Mapeamento inédito mostra exposição da educação vigiada

 

Educação Vigiada mostra que 65% das universidades públicas e secretarias estaduais de educação estão expostas ao  “capitalismo de vigilância”. O projeto vem chamar a atenção da sociedade para o problema da falta de transparência e regulação nas relações público-privadas em serviços e plataformas tecnológicas, comprometendo direitos dos usuários, como privacidade e a proteção de dados pessoais

Educação Vigiada

Bastou começar a suspensão das aulas pelas instituições de ensino, no esforço coletivo de contribuir com a disseminação do COVID-19, para surgir uma lista imensa de empresas e plataformas de tecnologia ofertando ferramentas diversas para EaD (educação a distância) como forma de evitar prejuízos ao semestre letivo. Entretanto, boa parte delas, inclusive, disponibilizando acesso e serviços ‘gratuitos’ para incentivar o uso.

Só que essa disputa pela atenção de educadores e gestores de instituições de educação no Brasil não é de agora.

Mapeamento realizado por dois núcleos de pesquisa da Universidade Federal do Pará (UFPA) e pela Iniciativa Educação Aberta (Cátedra UNESCO de EaD sediada na Universidade de Brasília (UnB) e Instituto Educadigital) revela que 65% das universidades públicas e secretarias estaduais estão expostas ao chamado “capitalismo de vigilância”.

Esse termo é utilizado para designar modelos de negócios baseados na ampla extração de dados pessoais por algoritmos e técnicas de inteligência artificial. Esses dados servirão para obter previsões sobre o comportamento dos usuários e com isso ofertar produtos e serviços.

Intitulado Educação Vigiada, o mapeamento tem por objetivo chamar a atenção da sociedade. Isso devido a falta de regulação de parcerias estabelecidas por órgãos públicos de educação com organizações comerciais.

Sendo assim, o que compromete o direito à privacidade e à proteção de dados pessoais dos cidadãos e também de crianças e adolescentes.

LEIA O POST COMPLETO AQUI

LGPD e os impactos na educação

Com a entrada em vigor da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) em agosto de 2020, escolas e demais instituições de ensino têm a oportunidade de tornar a educação em direitos digitais uma prática cotidiana.

LGPDVocê já parou para pensar porque uma Lei de proteção de dados é importante para um país? Hoje estamos diante de uma sociedade cujos sistemas, informações, serviços e processos são cada vez mais baseados em “dados”.

Nesse sentido, torna-se fundamental regular a forma como nós cidadãos — titulares desses dados — vamos controlar o uso.

É importante diferenciar “proteção de dados pessoais” do “direito à privacidade”. Privacidade é algo que não é público, diz respeito à intimidade e à vida privada e está contemplada em diversas legislações brasileiras como a Constituição Federal e o Código Civil.

O Marco Civil da Internet, de 2014 e regulamentado em 2016, traz em seu artigo 3º a proteção da privacidade e a proteção de dados, na “forma da lei” — já indicando a necessidade de uma lei exclusiva para o tema.

Quando nos referimos a “dados pessoais” não importa se são públicos ou privados para que possam ser protegidos. Nesse sentido, proteção de dados pessoais se relaciona com o direito à privacidade. Mas vai além, pois diz respeito à igualdade, acesso a informação, liberdade de expressão, dentre outras questões.

Se pensarmos que tudo o que consumimos de informação nos é direcionado pelos algoritmos de inteligência artificial a partir de nossos dados, é aí que surge aquela sensação de “bolha”, ou seja, de que estamos somente acessando e dialogando com o que nos é conhecido.

Se não temos consciência de que isso acontece assim, podemos ficar presos na “Matrix”. Só para brincar com a referência ao primeiro filme da trilogia, que vai ter mais um, e a estreia está prometida para 2020.

Outro ponto importante no contexto dos dados pessoais é a questão da vigilância, desencadeada com as denúncias do ex-oficial americano da CIA e NSA, Edward Snowden, em 2013.

Vivemos num mundo em que cada vez mais sensores estão espalhados. Seja em câmeras de reconhecimento facial ou em bilhete de transporte público, quase tudo que nos rodeia se baseia em dados.

O limite entre o que se pode coletar ou não seguirá sendo alvo de debates por muito tempo ainda.

Quais seriam, então, as funções de uma Lei de proteção de dados (LGPD)?

A primeira delas tem a ver com proteção de liberdades e direitos fundamentais do cidadão (por exemplo, igualdade, acesso à informação, liberdade de expressão, privacidade).

Além disso, uma regulamentação oficial permite que se busque fomentar o desenvolvimento econômico e tecnológico ao mesmo tempo que oferece segurança e controle para as pessoas. Além da criação de políticas públicas que determinem transparência como um valor.

LEIA O POST COMPLETO SOBRE A LGPD  AQUI

Educadigital na Bett Educar 2020

O Educadigital foi convidado para ministrar duas oficinas na Bett Educar, considerado o maior evento de educação e tecnologia da América Latina. 

A pedagoga e coach educacional Graça Santos, facilitadora associada do Educadigital no Rio de Janeiro, vai facilitar uma oficina de Design Thinking para Educadores, enfatizando como a abordagem possibilita que educadores e educandos exercitem o autoconhecimento quando aprendem.  
                       Dia 13 de maio 
                       14h-16h 

Já a diretora-fundadora do Educadigital, Priscila Gonsales, vai trazer a perspectiva da Inteligência Artificial na atualidade, que se baseia no uso de dados e metadados para refletir com os participantes os desafios que a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais trazem para o contexto educacional. 
                       Dia 15 de maio 
                       14h-16h 


A Bett Educar congrega, anualmente, mais de 270 empresas nacionais e internacionais, mais de 20 startups do setor e cerca de 30.000 participantes da comunidade educacional de todos os estados brasileiros, que se encontram com o propósito de buscar inspiração, discutir o futuro da educação e o papel que a tecnologia e a inovação desempenham na formação de todos os educadores e estudantes.

Local: Transamerica Expo Center
Av. Dr. Mário Vilas Boas Rodrigues, 387 – Santo Amaro-SP

Inscrições devem ser feitas diretamente no site do evento.

Inteligência Artificial e Alfabetização em Dados

Estreamos a nova oficina do Educadigital no LER – Salão Carioca do Livro, dia 28 de novembro, na Biblioteca Parque, Rio de Janeiro

Pela primeira vez, o tradicional LER – Salão Carioca do Livro organizou o Encontro com o Educador, um evento simultâneo com várias atividades práticas e mesas-redondas sobre temas contemporâneos da educação. 
O Educadigital esteve presente com duas oficinas, a de Design Thinking para Educadores, conduzida por Priscila Gonsales, diretora-executiva, e por Graça Santos, facilitadora associada no Rio de Janeiro. Em apenas duas horas, foi possível apresentar como uma abordagem baseada em empatia, colaboração e experimentação pode ser transformadora. Vários professores se emocionaram ao se verem contemplados como autores de processos de transformação da educação. 

A segunda oficina foi sobre Inteligência Artificial e Alfabetização em Dados, estreia nas formações do Educadigital e tem por objetivo levar mais conscientização aos educadores em relação às escolhas de ferramentas e aplicativos que são feitas para uso em sala de aula. “Hoje não basta levar as tecnologias para a escola, é fundamental questionar como uma determinada tecnologia captura e usa dados de nossas crianças e adolescentes”, ressaltou Priscila Gonsales. 
Veja mais fotos aqui 

Leve essa formação para a sua escola entre em contato!  

Insights e alertas que Harari traz para a educação

Em visita ao Brasil, o pesquisador, professor, historiador e best-seller ressaltou a importância da educação na compreensão da realidade assustadora que vivemos.

Por Priscila Gonsales

Yuval Noah Harari é o intelectual mais citado atualmente quando o assunto é pensar o futuro da humanidade. Autor de três livros, Sapiens: Uma breve história da humanidade, Homo Deus: Uma breve história do amanhã e 21 lições para o século 21, Harari esteve pela primeira vez no Brasil para diversas palestras e entrevistas sobre o que ele considera como os três principais desafios globais: guerra nuclear, mudanças climáticas e inteligência artificial.

Segundo o pesquisador, esses são os desafios que representam ameaças diretas para a civilização e também para a especie humana e que a solução deve ser buscada de maneira cooperativa entre os diversos países, especialmente aqueles que, como o Brasil, não estão liderando o que ele chama de “disrupção tecnológica”.

Sendo assim, é exatamente nesse aspecto, bastante abordado em seu terceiro livro, 21 Lições para o Século XXI, que há um alerta importante nas entrelinhas para a educação.

Qual seria esse alerta?

  • Engana-se quem pensou no “aprender a programar”, tema bastante destacado nos últimos anos como sendo a “nova” alfabetização.
    Harari ressalta a todo momento que ele não entende nada de computação nem sequer usa smartphone. O que ele faz é compreender como a tecnologia funciona e está sendo desenvolvida atualmente, considerando o contexto político, econômico e social. Por exemplo, entender que os dados de todas as pessoas do mundo estão sendo coletados e acumulados em dois locais: EUA e China. Ao trazer uma tecnologia de uma empresa para dentro da escola, para que nossos alunos usem, estamos cientes disso? Consideramos o que pode ser feito no futuro a partir dos dados de crianças e adolescentes coletados por plataformas de gigantes da tecnologia que usamos e divulgamos amplamente?

 

  • Engana-se quem pensou nas “metodologias ativas ou metodologias ágeis” hoje tão badaladas em toda e qualquer formação docente.
    Pelo menos até o momento, Harari não falou em melhores nem piores formas de ensinar conteúdos. Ao contrário, ele pontua que cada vez mais teremos necessidade de lidar com situações imprevisíveis. E também, que isso só será possível se desenvolvermos nas crianças e jovens uma mentalidade flexível. Estamos dando espaço para o imprevisível em nossas práticas educativas ou elas apenas servem para cumprir melhor as metas de apreensão de conteúdos?

 

  • Engana-se também quem pensou no “aprendizado ao longo da vida” ou “lifelong learning”, algo que sempre foi foco de uma educação de qualidade, mas que agora tem sido a menina dos olhos em diversas pesquisas internacionais recentes sobre competências e habilidades. Por mais que Harari considere importante, o enfoque que ele traz não é apenas no aprimoramento profissional para gerar competitividade no mercado de trabalho, mas sim no conhecimento de si mesmo, incluindo consciência sobre suas próprias fraquezas, já que atualmente os algoritmos de inteligência artificial podem saber mais sobre nós do que nós mesmos.

O principal alerta para nós educadores envolve a  conscientização sobre as novas formas de manipulação e vigilância que estão sendo feitas por meio de dados coletados pelas tecnologias de inteligência artificial. E, claro, compartilhar e incentivar essa reflexão crítica também com os estudantes.

Se já conseguimos deixar o deslumbramento com a tecnologia de lado para valorizar o “para que” usamos determinada tecnologia. Então agora precisamos nos atentar para a questão dos dados e fazer melhores escolhas. Afinal, não faz sentido tornar escolas instrumentos de fidelização de usuários por parte das empresas que controlam nossos dados.

Não há como prever quais serão os tipos de trabalho que surgirão daqui a 20 anos. Mas, hoje já sabemos que se pode manipular comportamentos, opiniões e atitudes por meio dos dados coletados das mais diversas formas. Isso vai de um simples preenchimento de informações em formulários ou rastros de navegação até expressão facial.

Nesse sentido, será que estamos tomando decisões assertivas em relação às tecnologias que adotamos em sala de aula, com as devidas preocupações em relação aos dados que estão sendo constantemente coletados?

Então, em nível macro, Harari propõe aos países em desenvolvimento não evitarem o debate sobre esse tema por acharem que está ainda muito distante da realidade. O mesmo caminho cabe a nós educadores, pois temos o futuro como pauta desde sempre.

Leia também:

Educação aberta e a proteção dos direitos digitais 

Inovar na educação não depende da ferramenta que você usa 

Educação digital nas escolas precisa incluir alfabetização em dados

Curso on-line: Design Thinking para Boas Escolhas