Já ouviu falar em “T Shaped Individuals”?

Pixabay

Palestra no Four Summit 2019 apresenta o conceito de profissionais que se aprofundam em um determinado assunto sem deixar de lado a visão do todo e a curiosidade por outras áreas do saber

T Shaped Individual” é um termo utilizado para caracterizar a experiência, o aprendizado e a adaptabilidade humana, destacando que não é suficiente se especializar em uma determinada área de conhecimento, e não se interessar por outros temas. Esse foi o tema da palestra ministrada por Levindo Santos, que utilizou três exemplos para explicar o “T Shaped Individual”.

O primeiro exemplo foi o experimento social feito pelo Washington Post em que o famoso violinista Joshua Bell toca numa estação de metrô da cidade dois dias depois de ter feito uma performance lotada de gente. Quando ele toca, anonimamente, na estação, a reação é muito diferente, poucas pessoas pararam para ouvi-lo e só uma reconhece o músico. Um funcionário da estação nem percebeu que tinha um músico pois estava de fones de ouvido. O exemplo, segundo o palestrante, teve a intenção de mostrar que muitas vezes nos condicionamos a só “ouvir” o que programamos, nem pensamos em descobrir coisas diferentes.

O segundo exemplo foi de uma faculdade nos EUA chamada “St John’s College” uma instituição que à primeira vista, até causa uma má impressão, pois ela oferece um único curso superior, sem graduação específica, um diploma de “bacharel interdisciplinar”. Como exigência, leitura de 25 livros por ano, ensino a distância, e custa 135 mil reais por ano. Porém, essa faculdade já existe desde 1697, e o palestrante mostra um vídeo com vários depoimentos de ex-alunos dizendo que a faculdade foi ótima para eles pois os preparou pra vida, mais do que para um tema em si.

O último exemplo foi de uma pessoa que ficou órfã aos 10 anos, sempre morou na mesma região em que nasceu, e nunca viajou mais do que 300 km de sua casa. Qual seria a chance de essa pessoa, por exemplo, deixar algum legado pra humanidade? Pois essa pessoa é Johann Sebastian Bach, um dos maiores compositores da história, que descobriu seu talento para música muito jovem, tocava violino, cello, flauta, harpa, órgão, cravo e ainda cantava. Estudou a música de sua época, foi compositor, professor, músico de performance, matemático etc. Compôs para todos os gêneros musicais da sua época com exceção de sinfonias e óperas, e influenciou outros gênios da música como Mozart e Beethoven. Tudo isso sem viajar mais do que 300 km, algo que não fez diferença para que ele deixasse um dos maiores legados para a humanidade. 

A ideia do palestrante em expor o “T Shaped Individual” foi chamar a atenção para a importância de se dar uma chance para a sorte, por mais que as possibilidades de encontrar o Joshua Bell tocando numa estação de metrô sejam muito pequenas. É fundamental que se busque, que se vá atrás para algo acontecer, também tirar os fones, caminhar mais, descobrir seus interesses, mesmo que você não veja uma aplicação prática para eles, escutar música, aprender instrumentos, ler sobre temas distintos, estudar sobre artes, cinema etc. “As pessoas interessadas tendem a ser pessoas interessantes”, conclui.

Entrevista – Valdenice Minatel

Este é o 6º post da série de mini-entrevistas com especialistas e
estudantes convidados que vão apresentar seu ponto de vista para 5 perguntas-chave sobre educar em cidadania digital, tema do nosso novo projeto, a plataforma colaborativa Pilares do Futuro

Graduada em Pedagogia pela Universidade Estadual de Campinas. Mestra e doutora em Educação: Currículo (na linha de pesquisa Novas Tecnologias) pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (SP). Atualmente é Diretora-Geral Pedagógica do Colégio Dante Alighieri (SP) e também ocupou o cargo de Diretora de Tecnologia na mesma instituição. Editora da Revista de pré-iniciação científica InCiência 

Como você definiria a importância de educar para a cidadania digital atualmente?

Mais do que nunca ganha uma grandeza, temos necessidade urgente dessa educação para a cidadania digital.  Ainda mais em tempos de educação emergencial por conta da COVID-19, em que nos baseamos nos meios digitais,  o educador precisa exercitar essa cidadania e, portanto, todo processo educativo precisa ter esse pilar porque somente assim ela será uma educação completa, já que a cidadania digital comporta também uma relação dialética com a própria cidadania, num âmbito mais conhecido.  A escola tem o dever, a responsabilidade e, ainda bem, o papel de construir junto com a sociedade essa cidadania para que nós tenhamos pessoas cada vez mais empoderadas no sentido de poder atuar no meio em que vivem, na comunidade em que atuam. Não somente ajudando, mas também mudando este mundo para um mundo melhor e mais justo.


Quais os temas que você considera prioritários de serem trabalhados pela escola?

Dentro desse contexto da cidadania digital eu acho que primeiramente o respeito, a empatia e a gentileza são conceitos muito aplicados para a cidadania digital e para além dela, para o mundo não digital. Tais conceitos vêm embasados num cenário de educação sócioemocional e acho que com isso a gente consegue criar os vínculos e o ambiente necessário para  uma aprendizagem ainda mais ampliada  e significativa.

Obviamente, todas as questões de cybersecurity são importantes. Particularmente, destaco o combate a fakenews e desinformação, fundamental especialmente para o momento que nós estamos vivendo.


Conhece alguma boa prática sobre cidadania digital que poderia relatar brevemente?

Não poderia não mencionar o trabalho do Dante, que é liderado pela Verônica Cannatá, coordenadora  de Tecnologia Educacional. Temos feito um trabalho muito raiz mesmo, um trabalho que envolve toda a escola, que chama a responsabilidade de todos os sujeitos. Temos o que chamamos de “Jornada de Cidadania Digital“, que acontece em setembro e é um trabalho que nos enche de orgulho, pois vai de ponta a ponta, da educação infantil até o ensino médio, envolvendo os funcionários, os professores, pais, enfim eu acho que é um trabalho que merece destaque.


Como o profissional da educação deve buscar formação e informações sobre tema da cidadania digital?

Considero o NIC.br como um grande centro difusor de boas ideias e boas práticas e eu acho que você mesmo, Priscila, via Educadigital, tem contribuído muito para a gente poder ter informações curadas e de alto nível.  É sempre importante buscar pessoas e instituições que tenham uma trajetória consolidada nos meios digitais e estabelecer um diálogo com essas instituições e pessoas, formando uma grande rede de colaboração que no fundo é uma grande rede de apoio também.


De que forma uma plataforma para compartilhar boas práticas pode apoiar o trabalho do docente?

O primeiro item a ser observado é a qualidade dessas informações para que o docente possa  sentir confiança e sentir que ele está realmente minerando dados num lugar que é confiável, que vai produzir possibilidades de construção de conhecimentos bastante assertivos neste cenário. Volto a dizer, que você, Débora Sebriam e agora com a Rosa Lamana têm feito um trabalho muito importante desde os recursos educacionais abertos e neste momento mais voltado para a prática de conectar as pessoas e as boas ideias sobre segurança e cidadania digital. Ações como essas são necessárias e indicam que a gente tem um longo caminho ainda pela frente mas temos boas ferramentas para trilhar este caminho juntos.

 


LEIA MAIS

Pilares do Futuro Entrevista – Maria da Graça Moreira
Pilares do Futuro
Entrevista – Roxane Rojo
Pilares do Futuro – Entrevista – Rosa Lamana
Pilares do Futuro – Entrevista Fernanda Furia
Pilares do Futuro – Entrevista Carlos Lima

Cidadania Digital é o 3º tema de maior interesse entre os professores 

 

Coronavírus pode ser a “limonada da criatividade” para as escolas

Com as orientações para suspender aulas presenciais e ajudar a conter o avanço da doença no país, mais do que simplesmente indicar ferramentas tecnológicas, é importante planejar colaborativamente possíveis propostas e metodologias para uma boa educação a distância

Por Priscila Gonsales

O coronavírus trouxe para a educação uma evidência até então bem encoberta: culturalmente, não estamos preparados para  atividades pedagógicas a distância. Não estamos. Adoramos ressaltar a importância das tecnologias na educação, mas não estamos. E não estou falando dos professores somente, pois são justamente eles que, quando a coisa aperta,  imediatamente são escalados para achar uma solução (bem boa e rápida de preferência)  para uma urgência que até então não receberam formação sobre (nem hora extra) e que nunca havia sido cogitada  antes pela instituição ou rede de educação. 

Falo também das famílias que, por desconhecimento ou mesmo por necessidade de ter com quem deixar os filhos,  acreditam pouco que possa ocorrer aprendizagem em qualquer lugar, não apenas na escola.

Além disso, muitos de nossos estudantes ainda estranham metodologias diferentes do esquema tradicional “transmissão de conteúdos” e não compreendem as potencialidades de autonomia que o estudo remoto pode oferecer.  Sem falar na urgente questão “isolamento”… quem tem filhos grandinhos em casa, sabe do que estou falando. 

E, claro, não poderia deixar de mencionar que a sociedade em geral ainda não se conscientizou que educação é responsabilidade de todos, ou seja, algo a ser feito em cooperação. 

A pandemia do coronavírus está aí para apontar como precisamos (e muito!) levar em conta nossas vulnerabilidades e despreparos para promover o coletivo, a cultura de compartilhar — se passarmos a cultivar isso a partir de agora, nunca vamos perder. Recuperar o tempo do semestre letivo vai ser tranquilo se a gente puder aprender a conviver, mesmo no isolamento, e buscar adotar uma postura voltada à inovação. Como? Experimentando! 

Noto que muitas instituições já estão apontando ferramentas de ensino a distância para serem usadas durante a suspensão das aulas, no intuito de tentar manter exatamente o mesmo esquema da escola e, de quebra, estão fazendo propaganda de empresas que ainda precisam lidar melhor com várias questões de proteção de nossos dados pessoais (e de nossas crianças!). A LGPD vem aí. 

Talvez possamos aproveitar esse “limão” inesperado que surgiu para fazer uma boa e doce “limonada da criatividade”. Claro que não é simples, mas talvez possa ser instigante e surpreendente.  

Algumas sugestões: 

1) No comunicado às famílias dos alunos, além de justificar a suspensão de aulas para seguir a conduta das autoridades, por que não dizer, com humildade,  que “vamos estudar” possibilidades para esse período e pedir ajuda da comunidade? Vai que tem alguém que possa e queira colaborar para uma chuva de ideias? 

2) Usar alguns dos primeiros dias de suspensão para planejar em conjunto com os professores quais as possibilidades viáveis. Isso mostra que se acredita de fato no poder do coletivo e não em uma determinação hierárquica. Esse planejamento pode ser feito remotamente, assim, os próprios docentes já vão experimentando como se sentem criando algo por meio de um recurso on-line. 

3) Usar e abusar do que já existe disponível na web.  Em diversos formatos e mídias, há conteúdos sobre qualquer tema trabalhado nos componentes curriculares. Que tal exercitar a curadoria dos estudantes? E se eles pudessem planejar eles mesmos um roteiro de “aula” sobre um determinado tema? Quais materiais indicariam?  

4) Se os estudantes não têm acesso à internet em suas casas, como poderiam exercer essa curadoria com conteúdos da televisão, por exemplo, comparando com o que eles têm nos livros e em outros materiais? E se eles criassem um programa de TV para ensinar algo que aprenderam a outras pessoas? Talvez até possam usar o celular para gravar. 

5) Considerar as preferências, os perfis e as aptidões dos estudantes. Por exemplo, estimular a leitura e a reflexão dos que adoram ler (e depois criar um texto? um vídeo?). Promover a análise crítica e comparativa dos que gostam de filmes e poderiam assistir a versões diferentes para um mesmo tema.   

6) Desenvolver práticas com foco em cidadania digital, como por exemplo, como surgem as fake news e a desinformação se espalha? Quais as dicas de segurança online? Como discordar com respeito? Qual a diferença entre liberdade de expressão e discurso de ódio? Simular situações reais e pedir que eles sugiram as melhores condutas é sempre uma boa proposta!  

7) Passar exercícios, tarefas etc que possam ser feitas em conjunto entre pequenos grupos de alunos. Eles podem escolher qual o meio de comunicação remota mais acessível para que todos  possam participar. 

Seja qual for a atividade escolhida pela escola, esse é o momento para tentar fazer diferente. Aquele velho paradigma de esperar que alguém resolva a situação ou diga o que fazer, pode ser, conscientemente, deixado de lado para adotar uma postura mais proativa. 

Aproveite também como oportunidade para buscar e oferecer inspirações. Contribua, colabore com outras escolas, compartilhe ideias, materiais e propostas de atividades. Que a gente saiba usar a ocasião para gerar mais cooperação. 

Vale a pena conhecer: 

REliA 
Primeiro referatório de recursos educacionais com licenças abertas, para buscar por tipo de mídia, área do conhecimento, disciplinas etc 
www.relia.org.br  

Plataforma MEC-RED 
Nova plataforma do MEC, lançada em 2018, que reúne recursos digitais produzidos pela pasta ao longo dos anos
https://plataformaintegrada.mec.gov.br/home 

Moodle
Software livre para criação de cursos e atividades EaD. Tem uma opção grátis para até 50 participantes
https://moodle.org/ 

Lista Educação Aberta da Wikiversidade 
Organização de links e informação sobre diversos tipos de serviços abertos que podem ser recomendados para docentes do ensino superior para utilização em atividades a distância

Entrevista – Rosa Lamana

Primeiro post da série de mini-entrevistas com especialistas e
estudantes convidados que vão apresentar seu ponto de vista para 5 perguntas-chave sobre educar em cidadania digital, tema do nosso novo projeto, a plataforma colaborativa Pilares do Futuro

Graduada em Educação Artística pela Faculdade Mozarteum de São Paulo, especialização em Tecnologias em Educação pela PUC/RJ e mestrado em Educação: Currículo pela PUC/SP. Professora da rede pública estadual, Ensino Fundamental I, II e Ensino Médio. Atualmente compõe a equipe da Escola de Formação e Aperfeiçoamento dos Professores do Estado de São Paulo. Foi membro colaborador da Comissão de Educação Digital da OAB de São Paulo, é integrante do grupo de pesquisa Comunidade Práxis.  

Como você definiria a importância de educar para a cidadania digital atualmente?

Somos cercados pela tecnologia. Mas será que sabemos usá-las adequadamente? Qual a importância de ler os termos de uso de aplicativos e plataformas antes de aceita-los? Como saber se uma informação é verdadeira ou não? Muitas vezes nós somos pegos nessas questões sem saber resolve-las. A necessidade do trabalho nesse tema vai além do uso de redes sociais. Envolve nossa vida social, financeira, nossos ambientes de trabalho, etc. Educar para a cidadania digital é educar para a vida. As 10 competências da BNCC trazem isso claro, pois  destacam a importância da argumentação, pesquisa, responsabilidade e cidadania, conhecimento, pensamento científico crítico e criativo, comunicação, empatia e cooperação, trabalho e projeto de vida, cultura digital e repertório cultural

Quais os temas você considera prioritários de serem trabalhados pela escola?

O tema cidadania digital é muito amplo e todos os temas são importantes. Deve-se considerar a faixa etária com a qual o professor irá trabalhar, além das necessidades da turma com a qual ele trabalha. Considero importante a observação dos alunos para compreender o que acontece com eles e, de acordo com isso, trabalhar as vertentes desse tema. Em algumas idades a vertente pode ser a mesma porém com um aprofundamento maior.

Conhece alguma boa prática em cidadania digital que poderia relatar brevemente?

Algo bem interessante é mostrar aos alunos algumas imagens de propagandas (antigas ou atuais). A partir daí, propor uma discussão. Por exemplo: o que faz aquela propaganda ser confiável ou leva-lo a comprar o produto? Mostrar ao aluno que é preciso que a imagem mostre que o produto é bom ou tenha como garoto propaganda alguém que inspire confiança. Além disso, as palavras usadas também devem inspirar confiança e convencer o consumidor que o produto é bom e indispensável. Depois dessa discussão, vale formar  grupos e distribuir  temas (diferente para cada grupo). Deverão pesquisar o tema que receberam e construir um texto sobre ele. Para um dos grupos o (a) professor(a) dá a comanda de que devem inserir uma informação falsa de forma convincente. Quando todos os grupos terminarem os respectivos textos deverão compartilhar com toda a turma e os ouvintes receberão a comanda de dizer se as informações são novas para eles. Também é possível que o (a) professor(a) deixem a turma ter acesso ao texto escrito e pesquisem a veracidade ou não das informações.

Essa atividade é interessante para que os alunos percebam que as informações podem transmitir ideias erradas sobre os assuntos sendo necessário verificar a veracidade ou não delas. Os temas podem ser dados de acordo com o conteúdo da atividade que está sendo trabalhada pelo professor.

Como o/a profissional de educação pode buscar formação e informações sobre temas de cidadania digital?

A internet fornece alguns bons caminhos para esse trabalho através de plataformas que tratam sobre o tema. Outro recurso que pode ser usado pensando diretamente na escola são as plataformas colaborativas onde professores podem compartilhar os trabalhos que realizam e juntos trocar ideias e aperfeiçoar as que já existem.

De que forma uma plataforma para buscar e compartilhar boas práticas pode apoiar o trabalho docente?

Plataformas que permitem a troca de ideias trazem vivências semelhantes que podem ser discutidas, ampliadas, modificadas de acordo com a necessidade da turma que o professor está trabalhando. O trabalho colaborativo contribui para troca de experiências exitosas ou não. Acredito que mesmo uma experiência não exitosa pode contribuir no trabalho de outros professores pois ela permite que outros possam corrigir os possíveis “erros” que fizeram com que a experiência não desse certo. Até mesmo experiências que não deram certo com algumas turmas podem ser ótimas para outras.

Educadigital na Bett Educar 2020

O Educadigital foi convidado para ministrar duas oficinas na Bett Educar, considerado o maior evento de educação e tecnologia da América Latina. 

A pedagoga e coach educacional Graça Santos, facilitadora associada do Educadigital no Rio de Janeiro, vai facilitar uma oficina de Design Thinking para Educadores, enfatizando como a abordagem possibilita que educadores e educandos exercitem o autoconhecimento quando aprendem.  
                       Dia 13 de maio 
                       14h-16h 

Já a diretora-fundadora do Educadigital, Priscila Gonsales, vai trazer a perspectiva da Inteligência Artificial na atualidade, que se baseia no uso de dados e metadados para refletir com os participantes os desafios que a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais trazem para o contexto educacional. 
                       Dia 15 de maio 
                       14h-16h 


A Bett Educar congrega, anualmente, mais de 270 empresas nacionais e internacionais, mais de 20 startups do setor e cerca de 30.000 participantes da comunidade educacional de todos os estados brasileiros, que se encontram com o propósito de buscar inspiração, discutir o futuro da educação e o papel que a tecnologia e a inovação desempenham na formação de todos os educadores e estudantes.

Local: Transamerica Expo Center
Av. Dr. Mário Vilas Boas Rodrigues, 387 – Santo Amaro-SP

Inscrições devem ser feitas diretamente no site do evento.

Cidadania digital é o 3º tema de maior interesse dos professores em relação à tecnologia

Além de aprender sobre possibilidades de aplicação em sua própria disciplina e na criação de novas práticas de ensino, docentes gostariam de saber mais como orientar alunos para o uso seguro, responsável e consciente da internet

Em sua última edição, divulgada em 2019, a pesquisa TIC Educação, realizada pelo Cetic.br, destacou que 57% dos professores gostariam de encontrar mais orientações sobre como trabalhar com os alunos questões relacionadas ao uso seguro, consciente e responsável da internet.  Entre os respondentes, 38% afirmam já ter apoiado algum aluno a enfrentar situações incômodas na internet, como, por exemplo, bullying, discriminação, assédio, disseminação de imagens sem consentimento, entre outras. 

Anualmente, em meados de fevereiro, uma intensa mobilização global, envolvendo mais de 140 países, vem chamar a atenção para o Dia Mundial da Internet Segura. Em 2020, a data marcada é 11 de fevereiro, mas a intenção é que a mobilização não se restrinja a um único dia nem a uma semana, mas sim esteja presente durante o ano todo, nas escolas, instituições e famílias. 

“Quando falamos em uso seguro, responsável e consciente da internet, enfatizamos a importância que a cidadania digital tem cada vez mais em nossa vida e em nossa convivência em sociedade e pode ser trabalhada em diversas disciplinas e mais ainda de forma interdisciplinar”, explica Rosa Maria Lamana, da Escola de Formação e Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação da Secretaria Estadual da Educação de São Paulo. 

Por sua atuação constante em diversos eventos sobre a temática, como o Fórum da Internet e o Simpósio Crianças e Adolescentes na Internet, e também por estar sempre atenta às necessidades dos docentes, Rosa procurou o Educadigital com uma constatação bem pertinente. “Existem muitas fontes de informação, vários materiais de apoio consistentes, mas não temos ainda onde encontrar sugestões de como colocar em prática”, relatou Rosa. 

Em conversas com a diretora-executiva do Educadigital, Priscila Gonsales, aquela constatação foi acolhida e acabou gerando uma ideia concreta. “Logo pensei que também faltava valorizar as boas práticas que já estão sendo feitas, mas são bem pouco divulgadas”, explicou Priscila. 

Desde 2018, o Educadigital mantém a plataforma REliA, um referatório de recursos educacionais com licenças abertas (REA), organizado por área do conhecimento, tipos de mídia e disciplinas. Ao remixar a base tecnológica em código aberto do REliA, vai surgir uma nova plataforma, especialmente voltada para a busca e o compartilhamento de boas práticas em cidadania digital.

Essa nova plataforma receberá o nome de Pilares do Futuro, para remeter aos 4 pilares da educação da UNESCO —aprender, fazer, ser e conviver— que formam a base das competências socioemocionais e também das competências gerais da Base Nacional Curricular Comum (BNCC). “Pilar ainda representa alicerce, ou seja, a consistência que uma prática em cidadania digital deve ter”, ressalta Débora Sebriam, coordenadora de projetos do Educadigital. 

Com apoio inicial do NIC.br, a Pilares do Futuro está sendo construída e tem lançamento previsto para março de 2020. Além dos temas bastante procurados como cyberbullying e superexposição, também serão destaque: inteligência artificial, proteção de dados, direito autoral, fake news, publicidade e consumo, dentre outros. 

Quer participar desse projeto? 

2019 foi um ano daqueles!

Como precisamos de resiliência e perseverança para esse ano que passou! Mesmo com tanta adversidade, seguimos firmes em nossa missão de disseminar a educação aberta pelo Brasil. E já agora neste fim de ano, para adentrar 2020 em nova perspectiva, ampliamos nosso foco de atuação, trazendo a pauta dos direitos digitais — acesso à informação, liberdade de expressão e privacidade de dados pessoais — para o centro da nossa missão. 

Completamos 5 anos de Design Thinking para Educadores levando formação em práticas pedagógicas abertas para mais de 10 mil professores, gestores, estudantes e também para profissionais de organizações sociais de todo o Brasil.

Nosso material aberto e gratuito foi oficialmente recomendado por redes públicas como apoio na readequação curricular para a Base Nacional Curricular Comum. No Rio Grande do Sul, por exemplo, nossa facilitadora associada, Sandra Mendez, apoiou o processo em escolas de Pelotas e do Chuí. Lançamos novo material igualmente aberto e gratuito, especialmente voltado para resolver problemas de gestão. Fizemos várias palestras sobre inovação em educação e contribuímos com o curso de formação para diretores ingressantes da SEE-SP, com o vídeo: 

Foi um ano importante em reconhecimento internacional de nosso trabalho, ganhamos prêmio e indicação para prêmio por nossa expertise de formação de gestores públicos para a implementação de política de educação aberta. Também fizemos mentoria internacional em eventos da área na Europa (Polônia) e na América Latina (Peru). Conseguimos aprovar o Projeto de Lei sobre Recursos Educacionais Abertos em mais uma comissão na Câmara dos Deputados. Lançamos o Jogo da Política de Educação Aberta, disponível em três idiomas: português, inglês e espanhol. Você já viu nosso novo vídeo sobre a diferença entre recursos grátis e abertos?  

Lançamos um site novo para poder organizar melhor as informações sobre nossas iniciativas, projetos e ações, além de facilitar a que todas as nossas produções — impressas e digitais — realizadas ao longo dos últimos 9 anos possam ser encontradas. 

E aguardem novidades para 2020: novo cursolab de formação de Líderes em Educação Aberta e uma plataforma de compartilhamento de boas práticas em cidadania digital! 

Inteligência Artificial e Alfabetização em Dados

Estreamos a nova oficina do Educadigital no LER – Salão Carioca do Livro, dia 28 de novembro, na Biblioteca Parque, Rio de Janeiro

Pela primeira vez, o tradicional LER – Salão Carioca do Livro organizou o Encontro com o Educador, um evento simultâneo com várias atividades práticas e mesas-redondas sobre temas contemporâneos da educação. 
O Educadigital esteve presente com duas oficinas, a de Design Thinking para Educadores, conduzida por Priscila Gonsales, diretora-executiva, e por Graça Santos, facilitadora associada no Rio de Janeiro. Em apenas duas horas, foi possível apresentar como uma abordagem baseada em empatia, colaboração e experimentação pode ser transformadora. Vários professores se emocionaram ao se verem contemplados como autores de processos de transformação da educação. 

A segunda oficina foi sobre Inteligência Artificial e Alfabetização em Dados, estreia nas formações do Educadigital e tem por objetivo levar mais conscientização aos educadores em relação às escolhas de ferramentas e aplicativos que são feitas para uso em sala de aula. “Hoje não basta levar as tecnologias para a escola, é fundamental questionar como uma determinada tecnologia captura e usa dados de nossas crianças e adolescentes”, ressaltou Priscila Gonsales. 
Veja mais fotos aqui 

Leve essa formação para a sua escola entre em contato!  

Insights e alertas que Harari traz para a educação

Em visita ao Brasil, o pesquisador, professor, historiador e best-seller ressaltou a importância da educação na compreensão da realidade assustadora que vivemos.

Por Priscila Gonsales

Yuval Noah Harari é o intelectual mais citado atualmente quando o assunto é pensar o futuro da humanidade. Autor de três livros, Sapiens: Uma breve história da humanidade, Homo Deus: Uma breve história do amanhã e 21 lições para o século 21, Harari esteve pela primeira vez no Brasil para diversas palestras e entrevistas sobre o que ele considera como os três principais desafios globais: guerra nuclear, mudanças climáticas e inteligência artificial.

Segundo o pesquisador, esses são os desafios que representam ameaças diretas para a civilização e também para a especie humana e que a solução deve ser buscada de maneira cooperativa entre os diversos países, especialmente aqueles que, como o Brasil, não estão liderando o que ele chama de “disrupção tecnológica”.

Sendo assim, é exatamente nesse aspecto, bastante abordado em seu terceiro livro, 21 Lições para o Século XXI, que há um alerta importante nas entrelinhas para a educação.

Qual seria esse alerta?

  • Engana-se quem pensou no “aprender a programar”, tema bastante destacado nos últimos anos como sendo a “nova” alfabetização.
    Harari ressalta a todo momento que ele não entende nada de computação nem sequer usa smartphone. O que ele faz é compreender como a tecnologia funciona e está sendo desenvolvida atualmente, considerando o contexto político, econômico e social. Por exemplo, entender que os dados de todas as pessoas do mundo estão sendo coletados e acumulados em dois locais: EUA e China. Ao trazer uma tecnologia de uma empresa para dentro da escola, para que nossos alunos usem, estamos cientes disso? Consideramos o que pode ser feito no futuro a partir dos dados de crianças e adolescentes coletados por plataformas de gigantes da tecnologia que usamos e divulgamos amplamente?

 

  • Engana-se quem pensou nas “metodologias ativas ou metodologias ágeis” hoje tão badaladas em toda e qualquer formação docente.
    Pelo menos até o momento, Harari não falou em melhores nem piores formas de ensinar conteúdos. Ao contrário, ele pontua que cada vez mais teremos necessidade de lidar com situações imprevisíveis. E também, que isso só será possível se desenvolvermos nas crianças e jovens uma mentalidade flexível. Estamos dando espaço para o imprevisível em nossas práticas educativas ou elas apenas servem para cumprir melhor as metas de apreensão de conteúdos?

 

  • Engana-se também quem pensou no “aprendizado ao longo da vida” ou “lifelong learning”, algo que sempre foi foco de uma educação de qualidade, mas que agora tem sido a menina dos olhos em diversas pesquisas internacionais recentes sobre competências e habilidades. Por mais que Harari considere importante, o enfoque que ele traz não é apenas no aprimoramento profissional para gerar competitividade no mercado de trabalho, mas sim no conhecimento de si mesmo, incluindo consciência sobre suas próprias fraquezas, já que atualmente os algoritmos de inteligência artificial podem saber mais sobre nós do que nós mesmos.

O principal alerta para nós educadores envolve a  conscientização sobre as novas formas de manipulação e vigilância que estão sendo feitas por meio de dados coletados pelas tecnologias de inteligência artificial. E, claro, compartilhar e incentivar essa reflexão crítica também com os estudantes.

Se já conseguimos deixar o deslumbramento com a tecnologia de lado para valorizar o “para que” usamos determinada tecnologia. Então agora precisamos nos atentar para a questão dos dados e fazer melhores escolhas. Afinal, não faz sentido tornar escolas instrumentos de fidelização de usuários por parte das empresas que controlam nossos dados.

Não há como prever quais serão os tipos de trabalho que surgirão daqui a 20 anos. Mas, hoje já sabemos que se pode manipular comportamentos, opiniões e atitudes por meio dos dados coletados das mais diversas formas. Isso vai de um simples preenchimento de informações em formulários ou rastros de navegação até expressão facial.

Nesse sentido, será que estamos tomando decisões assertivas em relação às tecnologias que adotamos em sala de aula, com as devidas preocupações em relação aos dados que estão sendo constantemente coletados?

Então, em nível macro, Harari propõe aos países em desenvolvimento não evitarem o debate sobre esse tema por acharem que está ainda muito distante da realidade. O mesmo caminho cabe a nós educadores, pois temos o futuro como pauta desde sempre.

Leia também:

Educação aberta e a proteção dos direitos digitais 

Inovar na educação não depende da ferramenta que você usa 

Educação digital nas escolas precisa incluir alfabetização em dados

Curso on-line: Design Thinking para Boas Escolhas