Por que um novo site do Instituto Educadigital?

Desde a nossa fundação, há quatro anos, amadurecemos bastante enquanto instituição, crescemos enquanto rede e delimitamos, com muita clareza da nossa vocação para ser uma “boutique de serviços e projetos”, as linhas em que atuamos. Foi um processo orgânico, mas também pró-ativo, que envolveu, continuamente, ambientes online e presencias, e que manteve como norte a nossa missão. Agora, neste segundo semestre de 2014, entendemos que já era hora de revisar nosso site, facilitando o entendimento de qualquer pessoa sobre a atuação do Instituto Educadigital.

O que somos, no que acreditamos, o que fazemos, o que construímos e com quem. Tudo isso está aqui na nossa nova plataforma, que traz o histórico de projetos em uma linha do tempo interativa e destaca, com muita objetividade, as principais linhas de atuação do IED: Educação Aberta, Design Thinking para Educadores, Formação e Facilitação Pedagógica, Gestão e Curadoria, Comunicação em Redes e Narrativas Digitais.

Cada uma dessas cinco linhas de atuação citadas acima tem uma página própria no site, mas o Design Thinking para Educadores também pode ser encontrado na página “Pessoas”, onde uma rede está aberta para que facilitadores se associem e possam, assim, construir e usufruir a partir da troca de experiências e conhecimentos desse grupo focado no tema.

Design Thinking para Educadores alcança a rede pública

A SME-Cajamar (SP) foi a primeira rede pública do Brasil a participar de uma oficina baseada no Design Thinking para Educadores, especialmente planejada para 25 gestores técnicos pensarem em soluções criativas que pudessem aprimorar o trabalho deles em equipe, visando avançar no apoio a educadores e alunos das escolas.

“Mas o professor pode fazer essa atividade com os alunos!”, disse uma das gestoras da SME-Cajamar no momento de fechamento da oficina de Design Thinking para Educadores, em 27 de agosto.

Sequer foi preciso sugerir. O grupo, depois de vivenciar as etapas dinâmicas e colaborativas do processo, foi pontuando a importância do desenrolar de todo o processo e como esse dinamismo pode chegar, sim, à sala de aula!

Ao construírem “personas” pelas palavras-chaves nos post-its coloridos, perceberam características e necessidades comuns entre os públicos com quem trabalham diretamente. Ao elencarem qualidades de equipes de alta performance puderam perceber o que ainda precisam conquistar. Vivenciaram a riqueza do “compartilhar ideias que podem trazer mais fluidez ao cotidiano de trabalho”.

“Saiu, Priscila! E não é que conseguimos?”, comemorou entusiasmada uma das gestoras quando o grupo conseguiu esboçar a ideia em um esquema visual na hora da experimentação.

Os próximos passos do trabalho em Cajamar envolvem a realização de oficinas práticas com gestores e professores das 30 escolas da rede envolvidos na implementação do chamado “Projeto Institucional”, que tem por objetivo estimular a relação da escola com a comunidade local.

Que tal transformar desafios em oportunidades?

Publicado em HUB Escola

Conheci o Design Thinking (DT) em 2010, no curso da ESPM conduzido pelos feras Tennyson Pinheito e Luis Alt, hoje também idealizadores da Eise. A minha busca era por uma formação que pudesse apontar caminhos para inovar em educação. Na época, já tinha 10 anos de experiência em projetos educacionais com uso de tecnologias digitais. Gosto de contar uma história que ilustra bem porque acredito tanto no Design Thinking para Educadores.

Lá no início dos anos 2000, um dos projetos que tínhamos era uma oficina online de criação literária conduzida por um escritor, o querido Jorge Miguel Marinho. O ambiente virtual interativo e amigável permitia que os participantes fossem exercitando a escrita de poemas, artigos ou crônicas, e visualizando os apontamentos do autor para, em seguida, reescrever e aprimorar o texto. Criavam ali seu portfólio e, ao final, podiam publicar um livro virtual. Não havia nada parecido na época! Tínhamos certeza de que era uma inovação!

Eis que um dia, um dos participantes, um professor do Ceará, nos escreve um email com um pedido peculiar: “adorei a oficina, mas agora quero fazer a minha com meus alunos.” Oi? Como assim, uma sua? Pânico geral na equipe. Nossa ferramenta não era preparada para isso. Reuniões e mais reuniões depois, tomamos uma decisão inusitada: OK, pode fazer, a gente te ajuda, pois queremos observar como o processo vai acontecer.

E foi assim que aquele professor, com nosso apoio nas postagens (ele não tinha acesso ao “admin” do sistema), foi conduzindo sua própria oficina e nos fazendo perceber que lindo seria se outros educadores como ele pudessem criar também sua própria oficina online. Aí sim a inovação surgia! Era preciso reestruturar os projetos para atender a demanda! A experiência de observar a condução da oficina pelo educador cearense serviu para, meses mais tarde, reformularmos toda a ferramenta para que ela pudesse de fato oferecer um serviço ao usuário interessado em desenvolver uma oficina de criação de textos a distância e gerar seus próprios livros virtuais.

Para quem conhece um pouco sobre Design Thinking, a etapa da “empatia” logo vem à mente com essa história, cujo relato completo pode ser lido na publicação que lançamos em 2006. Mesmo sem conhecer o DT na época, já o praticávamos de alguma forma, quase sem querer. Por isso, quando conheci a abordagem do DT, fez todo o sentido.

Empatia significa conhecer o público envolvido no problema que queremos solucionar ou no desafio que precisamos resolver. Se o contexto é o da educação, estamos falando dos alunos, da comunidade e dos professores e gestores. Quem são? O que desejam? Como podemos contribuir para causar impacto positivo em seu dia-a-dia?

Em 2012, quando soube do material que a IDEO lançava, especialmente pensando nos educadores, fiquei muito entusiasmada e tratei de dar um jeito de trazer para o Brasil. Depois de algumas negociações, viagens a San Francisco e busca por patrocínio no Brasil, é uma alegria imensa ter liderado essa empreitada de elaborar a versão em Português que vamos lançar. Design Thinking para Educadores é um remix, um recurso educacional aberto (REA), licenciado em Creative Commons, que vai estar disponível para baixar na íntegra ou por capítulos.

Nesse processo, o Fabio Silveira, designer e professor, que já conduzia oficinas de DT na Hub Escola, quando soube da minha iniciativa, me procurou para uma parceria. Adoro quando essas coisas acontecem, pois eu justamente precisava de um parceiro de trabalho na condução de futuras oficinas. E o Fabio também ajudou na finalização do material e na construção dos roteiros dos vídeos que estamos produzindo. <3

Nossa estreia juntos será nas oficinas da Hub Escola, no dia 12 de fevereiro, em São Paulo e, no dia 14 de fevereiro, em Belo Horizonte. Além da empatia, vamos trazer as outras fases, especialmente dirigidas aos educadores: interpretação, ideação, experimentação e evolução. E vamos também contar um pouco de um “case” brasileiro, o Edukatu.

O que me empolga demais no material da IDEO é que o DT é apresentado como uma abordagem sim, mas não como uma fórmula pronta a ser aplicada. E isso é essencial em educação. Respeitar o contexto, as diferentes realidades, as pessoas e os saberes envolvidos. Enfatizar a construção e a reconstrução de forma permanente. E, sem dúvida, incentivar a autonomia dos nossos educadores.

Vamos experimentar?

Priscila Gonsales
Fellow Ashoka, máster em Educação, Família e Tecnologia pela Universidade de Salamanca (Espanha), jornalista especializada em educomunicação, co-fundadora do Instituto Educadigital. Desenvolve projetos e pesquisas em educação na cultura digital desde 2001 e facilita processos formativos envolvendo Recursos Educacionais Abertos e Design Thinking.

Pessoas, projetos e inspirações (parte II)

Sem dúvida, San Francisco é uma cidade altamente inspiradora para quem quer arriscar sair da zona de conforto e deixar vir a ousadia. Em inglês, o termo seria “risk taker”, justamente para designar aqueles que acreditam piamente nas palavras do poeta de que “tudo vale a pena se a alma não é pequena”. Listo aqui alguns dos projetos incríveis que conheci, cada um deles mereceria um post específico (quem sabe ainda faço):

PariSoma, um coworking arrojado, organizado em dois andares independentes, porém integrados.  Na parte de baixo, mesas de ping-pong se transformam em estações de trabalho coletivo durante o dia e, à noite, são dobradas e recolhidas para darem lugar a eventos, debates, exposições e cursos os mais variados. O piso de cima é reservado a equipes de uma mesma empresa e/ou instituição. Bolas de alongamento estão ali espalhadas para uma esticadinha básica  durante o expediente.

Women Who Code, coletivo de mulheres apaixonadas por tecnologia digital. Atualmente, elas já são mais de 2 mil e fazem encontros presenciais específicos sobre alguns temas e também promovem seus “talks” para que possam compartilhar  projetos e experiências de trabalho. Um desses “talks” aconteceu no PariSoma no dia 10 de janeiro. E eu estava lá!

Women 2.0 é mais uma iniciativa de mulheres inovadoras em tecnologia. Uma rede que reúne empreendedoras e potenciais financiadores e  já conta com uma versão em Espanhol. Oferece encontros, competições e conferências como esta que será em fevereiro deste ano.

Dojo é uma start-up que nasce de uma ideia de associar tecnologia para estimular atitudes positivas em larga escala, a partir da motivação em rede. Praticar meditação, parar de fumar, comer salada, escrever um diário, telefonar para amigos, dizer a sua esposa que você a ama são algumas dessas atitudes disparadas por um app para celular. Seu idealizador, Jordy Mont-Reynaud, que já trabalhou em outras start-ups no Vale do Silício, como o Facebook, acredita no poder da tecnologia para alcançar milhões de pessoas e que inserir mais atitudes positivas no cotidiano delas pode ser mais fácil com a ajuda mútua de amigos dessa rede.

DIY (Do It Yourself), esse na verdade foi descoberto aqui no Brasil pela minha parceira de trabalho Bianca Santana que, toda encantada, me “intimou” a visitar. E eu fui. Adorei. Me lembrei do projeto Minha Terra, uma rede social para escolas que fizemos no EducaRede de 2004 a 2011. O site, dirigido a crianças e jovens, funciona como um agregador de recursos interessantes, abertos e disponíveis na web, além de estimular que os usuários façam upload de suas próprias produções multimídias. Tudo em Creative Commons. A Daniela Silva, nossa consultora em dados abertos, aproveitou e já postou lá sua linda animação sobre o tamanho da Terra. “Awsome!”, foi o que ouvi da equipe DIY. Nós IED queremos trazer o DIY para o Brasil, traduzir e remixar. Ficamos de continuar essa conversa com eles 🙂

California Academy Night Life é uma baladinha no museu. Sim, imagine ir a um museu à noite e aproveitar a exibição tomando um vinho ou outra bebidinha a escolher e ainda dançar ao som dos DJs espalhados pelos vários cantos do lugar, do aquário ao simulador de terremoto. Nunca tinha visto um jacaré branco antes, parecia estátua até, mas num certo momento, não é que ele andou? Super iniciativa para pensar no Brasil e atrair especialmente o público adolescente (claro que com refrigerantes e sucos!) para ir a museus e centros culturais, #ficaadica para as novas gestões municipais.

Design Thinking for Educators é uma iniciativa da IDEO para educadores, agora em sua segunda edição licenciada em Creative Commons. A IDEO é uma das companhias mais referenciadas no mundo no tema inovação, que tem na abordagem do Design Thinking seu principal foco de trabalho junto a seus clientes, a maioria grandes empresas. O escritório de San Francisco é simplesmente demais, à beira da baía, lembra um coworking dos mais inspiradores. Sem divisórias entre as mesas de trabalho, cantinhos de reunião com sofás e pufes, guarda-bicicletas suspenso, post-its coloridos e lousas brancas por toda parte. Como trabalhamos aqui no Brasil com formação de educadores a partir do DT, já fechamos com eles uma tradução oficial do material para o Português, agora precisamos de empresas/pessoas interessadas em patrocinar.

Carrotmob iniciativa que propõe atitudes em vez de boicotes e protestos contra empresas que não são socialmente responsáveis. Mobiliza um grande número de consumidores para adquirir determinado produto de uma empresa tendo como contrapartida dessa empresa a utilização de parte da verba em ações sustentáveis. Começou em San Francisco em 2008 e até hoje já realizou mais de 200 campanhas em 20 países.

FunsheapSF é um site muito interessante com dicas de atividades e eventos baratos e gratuitos em San Francisco. Criado por um casal que tem seus respectivos empregos em tempo integral (ele designer, ela restauradora) e que mantém o site por pura paixão e com alguma publicidade para pagar os custos de manutenção. Foi lá que descobri, por exemplo, o SF Crowdfunding Launch Party um evento com artistas e designers que estão usando o crowdfunding para viabilizar seus produtos.  Claro que já lembrei dos meninos do Catarse. Seria muito legal termos eventos periódicos como esse por aqui, com tantos projetos legais que estão conseguindo virar realidade nesses dois anos de vida do Catarse.

Techshop uma espécie de hackerspace criado e mantido de forma coletiva e aberta para quem quiser participar. Uma mesma ideia pode gerar várias outras, esse é o princípio deles. Não tive a oportunidade de visitar pessoalmente ainda, infelizmente, pois fica um pouco afastado da cidade. Mas a Gabi Augustini foi no ano passado e escreveu esse post aqui.


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