Curso: facilitação de aprendizagem remota

Educadigital lança curso novo, especialmente criado para o contexto atual, em que educadores se deparam com a demanda por uma nova habilidade 

Assim que as escolas foram fechadas como medida de contenção do avanço da COVID-19, nossa diretora, Priscila Gonsales, fez um post no intuito de chamar a atenção para a importância da colaboração, algo sempre relevante entre educaodores, mais ainda em tempos emergenciais.

Nesses últimos dois meses, no entanto, o que se viu com mais frequência foi a corrida por  plataformas e ferramentas digitais para aulas remotas, com pouca ou quase nenhuma preocupação em relação à proteção de dados dos estudantes. O projeto Educação Vigiada enfatiza bem esse aspecto.

Para Priscila Gonsales, escolher a plataforma ou ferramenta não deve ser a primeira ação a fazer, mas sim considerar as pessoas envolvidas no processo. “Facilitar a aprendizagem é o que o bom professor faz desde sempre, o ponto agora é refletir e prototipar possibilidades de facilitação remota, com muita empatia em relação aos estudantes e a si mesmo”, ressalta.

Promover a cultura da colaboração é a melhor maneira de lidar com as incertezas que esse contexto traz, pois não existem respostas prontas.  Além disso, o papel de facilitar a aprendizagem de maneira remota surge como uma nova habilidade.

Pensando em apoiar nossos alunos da turma 10 do curso-laboratório on-line de formação de facilitadores em Design Thinking para Educadores, criamos um novo curso.

Agendado para iniciar no dia 19 de maio, o curso será no formato de 4 encontros em tempo real e  poderá receber também outros interessados, mesmo que não estejam matriculados no curso-laboratório.  As inscrições estão abertas e as vagas são limitadas. Saiba mais aqui

No dia 15 de maio, sexta-feira, 18h, faremos uma LIVE no Instagram do Educadigital para contar um pouco mais sobre o curso e esclarecer dúvidas

 

Mapeamento inédito mostra exposição da educação brasileira à vigilância

 

Educação Vigiada mostra que 65% das universidades públicas e secretarias estaduais de educação estão expostas ao  “capitalismo de vigilância”. O projeto vem chamar a atenção da sociedade para o problema da falta de transparência e regulação nas relações público-privadas em serviços e plataformas tecnológicas, comprometendo direitos dos usuários, como privacidade e a proteção de dados pessoais

Educação Vigiada

Bastou começar a suspensão das aulas pelas instituições de ensino, no esforço coletivo de contribuir com a disseminação do COVID-19, para surgir uma lista imensa de empresas e plataformas de tecnologia ofertando ferramentas diversas para EaD (educação a distância) como forma de evitar prejuízos ao semestre letivo. Entretanto, boa parte delas, inclusive, disponibilizando acesso e serviços ‘gratuitos’ para incentivar o uso.

Só que essa disputa pela atenção de educadores e gestores de instituições de educação no Brasil não é de agora.

Mapeamento realizado por dois núcleos de pesquisa da Universidade Federal do Pará (UFPA) e pela Iniciativa Educação Aberta (Cátedra UNESCO de EaD sediada na Universidade de Brasília (UnB) e Instituto Educadigital) revela que 65% das universidades públicas e secretarias estaduais estão expostas ao chamado “capitalismo de vigilância”.

Esse termo é utilizado para designar modelos de negócios baseados na ampla extração de dados pessoais por algoritmos e técnicas de inteligência artificial. Esses dados servirão para obter previsões sobre o comportamento dos usuários e com isso ofertar produtos e serviços.

Intitulado Educação Vigiada, o mapeamento tem por objetivo chamar a atenção da sociedade. Isso devido a falta de regulação de parcerias estabelecidas por órgãos públicos de educação com organizações comerciais.

Sendo assim, o que compromete o direito à privacidade e à proteção de dados pessoais dos cidadãos e também de crianças e adolescentes.

LEIA O POST COMPLETO AQUI

Como funcionam as mentorias para profissionais da educação?

mentorias

Você já ouviu falar em “mentoria”? Podemos definir as mentorias como uma relação de troca na qual uma pessoa que é especialista ou tem mais experiência em determinado campo de atuação orienta outra pessoa interessada em receber informações, aconselhamento, sugestões e dicas de conduta.

Então, no Educadigital, oferecemos mentorias para educadores e demais profissionais da educação, individualmente, nos seguintes temas:

  • Uso do Design Thinking na educação (formação profissional e/ou corporativa, planejamento de projetos pedagógicos);
  • Uso de licenças abertas de direito autoral e disponibilização de materiais de ensino em conformidade com a Lei de Direito Autoral;
  • Planejamento e desenvolvimento de cursos on-line: organização, design de experiência (antigo “design instrucional”);
  • Organização institucional para a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD): aspectos formativos, curriculares e comunitários;
  • Elaboração de práticas pedagógicas de cidadania digital a partir da promoção de direitos humanos no contexto digital.

As sessões podem ser feitas de forma presencial ou remota, sobretudo precisam ser agendadas e têm duração mínima de 1 hora. É possível organizar um plano de sessões conforme a necessidade da pessoa mentoranda. Para agendar a sua, envie email para
contato@educadigital.org.br

Assim, há também as mentorias coletivas on-line, denominadas Jornada Conexão, com duração de 1h a 2h, dependendo do tema.  A próxima, sobre Inteligência Artificial e Alfabetização em Dados será no dia 7 de abril. Saiba mais aqui.

Cidadania digital é o 3º tema de maior interesse dos professores em relação à tecnologia

Além de aprender sobre possibilidades de aplicação em sua própria disciplina e na criação de novas práticas de ensino, docentes gostariam de saber mais como orientar alunos para o uso seguro, responsável e consciente da internet

Em sua última edição, divulgada em 2019, a pesquisa TIC Educação, realizada pelo Cetic.br, destacou que 57% dos professores gostariam de encontrar mais orientações sobre como trabalhar com os alunos questões relacionadas ao uso seguro, consciente e responsável da internet.  Entre os respondentes, 38% afirmam já ter apoiado algum aluno a enfrentar situações incômodas na internet, como, por exemplo, bullying, discriminação, assédio, disseminação de imagens sem consentimento, entre outras. 

Anualmente, em meados de fevereiro, uma intensa mobilização global, envolvendo mais de 140 países, vem chamar a atenção para o Dia Mundial da Internet Segura. Em 2020, a data marcada é 11 de fevereiro, mas a intenção é que a mobilização não se restrinja a um único dia nem a uma semana, mas sim esteja presente durante o ano todo, nas escolas, instituições e famílias. 

“Quando falamos em uso seguro, responsável e consciente da internet, enfatizamos a importância que a cidadania digital tem cada vez mais em nossa vida e em nossa convivência em sociedade e pode ser trabalhada em diversas disciplinas e mais ainda de forma interdisciplinar”, explica Rosa Maria Lamana, da Escola de Formação e Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação da Secretaria Estadual da Educação de São Paulo. 

Por sua atuação constante em diversos eventos sobre a temática, como o Fórum da Internet e o Simpósio Crianças e Adolescentes na Internet, e também por estar sempre atenta às necessidades dos docentes, Rosa procurou o Educadigital com uma constatação bem pertinente. “Existem muitas fontes de informação, vários materiais de apoio consistentes, mas não temos ainda onde encontrar sugestões de como colocar em prática”, relatou Rosa. 

Em conversas com a diretora-executiva do Educadigital, Priscila Gonsales, aquela constatação foi acolhida e acabou gerando uma ideia concreta. “Logo pensei que também faltava valorizar as boas práticas que já estão sendo feitas, mas são bem pouco divulgadas”, explicou Priscila. 

Desde 2018, o Educadigital mantém a plataforma REliA, um referatório de recursos educacionais com licenças abertas (REA), organizado por área do conhecimento, tipos de mídia e disciplinas. Ao remixar a base tecnológica em código aberto do REliA, vai surgir uma nova plataforma, especialmente voltada para a busca e o compartilhamento de boas práticas em cidadania digital.

Essa nova plataforma receberá o nome de Pilares do Futuro, para remeter aos 4 pilares da educação da UNESCO —aprender, fazer, ser e conviver— que formam a base das competências socioemocionais e também das competências gerais da Base Nacional Curricular Comum (BNCC). “Pilar ainda representa alicerce, ou seja, a consistência que uma prática em cidadania digital deve ter”, ressalta Débora Sebriam, coordenadora de projetos do Educadigital. 

Com apoio inicial do NIC.br, a Pilares do Futuro está sendo construída e tem lançamento previsto para março de 2020. Além dos temas bastante procurados como cyberbullying e superexposição, também serão destaque: inteligência artificial, proteção de dados, direito autoral, fake news, publicidade e consumo, dentre outros. 

Quer participar desse projeto? 

Meu trabalho já é “do futuro”! E o seu?

futuro

Estudo 100 Jobs of the Future (100 ocupações do futuro) traz algumas pistas sobre quais são as aprendizagens relevantes para a convivência humana desde sempre

Por Priscila Gonsales

Viramos, então, o ano de 2020 e com ele mais uma década vai chegando ao fim. Aquele futuro imaginado, tomado pelos avanços avassaladores da tecnologia digital e da inteligência artificial está cada vez mais se concretizando.

Muita coisa vai mudar, especialmente no campo do trabalho. De certa forma, é natural imaginar que poderemos exercer diferentes funções ou ter várias carreiras ao longo da vida, mas ainda não temos nenhuma certeza quais serão os tipos de ocupações que efetivamente surgirão e que vão demandar uma formação nova ou específica.

No entanto, o estudo 100 Jobs of the Future, lançado no segundo semestre de 2019,  nos traz algumas pistas.  De autoria de duas universidades australianas,  Deakin e Griffith, em parceria com a Ford Go Further, o estudo parte do pressuposto de que no futuro teremos pessoas e máquinas colaborando efetivamente para fazer o que nenhuma delas poderia fazer sozinha.

Bem interessante, não?

A lista das 100 ocupações do futuro foram organizadas em 10 categorias e logo atrás da categoria “Trabalho com Tecnologias”, campeã com 21 possibilidades, vem “Trabalho com Pessoas” com 14 possibilidades — mas em várias das demais categorias dá pra ver o quanto o foco em pessoas estará em evidência . Aha!

Se por um lado já podemos supor que o trabalho do futuro exigirá aptidões científicas, tecnológicas e digitais, por outro, valorizamos pouco habilidades relacionadas ao autoconhecimento e à convivência humana que serão altamente necessárias, quase como um alicerce para o bom desempenho profissional e pessoal.

O ano de 2020 também marca 10 anos de existência do Educadigital, é gratificante notar que, mesmo depois de uma década, nosso foco de trabalho centrado nas pessoas (de forma “plugada ou desplugada”), continua sendo o que se espera no futuro!  Confira algumas das ocupações que destaquei do estudo, sendo que várias delas de alguma forma já estamos  “semeando” por aqui!

Educador em Inteligência Artificial

Ensinarão as pessoas a usar a IA da melhor forma possível, seja para lidar com robôs domésticos e assistentes digitais, até aprender como usar algoritmos para analisar dados ou tomar decisões.

Ao contrário de ser um intérprete algorítmico, que apenas explica como uma IA chegou a uma conclusão específica, o Educator em IA vai promover que pessoas compreendam como as máquinas aprendem.

Negociador de Propriedade Intelectual

Vão precisar conhecer bem o valor da criatividade.

Eles negociarão em nome de seus clientes pela propriedade ou uso de novas tecnologias, produtos, software ou outras saídas criativas.

Eles também representarão pessoas quando a IA usar idéias sem permissão. Precisarão ter habilidades e conhecimentos avançados em leis de direito autoral dentro de suas jurisdições.

Guia de experiência analógica

Darão suporte às pessoas para ‘desconectar’ da vida digital e reconectar com o mundo natural, sem implantes digitais ou realidade aumentada.

Eles ajudarão as pessoas a apreciar uma vida mais simples e mais lenta experimentando ambientes naturais como florestas ou áreas montanhosas sem acesso digital em infra-estrutura ou vigilância.

Gestor de expansão digital

Terá um alto nível estratégico na maioria das organizações, pois será responsável por escolher quais tecnologias devem ser usadas de acordo com as tarefas e atividades e objetivos.

Poderão também projetar processos de trabalho onde humanos e máquinas trabalharão juntos de maneira complementar.

À medida que mais humanos buscarem implantes e modificações no corpo/cérebro para aumentar suas capacidades como cyborgs, o profissional terá que cuidar de questões de condições e direitos no local de trabalho.

Facilitador transcultural

Serão especialistas com profunda capacidade de responder pelo respeito e direito de pessoas de diversas culturas e origens. Eles vão trabalhar diretamente com pessoas em contextos transculturais, facilitar negociações ou projetos.

Muitos também trabalharão com programadores de software, designers de robôs e criadores de experiências de realidade aumentada/virtual. Terão forte conhecimento e comprometimento com princípios de diversidade e inclusão, mobilidade internacional, resolução de conflitos e sensibilidade cultural.

Estrategista de privacidade de dados

Projetarão soluções para proteger dados pessoais. No futuro, será mais desafiante que nunca salvaguardar a privacidade dos dados, porque todos estarão sempre “conectados” às redes
através dos implantes digitais em seus corpos que garantam sua saúde e melhorem o estilos de vida.

Criarão sistemas e softwares para reduzir o risco de pirataria. Se um sistema for hackeado, eles podem trabalhar para repará-lo, recuperar dados e minimizar o impacto sobre a vidas das pessoas.

Apoiadores para tomada de decisão

No futuro, as pessoas terão assistentes virtuais que usam sistemas de recomendação (com base em algoritmos de machine learning)para ajudá-los a tomar decisões.

Contudo, decisões automatizadas nem sempre são assertivas, ainda mais se não há dados corretos disponíveis.

Às vezes, as pessoas precisam tomar decisões muito significativas e vão preferir trabalhar com o apoio de um humano para garantir uma escolha mais apropriada.

Hackers éticos

Também conhecidos como ‘chapéus brancos’ ou ‘hackers éticos’, identificarão pontos fracos nos sistemas de cibersegurança.
Em um mundo onde todos estão constantemente conectados digitalmente e os dados são coletados sobre tudo, o hacking se tornará um grande problema.

Dados pessoais podem ser roubados. Hackers éticos vão usar as mesmas ferramentas dos hackers criminosos, mas para investigar as fraquezas dos sistemas e evitar maus usos.

Eles vão trabalhar em equipe para encontrar e corrigir possíveis problemas, corrigir riscos de segurança e combater ataques.

Conselheiro de educação ao longo da vida

Cada vez mais, as pessoas terão várias carreiras ao longo de sua vida. Mesmo se elas permanecerem dentro de uma carreira, com a introdução constante de novas
soluções tecnológicas e mudanças sociais, aumentará a necessidade de atualização.

Com isso, caminhos de educação e treinamento se tornarão mais complexos, com uma diversidade de profissionais, especialmente aqueles focados em orientar indivíduos e grupos em carreiras emergentes ou como permanecer a par dos avanços da tecnologia

Programador de robôs para crianças

Vai projetar robôs para apoiar crianças a brincar em segurança, respeitando seus direitos.

Poderão ler canções de ninar, personalizar histórias, ensinar números e palavras básicas, apoiar o aprendizado de habilidades, garantindo que elas estão seguras em suas explorações on-line.

Precisarão entender sobre primeira infância, desenvolvimento e direitos da infância, bem como teorias de aprendizagem.

Professor da primeira infância

Os professores da primeira infância farão muito do que eles fizeram no início do século 21, mas com ênfase no envolvimento de crianças em interações significativas para aprender sobre idéias e problemas locais envolvendo comunidade e relações sociais, sustentabilidade ambiental; competência intercultural; comportamento saudável, e alfabetização digital.

Os robôs farão grande parte dos cuidados básicos de garantir a segurança infantil e os dados dos sensores serão lidos, interpretados e utilizados na tomada de decisão do desenho curricular com foco no perfil individual.

Designer de gameficação

Gamificação é o processo de adicionar lógica e processos do jogo para aprimorar o engajamento do usuário e alcançar melhores resultados.

A gamificação pode ser usada em uma variedade de campos, da educação à saúde, para melhorar os resultados da aprendizagem ou aprimorar qualidade de vida.

O jogo se tornará um parte penetrante de nossas vidas com organizações usando gamificação para incentivar comportamentos e aumentar o envolvimento.

Por exemplo, organizações de saúde pública poderiam oferecer recompensa para compra saudável ou aumento da atividade física.

Organizadores de desordem virtual

No futuro, as pessoas terão muita confusão virtual, porque será cada vez maior a quantidade de dados que elas criam, acessam, usam e guardam.

Não apenas terão inúmeras contas de usuário on-line, também gerarão dados de seu corpo e família em sensores.

O organizador de desordem virtual ajudará a remover o excesso de dados e organizar o restante.

Eles usarão software de gerenciamento de dados e inteligência artificial para fazer seus trabalhos mais fáceis, mas grande parte de seu papel não pode ser feito automaticamente.

Eles terão de perguntar ao cliente sobre o que não está funcionando ou onde os dados poderiam ser melhor organizados.

Enfim, você pode acessar o relatório completo do estudo (em inglês) clicando aqui