Entrevista – Rosa Lamana

Primeiro post da série de mini-entrevistas com especialistas e
estudantes convidados que vão apresentar seu ponto de vista para 5 perguntas-chave sobre educar em cidadania digital, tema do nosso novo projeto, a plataforma colaborativa Pilares do Futuro

Graduada em Educação Artística pela Faculdade Mozarteum de São Paulo, especialização em Tecnologias em Educação pela PUC/RJ e mestrado em Educação: Currículo pela PUC/SP. Professora da rede pública estadual, Ensino Fundamental I, II e Ensino Médio. Atualmente compõe a equipe da Escola de Formação e Aperfeiçoamento dos Professores do Estado de São Paulo. Foi membro colaborador da Comissão de Educação Digital da OAB de São Paulo, é integrante do grupo de pesquisa Comunidade Práxis.  

Como você definiria a importância de educar para a cidadania digital atualmente?

Somos cercados pela tecnologia. Mas será que sabemos usá-las adequadamente? Qual a importância de ler os termos de uso de aplicativos e plataformas antes de aceita-los? Como saber se uma informação é verdadeira ou não? Muitas vezes nós somos pegos nessas questões sem saber resolve-las. A necessidade do trabalho nesse tema vai além do uso de redes sociais. Envolve nossa vida social, financeira, nossos ambientes de trabalho, etc. Educar para a cidadania digital é educar para a vida. As 10 competências da BNCC trazem isso claro, pois  destacam a importância da argumentação, pesquisa, responsabilidade e cidadania, conhecimento, pensamento científico crítico e criativo, comunicação, empatia e cooperação, trabalho e projeto de vida, cultura digital e repertório cultural

Quais os temas você considera prioritários de serem trabalhados pela escola?

O tema cidadania digital é muito amplo e todos os temas são importantes. Deve-se considerar a faixa etária com a qual o professor irá trabalhar, além das necessidades da turma com a qual ele trabalha. Considero importante a observação dos alunos para compreender o que acontece com eles e, de acordo com isso, trabalhar as vertentes desse tema. Em algumas idades a vertente pode ser a mesma porém com um aprofundamento maior.

Conhece alguma boa prática em cidadania digital que poderia relatar brevemente?

Algo bem interessante é mostrar aos alunos algumas imagens de propagandas (antigas ou atuais). A partir daí, propor uma discussão. Por exemplo: o que faz aquela propaganda ser confiável ou leva-lo a comprar o produto? Mostrar ao aluno que é preciso que a imagem mostre que o produto é bom ou tenha como garoto propaganda alguém que inspire confiança. Além disso, as palavras usadas também devem inspirar confiança e convencer o consumidor que o produto é bom e indispensável. Depois dessa discussão, vale formar  grupos e distribuir  temas (diferente para cada grupo). Deverão pesquisar o tema que receberam e construir um texto sobre ele. Para um dos grupos o (a) professor(a) dá a comanda de que devem inserir uma informação falsa de forma convincente. Quando todos os grupos terminarem os respectivos textos deverão compartilhar com toda a turma e os ouvintes receberão a comanda de dizer se as informações são novas para eles. Também é possível que o (a) professor(a) deixem a turma ter acesso ao texto escrito e pesquisem a veracidade ou não das informações.

Essa atividade é interessante para que os alunos percebam que as informações podem transmitir ideias erradas sobre os assuntos sendo necessário verificar a veracidade ou não delas. Os temas podem ser dados de acordo com o conteúdo da atividade que está sendo trabalhada pelo professor.

Como o/a profissional de educação pode buscar formação e informações sobre temas de cidadania digital?

A internet fornece alguns bons caminhos para esse trabalho através de plataformas que tratam sobre o tema. Outro recurso que pode ser usado pensando diretamente na escola são as plataformas colaborativas onde professores podem compartilhar os trabalhos que realizam e juntos trocar ideias e aperfeiçoar as que já existem.

De que forma uma plataforma para buscar e compartilhar boas práticas pode apoiar o trabalho docente?

Plataformas que permitem a troca de ideias trazem vivências semelhantes que podem ser discutidas, ampliadas, modificadas de acordo com a necessidade da turma que o professor está trabalhando. O trabalho colaborativo contribui para troca de experiências exitosas ou não. Acredito que mesmo uma experiência não exitosa pode contribuir no trabalho de outros professores pois ela permite que outros possam corrigir os possíveis “erros” que fizeram com que a experiência não desse certo. Até mesmo experiências que não deram certo com algumas turmas podem ser ótimas para outras.