Assinado termo de cooperação com MEC

Primeiro referatório brasileiro de recursos educacionais com licenças abertas, REliA, está integrado à Plataforma de Recursos Educacionais Digitais do Ministério da Educação


Dia 26 de abril foi uma data histórica para o Educadigital, a Iniciativa Educação Aberta e todo o movimento em prol dos Recursos Educacionais Abertos (REA) no Brasil. Pela primeira vez, um referatório (plataforma que indica links externos) organizado para facilitar a busca de recursos educacionais com licenças abertas por categorias como área do conhecimento, disciplina, tipos de mídia, dentre outras, está integrado com a nova plataforma de recursos educacionais digitais to Ministério da Educação.


Débora Sebriam, Rossieli Soares, Priscila Gonsales e Renilda Lima

Em cerimônia promovida pelo MEC em São Paulo, o novo ministro da Educação, Rossieli Soares da Silva, assinou o termo de cooperação com parceiros. Veja todas as fotos do evento aqui.

O REliA  foi construído em wordpress com apoio de financiamento coletivo via Catarse e foi lançado no dia 5 de abril durante o Conexão Educadigital 2, com código disponível para ser remixado por instituições que desejem criar seu próprio referatório de REA. O evento presencial de lançamento foi realizado no Centro Educacional Pioneiro, veja aqui o vídeo.

Curso REA para UAB-CAPES

Maior ação de formação em Recursos Educacionais Abertos (REA) já realizada no Brasil começa dia 9 de abril e será destinada a docentes do Ensino Superior que integram a Universidade Aberta do Brasil (UAB)


Com conteúdo elaborado e organizado pela Iniciativa Educação Aberta, a CAPES-MEC vai oferecer a primeira edição do curso EAD sobre Recursos Educacionais Abertos (REA), na modalidade extensão pela UFABC, para cerca de 300 docentes de universidades públicas que participam do Programa Universidade Aberta do Brasil (UAB). O curso foi desenvolvido na plataforma moodle por Priscila Gonsales e Débora Sebriam, do Instituto Educadigital, e por Tel Amiel, atualmente professor da UnB, considerando cursos sobre o tema que já havia sido realizados no Brasil, como o REA Paraná, especialmente voltado para professores da UFPR e também cursos de instituições de outros países sobre o tema.

“Fizemos várias adaptações e ajustes, especialmente levando em conta o contexto atual em que estamos, os estudos mais recentes que temos acompanhado em congressos internacionais”, relata Priscila. “Vamos abordar, por exemplo, temas como Economia do Bem Comum e RRI (Pesquisa e Inovação Responsável), como contexto geral”, destaca.

A proposta do curso integra uma série de ações que vêm sendo feitas pela CAPES, com apoio da Iniciativa Educação Aberta desde 2015, envolvendo formação de gestores do órgão, assim como assessoria sobre questões de licença e direito autoral para adequação de documentos internos como editais e termos oficiais da UAB. A UAB é um programa do Ministério da Educação, sob coordenação direta da CAPES, que possibilita formação superior a professores da Educação Básica. Confira aqui os pontos relacionados a REA na UAB.

Ao tornar a UAB uma iniciativa realmente aberta, o Ministério da Educação incentiva que todo o conteúdo subsidiado que é preparado para os cursos de formação superior possam ser disponibilizados para toda a sociedade. Municípios pequenos, por exemplo, poderão fazer reuso e adaptação para suas necessidades educacionais locais. Trata-se de um melhor aproveitamento do investimento público.

Para Silvia Helena Rodrigues, coordenadora de educação a distância na CAPES, o curso tem por objetivo levar o conhecimento sobre o tema para as universidades parceiras, abrir o debate e levantar dúvidas, já que não basta haver uma determinação oficial para as mudanças acontecerem. Confira depoimento que Silvia deu para o vídeo sobre o lançamento do livro-guia Como Implementar uma Política de Educação Aberta e de REA.

A estrutura do curso envolve tópicos de conteúdo a partir das Competências REA, que foram lançadas no 2º Congresso Mundial de REA da Unesco, em 2017, em Liubliana, Eslovênia. O participante poderá escolher percursos formativos que passam por: usar, criar e compartilhar. Farão parte também do curso fóruns de discussão, atividades práticas de análise, produção e depósito de recursos educacionais abertos, além de entrevistas ao vivo com especialistas sobre os temas estudados.

Para o segundo semestre, ainda está programado um curso de embaixadores, voltado para participantes que participaram do primeiro curso e têm interesse em se tornar disseminadores do conceito de educação aberta e de recursos educacionais abertos. “Pretendemos, em breve, adaptar o curso para ofertar também para professores da Educação Básica”, pontua Tel Amiel.

Saiba quem são os gestores, mediadores e entrevistados do curso:

Professores gestores
Débora Sebriam
Priscila Gonsales
Tel Amiel

Professores colaboradores mediadores
Danieverlin Pereira – UFMG
Henrique Oliveira da Silva – UFPR
Miguel Said Vieira – UFABC
Tiago Soares – doutorando USP

Professores entrevistados
Alexandra Okada – Open University
Ana Cristina Matte – UFMG
Ismar Frango – Mackenzie
Nelson Pretto – UFBA
Sérgio Branco – ITS-Rio
Sérgio Amadeu – UFABC

OGP-Brasil analisa compromisso de educação

MEC reúne universidades parceiras e sociedade civil para apresentar os resultados do desenvolvimento do trabalho em prol do novo modelo de avaliação, aquisição, fomento e distribuição de Recursos Educacionais Digitais


No dia 22 de fevereiro, a Secretaria de Educação Básica do MEC, liderada pela coordenadora-geral de Tecnologia e Inovação na Educação Básica, Marlucia Amaral, apresentou à Parceria Governo Aberto (OGP-Brasil) os resultados de um ano de desenvolvimento e execução do compromisso #6 sobre recursos educacionais digitais, que tem como objetivo possibilitar o reuso, a adaptação e a valorização da diversidade e pluralidade da educação brasileira.

O compromisso #6 foi elaborado em colaboração entre gestores públicos do MEC e diversas organizações da sociedade civil. Por seu caráter de promoção dos valores de educação aberta e de recursos educacionais abertos (REA), o MEC foi convidado para apresentar as realizações em torno do compromisso no 2º Congresso Mundial de REA da UNESCO em 2017.

Desde o lançamento do compromisso, várias ações em prol da educação aberta começaram a surgir no âmbito do MEC, tais como: plataforma integrada de recursos educacionais digitais, integrando todo o acervo do MEC e indicando recursos de parceiros, licença aberta no PNLD 2019, o edital de robótica, a criação de um Grupo de Trabalho sobre REA e mais recentemente, o novo modelo para o edital do Guia de Tecnologias.

No mesmo dia 22, no período da tarde, foi realizada a audiência pública para apresentação do modelo de edital para o Guia de Tecnologias do MEC que, pela primeira vez, traz a obrigatoriedade de indicação de licença para os itens que serão apresentados, se a licença é aberta ou proprietária. Além disso, dentre os critérios mínimos para as tecnologias digitais aprovadas que vão estar no Guia, está a disponibilização das evidências de efetividade após a utilização, em formato aberto para que o MEC possa realizar trabalhos de avaliação da qualidade do uso. O modelo foi desenhado por pesquisadores especialistas da Universidade Federal de Alagoas.

Confira a gravação da audiência pública:


2º Encontro Brasileiro de Governo Aberto

Realizado no Centro Cultural de São Paulo, segunda edição do evento contou com painel sobre educação e práticas pedagógicas abertas na gestão pública


Para falar sobre educação aberta, recursos educacionais, licenças e repositórios abertos, a Parceria Governo Aberto (OGP-Brasil) convidou a diretora-executiva do Instituto Educadigital, Priscila Gonsales, o pesquisador da Cátedra UNESCO de Educação Aberta do Nied/Unicamp, Thiago Soares e o professor da rede municipal de São Paulo, Alex Meusburger. A mediação foi da coordenadora do Pátio Digital da Prefeitura de São Paulo, Fernanda Campagnucci.

Dentre os temas debatidos, o conceito de “educação aberta”, “recursos educacionais abertos” e a importância desses temas para a política pública. Priscila aproveitou para apresentar o guia Como Implementar uma Política de Educação Aberta e REA, que está disponível para leitura on-line e para baixar. Thiago relatou o estudo de repositórios educacionais na América Latina que foi realizado em 2014, ressaltando a dificuldade de um padrão que favoreça os usuários, seja em termos de acesso, como também de classificação dos objetos do acervo segundo critérios de licença.


Com o recente lançamento da nova plataforma do MEC em software livre, espera-se que seja possível criar novos repositórios por meio da cooperação entre países. Já Alex Meusburguer abordou a questão das práticas educacionais abertas, do trabalho diversificado que a a robótica permite ao professor, favorecendo os diferentes saberes e perfis dos alunos.

Segundo Fernanda Campagnucci, o governo aberto visa aproximar governo com a sociedade, o que significa transparência, colaboração, participação social, responsabilização do gestor público. Em educação, surge uma dimensão nova, a dimensão pedagógica. “Não basta abrir somente as questões como alimentação escolar, transporte, repasse de recursos para a escola, orçamento, é fundamental envolver o a comunidade escolar que está presente no contexto, além de ressaltar a questão do que as crianças estão aprendendo, quais os princípios, valores e estratégias utilizadas”, explicou Fernanda.

Acervo da REliA já está integrado à Plataforma do MEC

Campanha “flex” do Catarse para construção da plataforma que indica recursos educacionais digitais com licenças aberta chega ao fim com 63 apoios 


Previsto para ser lançado no início do ano letivo de 2018, a plataforma REliA vai ser a primeira plataforma no Brasil que vai indicar recursos educacionais digitais com licenças abertas. Parte do acervo que estamos reunindo no projeto REliA já pode ser encontrada na nova Plataforma Integrada do MEC. Experimente, por exemplo, buscar “Design Thinking para Educadores”.

A equipe voluntária do Educadigital está trabalhando na categorização dos 490 objetos digitais com licença aberta que já foram mapeados para adequar os metadados para ficarem totalmente compatíveis com os que estão na plataforma do MEC. Assim, as pessoas vão poder encontrar recursos tanto na plataforma do MEC como no REliA que terá o seguinte endereço: www.relia.org.br

Para saber mais sobre a parceria do Instituto Educadigital com a Plataforma Integrada, leia aqui.

A REliA vai ser parte das atividades práticas do curso sobre Recursos Educacionais Abertos para a Universidade Aberta do Brasil (UAB-CAPES) por meio da Iniciativa Educação Aberta.

Para a sustentabilidade do projeto, uma nova campanha de financiamento colaborativo, de caráter recorrente, deve ser lançada ainda nos primeiros meses de 2018.


RExLab vence prêmio de melhor do mundo

 No ano que completa 20 anos de existência, projeto da UFSC é reconhecido como o melhor laboratório de experimentação remota do mundo em 2017


Imagine um laboratório de experimentação remota, focado em “educação maker” e robótica, que trabalha só com código aberto e recursos educacionais abertos. Que fica numa universidade pública e atua diretamente com a escola pública numa relação respeitosa e colaborativa. Usado por outros 112 países. E premiado internacionalmente – incluindo o de melhor do mundo agora em 2017 pelo Global On-line Laboratory Consortium. E tem muito mais prêmios no portfólio deles, a maioria internacionais, veja aqui. 

Sabe onde fica? Aqui mesmo no Brasil, em Ararangá-SC, na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina. É o RExLab UFSC, que está completando 20 anos! 

Conheci em 2012 quando organizei o Educaparty, mas só agora finalmente consegui visitar!


Faz anos que o professor Juarez Bento, coordenador do RExLab, tenta me levar para um evento de lá e me apresentar pessoalmente os equipamentos físicos do laboratório que podem ser utilizados pela internet por qualquer lugar do mundo. Finalmente consegui este ano e o sentimento que tive já era esperado: por que demorei tanto? Com muita alegria, fiz uma palestra no III WITE – Workshop Integrador de Tecnologias na Educação, para um público formado por educadores mas, principalmente, por alunos da graduação e pós-graduação em tecnologia. Aproveitei para falar do livro-guia Como Implementar uma Política de Educação Aberta e REA,  aproveitei para ressaltar o pioneirismo do RExlab em utilizar software livre, código aberto e materiais licenciados abertamente mas, principalmente, elogiei o compromisso de toda a equipe em manter seus ideais ao longo de todos esses anos.


Mas, afinal, o que é experimentação remota? 

A Experimentação Remota é uma área de pesquisa que visa ampliar a capacidade humana para além de seus limites, utilizando os recursos da Internet e de outros meios tecnológicos capazes de prover acesso remoto, possibilitando o compartilhamento de recursos de um modo geral. Em outras palavras, é possível operar-se um equipamento remotamente, ou seja, de um local distante do mesmo.

A partir deste conceito surgiu em 1997 o RExLab, na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que conta atualmente com uma rede de 12 Universidades (RexNet) em 5 diferentes países. Um de seus objetivos é atender a necessidade de apropriação social da ciência e da tecnologia, popularizando conhecimentos científicos e tecnológicos, estimulando os jovens a inserirem-se nas carreiras científico-tecnológicas e buscar iniciativas que integrem a educação científica ao processo educacional promovendo a melhoria devido à atualização/modernização do ensino em todos os seus níveis, enfatizando ações e atividades que valorizem e estimulem a criatividade, a experimentação e a interdisciplinaridade.

Vale ver o vídeo que eles produziram sobre o projeto aqui.

O que mais me encantou ao visitar o RExLab foi sentir tão de perto o entusiasmo de todos aqueles bolsistas, graduandos, mestrandos, doutorandos que, mesmo com tantos percalços, como financiamento limitado, pouco reconhecimento interno da universidade, estão ali diariamente e prontos para relatar os diversos projetos que fazem com escolas públicas da região.

Sim, o RExLab é uma realidade quando pensamos no sonho de aproximar universidade pública de escolas públicas, sempre com respeito e reconhecimento mútuos dos saberes que os dois lados têm para ensinar e aprender.  Dentre os projetos que o laboratório desenvolve está o InTecEdu, que leva formação presencial e on-line (utilizando Moodle) para educadores e estudantes sobre o uso dos equipamentos remotos para preparar e planejar aulas com tecnologia digital. Os conteúdos e materiais são todos licenciados abertamente e podem ser acessados aqui.

Outro projeto interessante é o GT-MRE, realizado com apoio da RNP e CAPES,  que desenvolve e implanta uma plataforma que integre ambiente virtual de ensino e de aprendizagem através da disponibilização de conteúdos didáticos abertos online, acessados por dispositivos móveis ou convencionais, e complementados pela interação com experimentos remotos. Os recursos de hardware e software utilizados no acesso aos experimentos são desenvolvidos no laboratório utilizando tecnologias de baixo custo e abertas.

Os recursos de hardware utilizados partem da placa RaspberryPi que, junto a uma placa de aquisição e controle desenvolvida pelo laboratório, controla variáveis dos experimentos e retorna valores lidos pelos sensores. O público beneficiário do projeto são alunos e professores da Educação Básica, Ensino Técnico e Ensino Superior no Brasil e também de países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, que efetuarem seu cadastro e obtiverem habilitação para acesso ao sítio do RExLab onde todo o material produzido estará disponível para uso. O mesmo se aplica a países com outros idiomas, pois, a partir de parcerias pretende-se adequar o material didático para outras línguas.

Abaixo um vídeo que eles fizeram comigo lá. E recomendo, ainda, ver o vídeo produzido pela Fundação Telefônica sobre o RExlab, narrado pela Viviane Mosé.

RExlab precisa ser mais conhecido no Brasil. Precisamos ter muito orgulho de projetos como esse e apoiá-lo da forma que pudermos, como por exemplo, na divulgação e n contratação de seus serviços, no caso de escolas, secretarias de educação e instituições de ensino. Todo o conhecimento lá produzido é livre e aberto, mas tem um trabalho importante que suporta esse princípio e esse compromisso. Valorizá-lo é fundamental!


Conhecimento aberto como bem comum no VII Fórum da Internet

Workshop do Instituto Educadigital foi um dos selecionados no evento anual promovido pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br)


Em sua 7a. edição, o VII Fórum da Internet, de 14 a 17 de novembro, no Rio de Janeiro, teve programação construída de forma colaborativa, por meio de workshops propostos pela comunidade brasileira sobre inclusão digital, criptografia, privacidade e proteção de dados pessoais, educação, direito ao esquecimento, blockchain, entre outros tópicos.  O novo formato foi inspirado no Fórum de Governança da Internet (IGF) e ainda contou com uma audiência pública que discutirá a estrutura de governança da Internet no Brasil.

“O Fórum consagrou-se como um espaço de diálogo multissetorial, que reúne representantes dos setores governamental, empresarial, acadêmico, da sociedade civil, técnicos, estudantes e usuários da Internet. Por meio dele, o CGI.br incentiva que todos opinem sobre as questões mais relevantes para a consolidação e expansão de uma Internet cada vez mais diversa, universal e inovadora no Brasil”, declara Hartmut Glaser, secretário executivo do CGI.br.


Os workshops foram definidos a partir de uma chamada pública que recebeu, entre 24 de julho e 3 de setembro, um total de 78 propostas da comunidade científica e tecnológica (40%), terceiro setor (38%), setor empresarial (12%) e governamental (10%) e das cinco regiões do País (veja mais estatísticas sobre as propostas recebidas em http://forumdainternet.cgi.br/propostas-workshop/).  As propostas foram analisadas por uma comissão externa de 24 especialistas a partir de critérios de seleção previamente definidos na chamada. Cada uma delas foi avaliada por quatro avaliadores, representando os quatro diferentes setores que compõem o CGI.

Workshop selecionado: Conhecimento on-line como bem Comum: recursos educacionais abertos

Resumo: O ano de 2017 foi intitulado Year of Open (Ano da Abertura), marco de uma série de documentos que foram lançados nos últimos cinco anos, como as declarações UNESCO de Paris 2012 e Qindao 2015 que orientam os governos dos países a promover o uso de licenças abertas para recursos educacionais adquiridos com fundos públicos. No mês de setembro, a UNESCO realizou o 2º Congresso Mundial de REA, na Eslovenia, com líderes e estadistas do mundo todo, posicionando REA como um dos pilares para uma Educação de Qualidade, prevista no Objetivo 4 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. O workshop reuniu um grupo de diferentes perfis, representando diferentes setores, mas com uma visão em comum relacionada ao conhecimento como bem comum, analisando como novos modelos de gestão do Direito Autoral podem favorecer a equidade e a qualidade da educação como um direito humano. Durante o evento também será lançado o GUIA REA para Gestores, uma publicação financiada pelo CGI.br voltada para gestores públicos, mas que pode apoiar também gestores empresariais e de instituições do 3o setor.


Moderação: Marcos Toscano 

Relatoria: Rosa Lamana

Priscila Gonsales – diretora do Instituto Educadigital
Abordou o conceito de Educação Aberta e Recursos Educacionais Abertos e de como essas temáticas vêm ganhando força na sociedade da cultura digital que não mais necessita de suporte físico para acessar informações ou obter recursos educativos. Ressaltou a importância de REA para políticas públicas, já que a educação é um direito humano e os materiais educacionais são adquiridos com fundos públicos, logo, precisam ficar disponíveis para toda a sociedade. Destacou o 2º Congresso Mundial de REA na Eslovênia cujo resultado foi o Plano de Ação de Liubliana, convocando governos de todo o mundo a implementar políticas institucionais favoráveis aos REA. E contou sobre a plataforma REliA, que será lançada em breve, reunindo objetos digitais em variados formatos que estão disponíveis em licença aberta.

Débora Sebriam – coordenadora de projetos do Instituto Educagital
Apresentou um histórico do movimento REA no Brasil, as políticas públicas que foram criadas ao longos dos últimos anos desde 2008 (veja linha do tempo), como o Projeto de Lei Federal 1513. Em 2011 um decreto Municipal na cidade de São Paulo foi aprovado para disponibilizar material de forma aberta ao público. Em 2014 no Distrito Federal foi aprovada uma lei inspirada na que existe na cidade de São Paulo. A partir de 2013, em parceria com o MEC, foi realizada formação de educadores e gestores sobre REA. Todo o trabalho desenvolvido ao longo desses anos culminou na publicação “Como implementar uma política de Educação Aberta”, que pode ser acessado aqui.

Miguel Said Vieira – UFABC
Especialista no estudo sobre bens comuns, apresentou a definição conceitual com base nas práticas de comunidades, construção em conjunto, compartilhamento de conhecimentos. O conhecimento é o foco do compartilhamento. “Embora há quem concorde com a ideia de que o compartilhamento de conhecimentos caminha para a ruína por causa do egoísmo humano, o tempo provou que isso não é verdade”, ressaltou o pesquisador.  Mesmo havendo problemas em alguns casos, isso não é uma regra. Mas trouxe como desafio central alguns dilemas como: relação entre estado, bens comuns e grandes empresas; articulação de REA para diminuir desigualdades existentes.

Tatiane Pacanaro Trinca
– CAPES/MEC
Trouxe a trajetória de REA na CAPES pela Universidade Aberta do Brasil, sistema que integra 106 instituições de Ensino Superior,  criada em 2006 pelo MEC para levar formação superior para regiões mais afastadas. A CAPES financia a produção de material para esses cursos. No início, os autores assinavam um termo de licença de 5 anos para uso do material produzido. Isso inviabilizava o compartilhamento desses materiais para outras pessoas que não estivessem regularmente inscritas na UAB. Em 2012 foi criado um repositório fechado. Em 2014 houve uma consultoria para elaboração de um termo que permitisse o compartilhamento. Foram feitas formações sobre REA para que a equipe entendesse a importância de alteração dos documentos. Como equipe, a CAPES passou a atuar no Conselho Nacional de Educação e conseguiu alterar a resolução para oferta do ensino público a distância no país. Essa alteração possibilita o compartilhamento dos materiais produzidos como REA.  Em 2016 foi criado o portal Educapes, que abriga materiais livres. Em 2018 será ofertado curso sobre REA para todas as universidades do sistema UAB.

Ana Furniel – Fiocruz
Citou a constituição de 88 que fala da construção de uma sociedade justa e solidária e que, nesse sentido, a educação aparece como fundamental. A Fiocruz já trabalha com 8.000 recursos educacionais abertos na área da saúde. Possui uma revista científica com processo aberto. A implementação da política de acesso aberto, mesmo depois de criada, é um desafio grande e constante. A Fiocruz realizou seminário sobre Educação Aberta e constituiu um grupo de trabalho para a construção de diretrizes REA na Fiocruz. Esse trabalho ocorreu de 2015 a 2016. Houve a elaboração de um guia para desenvolvimento de REA. Houve um incentivo ao desenvolvimento de REA  e criação de oficinas. Apenas criar e oferecer repositório de REA não é suficiente para mudar a cultura, portanto é necessário muito apoio e muita formação de profissionais.

Jorge Sallum – Editora Hedra
Diretor da Editora Hedra, que vem ousando lançar algumas publicações em licença aberta, pontuou que o mercado editorial está em crise. Há um projeto ligado a FAPESP que tem como ideia a publicação de artigos científicos com rapidez. Isso porque um artigo demora de 2 a 3 meses para ser escrito. Esse trabalho é ato e chega com atraso  ao público. Duas abordagens do problema: 1) Acesso a ciência, material produzido;  2) Educação de base. Projetos de lei são morosos. O mundo editorial divide as publicações que são escritas para a escola e as que são para fora dela.

Sérgio Branco – diretor do ITS-Rio
Advogado, reforçou que as leis de direitos autorais são rigorosas pensando em proteção, mas o rigor é tão grande que fracassa. A lei permite cópias de pequenos trechos mas não define a quantidade desses trechos. As citações são permitidas mas as pessoas têm o costume de pedir autorizações e os autores de exigi-las. Não existe flexibilidade especificamente para a educação. Ainda é preciso lutar por políticas públicas democráticas e a continuidade da atuação social do REA.

Licenças Abertas ganham espaço em workshop de mercado de livro didático

Débora Sebriam, coordenadora de projetos do IED, participou do painel educacional com Wilson Troque, coordenador do PNLD.  Troque abordou o histórico do programa de livros didáticos brasileiro, considerado um dos maiores do mundo e trouxe os novos pontos exigidos aos editores. A adoção de licença aberta é um das novidades do edital, definida para os materiais complementares e tem provocado muitas dúvidas nos editores.


A convite da HP Brasil, o Instituto Educadigital integrou o Workshop “Mercado de Livros Didáticos: inovação e oportunidades de negócio”, em 19 de setembro. O evento debateu os cenários de inovação e desafios do mercado editorial e o novo Programa Nacional de Livros Didáticos (PNLD) e licenças abertas.

Sebriam, trouxe o panorama dos Recursos Educacionais Abertos (REA) e da Educação Aberta no Brasil. Foram apresentados os principais avanços das ações e políticas de REA no país, o conceito de REA em oposição a ideia de distribuição gratuita, além de desmistificar o significado da adoção de licenças do Creative Commons e o impacto da licença CC-BY-NC, adotada no último edital. Débora explicou que adotar uma licença aberta não significa em hipótese alguma abrir mão do direito autoral, ideia que as vezes circula pela rede erroneamente. As licenças Creative Commons trazem um novo paradigma de “alguns direitos reservados”, uma ideia totalmente em consonância com a cultura digital em que vivemos onde as condições de uso de uma obra por terceiros são definidas pelo autor da obra ou pelo detentor do direito patrimonial.

Os Recursos Educacionais Abertos são uma forma democrática de dar acesso e estimular o protagonismo docente, além de no contexto das políticas públicas, empregar um melhor uso do dinheiro do público, transparente e de fato capaz de atingir a toda a sociedade brasileira.

REA em dicussão na Comissão de Educação da Câmara

PL1513/2011 estava na pauta da votação no dia 13 de setembro, mas foi retirado pela relatora por falta de entendimento dos demais deputados sobre a importância do tema para a política educacional


No mesmo dia, uma matéria bastante completa da Fundação Sirotsky Sobrinho, esclarece em texto em em vídeo-animação o que são os Recursos Educacionais Abertos (REA) e ainda cita o REliA como novo projeto em prol dessa causa: http://www.fmss.org.br/conhecimento-horizontal-e-a...


Não foi desta vez que o PL1513/2011 foi votado na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados. A relatora, deputada Margarida Salomão, pediu a retirada da pauta para poder conversar melhor com alguns deputados que se mostraram contra por entender que a adoção de REA e licenças abertas significa que o autor abre mão do direito autoral e da remuneração por seu trabalho — algo completamente equivocado.

Para saber mais, veja aíntegra da reunião da Comissão e leia algumas manifestações nas redes sociais. Se puder, mande email para os deputados da comissão falando da importância de termos uma lei para dar perenidade a tantos avanços que já estamos observando no executivo. A lista de emails está disponível aqui.

Quer saber mais sobre os avanços de REA no executivo? Veja aqui no Iniciativa Educação Aberta.

Quer saber como é possível criar modelos de negócio com REA? Leia nosso Estudo sobre Inovação Aberta. Ou o novo livro do Creative Commons: Made with Creative Commons

Na próxima semana, estaremos na Eslovênia no 2º Congresso Internacional de REA da UNESCO, de 18-20 de setembro, onde faremos um lançamento simbólico do Guia Como Implementar uma Política de Educação Aberta e de Recursos Educacionais Abertos. Se quiserem ver algumas fotos da publicação, acessem nosso Instagram: https://www.instagram.com/educadigital/

A partir de outubro, teremos os lançamentos oficiais do Guia aqui no Brasil. O primeiro será durante o Webcurrículo da PUC São Paulo, no dia 17/10. Depois, no dia 25/10, teremos um no Pátio Digital, com a presença do secretário municipal de Educação da capital, Alexandre Schneider, autor de um dos prefácios da publicação. Dia 31/10 em Brasília, na CAPES. Em breve, divulgaremos outras datas!