Mapeamento inédito mostra exposição da educação brasileira à vigilância

 

Educação Vigiada mostra que 65% das universidades públicas e secretarias estaduais de educação estão expostas ao  “capitalismo de vigilância”. O projeto vem chamar a atenção da sociedade para o problema da falta de transparência e regulação nas relações público-privadas em serviços e plataformas tecnológicas, comprometendo direitos dos usuários, como privacidade e a proteção de dados pessoais

Educação Vigiada

Bastou começar a suspensão das aulas pelas instituições de ensino, no esforço coletivo de contribuir com a disseminação do COVID-19, para surgir uma lista imensa de empresas e plataformas de tecnologia ofertando ferramentas diversas para EaD (educação a distância) como forma de evitar prejuízos ao semestre letivo. Entretanto, boa parte delas, inclusive, disponibilizando acesso e serviços ‘gratuitos’ para incentivar o uso.

Só que essa disputa pela atenção de educadores e gestores de instituições de educação no Brasil não é de agora.

Mapeamento realizado por dois núcleos de pesquisa da Universidade Federal do Pará (UFPA) e pela Iniciativa Educação Aberta (Cátedra UNESCO de EaD sediada na Universidade de Brasília (UnB) e Instituto Educadigital) revela que 65% das universidades públicas e secretarias estaduais estão expostas ao chamado “capitalismo de vigilância”.

Esse termo é utilizado para designar modelos de negócios baseados na ampla extração de dados pessoais por algoritmos e técnicas de inteligência artificial. Esses dados servirão para obter previsões sobre o comportamento dos usuários e com isso ofertar produtos e serviços.

Intitulado Educação Vigiada, o mapeamento tem por objetivo chamar a atenção da sociedade. Isso devido a falta de regulação de parcerias estabelecidas por órgãos públicos de educação com organizações comerciais.

Sendo assim, o que compromete o direito à privacidade e à proteção de dados pessoais dos cidadãos e também de crianças e adolescentes.

LEIA O POST COMPLETO AQUI

Entrevista – Fernanda Furia

Terceiro post da série de mini-entrevistas com especialistas e
estudantes convidados que vão apresentar seu ponto de vista para 5 perguntas-chave sobre educar em cidadania digital, tema do nosso novo projeto, a plataforma colaborativa Pilares do Futuro

Fundadora do Playground da Inovação- consultoria de Inovação em Psicologia e Educação. Mestre em Psicologia de crianças e adolescentes pela University College London na Inglaterra. Professora de “Psicologia da Inovação” na FIAP (SP). Professora de Habilidades Socioemocionais da pós-graduação “Formação Integral” no Instituto Singularidades (SP). Foi professora assistente na The American School em Londres. Foi mentora do Social Good Brasil- organização de tecnologia para transformação digital. Membro da The British Psychological Society da Inglaterra. Especialista em Psicoterapia de crianças e Adolescentes pelo Instituto Fernandes Figueira (Fiocruz- RJ). Psicóloga pela PUC-RJ. Foto: Arquivo pessoal

Como você definiria a importância de educar para a cidadania digital atualmente?

A educação para a cidadania digital é um direito de todos. Crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos devem ser contemplados na construção de políticas públicas e de iniciativas que nos prepare para os novos tempos. A alta complexidade do mundo atual, em grande parte, impulsionada pelo rápido avanço tecnológico exige uma integração e uma parceira de vários setores da sociedade: governo, universidades, empresas multinacionais de tecnologia, startups e instituições de ensino em geral. Somente desta forma poderemos continuar a nos desenvolver de forma ética, sustentável e afetiva em um cenário ultratecnológico.


Quais os temas você considera prioritários de serem trabalhados pela escola?

Antes de tudo, é importante que as escolas definam como elas irão se posicionar com relação ao mundo digital. Questões sobre a infraestrutura tecnológica da escola, as tecnologias usadas pelo corpo docente e pelos os alunos, a gestão de conflitos no âmbito digital envolvendo alunos e a integração do brincar com tecnologias digitais são pilares de sustentação da educação para a cidadania digital. Além disso, a escola tem um papel importante em trazer discussões e ações mais amplas sobre as tecnologias avançadas e as necessidades do mundo. Estas atividades têm o potencial de formar alunos capazes de pensar de forma global e de serem agentes de transformação social. Outro ponto crucial é o foco na integração de três dimensões da Cidadania Digital: a técnica, a emocional e a social. Aulas de programação, desenvolvimento de aplicativos, robótica, criação de canais no Youtube, inteligência artificial e Big data são aprendizados fundamentais para as novas gerações. Porém, pela minha experiência, a competência técnica é atravessada pelas habilidades socioemocionais e a combinação das competências técnicas com as habilidades socioemocionais têm um impacto profundo no social. Ou seja, a capacidade técnica é favorecida ou atrapalhada pelas questões psicológicas individuais que, por sua vez, impactam a sociedade como um todo. Neste sentido, o conceito de Inteligência Emocional-Digital é uma ótima ferramenta para entender como nos posicionamos no mundo digital e como podemos maximizar as nossas competências digitais. A partir do desenvolvimento da inteligência emocional-digital será possível abordar com os alunos e educadores vários aspectos que afetam as pessoas no mundo digital: saúde mental-digital, cyberbullying, ética, direitos digitais, fake news, deep fake, rastro digital, inclusão digital, segurança cibernética, etc… A Inteligência Emocional-Digital é um conjunto de habilidades sociais e emocionais aplicadas ao mundo digital:

1- Conhecimento da linguagem das tecnologias que usamos.
2- Abertura para aprender e incluir novas tecnologias no cotidiano.
3- Entendimento sobre os próprios hábitos tecnológicos e comportamentos nas redes sociais.
4- Gestão das emoções quando estamos online.
5- Reflexão sobre o impacto das tecnologias no desenvolvimento pessoal.
6- Comunicação eficaz e respeitosa nos diferentes canais digitais.
7- Empatia com o comportamento e com as emoções dos outros online.
8- Habilidade de se relacionar com as tecnologias e com o ambiente online de forma sensata, consciente e ética.
9- Desenvolvimento de uma visão crítica sobre os conteúdos produzidos e compartilhados na internet.
10- Criação de uma estratégia sobre o próprio posicionamento nas redes sociais, considerando os objetivos de vida e profissional.
11- Criatividade para desenvolver tecnologias que atendam as necessidades humanas.
12- Compreensão do impacto social e global das novas tecnologias na evolução da Humanidade.


Conhece alguma boa prática em cidadania digital que poderia relatar brevemente?

Um caminho bastante eficaz quando se trabalha com crianças e adolescentes é abrir uma janela de comunicação direta para conhecer as estórias vividas por eles no âmbito digital. Desta forma podemos criar junto com eles iniciativas pontuais e/ou programas mais longos de educação digital alinhados à realidade prática das novas gerações. Uma forma lúdica de educar para a cidadania digital é usar filmes como ponto de partida para discussões mais aprofundada sobre o tema. Big HeroWally-E e Wifi Ralph são ótimos exemplos de filmes que reúnem vários aspectos sociais, emocionais e técnicos sobre o universo digital e ainda levantam questionamentos éticos vitais para o mundo atual e futuro.
Uma instituição que considero uma referência no tema da Cidadania Digital é do DQ Institute que lançou o “DQ Global Standards Report 2019- Common Framework for Digital Literacy, Skills and Readiness”, reunindo práticas globais de várias organizações internacionais.


Como o profissional da educação pode buscar formação e informações sobre temas de cidadania digital?

Precisamos cada vez mais de uma combinação de diferentes formas de aprendizado sobre cidadania cigital. Podemos nos informar através de canais especializados, buscar informações em websites de referência, visitar instituições que já estão mais avançadas nestas práticas e trocar com profissionais de diferentes áreas. No campo do autoconhecimento, acho fundamental o educador desenvolver um “Eu Digital”, ou seja, refletir sobre a sua relação pessoal com o ambiente digital e com o uso das tecnologias. Reflexões do tipo “Como eu me sinto ao lidar com esta ferramenta tecnológica? Que tipo de emoções a internet e as redes sociais evocam em mim? De quais redes sociais eu devo participar e por quê?” são essenciais para o desenvolvimento de uma inteligência emocional-digital. Outros elementos importantes para o Eu Digital são a manutenção de hábitos pessoais digitais seguros e sem excessos e a construção de uma “identidade digital” coerente com as atitudes e os valores que exercemos no cotidiano. Além disso, a consciência do rastro digital que deixamos ao usar a internet e a pesquisa sobre quais tecnologias podem nos auxiliar na organização do cotidiano e no nosso bem-estar geral ajudam a construir uma saúde mental digital.


De que forma uma plataforma para buscar e compartilhar boas práticas pode apoiar o trabalho docente?

Uma plataforma digital capaz de reunir em um único lugar informações de qualidade, com diferentes níveis de aprofundamento e baseada em experiências reais de sucesso e fracasso pode servir como um guia confiável para inspirar os educadores. Além disso, uma plataforma que favorece a colaboração e a troca entre as pessoas funciona como um amparo emocional em momentos de desafios e construção.

 

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Insights e alertas que Harari traz para a educação

Em visita ao Brasil, o pesquisador, professor, historiador e best-seller ressaltou a importância da educação na compreensão da realidade assustadora que vivemos.

Por Priscila Gonsales

Yuval Noah Harari é o intelectual mais citado atualmente quando o assunto é pensar o futuro da humanidade. Autor de três livros, Sapiens: Uma breve história da humanidade, Homo Deus: Uma breve história do amanhã e 21 lições para o século 21, Harari esteve pela primeira vez no Brasil para diversas palestras e entrevistas sobre o que ele considera como os três principais desafios globais: guerra nuclear, mudanças climáticas e inteligência artificial.

Segundo o pesquisador, esses são os desafios que representam ameaças diretas para a civilização e também para a especie humana e que a solução deve ser buscada de maneira cooperativa entre os diversos países, especialmente aqueles que, como o Brasil, não estão liderando o que ele chama de “disrupção tecnológica”.

Sendo assim, é exatamente nesse aspecto, bastante abordado em seu terceiro livro, 21 Lições para o Século XXI, que há um alerta importante nas entrelinhas para a educação.

Qual seria esse alerta?

  • Engana-se quem pensou no “aprender a programar”, tema bastante destacado nos últimos anos como sendo a “nova” alfabetização.
    Harari ressalta a todo momento que ele não entende nada de computação nem sequer usa smartphone. O que ele faz é compreender como a tecnologia funciona e está sendo desenvolvida atualmente, considerando o contexto político, econômico e social. Por exemplo, entender que os dados de todas as pessoas do mundo estão sendo coletados e acumulados em dois locais: EUA e China. Ao trazer uma tecnologia de uma empresa para dentro da escola, para que nossos alunos usem, estamos cientes disso? Consideramos o que pode ser feito no futuro a partir dos dados de crianças e adolescentes coletados por plataformas de gigantes da tecnologia que usamos e divulgamos amplamente?

 

  • Engana-se quem pensou nas “metodologias ativas ou metodologias ágeis” hoje tão badaladas em toda e qualquer formação docente.
    Pelo menos até o momento, Harari não falou em melhores nem piores formas de ensinar conteúdos. Ao contrário, ele pontua que cada vez mais teremos necessidade de lidar com situações imprevisíveis. E também, que isso só será possível se desenvolvermos nas crianças e jovens uma mentalidade flexível. Estamos dando espaço para o imprevisível em nossas práticas educativas ou elas apenas servem para cumprir melhor as metas de apreensão de conteúdos?

 

  • Engana-se também quem pensou no “aprendizado ao longo da vida” ou “lifelong learning”, algo que sempre foi foco de uma educação de qualidade, mas que agora tem sido a menina dos olhos em diversas pesquisas internacionais recentes sobre competências e habilidades. Por mais que Harari considere importante, o enfoque que ele traz não é apenas no aprimoramento profissional para gerar competitividade no mercado de trabalho, mas sim no conhecimento de si mesmo, incluindo consciência sobre suas próprias fraquezas, já que atualmente os algoritmos de inteligência artificial podem saber mais sobre nós do que nós mesmos.

O principal alerta para nós educadores envolve a  conscientização sobre as novas formas de manipulação e vigilância que estão sendo feitas por meio de dados coletados pelas tecnologias de inteligência artificial. E, claro, compartilhar e incentivar essa reflexão crítica também com os estudantes.

Se já conseguimos deixar o deslumbramento com a tecnologia de lado para valorizar o “para que” usamos determinada tecnologia. Então agora precisamos nos atentar para a questão dos dados e fazer melhores escolhas. Afinal, não faz sentido tornar escolas instrumentos de fidelização de usuários por parte das empresas que controlam nossos dados.

Não há como prever quais serão os tipos de trabalho que surgirão daqui a 20 anos. Mas, hoje já sabemos que se pode manipular comportamentos, opiniões e atitudes por meio dos dados coletados das mais diversas formas. Isso vai de um simples preenchimento de informações em formulários ou rastros de navegação até expressão facial.

Nesse sentido, será que estamos tomando decisões assertivas em relação às tecnologias que adotamos em sala de aula, com as devidas preocupações em relação aos dados que estão sendo constantemente coletados?

Então, em nível macro, Harari propõe aos países em desenvolvimento não evitarem o debate sobre esse tema por acharem que está ainda muito distante da realidade. O mesmo caminho cabe a nós educadores, pois temos o futuro como pauta desde sempre.

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Curso on-line: Design Thinking para Boas Escolhas

Palestra no Centro Paula Souza em São Paulo

Professores da educação de jovens e adultos de escolas técnicas estaduais de São Paulo conhecem mais sobre Recursos Educacionais Abertos


No dia 11 de maio, professores do curso de Aperfeiçoamento em Docência do Centro Paula Sousa tiveram a oportunidade de saber mais sobre Recursos Educacionais Abertos (REA) com a palestra realizada por Priscila Gonsales, diretora do IED, a convite da instituição.

Estiveram presentes cerca de 150 docentes, atuantes no ensino técnico, que estão preparando seus respectivos trabalhos de conclusão de curso e quiseram saber mais sobre as diferenças entre “gratuito” e “aberto” e também como poderiam encontrar recursos com licenças abertas. 

O Instituto Educadigital, por meio do Iniciativa Educação Aberta, pode ser contatado para formações e palestras sobre Educação Aberta, REA e licenças abertas Creative Commons, assim como para apoio técnico-pedagógico na concepção de projetos e políticas focados nessas temáticas. Para saber mais, envie um email para: contato@aberta.org.br


Segue a apresentação utilizada:

[Infográfico] Por que um curso-laboratório online?

O Instituto EducaDigital está com inscrições abertas, até 12 de abril, para o Curso-Laboratório Online de Mídias, Educação e Cidadania na Cultura Digital, que terá início dem 28 de abril.

No infográfico abaixo, você confere informações importantes sobre a dinâmica prevista e os objetivos desse período de aprendizagem colaborativa que se estenderá até novembro na web!

Mais informações sobre os temas estão neste link aqui.


Se interessou? Clique aqui e acesse a ficha de interesse.


1a Semana de Mídias, Cidadania e Educação na Cultura Digital e o #diadedoar

“Já está na minha agenda de eventos 2015!”, escreveu o professor Manuel Gomes Neto no comentário do álbum de fotos da 1a Semana de Mídias, Cidadania e Educação na Cultura Digital que criamos no Facebook.

A 1a Semana, que aconteceu de 8 a 13 de novembro, não nasceu já planejando a segunda, mas talvez uma reedição seja mesmo inevitável, pois tem muita gente interessada em discutir o tema e conhecer novas práticas para aproveitar melhor tudo que a Internet e o conceito de compartilhar e cocriar podem oferecer! Idealizada pelo Instituto Educadigital em parceria com o Plug’nCoworking, a Semana foi também uma atividade prévia do #diadedoar. O #diadedoar é uma iniciativa mundial que visa mobilizar pessoas e empresas para doações – em dinheiro, bens ou horas de trabalho – para organizações da sociedade civil. As formas de doação na #semanaeducadigital foram várias:


– vagas gratuitas nas oficinas para professores da rede pública;
– cessão do espaço pela Plug’nCoworking para realização das atividades;
– horas de trabalho voluntário de todas as facilitadoras das oficinas;
– criação voluntária de logotipo, materiais gráficos e landingpage;
– estímulo à doação das pessoas que se inscreveram para participar ao vivo dos bate-papos ou acompanharam online.

Se você quiser participar com uma doação, ainda dá tempo. Acesse a página do IED no Doare, estamos com uma campanha de disseminação da educação aberta para escolas públicas: https://doare.org/organizacao/357/instituto-educadigital-ied

Reunimos aqui alguns tópicos sucintos das principais atividades:


Oficinas

Nossas atividades começaram com uma oficina básica de Design Thinking para Educadores, facilitada pela diretora-executiva do IED, Priscila Gonsales, e que reuniu educadores, profissionais do terceiro setor, jornalistas e pequenos empresários interessados em vivenciar a experiência de cocriar e exercitar a empatia, a ideação e a experimentação. Como podemos criar práticas mais motivadoras em sala de aula? Como podemos engajar a comunidade na escola? Foram alguns dos desafios!

A segunda oficina foi a de Criar e Compartilhar com Licenças CreativeCommons (CC), facilitada pela Débora Sebriam, coordenadora de projetos do IED e, pela primeira vez, com a colaboração da advogada Mariana Valente, do Internet Lab e legal lead do CC no Brasil. Dentre os participantes, organizações do terceiro setor interessadas em operar sob a perspectiva de Recursos Educacionais Abertos, como o CDI e o IDS. O Portal Ache o Curso gravou uma matéria que em breve deve ir ao ar.

Realizada também pela primeira vez em parceria com a Agência Fervo de Comunicação, a oficina de Mídias Sociais e Narrativas Digitais foi conduzida pela Priscila Cotta, sócia-fundadora da Fervo, com apoio da diretora-executiva do IED, Priscila Gonsales. Foi a oficina que teve mais presença de jornalistas e demais profissionais que atuam na área de comunicação de empresas e instituições.

Veja aqui fotos das oficinas: http://migre.me/mTedq
Veja aqui as apresentações que utilizamos: http://pt.slideshare.net/ieducadigital


Bate-papo sobre Cobertura Política

Nosso primeiro bate-papo trouxe o tema da Cobertura Política – antes e depois das eleições e como as mídias sociais foi usada pelos eleitores para propagar informações da grande imprensa de forma a convalidar suas próprias opiniões em relação a um ou outro candidato e não como forma de disseminar informações relevantes.

A agressividade foi bastante destacada pelos convidados presentes, especialmente durante o segundo turno, que chegou a ser apelidado de “flaXflu”, remetendo à notória rivalidade dos times cariocas. A editora-executiva do El País, Carla Jimenez, comparou com as eleições de 2010 que também havia sido bastante fervorosa mas nunca como as de 2014, cujos debates televisivos tiveram uma audiência imensa e o ódio entre as pessoas nunca ficou tão evidente, as pessoas compartilhavam posts sem checar de fato as fontes.

Para Pedro Markun, do LabHacker, ativista de dados abertos na política, apesar do clima de nada amistoso, o cenário é otimista, pois as pessoas estão começando a debater mais, a participar mais. Manter o debate e a participação desse grande público durante os novos mandatos que se iniciam em 2015 foi outro tema bastante enfatizado.

Fernanda Campagnucci, da Controladoria Geral do Município, lembrou que hoje qualquer pessoa pode pedir informações sobre o que quisera qualquer órgão púvia Lei de Acesso à Informação, e é importante que exercitemos esse direito de acesso à informação para que criemos o hábito de buscar direto na fonte e não apenas absorver o que a imprensa divulga.

Um dos idealizadores do Radar Parlamentar, Leonardo Leite, mostrou o aplicativo criado em software livre que obtém dados da Câmara dos Deputados referentes a propostas e votações, e distribui o resultado em gráficos que mostram o posicionamento ideológico dos partidos e sua distância em relação ao partido da situação.

Assista a íntegra do bate-papo aqui: http://migre.me/mT7Kg


Bate-papo Jornalismo Público, Cidadão e Positivo – utopia?

“Não é novo, sempre foi assim, o que estamos fazendo é resgatar a alma do jornalismo”, disse a Amanda Rahra, da É Nóis, quando perguntada sobre como é fazer jornalismo de uma nova forma e formando jovens das periferias para atuarem como investigadores e repórteres. Amanda trouxe dois jovens jornalistas de sua equipe, HarisonKobalski e Natália Barbosa, que puderam relatar a mudança em suas vidas desde que começaram a participar do projeto anos atrás, quando participavam da Casa do Zezinhoe também mostrar projetos atuais envolvendo revistas segmentadas para jovens, fanzines, dentre outros formatos.

Renato Guimarães, um dos idealizadores da iniciativa O Sujeito, que reúne projetos jornalísticos independentes dentro do site Catarse, visando o financiamento coletivo de temas que normalmente ficam fora da mídia tradicional, contou que a ideia surgiu com as demissões em massa de muitos jornalistas da grande imprensa que, de repente, se viram com a oportunidade de poder criar sua própria história, sua grande reportagem e buscar financiamento independente para isso. Renato enfatizou que as narrativas hoje são construídas pelo usuário que assiste uma transmissão contínua, como no caso do Mídia Ninja, por exemplo, ou qualquer outra forma de selecionar o que se quer ver.

Assista a íntegra do bate-papo: http://migre.me/mT8x0


Bate-papo Mobilização para Causas e Doações no Brasil

Nessa conversa, cinco representantes de iniciativas e projetos que envolvem mobilização de pessoas por meio digital puderam apresentar os benefícios e desafios cotidianos de buscar as mais variadas formas de apoio, desde aliados para causas, suporte financeiro, até abaixo-assinados para melhorar alguma situação da sociedade. O #diadedoar foi um dos destaques, já que é uma ação mundial que visa disseminar a cultura de doação entre pessoas, instituições e empresas. Rafael Maretti lembrou que no Brasil doar ainda é visto muito por aqui como “esmola” e não como o “abraçar de uma causa”. Marcado para o dia 2/12, é possível ver as sugestões sobre como participar diretamente no site www.diadedoar.org.br.

A existência da Internet e a cultura digital foram fundamentais para o surgimento de todos os projetos apresentados pelos convidados, a Liane Lira, do Minha Sampa, que busca incentivar a participação política das pessoas em suas cidades; a Beatriz Bouskela, do Catarse, primeiro site de financiamento coletivo do Brasil, que já movimenta uma rede de mais de 15 mil apoiadores; a Raquel Rosemberg, do Engajamundo que incentiva e mobiliza jovens para participar ativamente das grandes conferências globais em prol do meio ambiente; e a Graziela Tanaka, da Change.org, um site de petições online. Todas citaram o quanto a cultura digital foi e tem sido fundamental para a existência dos projetos, já que possibilita falar com pessoas, independentemente de limitações de tempo e de espaço:

http://www.diadedoar.org.br/ (#‎diadedoar‬‬ em 2/12)

http://juntos.com.vc/projetos/engajamundo/ (apoie jovens que participam de conferências internacionais sobre mudanças climáticas)

http://www.minhasampa.org.br/ (mobilização de pessoas para melhorar cidades)

http://catarse.me/pt/projects (apoie ou crie seu projeto para mudar o mundo)

https://www.change.org/ (participe ou crie sua petição online em prol de uma causa)

Assista a íntegra do bate-papo: http://migre.me/mTa6h


Bate-papo sobre Startups, espaços makers e empreendedorismo digital – ontem e hoje

O bate-papo que fechou a Semana contou com a presença da Geórgia Nicolau, representando a secretaria de economia criativa do Ministério da Cultura (Minc), que aproveitou para contar que o foco da política pública na perspectiva do Minc, que entende o empreendedorismo como um bem simbólico, intangível, que tem em seu DNA a diversidade no modo de produzir e na entrega para a sociedade. E ressaltou que existem muitas dificuldades para quem trabalha nessa área e a busca pela autonomia, sem depender tanto de editais como fontes de financiamento é grande meta do planejamento das políticas do Minc.

Participou ainda como convidado o Alex Fuzinaga, empreendedor do Portal Ache o Curso, que trouxe um pouco das dificuldades iniciais de todo pequeno negócio, por mais inovadora que seja a ideia e que isso precisa ser bastante ponderado. Gabi Augustini, uma das organizadoras das duas edições do Fórum da Cultura Digital e atualmente empreendedora do espaço maker Olabi e do Templo Coworking, ressaltou a importância de pensar o digital menos como plataforma mas como comportamento, como processo de compartilhar.

A conversa contou também com a Vanessa Tonini, do MariaLabHackerspace, uma iniciativa em formato de coletivo – não formalizado com CNPJ – de reunir mulheres programadoras e também levar a formação em programação para meninas e mulheres.

Assista a íntegra do bate-papo aqui: http://migre.me/mTbGq. Leia matérias que saíram sobre a Semana na mídia.


O filme, os vídeos e a mobilização (parte I)

O que o sucesso de bilheteria 2 Filhos de Francisco, de 2005, pode ter em comum com dois projetos de vídeo recentemente bem-sucedidos em sites de crowdfunding? Enquanto me recuperava de uma gripe forte que trouxe dos meus 21 dias de “retiro” em San Francisco/EUA, pensava num gancho para escrever um post sobre a viagem. Foi quando me deparei na madrugada de ontem (insônia pela diferença de 6 horas de fuso), zapeando pela TV, com as cenas que eu mais adoro nesse longa do diretor brasiliense Breno Silveira, atualmente em cartaz com o ótimo Gonzaga de Pai para Filho.

Com todo seu entusiasmo misturado com amor e perseverança, o “seu” Francisco, pai de Zezé e Luciano, aposta, literalmente, todas as fichas mobilizando sua rede social para promover  a música de seus filhos. Para quem não lembra, ele primeiro deixa a fita demo na rádio local e depois começa a telefonar dos orelhões na cidade pedindo para tocar a música e, ao perceber que a ideia funcionava, compra muitas fichas de telefone e passa a engajar amigos, companheiros de trabalho e até desconhecidos nas ligações para poder conquistar seu objetivo de ver “É o amor” como a mais pedida nas paradas de sucesso.

Sempre choro nessa parte, confesso. Me emociono demais pensando em como é mesmo gratificante conseguir algo com nosso esforço e persistência, especialmente coisas em que se acredita e que parecem impossíveis. Nosso projeto da vídeo-entrevista da Léa Fagundes no Catarse foi assim. Quando tudo começou era apenas uma ideia que a gente sabia que devia fazer, que devia ir atrás. A trajetória de uma personalidade ilustre da educação brasileira, que vem inovando há tempos mesmo com todas as dificuldades, mostra que o foco sempre deve estar no desenvolvimento humano,  independentemente das mais avançadas tecnologias digitais.

Estamos muito felizes com o resultado, um trabalho árduo de edição (mais de 10 horas gravadas!) feito com nossos criativos parceiros da Filmes Para Bailar. O lançamento oficial será em fevereiro. Para tornar o projeto realidade, foram necessários 40 dias de trabalho intenso de mobilização de redes sociais. E nossas “fichas” estavam nos cliques e recursos digitais disponíveis, além dos inúmeros e-mails mais que pedintes para familiares e amigos íntimos. E conseguimos, até passamos da meta pretendida!

Nesse início de ano em San Francisco, tive a feliz oportunidade de acompanhar de perto outro projeto de vídeo bem-sucedido em crowdfunding graças também à forte mobilização de rede: o documentário Lives in Transit (vidas em trânsito) do Global Lives Project. Global Lives Project é uma ONG fundada em 2004 pelo sociólogo californiano David Evan Harris, que fez seu mestrado aqui na nossa USP e por isso fala um ótimo português. Sua missão é criar uma videoteca sobre a experiência de vida humana a partir da produção de vídeos que registram 24 horas na vida de pessoas comuns de diferentes lugares do mundo. Os vídeos, produzidos por videomakers independentes, são licenciados em Creative Commons, estão disponíveis na web (alguns já com legendas feitas por voluntários) e também em exibições periódicas em formato de instalação artística.

Empatia é a palavra-chave. Conhecer o outro para conhecer melhor a si mesmo. Uma iniciativa encantadora que faz lembrar as palavras de Eduardo Galeano: “é preciso ser capaz de olhar o que não se olha, mas que precisa ser olhado, as pequenas coisas de pessoas anônimas que os intelectuais costumam desprezar”.

Quando cheguei ao escritório deles no aconchegante coworking PariSoma, no início de janeiro, a arrecadação no Kickstarter não tinha chegado nem na metade e só restavam 6 dias para o prazo final. Postais estavam sendo preparados para enviar pelo correio, tuitadas e mais tuitadas, e-mails para amigos e amigos de amigos, posts os mais diversos no Facebook. Mas a ação mais bacana que participei foi a uma força-tarefa do conselho de voluntários, um dia antes do prazo final. Todos juntos, na mesma sala, divulgando e acompanhando a arrecadação em tempo real. Um lindo processo que gerou um resultado mais que satisfatório: a campanha atingiu 10 mil dólares a mais do pretendido. Com o valor excedente, a equipe vai produzir um material educativo para apoiar o uso dos vídeos nas escolas. E um novo site do projeto será lançado também agora em 2013.


Mais sobre San Francisco:
Pessoas, projetos, inspirações (parte II)
Dicas da cidade (parte III)

Dicas da cidade (parte III)

Um lugar fascinante que não tinha ido da primeira vez é o Palace of Fine Arts, apresentado pela amiga e consultora de propriedade intelectual, Carolina Rossini, seu gentil  e talentoso marido John Wilbanks e o pequeno Noah que, aos 2 anos, era uma atração à parte por seu encantamento com os patos no lago. Uma estrutura momumental de inspiração greco-romana construída em 1915 para exibir o trabalho de artistas.

Para quem gosta de museu como eu, não dá para perder o lindo Asian Art Museum que traz um acervo belíssimo de obras artísticas das civilizações que formam o continente. Além de China (30% da população de SF é de origem chinesa) e Japão, o museu também contempla Vietnã, Índia e Mongólia, além de oferecer audio-guia gratuito para visitantes.

Na sequência, recomendo tomar um café no bairro Hyes Valley, ali pertinho, cruzando o Civic Center. Depois que conheci essa parte da cidade agora, apresentada pelo amigo e morador Jordy Mont-Reynaud, não achei mais graça no downton da Union Square.  Mais aconchegante e com menos turistas, o local tem uma atmosfera pacata durante o dia e boêmia durante a noite. Um certo ar parisiense até, para quem conhece Montmartre.

Quem quiser observar um pouco os contrastes da cidade, recomendo pegar um Muni no início da Mission St. a partir da 2nd ou 3th St. e ir até o ponto final. Dá para ter uma ideia de como a paisagem vai ficando diferente, algumas vezes mais residencial, outras parecendo que se está numa cidade completamente diferente, especialmente pelas evidências de imigração de hispanofalantes e asiáticos nos estabelecimentos comerciais.

Fiquei espantada com tantas pessoas que falam sozinhas nas ruas e nos ônibus em San Francisco, umas brigam mesmo, falando alto e gritando com as pessoas. E ninguém se incomoda, até riem. Parece que já estão acostumadas aos “crazy people”, como dizem e aos “homeless”, cada vez mais comuns nas áreas centrais, atraídos por uma ação humanitária que a cidade desenvolve.

Para quem quer aliar museu, conhecer cidade nova e ter, de quebra, uma vista deslumbrante, nada melhor do que ir a Berkeley . Pegue o bart (o metrô deles) no sentido East Bay e desça na estação Downtown Berkeley. Caminhe um pouco pela agradável Shattuck Ave e depois pegue um ônibus até o Lawrence Hall of Science para ter uma das vistas mais lindas da Bay Área. Fiquei umas duas horas ali só olhando para aquela beleza toda. Meditei bastante. Hoje posso dizer sem hesitar que esse é um passeio tão imperdível quando andar de bike na Golden Gate Bridge (que fiz na minha primeira vez).

Outra vista panorâmica imperdível e que fica dentro da cidade é Twin Peaks. De lá de cima dá para ter uma ideia de como SF é uma cidade plana, com poucos prédios concentrados no Financial District.

Comer em San Francisco é simples e barato. Saladas as mais diversas são encontradas em delis, pequenos restaurantes a até em farmácias (sim, as farmácias de lá parecem nossos supermercados daqui). Mas se a vontade pedir um jantar mais requintado, com preço justo e atendimento cordial, indico o Perbacco, também apresentado por Carol e John, que traz pratos criativos e deliciosos, especialmente frutos do mar.

Agora se a ideia é sair para dançar, a salsa é a opção mais divertida. Há várias casas que oferecem aulas antes da balada começar de fato. A mais famosa é o Café Cocomo, que fica num bairro um pouco escondido, mas está sempre cheio de pessoas das mais diversas nacionalidades. Desde os norte-americanos mais “duros” tentando aprender os primeiros passos até os hispanofalantes mais rodopiantes.

E o melhor da noite em SF é que acaba cedo, ou seja, dá para curtir sem correr o risco de não acordar a tempo no dia seguinte. Ah e uma dica incrível para quem ama dançar como eu: a OCD Dance é uma escola de danças, que oferece vários ritmos e funciona 7 dias por semana em todos os períodos. Dá para fazer aula avulsa ou fechar um pacote. Fiz uma aula maravilhosa de afro-brazilian dance, sugerida pela amiga Lauren Valdez, com quem trabalhei no projeto Global Lives Project.

Mais sobre San Francisco:
O filme, os vídeos e a mobilização (parte I)
Pessoas, projetos e inspirações (parte II)

Educação e Cultura Digital: o carnaval como inspiração para a escola da era digital

Em reportagem publicada hoje no jornal O Globo, a diretora executiva do IED, Priscila Gonsales, a professora Léa Fagundes, o pesquisador Henry Jenkins e a diretora do Instituto Paramitas, Cláudia Stippe falam sobre educação e cultura digital.

Henry Jenkins vê no carnaval mais do que uma festa popular: um exemplo de interação social que deve servir como modelo para os educadores da era digital. De acordo com o pesquisador americano, o carnaval e as escolas de samba são exemplos típicos de cultura participativa, onde todos estão aptos a produzir informação, e o conhecimento é passado de maneira informal.

Com a proliferação das tecnologias de informação, o sistema tradicional de ensino está com os dias contados. As pessoas, principalmente as mais jovens, buscam bens culturais antes inacessíveis, se comunicam por diversas mídias com grupos distantes fisicamente, mas com os mesmos interesses. Para Jenkins, se a escola não se apropriar dessa nova forma de difusão do conhecimento, ficará para trás.


Ética e segurança no currículo escolar

Além da falta de acesso, faltam treinamento e incentivos para que a tecnologia mude o dia a dia das salas de aula. Especialistas concordam que não basta colocar um tablet na mão do aluno e trocar o quadro negro por uma lousa interativa. É preciso mudar a maneira de ensinar.

“Ainda se olha para a tecnologia com o paradigma da revolução industrial. A cultura digital mudou o mundo, mas a escola continua com o sistema falido, de aulas de 50 minutos com o professor falando e o aluno escutando”, avalia Priscila Gonsales, diretora-executiva do Instituto Educadigital.

Para Jenkins, essa é uma das principais lacunas deixadas pela escola. Em vez de aproveitar os dispositivos técnicos para incentivar a participação, os estudantes ainda são mantido apenas como receptores. Segundo ele, os jovens da era digital são acostumados a produzir informação. Eles publicam filmes no YouTube, compartilham informações em redes sociais, e manter esse mundo fora das escolas é até mesmo perigoso para as crianças.

Apesar das dificuldades, existem experiências exitosas e não são poucas. A professora da UFRGS Léa Fagundes, de 82 anos, pioneira no uso da tecnologia na educação no Brasil, conta que em uma escola do Rio Grande do Sul atendida pelo projeto “Um Computador por Aluno”, do Ministério da Educação, os alunos estão se comunicando e trocando experiências com crianças do Uruguai e da Argentina.

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“Mais importante do que falar de tecnologia na educação, é falar de cultura digital”

Priscila Gonsales, Diretora-Executiva do Instituto Educadigital colaborou com a matéria Inserir a Educação no mundo digital pode melhorar a qualidade de ensino do Blog Educação, veja abaixo.

As novas tecnologias já fazem parte do cotidiano da maior parte dos estudantes brasileiros. A pesquisa de Tecnologia da Informação e Comunicação – TIC, na categoria Kids Online, realizada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil – CGI, em 2012, comprovou que 47% das crianças entre 9 e 16 anos usam a internet todos os dias no país; 38% utilizam de duas a três vezes por semana; e apenas 5% utilizam uma vez por mês. Com base em dados como esses, especialistas acreditam que uma das grandes questões a enfrentar para garantir a qualidade do ensino seja a dificuldade existente para inserir a Educação no mundo digital.

“A nossa sociedade está mudando. Então, mais importante do que falar de tecnologia na educação, é falar de cultura digital”, disse a diretora do Instituto Educadigital, Priscila Gonsales. Para ela, a cultura digital que temos, hoje, não está inovando a maneira de ensinar. “Quando falamos só em tecnologia digital na educação, podemos, muitas vezes, fazer mais do mesmo. Você não muda as práticas e metodologias antigas só disponibilizando e introduzindo os equipamentos. Na verdade, precisamos começar a pensar em como mudar a lógica, em como a escola se abre para o mundo que está lá fora”, explicou.

Ao mudar a cultura digital atual, a escola atuaria como questionadora das novas formas de ser e estar. “A internet está criando valores que não tínhamos antes. A instituição de ensino, dessa forma, pode criar reflexões do tipo ‘identidade virtual versus identidade presencial’. Dá para ser duas pessoas ao mesmo tempo? Qual deve ser a postura no meio digital, já que todo mundo pode publicar o que quiser?”, exemplificou a diretora.

Além de assumir esse papel, a instituição de ensino, segundo Gonsales, teria que explorar três focos de aprendizagem: a pesquisa, a comunicação e a publicação. O primeiro ensinaria o aluno a como pesquisar, como achar o que procura em meio a quantidade ilimitada de informações que a internet proporciona. “É interessante pensar que, hoje, temos a vantagem de as coisas não serem totalmente confiáveis, porque é importante para o aprendizado o aluno saber desconfiar das informações, poder buscar em várias fontes, comparar e chegar ao que realmente vai ser útil”, contou a diretora.

O segundo foco, a comunicação, ou trabalho coletivo, abre o universo de informações da escola e permite o intercâmbio de informações com a sociedade. “As redes digitais possibilitam a comunicação entre escolas. Uma escola do Sul do país pode falar com uma escola do Norte. E, de repente, fazer um trabalho em conjunto, colaborativamente, respeitando as diversidades regionais”, sugeriu Gonsales.

Por fim, o foco na publicação ensina sobre a responsabilidade ao criar um conteúdo próprio e divulgá-lo na rede. “A criação de conteúdo próprio é muito positiva para o aluno. Mas, ele deve saber de sua responsabilidade diante do que publica. A escola pode ajudá-lo a compreender melhor seu papel no mundo digital”, afirmou.


O papel do professor

Desde que a internet se tornou ponto fundamental na vida do estudante, o professor e os livros didáticos deixaram de ser a única fonte de informação nas escolas. Por isso, o educador, segundo Gonsales, deve ser o facilitador da aprendizagem. “É por meio dessa nova dinâmica que a educação precisa pensar nas tecnologias digitais e em como, de fato, se consegue envolver os estudantes para que eles sintam vontade de aprender, para que a aprendizagem seja uma coisa para a vida toda – não só aquelas disciplinas específicas do currículo de cada ano.”

Para tanto, a especialista acredita que o professor deve deixar o medo de lado. “Ele tem que experimentar. Não dá para achar que precisa aprender primeiro para trabalhar e aplicar as tecnologias digitais na escola. A tecnologia se renova sempre. Por isso, é importante que ele experimente com seus alunos, porque eles também têm muito o que ensinar. Vamos todos aprender juntos.”

A introdução dessa cultura nas escolas não tem fórmula mágica. Para a diretora, isso deverá acontecer a partir do momento que estimular a troca de experiências entre os professores. “Na pesquisa TIC Educação, tanto de 2010 quanto de 2011, 70% dos professores revelaram que aprendem melhor sobre como inserir a tecnologia na aprendizagem quando trocam informações uns com os outros, informalmente”, explicou. Esse estímulo, para ela, partiria das políticas públicas voltadas à Educação. “Hoje, existem muitos programas de entrega de equipamentos nas escolas públicas, o que é muito bom, mas ainda falta uma formação continuada que estimule o professor a implantar a tecnologia em sala de aula. E não é alguém chegar e ensinar, é propiciar espaços de aprendizagem entre os professores. Isso é uma coisa que não vemos na política pública”, conclui.

Continue lendo e veja boas práticas de professores que integram e inovam com tecnologia na sala de aula.