Entrevista – Maria da Graça Moreira

Este é o 5º post da série de mini-entrevistas com especialistas e
estudantes convidados que vão apresentar seu ponto de vista para 5 perguntas-chave sobre educar em cidadania digital, tema do nosso novo projeto, a plataforma colaborativa Pilares do Futuro

Doutora em Educação (Currículo) pela PUC-SP, é docente do Programa de Pós-graduação em Educação: Currículo da mesma universidade. Consultora na implantação de projetos educacionais e formação de educadores em secretarias de educação, instituições de ensino, ONGs e iniciativa privada. Recebeu premiação Emmy Internacional pela gestão da Série de TV Pedro e Bianca (Fundação Padre Anchieta); Learning & Performance pela gestão de conteúdo do Programa Inglês online (70.000 estudantes). Foto: Arquivo pessoal

Como você definiria a importância de educar para a cidadania digital atualmente?

A educação para o mundo  contemporâneo, imerso na cultura digital, pode ser analisada por diversas facetas, mas envolve a compreensão dos novos conceitos e subjetividades experimentadas no mundo conectado e do conhecimento e das práticas sociais daí decorrentes. Como espaço de formação de cidadãos, a escola é o lócus social e político da construção da durante todo o processo da educação. A cidadania digital não é diferente da cidadania. A cidadania digital demanda a leitura crítica, a interpretação e a autoria da e na cultura digital pela escola. Prevê a promoção da inclusão e a equidade educativa, bem como a transformação social e cultural. Visa a autonomia, independência e qualidade de vida de toda a comunidade.  Entretanto, ao abordar mais especificamente a cidadania digital, existem diferentes instrumentos e ferramentas para a leitura e interpretação do mundo que ampliam a abrangência das ações; o acesso, a distribuição e compartilhamento de informações; a construção de atividades em colaboração; a autoria e o compartilhamento; a participação social, dentre outras. Daí a necessidade da escola, professores e alunos compreenderem e apreenderem os instrumentos, ferramentas e as práticas sociais que propiciam não apenas na operação técnica, mas o uso transformador e de relevância social. Assim, a importância da educação para a cidadania digital é a própria importância da educação para a cidadania, em todos os espaços.

 

Quais os temas você considera prioritários de serem trabalhados pela escola?

Qual professor já não vivenciou ocorrências em que os alunos relataram terem enfrentado situações como bullying, vírus, exposição de fotos íntimas, fake news e outras nas quais os alunos ficassem inseguros ou desconfortáveis? Usar, estudar, aprender e ensinar, e viver de forma cidadã na cultura digital implicam em novas práticas como o uso seguro, consciente,  crítico, inclusivo  e cidadão das tecnologias e que podem ser abordadas pelos professores com os aluno na realização de projetos temáticos de forma articulada à BNCC, como por exemplo, na habilidade de Língua Portuguesa do Ensino Fundamental (EF89LP02) que trata da análise de diferentes práticas e textos pertencentes a diferentes gêneros da cultura digital de forma a possibilitar uma presença mais crítica e ética nas redes, ou a (EF09LP01),  que analisa a questão de notícias falsas e desenvolve estratégias para reconhecê-las. Assim, esse artigo avança no desenho articulado entre os eixos da cultura digital e a BNCC como ponto de partida para o professor, que logicamente, toma vida na prática pedagógica.

 

Conhece alguma boa prática em cidadania digital que poderia relatar brevemente?

O CIEB desenvolveu o Guia EduTec que, a um só tempo, permite que professores façam uma autoavaliação sobre as competências de uso de tecnologias e recebam orientações segundo seu nível de competências, incluindo a cidadania digital. Essa é uma boa prática para formação de professores.

 

Como o profissional da educação pode buscar formação e informações sobre temas de cidadania digital?

 Os educadores podem acessar os materiais disponíveis nas redes, como o portal Internet Segura, com orientações e práticas sobre o tema no endereço. Entretanto, é importante ressaltar que a “prática” da cidadania digital deve ser mais relevante do que aulas sobre o assunto, portanto, o professor, no dia a dia, deve adotar as práticas de uso seguro, crítico, ético e inclusivo das tecnologias e vivenciá-las com os alunos nas atividades escolares, como na habilidade da BNCC a seguir:(EF89LP18) Explorar e analisar instâncias e canais de participação disponíveis na escola (conselho de escola, outros colegiados, grêmio livre), na comunidade (associações, coletivos, movimentos, etc.), no município ou no país, incluindo formas de participação digital, como canais e plataformas de participação (como portal e-cidadania), serviços, portais e ferramentas de acompanhamentos do trabalho de políticos e de tramitação de leis, canais de educação política, bem como de propostas e proposições que circulam nesses canais, de forma a participar do debate de ideias e propostas na esfera social e a engajar-se com a busca de soluções para problemas ou questões que envolvam a vida da escola e da comunidade.

 

De que forma uma plataforma para buscar e compartilhar boas práticas pode apoiar o trabalho docente?

Uma plataforma para que professores possam conhecer, compartilhar suas práticas, trocar ideias, dúvidas, angústias e preocupações é fundamental para disseminar, orientar e construir conhecimentos sobre cidadania digital. A criação da rede de aprendizagem sobre os temas que envolvem o dia a dia na escola e nos diferentes ambientes contribuem para a educação cidadã.

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