Iniciativa Educação Aberta está no ar

Educadigital e Cátedra UNESCO de Educação Aberta da Unicamp lançam plataforma que reune conteúdos e referências sobre o tema no Brasil 


Em celebração ao Year Of Open (Ano da Abertura), que marca uma série de eventos e declarações mundiais sobre Educação Aberta e Recursos Educacionais Abertos, o Instituto Educadigital e a Cátedra UNESCO de Educação Aberta da Unicamp lançaram, durante a Consulta Regional Américas para o 2º Congresso Mundial de REA da UNESCO, a plataforma Iniciativa Educação Aberta(IEA). Trata-se de um ambiente que reúne publicações e referências sobre o tema, organizadas por pessoas que atuam e atuaram nas duas instituições desde 2007.

Para conhecer melhor as principais ações e atividades de política pública que foram realizadas no âmbito do projeto REA.br, desde 2008, a plataforma traz uma Linha do Tempo. Além dos conteúdos, a plataforma IEA vai também oferecer formação a distância, por meio de cursos no ambiente Moodle (software livre), sendo que o primeiro a ser lançado, sobre Recursos Educacionais Abertos, será dirigido às universidades e institutos federais que atuam no Programa Universidade Aberta do Brasil, um projeto realizado em parceria com a CAPES. A partir de 2018, estão previstos cursos para professores da Educação Básica e para gestores educacionais.

Como parte das ações de formação, a IEA acaba de disponibilizar em Português uma ferramenta que permite verificar a compatibilidade das licenças Creative Commons, tanto para quem já escolheu uma licença e quer verificar quais são as licenças compatíveis com ela, como para quem tem algumas obras com licenças diferentes e quer saber se poderá fazer remixes entre elas. Experimente aqui: http://aberta.org.br/compatibilidade/

A plataforma vai abrigar, ainda, o RE-li-A, um referatório de recursos educacionais digitais com licenças abertas, que está recebendo doações por campanha de financiamento coletivo no Catarse. “Percebemos que existe uma demanda por parte dos usuários sobre como encontrar objetos digitais e demais materiais que estejam sob uma licença aberta e categorizados por área do conhecimento, disciplinas curriculares, tipo de mídia, dentre outros metadados”, explicou Priscila Gonsales, diretora-executiva do Educadigital.

Interessados em colaborar ou patrocinar o IEA podem entrar em contato pelo email: contato@aberta.org.br

Creative Commons: usar, criar e compartilhar na cultura digital

O Instituto Educadigital realizou ontem (27/03), em São Paulo, a oficina Creative Commons: usar, criar e compartilhar na cultura digital. Essa atividade é uma das recompensas aos apoiadores do projeto de vídeo-entrevista com a educadora Léa Fagundes que realizaram doações pelo Catarse. Demais interessados puderam participar mediante inscrição prévia.

As discussões e dinâmicas de grupo passaram pelo direito autoral no Brasil, novos modelos de gestão do direito autoral, recursos educacionais abertos, novos modelos de negócio e as licenças Creative Commons e suas possibilidades de remix e compartilhamento.

Acesse nossa apresentação e desejamos a todos bons remixes e compartilhamentos.


O filme, os vídeos e a mobilização (parte I)

O que o sucesso de bilheteria 2 Filhos de Francisco, de 2005, pode ter em comum com dois projetos de vídeo recentemente bem-sucedidos em sites de crowdfunding? Enquanto me recuperava de uma gripe forte que trouxe dos meus 21 dias de “retiro” em San Francisco/EUA, pensava num gancho para escrever um post sobre a viagem. Foi quando me deparei na madrugada de ontem (insônia pela diferença de 6 horas de fuso), zapeando pela TV, com as cenas que eu mais adoro nesse longa do diretor brasiliense Breno Silveira, atualmente em cartaz com o ótimo Gonzaga de Pai para Filho.

Com todo seu entusiasmo misturado com amor e perseverança, o “seu” Francisco, pai de Zezé e Luciano, aposta, literalmente, todas as fichas mobilizando sua rede social para promover  a música de seus filhos. Para quem não lembra, ele primeiro deixa a fita demo na rádio local e depois começa a telefonar dos orelhões na cidade pedindo para tocar a música e, ao perceber que a ideia funcionava, compra muitas fichas de telefone e passa a engajar amigos, companheiros de trabalho e até desconhecidos nas ligações para poder conquistar seu objetivo de ver “É o amor” como a mais pedida nas paradas de sucesso.

Sempre choro nessa parte, confesso. Me emociono demais pensando em como é mesmo gratificante conseguir algo com nosso esforço e persistência, especialmente coisas em que se acredita e que parecem impossíveis. Nosso projeto da vídeo-entrevista da Léa Fagundes no Catarse foi assim. Quando tudo começou era apenas uma ideia que a gente sabia que devia fazer, que devia ir atrás. A trajetória de uma personalidade ilustre da educação brasileira, que vem inovando há tempos mesmo com todas as dificuldades, mostra que o foco sempre deve estar no desenvolvimento humano,  independentemente das mais avançadas tecnologias digitais.

Estamos muito felizes com o resultado, um trabalho árduo de edição (mais de 10 horas gravadas!) feito com nossos criativos parceiros da Filmes Para Bailar. O lançamento oficial será em fevereiro. Para tornar o projeto realidade, foram necessários 40 dias de trabalho intenso de mobilização de redes sociais. E nossas “fichas” estavam nos cliques e recursos digitais disponíveis, além dos inúmeros e-mails mais que pedintes para familiares e amigos íntimos. E conseguimos, até passamos da meta pretendida!

Nesse início de ano em San Francisco, tive a feliz oportunidade de acompanhar de perto outro projeto de vídeo bem-sucedido em crowdfunding graças também à forte mobilização de rede: o documentário Lives in Transit (vidas em trânsito) do Global Lives Project. Global Lives Project é uma ONG fundada em 2004 pelo sociólogo californiano David Evan Harris, que fez seu mestrado aqui na nossa USP e por isso fala um ótimo português. Sua missão é criar uma videoteca sobre a experiência de vida humana a partir da produção de vídeos que registram 24 horas na vida de pessoas comuns de diferentes lugares do mundo. Os vídeos, produzidos por videomakers independentes, são licenciados em Creative Commons, estão disponíveis na web (alguns já com legendas feitas por voluntários) e também em exibições periódicas em formato de instalação artística.

Empatia é a palavra-chave. Conhecer o outro para conhecer melhor a si mesmo. Uma iniciativa encantadora que faz lembrar as palavras de Eduardo Galeano: “é preciso ser capaz de olhar o que não se olha, mas que precisa ser olhado, as pequenas coisas de pessoas anônimas que os intelectuais costumam desprezar”.

Quando cheguei ao escritório deles no aconchegante coworking PariSoma, no início de janeiro, a arrecadação no Kickstarter não tinha chegado nem na metade e só restavam 6 dias para o prazo final. Postais estavam sendo preparados para enviar pelo correio, tuitadas e mais tuitadas, e-mails para amigos e amigos de amigos, posts os mais diversos no Facebook. Mas a ação mais bacana que participei foi a uma força-tarefa do conselho de voluntários, um dia antes do prazo final. Todos juntos, na mesma sala, divulgando e acompanhando a arrecadação em tempo real. Um lindo processo que gerou um resultado mais que satisfatório: a campanha atingiu 10 mil dólares a mais do pretendido. Com o valor excedente, a equipe vai produzir um material educativo para apoiar o uso dos vídeos nas escolas. E um novo site do projeto será lançado também agora em 2013.


Mais sobre San Francisco:
Pessoas, projetos, inspirações (parte II)
Dicas da cidade (parte III)

Pessoas, projetos e inspirações (parte II)

Sem dúvida, San Francisco é uma cidade altamente inspiradora para quem quer arriscar sair da zona de conforto e deixar vir a ousadia. Em inglês, o termo seria “risk taker”, justamente para designar aqueles que acreditam piamente nas palavras do poeta de que “tudo vale a pena se a alma não é pequena”. Listo aqui alguns dos projetos incríveis que conheci, cada um deles mereceria um post específico (quem sabe ainda faço):

PariSoma, um coworking arrojado, organizado em dois andares independentes, porém integrados.  Na parte de baixo, mesas de ping-pong se transformam em estações de trabalho coletivo durante o dia e, à noite, são dobradas e recolhidas para darem lugar a eventos, debates, exposições e cursos os mais variados. O piso de cima é reservado a equipes de uma mesma empresa e/ou instituição. Bolas de alongamento estão ali espalhadas para uma esticadinha básica  durante o expediente.

Women Who Code, coletivo de mulheres apaixonadas por tecnologia digital. Atualmente, elas já são mais de 2 mil e fazem encontros presenciais específicos sobre alguns temas e também promovem seus “talks” para que possam compartilhar  projetos e experiências de trabalho. Um desses “talks” aconteceu no PariSoma no dia 10 de janeiro. E eu estava lá!

Women 2.0 é mais uma iniciativa de mulheres inovadoras em tecnologia. Uma rede que reúne empreendedoras e potenciais financiadores e  já conta com uma versão em Espanhol. Oferece encontros, competições e conferências como esta que será em fevereiro deste ano.

Dojo é uma start-up que nasce de uma ideia de associar tecnologia para estimular atitudes positivas em larga escala, a partir da motivação em rede. Praticar meditação, parar de fumar, comer salada, escrever um diário, telefonar para amigos, dizer a sua esposa que você a ama são algumas dessas atitudes disparadas por um app para celular. Seu idealizador, Jordy Mont-Reynaud, que já trabalhou em outras start-ups no Vale do Silício, como o Facebook, acredita no poder da tecnologia para alcançar milhões de pessoas e que inserir mais atitudes positivas no cotidiano delas pode ser mais fácil com a ajuda mútua de amigos dessa rede.

DIY (Do It Yourself), esse na verdade foi descoberto aqui no Brasil pela minha parceira de trabalho Bianca Santana que, toda encantada, me “intimou” a visitar. E eu fui. Adorei. Me lembrei do projeto Minha Terra, uma rede social para escolas que fizemos no EducaRede de 2004 a 2011. O site, dirigido a crianças e jovens, funciona como um agregador de recursos interessantes, abertos e disponíveis na web, além de estimular que os usuários façam upload de suas próprias produções multimídias. Tudo em Creative Commons. A Daniela Silva, nossa consultora em dados abertos, aproveitou e já postou lá sua linda animação sobre o tamanho da Terra. “Awsome!”, foi o que ouvi da equipe DIY. Nós IED queremos trazer o DIY para o Brasil, traduzir e remixar. Ficamos de continuar essa conversa com eles 🙂

California Academy Night Life é uma baladinha no museu. Sim, imagine ir a um museu à noite e aproveitar a exibição tomando um vinho ou outra bebidinha a escolher e ainda dançar ao som dos DJs espalhados pelos vários cantos do lugar, do aquário ao simulador de terremoto. Nunca tinha visto um jacaré branco antes, parecia estátua até, mas num certo momento, não é que ele andou? Super iniciativa para pensar no Brasil e atrair especialmente o público adolescente (claro que com refrigerantes e sucos!) para ir a museus e centros culturais, #ficaadica para as novas gestões municipais.

Design Thinking for Educators é uma iniciativa da IDEO para educadores, agora em sua segunda edição licenciada em Creative Commons. A IDEO é uma das companhias mais referenciadas no mundo no tema inovação, que tem na abordagem do Design Thinking seu principal foco de trabalho junto a seus clientes, a maioria grandes empresas. O escritório de San Francisco é simplesmente demais, à beira da baía, lembra um coworking dos mais inspiradores. Sem divisórias entre as mesas de trabalho, cantinhos de reunião com sofás e pufes, guarda-bicicletas suspenso, post-its coloridos e lousas brancas por toda parte. Como trabalhamos aqui no Brasil com formação de educadores a partir do DT, já fechamos com eles uma tradução oficial do material para o Português, agora precisamos de empresas/pessoas interessadas em patrocinar.

Carrotmob iniciativa que propõe atitudes em vez de boicotes e protestos contra empresas que não são socialmente responsáveis. Mobiliza um grande número de consumidores para adquirir determinado produto de uma empresa tendo como contrapartida dessa empresa a utilização de parte da verba em ações sustentáveis. Começou em San Francisco em 2008 e até hoje já realizou mais de 200 campanhas em 20 países.

FunsheapSF é um site muito interessante com dicas de atividades e eventos baratos e gratuitos em San Francisco. Criado por um casal que tem seus respectivos empregos em tempo integral (ele designer, ela restauradora) e que mantém o site por pura paixão e com alguma publicidade para pagar os custos de manutenção. Foi lá que descobri, por exemplo, o SF Crowdfunding Launch Party um evento com artistas e designers que estão usando o crowdfunding para viabilizar seus produtos.  Claro que já lembrei dos meninos do Catarse. Seria muito legal termos eventos periódicos como esse por aqui, com tantos projetos legais que estão conseguindo virar realidade nesses dois anos de vida do Catarse.

Techshop uma espécie de hackerspace criado e mantido de forma coletiva e aberta para quem quiser participar. Uma mesma ideia pode gerar várias outras, esse é o princípio deles. Não tive a oportunidade de visitar pessoalmente ainda, infelizmente, pois fica um pouco afastado da cidade. Mas a Gabi Augustini foi no ano passado e escreveu esse post aqui.


Mais sobre San Francisco
Dicas da Cidade (parte III)
O filme, os vídeos e a mobilização (parte I)