Não se iluda: inovar em educação não depende da ferramenta que você usa

Certificados fornecidos por empresas de tecnologia podem ocultar uma visão restrita e limitada das possibilidades de ensinar e aprender na cultura digital 

O que é inovar na educação para você? Repare que a pergunta é bastante subjetiva, pede uma resposta pessoal mesmo. Uma resposta que faça sentido na sua perspectiva, no seu contexto como educador(a) e na vida das pessoas com as quais você se relaciona. Inovação é essencial em qualquer área do saber e, não tenho dúvida, continuará sendo daqui a 50 anos, sempre despertando inquietações. No entanto, um ponto é certo: inovar em educação não depende da ferramenta tecnológica que você usa. E mais: nem sempre tem a ver com uso de uma tecnologia digital.

Não é raro ver empresas de tecnologia concedendo certificados específicos para educadores que sabem como utilizar bem ferramentas e aplicativos que elas mesmas produzem e, assim, vão formando uma rede promissora de divulgadores qualificados. São oferecidos cursos e outros atrativos — gratuitos ou não — e a expectativa de fazer parte de um “grupo seleto”.

Acho simpático quando empresas de tecnologia criam ações com a intenção de colaborar com a educação. A educação precisa sim do apoio de todos os setores. Mas qual é o limite? Tanto por parte de quem oferece o apoio quanto de quem recebe? Soube que há escolas contratando apenas professores “certificados” por empresas, algo que me soa preocupante e contraditório com os princípios de uma visão libertária de educação, ou seja, que valoriza as diversas possibilidades existentes de ferramentas e não apenas aquelas produzidas pela empresa X ou Y.

Há quase 20 anos atuando na área de educação e tecnologia digital, tive oportunidade de vivenciar diferentes formas de cooperação entre empresas e escolas, algumas delas bastante assertivas ao concentrar esforços no potencial criativo e autoral de professores e estudantes, independentemente das ferramentas que utilizam. Só que nos dias de hoje isso não é o bastante. Precisamos ampliar os canais de colaboração entre educadores para promover trocas de qualidade e também fomentar a consciência crítica visando boas escolhas, escolhas essas que façam sentido.

Sou defensora dos recursos educacionais abertos e do software livre, pois permitem uso, reuso e adaptação. Além disso, carregam uma perspectiva baseada em flexibilidade, liberdade, compartilhamento e aprimoramento constante, pontos essenciais para gerar inovação. Para saber mais, assista ao programa da TV Escola sobre o tema:



Entendo, contudo, que algumas escolhas possam privilegiar ferramentas proprietárias, seja pelo serviço de suporte embutido ou pelo hábito de uso. Mas é preciso que tais escolhas sejam feitas com consciência. Alguns pontos que considero importantes de serem ponderados:

  • Ferramentas gratuitas não são, necessariamente, abertas; para serem abertas precisam ter licenças que definam quais ações estão autorizadas, como por exemplo, adaptações e recriações a partir do código disponibilizado;
  • Qualquer material que você acessa na internet sem usar dinheiro tem um custo, ou seja, sempre há um pagamento oculto ou disfarçado, como por exemplo, o envio de seus dados (interesses, rede de contatos, localização etc) ou dos dados das pessoas de sua rede, escola, instituição;
  • Se você é profissional do serviço público, procure saber mais sobre educação aberta e licenças abertas como fatores fundamentais para o acesso ao conhecimento, principalmente se há fundos públicos empenhados na compra, subsídio ou aquisição de materiais e softwares educacionais. Este Livro-Guia pode ajudar;
  • Se você considera importante receber a certificação por uma empresa de tecnologia, procure saber antes quais as condições e as contrapartidas envolvidas;
  • Certificações que reproduzem a dinâmica concorrente e competitiva do mercado não combinam com a cooperação e o trabalho em equipe de um ambiente educativo;
  • Certificados, títulos ou diplomas não são garantia de qualidade de experiências, práticas e conhecimentos adquiridos.

De toda forma, mesmo que a opção seja continuar usando e propagando ferramentas proprietárias, vale saber se existem alternativas abertas ao que você já conhece e usa. Essa atitude de pesquisador(a) é bem importante para quem deseja inovar. Considere, ainda, apresentar tais alternativas a estudantes ou outros educadores como forma de ampliar a visão e a escolha consciente deles também.


DICAS

Referatório de Recursos Educacionais com Licenças Abertas
http://www.relia.org.br

Softwares livres para conhecer
https://prism-break.org/pt/ 

Comunidades de troca entre educadores
Rede Brasileira de Aprendizagem Criativa
Educadores, estudantes, pesquisadores, artistas e diversos interessados em criar e trocar experiências sobre práticas pedagógicas mão na massa.
http://aprendizagemcriativa.org/

Scratch Day
Rede global de eventos de aprendizagem a partir do uso do Scratch, linguagem de programação em código aberto criada em 2007 pelo MIT Media Lab.
https://day.scratch.mit.edu/

Conane
Conferência Nacional de Alternativas para uma Nova Educação reúne educadores, pais, alunos e interessados em uma educação emancipadora, autônoma e inclusiva.
https://www.conane.com.br/

Educadigital indicado ao prêmio WSIS 2019

O Educagital foi indicado na categoria Desenvolvimento de Competências (Capacity Building) na edição 2019 do WSIS Prizes (Prêmio da Cúpula Mundial para a Sociedade da Informação – CMSI), instituição ligada à ONU (Organização das Nações Unidas). Foram 143 indicações nessa categoria; ao todo são 18 categorias, sendo que cada uma delas reflete uma das linhas de ações da CMSI. A cerimônia de premiação acontece em abril, na Itália.


Coorganizado pela UIT (União Internacional de Telecomunicações – a agência da ONU especializada em tecnologias de informação e comunicação), UNESCO, PNUD e UNCTAD, o prêmio existe desde 2012. Para poder participar, é necessário comprovar o trabalho social realizado a partir de experiências de uso e promoção de tecnologias da informação e comunicação que possam ser reconhecidas como assertivas e com potencial de replicabilidade. O prêmio é aberto a participação de governos, instituições de pesquisa e setor privado.

Para Priscila Gonsales, fundadora e diretora do Educadigital, a indicação já é um reconhecimento fabuloso. “Somos uma organização da sociedade civil de pequeno porte, com modelo próprio de operação e sustentabilidade e, mesmo assim, estamos conseguindo disseminar pelo Brasil a importância da educação aberta alinhada a uma perspectiva de abordagem colaborativa de aprendizagem”, ressalta Priscila.    “É muito importante saber que estamos no caminho certo quando o assunto é educar com tecnologias, ainda mais globalmente.”

Criado em dezembro de 2010, o Educadigital é uma organização da sociedade civil que tem como missão contribuir para a criação e o desenvolvimento de novas oportunidades de aprendizagem que estimulem a formação de cidadãos críticos e criativos, capazes de compartilhar informação conhecimento e cultura em uma sociedade digital em constante transformação

Atua na perspectiva da Educação Aberta na Cultura Digital, sendo co-organizador da Iniciativa Educação Aberta com a Cátedra UNESCO de Educação Aberta e a Distância do Brasil, sediada na Universidade de Brasília. Trata-se de um conjunto de ações de formação de gestores públicos e projetos de fomento a políticas públicas de Recursos Educacionais Abertos (REA), com referências e publicações sobre o tema, além de atividades de formação para educadores e gestores.

O Educadigital foi pioneiro ao trazer para o Brasil a abordagem do Design Thinking na educação, por meio de um material aberto e gratuito e de cursos e formações presenciais e a distância.

Priscila Gonsales, co-fundadora e diretora-executiva foi selecionada como fellow Ashoka em 2013, instituição global que identifica empreendedores sociais no mundo todo.

Educar com tecnologia sem a tecnologia

A falta de equipamentos para todos ou a baixa conectividade não impedem o desenvolvimento de bons projetos educativos

Por Priscila Gonsales (originalmente publicado em Medium)


Fui convidada para falar sobre tecnologias emergentes na educação no encontro do Projeto Educanvisa, organizado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) desde 2006 e que reúne 1.456 escolas públicas de todo o Brasil. A programação do evento, realizado nos dias 18 e 19 de setembro, em Brasília, priorizou o compartilhamento de ideias e experiências entre os professores, em uma empolgante valorização da diversidade de vozes e saberes. Em comum, todos tinham como base um projeto de educação em saúde, desenvolvido a partir de diversas metodologias participativas e em diferentes níveis de ensino.

Apesar de existir há 12 anos, o Educanvisa é ainda pouco conhecido por se tratar de uma ação de outro Ministério, o da Saúde, em parceria direta com escolas e secretarias de educação. Diversos materiais de uso educativo são produzidos e estão disponíveis para acesso e download pelo site para qualquer usuário interessado. O livro mais recente, com a sistematização de boas práticas educativas desenvolvidas nos últimos dois anos, foi lançado no evento.

Fiquei com vontade de registrar aqui um ponto que me chamou muito a atenção. Nem todos os trabalhos apresentados fizeram uso de uma tecnologia digital, mas todos, de alguma forma, trabalharam com a tecnologia digital. Parece contraditório? Pois é perfeitamente possível educar no contexto da cultura digital mesmo sem ter equipamentos disponíveis ou excelente conectividade .

A qualidade metodológica das propostas roubou a cena por conseguir relacionar diversos temas de saúde e qualidade de vida com o advento da tecnologia que permeia a sociedade atual, tais como, acesso à informação, discursos ocultos em materiais de divulgação/publicidade, interesses econômicos X interesse público, ações cooperativas em rede. Além disso, o papel do professor na mediação do processo ficou bastante evidente.

É claro que isso não invalida a luta pela ampliação do acesso à internet nas escolas, até porque segundo a pesquisa TIC Educação 2016, somente 4% das escolas públicas brasileiras têm mais de 20 Mbps de internet, valor mínimo de velocidade recomendado para uso pedagógico com os alunos.

No entanto, mesmo em um cenário ideal de conectividade e acesso, se não houver uma boa proposta pedagógica, pouca coisa vai mudar de fato. Queremos sempre mais tecnologia, mas nem sempre sabemos por que ou para que queremos. Simplesmente queremos. No entanto, precisamos mesmo é de mais metodologias do que de tecnologias para poder inovar em educação.

Pensando nisso, gostaria de propor um desafio: podemos trabalhar com tecnologia na escola sem ter a tecnologia?

Em 2013, escrevi um artigo sobre como lidar com os inconvenientes das tecnologias digitais. Algumas das recomendações são ainda bem pertinentes, mas se fosse fazer uma atualização para 2018, citaria o desenvolvimento do espírito hacker (conhecer bem um sistema para propor melhorias a partir dos recursos disponíveis) e o uso da abordagem do design thinking (empatia, colaboração e experimentação) como elementos importantes para educar com tecnologia — seja com ou sem a tecnologia.

Seguindo nesse caminho, pontuo aqui apenas algumas sugestões que podem gerar insights para planejamento e desenvolvimento de debates e/ou projetos variados, integrando diferentes componentes curriculares:

– Análise do discurso a partir de postagens nas redes sociais;

– Produção de memes com materiais “analógicos” como colagem, massinha, desenho livre etc

– Linguagem internetês, emojis e seus significados na “língua culta”;

– O que são e como funcionam os algoritmos: criação de roteirização ou sequência lógica para a realização de uma dad atividade;

– Criptografia: a matemática como chave para uma investigação;

– Chuva de ideias para usos possíveis do celular em uma atividade educativa (os alunos são excelentes parceiros para essa cocriação);

– Produção de textos curtos (capacidade de síntese) para uso em mídias com limite de caracteres;

– Comunidade virtual de prática: produção colaborativa a distância com uma outra escola do bairro ou mesmo outra turma da mesma escola;

– Identidade e selfie: quem somos ou quem queremos ser quando postamos? Outras formas de auto-representação;

– Robôs e inteligência artificial que já fazem parte de nosso cotidiano e que quase nem percebemos;

– O que já sabemos fazer usando tecnologia digital que podemos ensinar a outra pessoa;

– Privacidade: o que são dados pessoais, quais podem ser públicos e quais devem ser privados;

– Que aprendizagens não teríamos antes do acesso à internet?

– Quais os tipos de tecnologia digital já temos em nossa escola e como é utilizada;

– O que poderíamos fazer se tivéssemos mais recursos da tecnologia digital que ainda não fazemos?

Termino com o vídeo abaixo, disponível no youtube, que traz uma produção reflexiva exatamente sobre o tema “metodologia x tecnologia” que, embora embalado pelo hit “Pela Internet” do Gilberto Gil lançado há 20 anos, segue sendo desafio.


Jornalismo, educação e cultura digital na agenda de Agosto

Três importantes congressos programados para o mês reúnem educadores, pesquisadores e jornalistas para discutir e experenciar novas aprendizagens em novos contextos 


Que tal retomar o ano letivo com muita inspiração, reflexão e conversas sobre jornalismo e cultura digital na educação? É o que prometem três eventos bem interessantes que vou participar em São Paulo no mês de agosto. O 2º Congresso Jeduca, organizado pela Associação de Jornalistas de Educação será logo na primeira semana, nos dias 6 e 7, no Colégio Rio Branco, com diversas atividades focadas em políticas públicas e as questões mais atuais da prática do jornalismo. Educação é uma das principais agendas e eu vou estar no painel sobre Tecnologia e Inovação na Educação, ao lado da Helena Singer, da Ashoka, no dia 6, às 17h30.

No dia 7 de agosto, às 11h30, vou mediar o painel “Educação para Uso Consciente e Responsável da Internet na Base Nacional Curricular Comum (BNCC)” com Cristina Sleiman, da OAB/SP e Rodrigo Nejm, da Safernet no 3º Workshop Impactos da Exposição de Crianças e Adolescentes na Internet, organizado pelo Nic.br.  Vale a pena olhar toda a programação, que também traz temáticas como cyberbullying, influenciadores digitais, papel da família. É gratuito, basta se inscrever!

No final do mês, dias 30 e 31 e também 1 de setembro, estarei no 7º Congresso Sinpro, lá vou conduzir uma oficina de Design Thinking para Educadores, no dia 30 às 14h. Com uma programação excelente, recomendo participar de todo o evento, não apenas as oficinas e painéis, mas também a mesa de encerramento que vai abordar ética digital com a Cristina Sleiman e o Sérgio Amadeu, professor da UFABC e ativista da cultura livre.

Três excelentes possibilidades para refletir sobre nossa prática educativa diante das constantes mudanças e transformações pelas quais nossa sociedade passa.

Se a sua intenção é por a mão na massa e praticar, recomendo participar de nossa oficina presencial programada para o dia 7 de agosto, das 18h-22h, no Ibmec, basta acessar aqui para se inscrever: https://www.sympla.com.br/educadigital

Teremos também o #cursolabDT, nossa formação online para quem tem interesse em facilitar processos educativos com base na abordagem do Design Thinking. Essa vai ser a turma 7, inscrições e informações: https://www.cursolab.org.br/oportunidades/cursolabdt/

Convido, ainda, para a nossa 2ª Jornada de Mentoria Online e Ao Vivo, da iniciativa #ConexãoIED que tem por objetivo propiciar mentoria para e entre educadores com foco em “Educação para o Desenvolvimento Humano”. De 20 a 23 de agosto, um webinar por dia,  mentores muito especiais compartilham seus saberes de forma coletiva. Nessa edição, vamos falar de educação política e fakenews, passando por relações interpessoais que geram inovação até caminhos para uma vida mais desacelerada. Saiba mais: https://www.cursolab.org.br/oportunidades/conexaoied/

Quem sabe nos encontramos em alguma dessas oportunidades? Vai ser muito bom!

Evento debate os impactos da exposição de crianças e adolescentes na Internet

Protagonismo, autoria, uso consciente da Internet, segurança, exposição e privacidade foram alguns dos temas trazidos por especialistas durante o Workshop “Impactos da Exposição de Crianças e Adolescentes na Internet”, promovido pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) e Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) em parceria com a SaferNet, no dia 18 de setembro, em São Paulo.


Foto: Reinaldo Canato

Débora Sebriam, coordenadora de projetos do IED, integrou o segundo painel do evento juntamente com a pesquisadora Drica Guzzi da Escola do Futuro e Karolyne Utomi do NIC.br e que trouxe a tona os desafios de integrar tecnologias no processo de ensino e aprendizagem.

Sebriam trouxe a perspectiva do protagonismo na escola e em sala de aula, destacando a necessidade mudar a dinâmica na sala de aula com novas abordagens e metodologias para ter um aluno autor e um professor desafiador. Segundo ela, precisamos hackear a escola, precisamos de um professor com um jeito hacker de ser! Uma ideia inspirada pelo professor Nelson Pretto da UFBA e uma característica importante da educação aberta. Ela também destaca as habilidades que fazem parte da inteligência digital e deveriam permear a incorporação de tecnologia na escola. Essas habilidades estão distribuídas em três níveis: a cidadania digital, a criatividade e o empreendedorismo. Drica Guzzi trouxe reflexões sobre mediação de uso e conteúdo por parte dos pais, sem que para isso ajam de forma autoritária e moralizadora; também falou sobre a importância da participação dos alunos no dia a dia da escola e sobre como esse espaço deve ser de experimentação e preparação para a vida.

Os vídeos com todas as apresentações do Workshop estão disponíveis no canal do NIC.br no YouTube, confira abaixo:


Em terras espanholas

 Atenção à formação inicial docente, promoção do protagonismo dos estudantes para produção de conteúdo na sociedade digital foram alguns dos temas debatidos no III Congresso Internacional de Educação Midiática e Competência Digital, na Espanha


Nos dias 15, 16 e 17 de Junho, Bruna Nunes, coordenadora de projetos do Instituto Educadigital, participou do III Congresso Internacional de Educação Midiática e Competência Digital, em Segóvia (Espanha). Com duas fases, uma virtual e outra presencial, o congresso reuniu 400 participantes, entre acadêmicos, professores, gestores e representantes de organizações da sociedade civil, para debater e compartilhar experiências, pesquisas, iniciativas e boas práticas relacionadas ao desafio de incorporar a tecnologia digital aos ambientes de aprendizagem formais e não formais. Dentre os conferencistas, cabe destacar a participação do prof. David Buckingham, fundador do Centre for the Study of Children, Youth and Media da London University, reconhecido pelo seu trabalho no campo da media literacy (podemos traduzir por letramento digital ou letramento midiático).



Abaixo listamos algumas das principais conclusões do congresso, acordados na plenária de encerramento, que ilustram as discussões e debates realizados durante os três dias de evento:

  • Nota-se que de maneira geral as Faculdades de Educação pelo mundo nao tem preparado adequadamente os futuros professores e professoras para incorporar de maneira qualificada e crítica as tecnologias digitais à prática docente;
  • É fundamental promover o protagonismo dos estudantes em seu processo de aprendizagem;
  • É fundamental mudar o paradigma do consumo para produção de conteúdo, incentivando professores, professoras e estudantes a produzir seus próprios conteúdos digitais e midiáticos;
  • O uso da tecnologia digital nos processos de ensino e aprendizagem devem vir associados à metodologias e abordagens educacionais que dêem sentido e intencionalidade aos objetivos pedagógicos que se quer alcançar;
  • A incorporação da tecnologia digital na educação deve ser feita de forma crítica, ressaltando e revelando as estruturas mercantis e capitalistas que estão por tras dela;
  • É fundamental que as instituições governamentais apoiem a promoção de uma educação midiática e digital crítica, através de políticas publicas que não apenas garantam a infraestrutura necessária, mas que incidam sobre a formação de professores e da elaboração de currículos mais alinhados a uma visão crítica da tecnologia digital;
  • É fundamental que a educação midiática incorpore a dimensão de gênero em sua prática cotidiana;
  • É fundamental envolver as famílias e toda a comunidade escolar, expandindo o alcance da educação midiática para fora dos muros da escola, como por exemplos, as bibliotecas públicas e outros espaços e equipamentos públicos da cidade e também os entornos escolares.

Festival ColaborAmerica destaca educação disruptiva

Pela primeira vez no Brasil, evento organizado por empreendedores via financiamento coletivo debate novas formas e modelos de economia na sociedade contemporânea


Realizado entre os dias 16 e 19 de novembro, o ColaborAmerica, cerca de 3 mil empreendedores de diversas áreas se reuniram no Rio de Janeiro no espaço City Lab, no centro da cidade, para debater, expor e meditar sobre as novas formas de economia emergentes na sociedade digital.

Planejado e cocriado por uma rede de profissionais engajados com formatos disruptivos que arrecadaram recursos via financiamento coletivo. Durante os 3 dias de atividades abertas ao público, parte gratuita e parte com ingresso, uma série de conferências, workshops, debates e dinâmicas foram realizadas.


Educação disruptiva foi tema de painel na sexta-feira, dia 18, com a presença da diretora do Educadigital, Priscila Gonsales, que apresentou um pouco do trabalho voltado para o desenvolvimento de novas aprendizagens no contexto da cultura de rede, especialmente envolvendo educação aberta, recursos educacionais abertos e metodologias participativas como o design thinking.

“Educação tem sido uma preocupação constante, não apenas das pessoas envolvidas diretamente no ambiente escolar, o que é ótimo, mas precisamos trazer educadores e estudantes para espaços de troca como esse também!”, destacou Priscila, que dividiu o palco com os empreendedores Alvaro Dantas (Extramuros), Clarissa Bolchini (Laje) e Carol Bergier (Casa Soul).

Mais informações: http://colaboramerica.org/

Como podemos integrar as tecnologias digitais na aprendizagem?

2º Simpósio Nacional sobre Adolescência da Unifesp reúne pesquisadores e profissionais de educação, psicologia, neurociências e saúde


Os dias 10 e 11 de novembro, no campus Vila Mariana da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) , estiveram reunidos educadores, professores e pesquisadores interessados em entender melhor a fase complexa que é a adolescência, considerando o desenvolvimento pleno dos jovens, mas também suas vulnerabilidades, protagonismos e desafios.

Priscila Gonsales, diretora-executiva do Educadigital, foi convidada para apresentar os aspectos relacionados à educação na cultura digital, destacando a importância de integrarmos as aprendizagens relacionadas ao comportamento digital e riscos, além do estímulo à produção autoral dos estudantes.

“Existem várias novas competências e habilidades no campo da ‘inteligência digital’ que precisamos aprofundar, não somente com os jovens, mas também com os professores, pois nós todos estamos diante de novas formas de comportamento e práticas sociais que ainda nós mesmos não compreendemos”, ressaltou Priscila.

A Unifesp já disponibilizou as palestras e os painéis gráficos de registro no site: http://www.adolescenciaunifesp.com/

Aprendizagem na cultura digital ou inteligência digital

Unifesp sedia I Congresso Internacional e Interuniversitário de Combate à Pobreza no Mundo; educação foi um dos destaques


A diretora-executiva do Educadigital, Priscila Gonsales, fez um resgate dos Objetivos do Milênio da ONU, que terminaram em 2015, no qual a educação para todos era uma meta. E ressaltou que o novo compromisso firmado para os próximos 15 anos, até 2030, denominado 17 Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável, agora soma mais desafios e ressalta a qualidade na educação. Priscila apresentou também um diagrama do Fórum Econômico Mundial que apresenta uma lista de habilidades necessárias no atual contexto da cultura digital, isto é, uma inteligência digital. São elas:

  • Identidade Digital: a capacidade de criar e gerenciar sua identidade on-line e sua reputação.
  • Uso Digital: a capacidade de usar aparelhos e suportes digitais, incluindo a capacidade de estabelecer um equilíbrio saudável entre a vida on-line e off-line.
  • Risco Digital: a capacidade de evitar ou limitar os riscos on-line (por exemplo, cyberbullying, radicalização), bem como conteúdo problemático (por exemplo, a violência e obscenidade).
  • Segurança Digital: a capacidade de detectar ameaças virtuais (por exemplo pirataria, fraudes, malware), para entender as melhores práticas e de usar ferramentas de segurança adequadas para a protecção de dados.
  • Inteligência Digital Emocional: a capacidade de ser compreensivo e construir boas relações com outros internautas.
  • Inteligência de Comunicação: a capacidade de se comunicar e colaborar com outros internautas usando tecnologias e mídias digitais.
  • Letramento Digital: a capacidade de encontrar, avaliar, utilizar, compartilhar e criar conteúdo, bem como a competência em pensamento computacional.
  • Direitos Digitais: a capacidade de compreender e defender os direitos individuais e coletivos, principalmente os direitos à privacidade, propriedade intelectual, a liberdade de expressão e proteção de discurso de ódio.

Ver apresentação completa: