Acervo da REliA já está integrado à Plataforma do MEC

Campanha “flex” do Catarse para construção da plataforma que indica recursos educacionais digitais com licenças aberta chega ao fim com 63 apoios 


Previsto para ser lançado no início do ano letivo de 2018, a plataforma REliA vai ser a primeira plataforma no Brasil que vai indicar recursos educacionais digitais com licenças abertas. Parte do acervo que estamos reunindo no projeto REliA já pode ser encontrada na nova Plataforma Integrada do MEC. Experimente, por exemplo, buscar “Design Thinking para Educadores”.

A equipe voluntária do Educadigital está trabalhando na categorização dos 490 objetos digitais com licença aberta que já foram mapeados para adequar os metadados para ficarem totalmente compatíveis com os que estão na plataforma do MEC. Assim, as pessoas vão poder encontrar recursos tanto na plataforma do MEC como no REliA que terá o seguinte endereço: www.relia.org.br

Para saber mais sobre a parceria do Instituto Educadigital com a Plataforma Integrada, leia aqui.

A REliA vai ser parte das atividades práticas do curso sobre Recursos Educacionais Abertos para a Universidade Aberta do Brasil (UAB-CAPES) por meio da Iniciativa Educação Aberta.

Para a sustentabilidade do projeto, uma nova campanha de financiamento colaborativo, de caráter recorrente, deve ser lançada ainda nos primeiros meses de 2018.


Por que um novo site do Instituto Educadigital?

Desde a nossa fundação, há quatro anos, amadurecemos bastante enquanto instituição, crescemos enquanto rede e delimitamos, com muita clareza da nossa vocação para ser uma “boutique de serviços e projetos”, as linhas em que atuamos. Foi um processo orgânico, mas também pró-ativo, que envolveu, continuamente, ambientes online e presencias, e que manteve como norte a nossa missão. Agora, neste segundo semestre de 2014, entendemos que já era hora de revisar nosso site, facilitando o entendimento de qualquer pessoa sobre a atuação do Instituto Educadigital.

O que somos, no que acreditamos, o que fazemos, o que construímos e com quem. Tudo isso está aqui na nossa nova plataforma, que traz o histórico de projetos em uma linha do tempo interativa e destaca, com muita objetividade, as principais linhas de atuação do IED: Educação Aberta, Design Thinking para Educadores, Formação e Facilitação Pedagógica, Gestão e Curadoria, Comunicação em Redes e Narrativas Digitais.

Cada uma dessas cinco linhas de atuação citadas acima tem uma página própria no site, mas o Design Thinking para Educadores também pode ser encontrado na página “Pessoas”, onde uma rede está aberta para que facilitadores se associem e possam, assim, construir e usufruir a partir da troca de experiências e conhecimentos desse grupo focado no tema.

Dicas da cidade (parte III)

Um lugar fascinante que não tinha ido da primeira vez é o Palace of Fine Arts, apresentado pela amiga e consultora de propriedade intelectual, Carolina Rossini, seu gentil  e talentoso marido John Wilbanks e o pequeno Noah que, aos 2 anos, era uma atração à parte por seu encantamento com os patos no lago. Uma estrutura momumental de inspiração greco-romana construída em 1915 para exibir o trabalho de artistas.

Para quem gosta de museu como eu, não dá para perder o lindo Asian Art Museum que traz um acervo belíssimo de obras artísticas das civilizações que formam o continente. Além de China (30% da população de SF é de origem chinesa) e Japão, o museu também contempla Vietnã, Índia e Mongólia, além de oferecer audio-guia gratuito para visitantes.

Na sequência, recomendo tomar um café no bairro Hyes Valley, ali pertinho, cruzando o Civic Center. Depois que conheci essa parte da cidade agora, apresentada pelo amigo e morador Jordy Mont-Reynaud, não achei mais graça no downton da Union Square.  Mais aconchegante e com menos turistas, o local tem uma atmosfera pacata durante o dia e boêmia durante a noite. Um certo ar parisiense até, para quem conhece Montmartre.

Quem quiser observar um pouco os contrastes da cidade, recomendo pegar um Muni no início da Mission St. a partir da 2nd ou 3th St. e ir até o ponto final. Dá para ter uma ideia de como a paisagem vai ficando diferente, algumas vezes mais residencial, outras parecendo que se está numa cidade completamente diferente, especialmente pelas evidências de imigração de hispanofalantes e asiáticos nos estabelecimentos comerciais.

Fiquei espantada com tantas pessoas que falam sozinhas nas ruas e nos ônibus em San Francisco, umas brigam mesmo, falando alto e gritando com as pessoas. E ninguém se incomoda, até riem. Parece que já estão acostumadas aos “crazy people”, como dizem e aos “homeless”, cada vez mais comuns nas áreas centrais, atraídos por uma ação humanitária que a cidade desenvolve.

Para quem quer aliar museu, conhecer cidade nova e ter, de quebra, uma vista deslumbrante, nada melhor do que ir a Berkeley . Pegue o bart (o metrô deles) no sentido East Bay e desça na estação Downtown Berkeley. Caminhe um pouco pela agradável Shattuck Ave e depois pegue um ônibus até o Lawrence Hall of Science para ter uma das vistas mais lindas da Bay Área. Fiquei umas duas horas ali só olhando para aquela beleza toda. Meditei bastante. Hoje posso dizer sem hesitar que esse é um passeio tão imperdível quando andar de bike na Golden Gate Bridge (que fiz na minha primeira vez).

Outra vista panorâmica imperdível e que fica dentro da cidade é Twin Peaks. De lá de cima dá para ter uma ideia de como SF é uma cidade plana, com poucos prédios concentrados no Financial District.

Comer em San Francisco é simples e barato. Saladas as mais diversas são encontradas em delis, pequenos restaurantes a até em farmácias (sim, as farmácias de lá parecem nossos supermercados daqui). Mas se a vontade pedir um jantar mais requintado, com preço justo e atendimento cordial, indico o Perbacco, também apresentado por Carol e John, que traz pratos criativos e deliciosos, especialmente frutos do mar.

Agora se a ideia é sair para dançar, a salsa é a opção mais divertida. Há várias casas que oferecem aulas antes da balada começar de fato. A mais famosa é o Café Cocomo, que fica num bairro um pouco escondido, mas está sempre cheio de pessoas das mais diversas nacionalidades. Desde os norte-americanos mais “duros” tentando aprender os primeiros passos até os hispanofalantes mais rodopiantes.

E o melhor da noite em SF é que acaba cedo, ou seja, dá para curtir sem correr o risco de não acordar a tempo no dia seguinte. Ah e uma dica incrível para quem ama dançar como eu: a OCD Dance é uma escola de danças, que oferece vários ritmos e funciona 7 dias por semana em todos os períodos. Dá para fazer aula avulsa ou fechar um pacote. Fiz uma aula maravilhosa de afro-brazilian dance, sugerida pela amiga Lauren Valdez, com quem trabalhei no projeto Global Lives Project.

Mais sobre San Francisco:
O filme, os vídeos e a mobilização (parte I)
Pessoas, projetos e inspirações (parte II)

OpenEd 2012: educação aberta

Aconteceu em Vancouver, de 16 a 18/10, a Conferência “Open Education” que na edição de 2012 procurou traçar um caminho para a educação aberta que caminha além dos conteúdos para a próxima década. O Brasil foi representado  na conferência com Débora Sebriam, coordenadorea de projetos do Instituto Educadigital e Carolina Rossini, ex-coordenadora e fundadora do projeto no Brasil.

Entre os projetos e temas tratados na conferência estiveram:

  • Estragégias de política institucional e governamental
  • Avaliações – formativa e somativa, diagnóstica e adaptativa
  • Abertura de grupos de estudo e outras oportunidades para a interação social
  • Novas pedagogias que aproveitam a reutilização, remixe e redistribuição de REA
  • Novos modelos de negócio
  • Novos modelos de certificação
  • Colaborações para expandir a educação aberta

Carolina Rossini (atualmente Electronic Frontier Foundation) e consultora do IED, foi uma das palestrantes convidadas do evento, juntamente com Gardner Campbell (Virginia Tech) e John Willinsky (Stanford University School of Education) e falou no auditório principal sobre REA no Brasil e outros casos interessantes.

Você pode conferir a apresentação e vídeo de Carolina Rossini na íntegra, logo abaixo.



Educação Aberta e REA são foco da série “Gerações Digitais” do Instituto Claro

O Instituto Claro lançou a segunda reportagem da série “Gerações Digitais”,cujo tema, tratou de Educação Aberta e Recursos Educacionais Abertos. Débora Sebriam, coordenadora de projetos do IED foi uma das entrevistadas.


A série Gerações Digitais vai ao ar a cada duas semanas e pretende registrar a trajetória das tecnologias digitais na educação nas últimas décadas, a partir de cinco temas-chave: Jogos (já publicada), Educação Aberta, Ativismo Digital, TICs na sala de aula e Mobile-Learning. Acompanhe e participe das discussões!

As tecnologias digitais vêm promovendo grandes mudanças na forma como as pessoas se informam e aprendem. No entanto, muitas destas mudanças não estão claras para professores e profissionais da área, que ainda apresentam dificuldades na hora de formular práticas pedagógicas para uma geração de alunos mais conectada e interativa.

Uma das novas práticas educacionais surgidas na última década é o conceito de Educação Aberta, que, para os mais radicais, se relaciona com a possibilidade de uma educação além da formal, que não depende do espaço escolar. Ou até com a substituição da escola tal como está constituída hoje, como provoca Nelson Pretto, doutor em educação e tecnologia e professor da UFBA. “Se pensarmos no formato tradicional das escolas, que só transmitem educação, as tecnologias digitais são mais efetivas”, afirma. No entanto, ele alerta: “Educação, porém, não é isso, não é transmissão de informação”.

Para Pretto, que possui um histórico de atuação com tecnologias na educação anterior à web 2.0-, as novas gerações se manifestam e produzem conhecimentos de maneira diferente. Atuando neste cenário há menos de dez anos, a educadora especializada em tecnologias digitais Débora Sebriam também acredita que uma grande transformação recente é o fato de que as pessoas passaram a produzir mais conteúdos e conhecimentos de forma colaborativa.

“A escola precisa se modificar. O esforço que tem que ser feito agora é o de transformá-la em um ecossistema pedagógico de produção de cultura e conhecimento. Para isso, é preciso uma mudança de currículo”, afirma Pretto. 


Experiências colaborativas e abertas

Uma das formas de trabalhar o espírito colaborativo da cultura digital em sala de aula, tanto no que diz respeito aos recursos quanto à metodologia de utilização, é através dos Recursos Educacionais Abertos. Ou seja, fazendo uso de ferramentas que estão em domínio público ou licenciadas de maneira aberta e que podem ser utilizadas e/ou remixadas por terceiros. Confira mais detalhes sobre os REAs na apresentação abaixo, elaborada por Débora Sebriam e Priscila Gonsales para o Seminário Recursos Educacionais Abertos, que aconteceu em Porto Alegre no dia 12 de setembro, por iniciativa do Projeto REA Brasil, Instituto Educadigital e Governo do Estado do Rio Grande do Sul.

Débora Sebriam lembra que este movimento chegou no Brasil em 2008. Hoje, já existe uma comunidade que se organiza a partir do portal do REA e apoia projetos de disponibilização e produção de recursos abertos.

No entanto, os recursos educacionais abertos não fazem a diferença sozinhos. Para Tel Amiel, pesquisador do Nied/Unicamp e coordenador do grupo de trabalho Educação Aberta, o que importa são as práticas que podem ser modificadas em sala de aula e para além dela, através da discussão de questões como remixagem e propriedade intelectual, por exemplo. “Os REAs são uma maneira de o professor e o aluno pensar questões que a Cultura Digital impõe”, afirma.

Segundo Débora, as novas gerações já começam a ter mais autonomia para a busca e produção de conhecimento a partir da internet, apesar da “colagem” ser uma alternativa antiga. “O copiar e colar é uma prática anterior ao mundo online. As pessoas copiavam coisas da Enciclopédia Barça, por exemplo. A questão é: com vários trabalhos copiados e colados, sem citações de fonte, o professor precisa propor releituras e reflexões. O que se impõe é uma questão metodológica”, afirma.


Desafios para os próximos anos

Construir uma escola que explore melhor o conceito de colaboração é um desafio que esbarra em alguns obstáculos. Nelson Pretto aponta que os professores precisam receber formação para atuar de forma mais efetiva com as novas tecnologias. “Formação não são somente cursos. É plano de carreira, é infraestrutura nas escolas, constante atualização e valorização da prática docente”, afirma.

Pouco a pouco, os REAs começam a aparecer como foco de políticas públicas. Débora lembra que, em São Paulo, os materiais educacionais municipais já são todos REA, a partir da aprovação do Decreto Municipal nº 52.681, de 26 de setembro de 2011. Além disso, há projetos de lei para ampliar o alcance dos REAs tramitando no Senado e no Estado de São Paulo. Detalhes sobre o projeto vão ser discutidos no VI Congresso de Direito de Autor e Interesse Público, que acontecerá no dia 9 de outubro, em Curitiba. “É importante transformar esta adoção em lei, para evitar retrocessos com troca de governos, por exemplo”, afirma a educadora.

A materialização dos REAs nas escolas brasileiras ainda depende de investimentos, mas será um caminho sem volta, na opinião de Débora. “Esta discussão só vai ganhar força nos próximos anos, principalmente porque envolve dinheiro público. Se é a sociedade que está financiando os materiais, eles devem poder voltar para a sociedade depois”, finaliza.

Para acessar o podcast publicado e apresentação elaborada por Débora Sebriam e Priscila Gonsales, acesse: Instituto Claro