportunidade de participar de alguns projetos educacionais organizados por ela, e sem dúvida aprendi muito, foi de grande valia para minha atuação profissional e social. 

O que você considera mais desafiante: elaborar uma atividade educativa sobre cidadania digital ou registrar e compartilhar a atividade? 

Como design de projetos, para mim é prazeroso poder elaborar, registrar e compartilhar  atividades sobre cidadania digital. Todavia considero desafiador cimentar projetos de etiqueta ou alfabetização de cidadania digital, e fazer suas ações perdurarem de modo a não apenas  remediar a causa inicial de um eventual problema, mas transformando-os em gatilhos preventivos que possam evitar situações futuras inóspitas, e compor a rotina diária dos  usuários super conectados do século XXI.

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Pilares do Futuro encerra primeira chamada de boas práticas

Plataforma do Educadigital em parceria com NIC.br e UNESCO para promover a educação em cidadania digital terá próxima chamada será em fevereiro de 2021  

Lançada em agosto de 2020, a Pilares do Futuro é uma plataforma totalmente dedicada à busca e compartilhamento de boas práticas educativas em cidadania digital.

Na sequência do lançamento, foi organizada uma Jornada de LIVES sobre temas relacionados à cidadania digital: proteção de dados, diversidade, alfabetização midiática e formação de professores. Todas estão disponíveis aqui.

Em outubro, a equipe da Pilares realizou duas oficinas, uma delas no Movimento Inova, para centenas de educadores e alunos da rede estadual paulista e que já pode ser vista no vídeo a seguir: 

A segunda oficina, para ideação de boas práticas (foto acima), recebeu o nome de Cidadania Digital Design Meeting e ocorreu no dia 28/10.  As 20 vagas foram preenchidas por meio de um processo seletivo, que priorizou diversidade regional.  A oficina teve, ainda, a participação de duas estudantes do Imprensa Jovem da rede municipal de São Paulo. 

Para 2021, estão previstas outras oficinas e formações que serão divulgadas em breve. 

Desde que lançou uma  chamada aberta para educadores enviarem propostas ou relatos de práticas pedagógicas sobre cidadania digital,  recebeu 24 envios nas seguintes temáticas: 

  • Superexposição
  • Alfabetização mediática
  • Cybersegurança
  • Cultura da colaboração
  • Identidade digital
  • Intimidade na internet
  • Saúde mental e física na internet

Algumas práticas já foram publicadas, outras ainda estão sendo analisadas pelo comitê curador, mas até o final do semestre, todas já estarão na plataforma. 

No dia 16/11, Priscila Gonsales, uma das idealizadoras e curadora da Pilares participa de painel sobre práticas em proteção de direitos de crianças e adolescentes no 5º Simpósio Crianças e Adolescentes na Internet.

Pilares do Futuro estreia oficina no Movimento Inova, evento on-line da rede estadual paulista 

PRI - Pilares Templates (8)

Educadores e estudantes da rede estadual paulista terão a oportunidade de conhecer e experimentar a plataforma  Pilares do Futuro.  Trata-se da segunda edição do Movimento Inova, evento organizado pela Secretaria de Educação do Estado de São Paulo que, ao longo de dois dias, vai oferecer a professores e estudantes  palestras, oficinas, hackathons e  apresentação de  experiências de práticas educacionais inovadoras. 

Nessa primeira experiência formativa da Pilares do Futuro, a expectativa é sensibilizar  estudantes sobre essa temática por meio de atividades cotidianas como por exemplo, entender como os algoritmos funcionam  quando fazemos uma busca por algum termo ou assunto. “Você sabia que a nuvem não existe?”, essa será uma das diversas reflexões que a oficina pretende instigar também nos docentes, para que possam ampliar o olhar para a tecnologia como um campo de conhecimento, não apenas uma “ferramenta” de ensino. 

Batizada de  Cidadania Digital Design Meeting, a oficina será conduzida pela educadora Bruna Nunes, editora da Pilares do Futuro. 

Agende-se
Data:  23 de Outubro
Hora: 15:30
Transmissão ao vivo pelo canal do Youtube, e página no Facebook do Centro de Mídias da Educação de São Paulo e pela TV Escola.

Fique atento e participe!!! 

O necessário dilema das redes

Documentário da Netflix vem chamar a atenção para a urgência de encararmos os paradoxos da tecnologia em nossas vidas

fonte: Pixabay

Por Priscila Gonsales

Depois de Privacidade Hackeada, o documentário Dilema das Redes é o mais novo foco de polêmica, claro, nas próprias redes sociais que enredam a narrativa. Dirigido por Jeff Orlowski, o filme fala sobre manipulação em massa e alerta para o perigo viciante das redes. Foram muitas as críticas que li e ouvi nas duas últimas semanas. Algumas bastante pertinentes, como por exemplo, a omissão de citação da empresa produtora Netflix, que também usa e abusa das técnicas de inteligência artificial desde que nasceu.

Leia post completo no Medium

Taxonomia em código aberto destaca soluções on-line para competências e habilidades

Consultoria internacional mapeia plataformas e aplicativos que favorecem a aprendizagem de competências e habilidades

Com o objetivo de conectar o mundo com a tecnologia e impulsionar o crescimento e a inovação na educação, a empresa HolonIQ, de inteligência de mercado educacional, lançou a plataforma “Global Learning Landscape”, que traz um mapeamento de soluções, plataformas e aplicativos on-line que oferecem diversos tipos de aprendizado. A taxonomia utilizada está disponívem em Creative Commons Atribuição.

A plataforma mostra categorias e habilidades de inovação na educação. Dentre elas, destaca-se a “Experimentando o Aprendizado”, algo que pouco se usa na escola. Um dos aspectos, por exemplo, é usar realidade virtual e aumentada para engajar o aprendizado; outros envolvem usar a prática de robótica para ter noção de automação, aplicativos de aprendizagem e também o ensino de programação. Todas as habilidades dessa categoria, muito presentes no mercado de trabalho, são pouco utilizadas nas escolas.

Vale destacar também a categoria “Educação Internacional”, também bastante fraca nos currículos das escolas, pois o aprendizado de idiomas, principalmente o inglês, precisa ser melhorado. Suas habilidades contam com propostas de inovação no ensino e novas formas de avaliação do trabalho com idiomas.

Algumas habilidades destacadas na plataforma até aparecem na escola, como  “Recursos de Professores” da categoria “Apoio de aprendizado”. Muitas vezes, os professores e os alunos têm acesso a conteúdos on-line para facilitar o trabalho pedagógico e os estudos, disponíveis especialmente para quem perdeu aula. Existem também habilidades para oferecer aprendizagem e oportunidade de estágios, na categoria “Empregos e Habilidades”, uma vez que as vagas de estágios estão cada vez mais concorridas e esse programa mostra novas oportunidades para que mais alunos possam se preparar para o trabalho.

A plataforma aborda muitos outros assuntos em várias categorias. Para saber mais acesse o site do “Global Learning Landscape”.

Jornada Pilares do Futuro: Proteção de Dados

Tema cada vez mais evidenciado na sociedade hoje, educar para a cidadania digital também envolve alfabetização em dados 

"Dados são o ativo mais valioso na economia planetária hoje. Não há justificativa para que sistemas de ensino dispensem licitação em parcerias ditas 'gratuitas'. É preciso transparência nos contratos"
Flávia Lefèvre Guimarães
Intervozes
"É fundamental ficar claro que dados vão muito além dos dados pessoais. O discurso das grandes plataformas vai na linha da anonimização, mas existe uma massa de dados de comportamento e de navegação que estão treinando a inteligência artificial de empresas internacionais"
Alex Meusburger
Educador
"Nas formações de docentes, apresentamos as temáticas do software livre, do código aberto para que eles saibam que existem outros caminhos; na verdade não deveriam ser considerados alternativas, mas sim a principal escolha"
João Ras
Educador
"Os termos de uso das plataformas repassam toda a responsabilidade em relação aos dados para as escola, como por exemplo: são elas que devem verificar se há conformidade com a lei brasileira, elas que precisam pedir consentimento dos pais."
Marina meira
Instituto Alana

Entrevista – Raquel Franzim

Este é o 9º post da série de mini-entrevistas com especialistas e
estudantes convidados que vão apresentar seu ponto de vista para perguntas-chave sobre educar em cidadania digital, tema do nosso novo projeto, a plataforma colaborativa Pilares do Futuro

Educadora, com experiência em ensino público, educação para bebês e crianças pequenas e formação de docentes e gestores. Desde 2015 atua no Instituto Alana, onde atualmente coordena a área de educação. É uma das organizadoras das publicações ‘Protagonismo – a potência de ação da comunidade escolar’, ‘O ser e o agir transformador – para mudar a conversa sobre educação’ e ‘Criatividade – mudar a educação, transformar o mundo’. Assina o argumento da série produzida pela Maria Farinha Filmes ‘Corações e mentes, escolas que transformam’. É professora da Pós-Graduação ‘A vez e a voz das crianças: escutas antropológicas e poéticas das infâncias’ na Casa Tombada.

Como você definiria a importância de educar para a cidadania digital atualmente?
Aprender a participar de forma cidadã dentro e fora da internet é imprescindível para lidar com os desafios do século XXI. A educação para a cidadania se estende ao ambiente digital. Não faz mais sentido separarmos o exercício da cidadania de espaços conectados ou não conectados, da vida off-line. Vimos com a pandemia da Covid-19 o quanto o exercício dos direitos civis foram mediados por ferramentas de informação e comunicação e quanto é excludente a falta de acesso à internet e a falta de habilidades necessárias para transitar no mundo digital de forma segura, ética e responsável.
Uma educação pública de qualidade para todos tem que educar estudantes para viver e usufruir das oportunidades do seu tempo. E o tempo atual é marcado pelas tecnologias digitais. Então, a tecnologia e o como usá-la de forma significativa e positiva precisa ser incorporada às práticas pedagógicas da escola. Precisamos conectar a escola de forma qualificada à cultura digital que permeia a vida dos estudantes e professores para construir realmente uma educação com equidade e contemporânea à vida das crianças, jovens e todos os estudantes.

Quais os temas você considera prioritários de serem trabalhados pela escola?
As ameaças no ambiente digital são muitas assim como aquelas dos diferente espaços sociais que transitamos.
É comum o ensino relacionado à cidadania digital  a partir de uma abordagem nos danos que crianças e adolescentes possam sofrer na experiência de navegar pela internet de forma descuidada ou sem orientação.
No entanto, questões específicas de exposição à violências no mundo online refletem os problemas sociais que precisam ser tratados também no mundo offline. E o importante é que os professores convidem os estudantes a refletirem criticamente sobre esses problemas a partir de suas próprias visões e experiências, sendo protagonistas tanto na sua leitura quanto na sua resolução.
Um bom caminho para prevenir situações de violência e promover uma relação ética tanto com o mundo analógico quanto digital não se dá com apenas uma ação. Precisa ser um conjunto articulado e intencional, em toda a educação básica que envolve desde a capacidade de ler o mundo de forma crítica, de desenvolver autoconhecimento e autocuidado até o de aprender a identificar situações de vulnerabilidade, de fazer boas escolhas, de gerenciar as situações de risco de forma ética para evitar o dano. Também quando pensamos no desenvolvimento socioemocional dos estudantes o ambiente digital é repleto de oportunidades de aprendizagem sobre reconhecer necessidade de si e do outro, ter empatia, relacionamento social baseado no respeito incondicional, liberdade, autonomia, colaboração, acolhimento e valorização da diversidade. Ou seja, estamos falando de uma educação em uma perspectiva de direitos humanos mediadas pelas tecnologias.

 

Gostaria de recomendar algum material ou publicação de orientação que pode inspirar a elaboração de boas práticas?
Recentemente, o Instituto Alana produziu uma série de conversas online sobre Ser criança no mundo digital com o apoio do Nic.br, Safernet Brasil e Portal Lunetas. Duas das conversas trazem a educação, a participação e a cidadania digital para o centro do debate. Vale conferir.

 
 
Conhece alguma boa prática em cidadania digital que poderia relatar brevemente?
Vou aqui dar um exemplo que elucida o protagonismo dos estudantes na utilização de plataformas digitais como forma de expressão, promoção de causas e projetos de impacto social. Estudantes dos 7º e 8º anos do Ensino Fundamental do Colégio Municipal Professora Didi Andrade, em Itabira (MG), não se sentiam ouvidos ou atendidos em suas necessidades e angústias para expressar suas opiniões e denunciar com segurança práticas de violências e preconceitos, tanto dentro como fora das salas de aula.  
Para dar visibilidade para temas como racismo, abuso, violência doméstica e machismo, a turma planejou, com o apoio de professores e da gestão escolar, uma maneira criativa e respeitosa de divulgar essas histórias: promoveram rodas de conversa, construíram histórias a partir dos depoimentos, que foram dados de forma anônima, e interpretaram o roteiro em vídeos compartilhados em um canal de YouTube.
As primeiras sessões foram exibidas apenas no ambiente escolar, durante as aulas, como forma de trazer novas reflexões, incentivar a solidariedade, a empatia e abrir um canal para o diálogo. Depois os vídeos ficaram abertos. Os alunos envolvidos no projeto relatam que tiveram com esse projeto a experiência de sentirem a potência de sua voz porque ao gravar um vídeo para o mundo, estão contribuindo para combater preconceitos e violências que os afetam.
 
 
O que você considera mais desafiante: elaborar uma atividade educativa sobre cidadania digital ou registrar e compartilhar a atividade?  
Os desafios estão nas duas. São complementares, não podemos separar. O registro das práticas educativas é muito importante para criar uma memória das boas práticas e contribuir para sua sustentabilidade e como também para inspirar outros professores e professoras. Nada mais formativo do que um colega contando dos desafios e das possibilidades para outros colegas.

 

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