Curso: facilitação de aprendizagem remota

Educadigital lança curso novo, especialmente criado para o contexto atual, em que educadores se deparam com a demanda por uma nova habilidade 

Assim que as escolas foram fechadas como medida de contenção do avanço da COVID-19, nossa diretora, Priscila Gonsales, fez um post no intuito de chamar a atenção para a importância da colaboração, algo sempre relevante entre educaodores, mais ainda em tempos emergenciais.

Nesses últimos dois meses, no entanto, o que se viu com mais frequência foi a corrida por  plataformas e ferramentas digitais para aulas remotas, com pouca ou quase nenhuma preocupação em relação à proteção de dados dos estudantes. O projeto Educação Vigiada enfatiza bem esse aspecto.

Para Priscila Gonsales, escolher a plataforma ou ferramenta não deve ser a primeira ação a fazer, mas sim considerar as pessoas envolvidas no processo. “Facilitar a aprendizagem é o que o bom professor faz desde sempre, o ponto agora é refletir e prototipar possibilidades de facilitação remota, com muita empatia em relação aos estudantes e a si mesmo”, ressalta.

Promover a cultura da colaboração é a melhor maneira de lidar com as incertezas que esse contexto traz, pois não existem respostas prontas.  Além disso, o papel de facilitar a aprendizagem de maneira remota surge como uma nova habilidade.

Pensando em apoiar nossos alunos da turma 10 do curso-laboratório on-line de formação de facilitadores em Design Thinking para Educadores, criamos um novo curso.

Agendado para iniciar no dia 19 de maio, o curso será no formato de 4 encontros em tempo real e  poderá receber também outros interessados, mesmo que não estejam matriculados no curso-laboratório.  As inscrições estão abertas e as vagas são limitadas. Saiba mais aqui

No dia 15 de maio, sexta-feira, 18h, faremos uma LIVE no Instagram do Educadigital para contar um pouco mais sobre o curso e esclarecer dúvidas

 

Coronavírus pode ser a “limonada da criatividade” para as escolas

Com as orientações para suspender aulas presenciais e ajudar a conter o avanço da doença no país, mais do que simplesmente indicar ferramentas tecnológicas, é importante planejar colaborativamente possíveis propostas e metodologias para uma boa educação a distância

Por Priscila Gonsales

O coronavírus trouxe para a educação uma evidência até então bem encoberta: culturalmente, não estamos preparados para  atividades pedagógicas a distância. Não estamos. Adoramos ressaltar a importância das tecnologias na educação, mas não estamos. E não estou falando dos professores somente, pois são justamente eles que, quando a coisa aperta,  imediatamente são escalados para achar uma solução (bem boa e rápida de preferência)  para uma urgência que até então não receberam formação sobre (nem hora extra) e que nunca havia sido cogitada  antes pela instituição ou rede de educação. 

Falo também das famílias que, por desconhecimento ou mesmo por necessidade de ter com quem deixar os filhos,  acreditam pouco que possa ocorrer aprendizagem em qualquer lugar, não apenas na escola.

Além disso, muitos de nossos estudantes ainda estranham metodologias diferentes do esquema tradicional “transmissão de conteúdos” e não compreendem as potencialidades de autonomia que o estudo remoto pode oferecer.  Sem falar na urgente questão “isolamento”… quem tem filhos grandinhos em casa, sabe do que estou falando. 

E, claro, não poderia deixar de mencionar que a sociedade em geral ainda não se conscientizou que educação é responsabilidade de todos, ou seja, algo a ser feito em cooperação. 

A pandemia do coronavírus está aí para apontar como precisamos (e muito!) levar em conta nossas vulnerabilidades e despreparos para promover o coletivo, a cultura de compartilhar — se passarmos a cultivar isso a partir de agora, nunca vamos perder. Recuperar o tempo do semestre letivo vai ser tranquilo se a gente puder aprender a conviver, mesmo no isolamento, e buscar adotar uma postura voltada à inovação. Como? Experimentando! 

Noto que muitas instituições já estão apontando ferramentas de ensino a distância para serem usadas durante a suspensão das aulas, no intuito de tentar manter exatamente o mesmo esquema da escola e, de quebra, estão fazendo propaganda de empresas que ainda precisam lidar melhor com várias questões de proteção de nossos dados pessoais (e de nossas crianças!). A LGPD vem aí. 

Talvez possamos aproveitar esse “limão” inesperado que surgiu para fazer uma boa e doce “limonada da criatividade”. Claro que não é simples, mas talvez possa ser instigante e surpreendente.  

Algumas sugestões: 

1) No comunicado às famílias dos alunos, além de justificar a suspensão de aulas para seguir a conduta das autoridades, por que não dizer, com humildade,  que “vamos estudar” possibilidades para esse período e pedir ajuda da comunidade? Vai que tem alguém que possa e queira colaborar para uma chuva de ideias? 

2) Usar alguns dos primeiros dias de suspensão para planejar em conjunto com os professores quais as possibilidades viáveis. Isso mostra que se acredita de fato no poder do coletivo e não em uma determinação hierárquica. Esse planejamento pode ser feito remotamente, assim, os próprios docentes já vão experimentando como se sentem criando algo por meio de um recurso on-line. 

3) Usar e abusar do que já existe disponível na web.  Em diversos formatos e mídias, há conteúdos sobre qualquer tema trabalhado nos componentes curriculares. Que tal exercitar a curadoria dos estudantes? E se eles pudessem planejar eles mesmos um roteiro de “aula” sobre um determinado tema? Quais materiais indicariam?  

4) Se os estudantes não têm acesso à internet em suas casas, como poderiam exercer essa curadoria com conteúdos da televisão, por exemplo, comparando com o que eles têm nos livros e em outros materiais? E se eles criassem um programa de TV para ensinar algo que aprenderam a outras pessoas? Talvez até possam usar o celular para gravar. 

5) Considerar as preferências, os perfis e as aptidões dos estudantes. Por exemplo, estimular a leitura e a reflexão dos que adoram ler (e depois criar um texto? um vídeo?). Promover a análise crítica e comparativa dos que gostam de filmes e poderiam assistir a versões diferentes para um mesmo tema.   

6) Desenvolver práticas com foco em cidadania digital, como por exemplo, como surgem as fake news e a desinformação se espalha? Quais as dicas de segurança online? Como discordar com respeito? Qual a diferença entre liberdade de expressão e discurso de ódio? Simular situações reais e pedir que eles sugiram as melhores condutas é sempre uma boa proposta!  

7) Passar exercícios, tarefas etc que possam ser feitas em conjunto entre pequenos grupos de alunos. Eles podem escolher qual o meio de comunicação remota mais acessível para que todos  possam participar. 

Seja qual for a atividade escolhida pela escola, esse é o momento para tentar fazer diferente. Aquele velho paradigma de esperar que alguém resolva a situação ou diga o que fazer, pode ser, conscientemente, deixado de lado para adotar uma postura mais proativa. 

Aproveite também como oportunidade para buscar e oferecer inspirações. Contribua, colabore com outras escolas, compartilhe ideias, materiais e propostas de atividades. Que a gente saiba usar a ocasião para gerar mais cooperação. 

Vale a pena conhecer: 

REliA 
Primeiro referatório de recursos educacionais com licenças abertas, para buscar por tipo de mídia, área do conhecimento, disciplinas etc 
www.relia.org.br  

Plataforma MEC-RED 
Nova plataforma do MEC, lançada em 2018, que reúne recursos digitais produzidos pela pasta ao longo dos anos
https://plataformaintegrada.mec.gov.br/home 

Moodle
Software livre para criação de cursos e atividades EaD. Tem uma opção grátis para até 50 participantes
https://moodle.org/ 

Lista Educação Aberta da Wikiversidade 
Organização de links e informação sobre diversos tipos de serviços abertos que podem ser recomendados para docentes do ensino superior para utilização em atividades a distância

Como funcionam as mentorias para profissionais da educação?

mentorias

Você já ouviu falar em “mentoria”? Podemos definir as mentorias como uma relação de troca na qual uma pessoa que é especialista ou tem mais experiência em determinado campo de atuação orienta outra pessoa interessada em receber informações, aconselhamento, sugestões e dicas de conduta.

Então, no Educadigital, oferecemos mentorias para educadores e demais profissionais da educação, individualmente, nos seguintes temas:

  • Uso do Design Thinking na educação (formação profissional e/ou corporativa, planejamento de projetos pedagógicos);
  • Uso de licenças abertas de direito autoral e disponibilização de materiais de ensino em conformidade com a Lei de Direito Autoral;
  • Planejamento e desenvolvimento de cursos on-line: organização, design de experiência (antigo “design instrucional”);
  • Organização institucional para a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD): aspectos formativos, curriculares e comunitários;
  • Elaboração de práticas pedagógicas de cidadania digital a partir da promoção de direitos humanos no contexto digital.

As sessões podem ser feitas de forma presencial ou remota, sobretudo precisam ser agendadas e têm duração mínima de 1 hora. É possível organizar um plano de sessões conforme a necessidade da pessoa mentoranda. Para agendar a sua, envie email para
contato@educadigital.org.br

Assim, há também as mentorias coletivas on-line, denominadas Jornada Conexão, com duração de 1h a 2h, dependendo do tema.  A próxima, sobre Inteligência Artificial e Alfabetização em Dados será no dia 7 de abril. Saiba mais aqui.

Cidadania digital é o 3º tema de maior interesse dos professores em relação à tecnologia

Além de aprender sobre possibilidades de aplicação em sua própria disciplina e na criação de novas práticas de ensino, docentes gostariam de saber mais como orientar alunos para o uso seguro, responsável e consciente da internet. Com isso, surge a Cidadania Digital.

Em sua última edição, divulgada em 2019, a pesquisa TIC Educação, realizada pelo Cetic.br, destacou que 57% dos professores gostariam de encontrar mais orientações sobre como trabalhar com os alunos questões relacionadas ao uso seguro, consciente e responsável da internet.  Entre os respondentes, 38% afirmam já ter apoiado algum aluno a enfrentar situações incômodas na internet. Por exemplo, bullying, discriminação, assédio, disseminação de imagens sem consentimento, entre outras.

Anualmente, em meados de fevereiro, uma intensa mobilização global, envolvendo mais de 140 países, vem chamar a atenção para o Dia Mundial da Internet Segura. Em 2020, a data marcada é 11 de fevereiro, mas a intenção é que a mobilização não se restrinja a um único dia nem a uma semana, mas sim esteja presente durante o ano todo, nas escolas, instituições e famílias.

“Quando falamos em uso seguro, responsável e consciente da internet, enfatizamos a importância que a cidadania digital tem cada vez mais em nossa vida e em nossa convivência em sociedade e pode ser trabalhada em diversas disciplinas e mais ainda de forma interdisciplinar”, explica Rosa Maria Lamana, da Escola de Formação e Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação da Secretaria Estadual da Educação de São Paulo.

Por sua atuação constante em diversos eventos sobre a temática, como o Fórum da Internet e o Simpósio Crianças e Adolescentes na Internet, e também por estar sempre atenta às necessidades dos docentes, Rosa procurou o Educadigital com uma constatação bem pertinente. “Existem muitas fontes de informação, vários materiais de apoio consistentes, mas não temos ainda onde encontrar sugestões de como colocar em prática”, relatou Rosa.

Em conversas com a diretora-executiva do Educadigital, Priscila Gonsales, aquela constatação foi acolhida e acabou gerando uma ideia concreta. “Logo pensei que também faltava valorizar as boas práticas que já estão sendo feitas, mas são bem pouco divulgadas”, explicou Priscila.

Desde 2018, o Educadigital mantém a plataforma REliA, um referatório de recursos educacionais com licenças abertas (REA), organizado por área do conhecimento, tipos de mídia e disciplinas. Portanto, ao remixar a base tecnológica em código aberto do REliA, vai surgir uma nova plataforma, especialmente voltada para a busca e o compartilhamento de boas práticas em cidadania digital.

cidadania digital

Essa nova plataforma receberá o nome de Pilares do Futuro, para remeter aos 4 pilares da educação da UNESCO —aprender, fazer, ser e conviver— que formam a base das competências socioemocionais e também das competências gerais da Base Nacional Curricular Comum (BNCC). “Pilar ainda representa alicerce, ou seja, a consistência que uma prática em cidadania digital deve ter”, ressalta Débora Sebriam, coordenadora de projetos do Educadigital.

Então, com apoio inicial do NIC.br, a Pilares do Futuro está sendo construída e tem lançamento previsto para março de 2020. Primordialmente além dos temas bastante procurados como cyberbullying e superexposição, também serão destaque:

  • Inteligência artificial
  • Proteção de dados
  • Direito autoral
  • Fake news
  • Publicidade
  • Consumo
  • Dentre outros

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Professores e alunos de Adm da FEI participam de oficina de DT

Grupo elaborou protótipos envolvendo aprimoramento nos processos de gestão e na prática pedagógica


Conhecido em todo campus, o professor Hong Ching, coordenador do curso de Administração de Empresas da FEI, levou a formação em Design Thinking para Educadores para outra equipe de docentes pela segunda vez no dia 6 de maio. A primeira foi em 2014, quando o material tinha acabado de ser lançado.


Desta vez, a grande novidade, foi a presença de alunas convidadas que, junto com os professores puderam identificar os desafios do processo pedagógico, trocar ideias e construir juntos protótipos altamente viáveis para serem implementados, voltados para aprimorar as relações humanas no ambiente escolar, tornar a metodologia em sala de aula mais motivadora para que os estudantes participem com mais interesse e disposição e ainda uma política de incentivo, valorização e reconhecimento profissional do docente pelo seu empenho e colaboração com os demais.

A professora de marketing Carolina Shinoda, que coincidentemente esteve na primeira oficina realizada pelo IED, em 2014, no Impact HUB, em São Paulo, disse que ainda não se sentia tão confiante para facilitar atividades usando o DT, mas que a partir daquele momento estava decidida a tentar. Dias depois, ela postou fotos nas redes sociais registrando o trabalho que desenvolveu com seus alunos para criarem métodos ágeis. “Acho que vou incorporar a filosofia do DT na minha vida”, exclamou ela, feliz com o resultado.

As alunas Francisca Sousa e Thalia Vieira, convidadas para a formação em pleno sábado, cancelaram seus compromissos para poder participar. “Não dava para perder essa oportunidade”, disse Francisca. “Foi muito legal estar ali trocando com nossos próprios professores, dando ideias e colaborando para chegar a um resultado agradável para todos”, pontuou Thalia.

Para ver mais fotos clique aqui

Biografia da Léa Fagundes: Fase 1 bem-sucedida

Colaboração é o conceito que rege a proposta da biografia da educadora Léa Fagundes, projeto idealizado pelo Instituto EducaDigital. Colaboração em rede é o caminho que buscamos para a construção dessa biografia….e vem dando certo!

Nos últimos dias comemoramos uma etapa importante e bem-sucedida do projeto. Com 213 apoiadores, a parte audiovisual da biografia, um vídeo-entrevista com a própria Léa Fagundes, foi financiada na plataforma de crowdfunding Catarse e será produzida nos próximos meses. No total, R$ 21.775 foram arrecadados e o valor será investido na produção de um vídeo com ares de documentário, com aproximadamente 40 minutos de duração.

Para atingirmos esse resultado tão positivo em uma campanha de doação na web, foram 45 dias de muito engajamento – da nossa equipe e de muitos que fazem parte da nossa rede. Usamos as redes sociais, contatamos centenas de pessoas por e-mail e contamos com ações presenciais, como a divulgação na Bienal do Livro, em São Paulo, e em seminários que reuniram especialistas em educação e novas tecnologias.

Vimos educadores, pesquisadores, gestores de educação e pessoas de diversas outras áreas que reconhecem a importância de personagens com a Léa Fagundes dedicando-se a divulgar e a declarar o apoio à iniciativa do Instituto EducaDigital no Catarse. Sem todo esse movimento, não teria sido possível alcançar o sucesso.

Contrapartidas – Todos os colaboradores tiveram a oportunidade de escolher recompensas na página do projeto. Essas contrapartidas permitem aos doadores desde garantirem os seus nomes nos créditos do vídeo-entrevista até realizarem um workshop presencial sobre Uso das Licenças Creative Commons. Camisetas do projeto e cópias do DVD com a vídeo-entrevista também estão entre as recompensas, que variam de acordo com o valor doador.

O modelo de crowdfunding foi uma escolha acertada para esta etapa da biografia, e se apresenta como mais um caminho para viabilizar projetos de empreendedores em quaisquer áreas, inclusive na educação. A partir de agora, a nossa equipe passa a produzir o roteiro do vídeo-entrevista e segue buscando captar recursos para a segunda parte da biografia, o livro (impresso e digital).
Você pode acompanhar todo o projeto no blog. E participar por meio da galeria colaborativa, lá mesmo, no mesmo blog.