Unicamp e Universidade de Bristol divulgam relatório sobre letramentos digitais e inclusão digital no Brasil contemporâneo

O documento foi utilizado como material preparatório de workshop interdisciplinar organizado por ambas as instituições acadêmicas com apoio do Newton Fund e da FAPESP

Para debater o novo contexto da inclusão digital e dos letramentos digitais emergentes no Brasil contemporâneo, o Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp, em parceria com a Universidade de Bristol, realizaram workshop interdisciplinar nos dias 13 a 15 de julho de 2021. Com financiamento do British Council-FAPESP Researcher Links, o evento teve o objetivo de estimular vínculos de longo prazo entre pesquisadores do Reino Unido e de universidades do Estado de São Paulo, bem como contribuir para o desenvolvimento pessoal e profissional dos participantes. 

O workshop reuniu dezenas de pesquisadores com até 10 anos de doutorado, convidados a discutir seus estudos atuais com pesquisadores estabelecidos na área e também representantes de organizações da sociedade civil (OSC) brasileiras que trabalham com inclusão digital no Brasil. 

No intuito de ampliar o alcance da iniciativa e inspirar ainda mais novos diálogos e trabalhos de advocacy sobre o tema, o relatório preparatório está disponível para download. O documento foi financiado pela Research England’s Quality-related Research Strategic Priorities Funding e produzido sob uma Licença Creative Commons por Priscila Gonsales, fundadora e diretora da OSC Educadigital, cuja missão há 10 anos é contribuir para novas oportunidades de aprendizagem em uma sociedade em constante transformação, com foco na educação aberta, e na defesa dos direitos digitais.

O relatório preparatório abrange um estado da arte sobre os conceitos de “inclusão digital” e “letramento digital” atualmente válidos nas instituições públicas e no terceiro setor no Brasil. Traz também um panorama do cenário atual da cultura digital, ou seja, um cenário fortemente marcado por plataformas de comunicação, dadificação, algoritmos de IA, vigilância, populismo digital, desinformação sistemática, além da ocupação de espaços cívicos e institucionais por oligopólios empresariais. 

"É importante que o documento seja disponibilizado para que possa incentivar mais pesquisas e estudos na área e estimular mais diálogos entre a academia e aqueles que trabalham com iniciativas de letramento e inclusão digital no governo e no terceiro setor."
Edward King
Universidade de Bristol, coorganizador do workshop

Entre vários aspectos relacionados ao atual momento brasileiro, o relatório destaca que o acesso à internet no país tem sido feito por telefone celular, ou seja, o celular é o principal dispositivo de acesso à internet.  Boa parte da população utiliza um plano mensal de dados pré-pagos, assim, quando o plano termina, as pessoas têm acesso somente às redes sociais como Facebook e Whatsapp, que pertencem à mesma empresa. 

Outro ponto destacado é a educação pública que tem se mantido à parte da discussão de políticas de cultura digital, tais como, apropriação de ambientes tecnológicos e, especialmente, questões relacionadas à construção de marcos legais, tais como, Marco Civil da Internet, reforma dos direitos autorais e Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Durante a pandemia, universidades públicas e secretarias de educação intensificaram a adoção de plataformas das BigTechs sem a devida preocupação com a proteção de dados de estudantes e docentes. 

O relatório também traz exemplos de casos recentes sobre cultura digital, estudos acadêmicos sobre vigilância na educação, projetos de divulgação científica e iniciativas de organizações sociais cobrindo temas da atualidade, tais como, conscientização anti-racismo e anti-discriminação, agenda feminista, dentre outros.  

"No passado, nossa preocupação era que as pessoas tivessem acesso e habilidades para usar a internet em favor do seu crescimento e do desenvolvimento de suas comunidades. Atualmente lidamos com um nível mais sofisticado de problemas advindo justamente do fato de que o acesso se universaliza de formas pouco neutras e os conhecimentos necessários vão muito além de saber usar as máquinas e os serviços: é preciso agora entender o que e a quem as tecnologias usam, e como."
Marcelo Buzato
Unicamp, coorganizador do workshop

Simpósio mobiliza educadores e estudantes para cocriar boas ideias a partir de desafios atuais da educação

Totalmente on-line, o evento tem o objetivo de propiciar a educadores, gestores educacionais e demais profissionais que atuam em formação de pessoas, uma vivência na abordagem do Design Thinking no formato remoto

A estrutura do Simpósio é focada na interatividade com os participantes, ou seja, em vez de palestras, atividades cocriativas, “cases” inspiradores e ideação coletiva. Para conhecer nossa equipe de facilitadores, acesse a página do evento.

Um resumo das ideias geradas em cada dia pode ser lido aqui, basta clicar nas abas abaixo:

No primeiro dia do Simpósio, o tema foi “Cidadania Digital”,  apresentado pela facilitadora Priscila Gonsales, que enfatizou a que trabalhar com cidadania digital envolve criar práticas educativas relacionadas a direitos humanos, além do uso seguro e consciente da internet. 

A primeira atividade em grupo foi compreender os desafios possíveis para esse tema e considerar as pessoas envolvidas. O grupo escolheu fazer um “mapa da empatia” dos professores. Na sequência foram criadas salas de trabalho em grupo para a ideação.

Saiba mais: 
O que é Design Thinking – entrevista com Priscila Gonsales
Apresentação sobre Cidadania Digital
Link para os murais criados: grupo 1grupo 2 e grupo 3

O segundo dia tratou do tema “Educação Híbrida”, apresentado pelo facilitador Robson Santos, que ressaltou como o conceito não é novo, que há muito tempo a educação utiliza diferentes estratégias didáticas para além da sala de aula. Mas que agora, com a pandemia o conceito de “híbrido” vem ganhando força, especialmente pela mediação de plataformas on-line. 

A primeira atividade coletiva deste dia foi compreender as “certezas” e “dúvidas” que o tema traz para só então poder identificar qual o desafio a ser enfrentado. Cada matriz permite elencar diversos desafios, a questão é saber escolher quais os mais urgentes.

Na sequência, o grupo criou uma “persona escola”, para puder retratar as características positivas que a escola como equipamento social oferece, bem como o que ela deixa a desejar. 

E, por fim, os grupos de ideação conversaram sobre possibilidades concretas: grupo 4grupo 5 e grupo 6

Vídeos inspiradores sobre Educação Híbrida:
Missão Galo
Amazônia: laboratório natural

O último dia contou com a participação especial de 5 estudantes do Ensino Médio: Ariane Tobias, de Canindé do São Francisco (SE), Natalhia Viana, do Rio de Janeiro (RJ), ambas do grupo de jovens do projeto Criativos da Escola. Também estiveram presentes três alunas do CIEP Cecília Meireles, de Petrópolis (RJ): Maria Beatriz Alves, Maria Eduarda Kaezer e Viviane Maciel. 

As convidadas vieram cocriar com os educadores participantes sobre o tema Projetos de Vida e Itinerários Formativos, apresentado pela facilitadora Ana Marcia Paiva. Apesar de bastante pertinente, ainda é raro encontrar escolas que envolvem estudantes no processo de concepção e planejamento de itinerários. 

Os participantes todos, incluindo as alunas, fizeram o quadro de “motivações” e “tensões” para compreender melhor o tema e saber quais os entraves de implementação. Fizeram, ainda, a persona “estudante” para uma conexão empática com a faixa etária de quem está cursando Ensino Médio nos dias de hoje. 

Na sequência, as salas de grupos para ideiação de possibilidades. Nos links de cada grupo vai aparecer também os ambientes utilizados nas atividades coletivas gerais: grupo 7grupo 8grupo 9

Esse dia também foi transmitido ao vivo para quem quisesse acompanhar. 

Saiba mais:  

Vídeo sobre Itinerários Formativos da Ana Marcia Paiva

Projetos de vida – educação em valores 

 

 

Educadigital lança novo curso aberto e gratuito

Com alegria que anunciamos mais uma parceria com a Escola Virtual da Fundação Bradesco para a produção e disponibilização de conhecimento aberto e acessível. 

Já está disponível para matrículas o novo curso Inteligência Artificial e o Novo Contexto da Cultura Digital, de autoria da pesquisadora e diretora do Educadigital, Priscila Gonsales.

O curso, no modelo autoformativo — ou autoinstrucional — é destinado a profissionais e estudantes da educação interessados em compreender e refletir sobre as mudanças na cultura digital a partir dos avanços atuais das técnicas de inteligência artificial (IA). 

“É fundamental que educadores ampliem seus conhecimentos sobre questões da atualidade no mundo digital, como Big Data, algoritmos de IA, direitos digitais, dentre outros”, pontua Priscila. 

Outro aspecto bastante relevante sobre o curso é que ele é um remix, ou seja,  parte do conteúdo foi elaborada a partir dos módulos do curso Líder Educação Aberta, criado pela Iniciativa Educação Aberta e UNESCO do Brasil, do qual Priscila é professora e coordenadora. 

Acesse aqui o curso

Conheça outros cursos realizados em parceria com a Escola Virtual da Fundação Bradesco: Design Thinking para Educadores e Recursos Educacionais Abertos 

Inteligência Artificial no contexto brasileiro: olhar da juventude

Acessar, usar e interagir com tecnologias baseadas em inteligência artificial faz parte do cotidiano de crianças e adolescentes. Dados da pesquisa TIC Kids Online Brasil 2019, do Cetic.br|NIC.br, apontam que 89% das crianças e adolescentes de nove a 17 anos eram usuários de Internet (95% declararam acesso pelo celular). Além disso, 68% afirmaram ter utilizado redes sociais e 79%, enviado mensagens instantâneas. 

Tal como notado pelo UNICEF, plataformas como o YouTube lançam mão de algoritmos para recomendar conteúdos e, em especial no caso do YouTube Kids, mediar vídeos apropriados a esse público. Além da preocupação com a opacidade e a falta de transparência em relação aos algoritmos, coloca-se o desafio da possível exposição a conteúdo mercadológico.

Segundo resultados da edição de 2018 da pesquisa TIC Kids Online Brasil, mais da metade das crianças e adolescentes usuários de Internet teve contato com propaganda em redes sociais e sites de vídeos.

Algoritmos baseados em IA estão incorporados às plataformas e a outras aplicações on-line utilizadas por crianças. No entanto, a percepção sobre a presença desses sistemas não é intuitiva e pode ser dificultada à medida que as interações com tais tecnologias se tornam mais integradas.

Diante disso, para captar o entendimento de crianças sobre o tema é necessário, primeiro, identificar como essa população compreende os sistemas baseados em IA e interage com eles. Ao serem estimulados a comentar sobre o que pensam ao ouvir o termo “Inteligência Artificial”,  participantes dos workshops brasileiros mesclaram exemplos que vão desde tecnologias presentes no cotidiano, tal como assistentes virtuais (Siri, Alexa, Google Assistente), assistentes de lojas e de bancos (BIA, do Bradesco, Aura, da Vivo, Lu, do Magazine Luiza), até casos de ficção científica (Exterminador do futuro, Matrix, Homem de Ferro).

Ou seja, ao mesmo tempo que percebem a presença de IA em tecnologias utilizadas no dia a dia, fazem referência a ficções e futuros distantes que beiram cenários distópicos. 

Entre 2019 e 2020, o UNICEF realizou , com o apoio do governo da Finlândia, consultas globais com especialistas em IA, infância e direitos digitais para a elaboração do Guia de Política para Inteligência Artificial e Infância. Ciente da importância de dar voz às populações jovens nos processos que as envolvem, o projeto incluiu workshops com esse público. 

Dois dos workshops ocorreram em Manaus (AM) e São Paulo (SP) reuniu 42 adolescentes participantes, com idades entre 12 e 19 anos. A seguir, um resumo sobre as percepções dos jovens nas entrevistas em profundidade: 

Benefícios associados ao uso de IA

  • o acesso rápido e prático à informação; a agilidade para realizar atividades específicas;
  • a sugestão de filmes e músicas adequada aos gostos pessoais;
  • a melhora no diagnóstico e no tratamento de doenças;
  • o desenvolvimento de carros que dirigem sozinhos; 
  • a possibilidade de aprender novos idiomas;
  • o potencial de desenvolvimento de sistemas personalizados para acompanhar idosos, melhorar a acessibilidade e ajudar aqueles com dificuldade de compreensão. 

Dúvidas e preocupações

  • o uso de seus dados;
  • a falta de clareza sobre etapas de desenvolvimento de sistemas;
  • os possíveis impactos sociais;
  • o futuro do trabalho;
  • as incertezas em relação ao controle e à responsabilização dos atores envolvidos em toda a cadeia de desenvolvimento das tecnologias.

As respostas nas entrevistas demonstram que aspectos centrais às discussões sobre IA – como privacidade e proteção de dados pessoais – fazem parte de suas preocupações, o que reforça a necessidade de que os princípios de IA sejam adequados às demandas das populações jovens. Entre as questões estão: “Quem exatamente cria [os sistemas de IA]?”, “Como ela [IA] funciona e faz as coisas que deve?”,  “Como os meus dados são utilizados, onde ficam armazenados e quem tem acesso a eles?” e “Quem se responsabiliza por esses dados?”.

As preocupações levantadas pelas crianças e adolescentes podem ser compreendidas como formas de reivindicação por sistemas que considerem a proteção de dados pessoais, assegurem que os dados não sofram ataques externos, sejam confiáveis e operem da maneira proposta.

No entanto, a complexidade envolvida no desenvolvimento de sistemas baseados em IA cria desafios significativos para a governança dessas iniciativas, uma vez que, além das implicações técnicas, sua implementação e utilidade nem sempre são claras.

Entre os requisitos listados pelo UNICEF para desenvolver sistemas de IA centrados em crianças e adolescentes estão: garantir a inclusão dessa população, priorizar a equidade e a não discriminação. Para cumpri-los, é necessário considerar o processo de desenvolvimento de tais sistemas desde o início, o que significa olhar tanto para os dados e os algoritmos (uma vez que influenciam os resultados) quanto para uma abordagem de design inclusiva. Sobre os dados, o UNICEF preconiza que representem características importantes para os grupos que farão uso ou serão afetados pelos sistemas, tais como gênero e cultura, de forma a minimizar possíveis discriminações. Já a abordagem inclusiva pode garantir que, independentemente de aspectos como idade, diversidade geográfica e cultural, todas as crianças possam usar as tecnologias baseadas em IA, mesmo aquelas que potencialmente seriam excluídas por vieses dos algoritmos das plataformas. 

Outro aspecto importante é a adaptação dos sistemas ao contexto nacional e local. Para isso, as políticas e diretrizes voltadas à IA devem priorizar as crianças e adolescentes mais vulneráveis, considerar o desenvolvimento de bases de dados que incluam dados de crianças diversas, bem como eliminar vieses que resultem em discriminação e exclusão. 

Cientes das raízes históricas dos problemas sociais abordados, adolescentes identificam que a sub-representação de grupos populacionais no desenvolvimento de IA se associa ao papel de quem desenvolve tais tecnologias: “A gente percebe o quanto está difícil de o machismo ter fim e como ele é reproduzido por IA. A empresa vai contratar mais homens porque ela [base de dados que alimenta o algoritmo de IA] tem mais currículos de homens, e quem programou considerou isso. O machismo passa do homem para a máquina” (menina, 14 anos, Manaus).

Além da reprodução de preconceitos por sistemas alimentados por dados não representativos, os tomadores de decisão na criação e no desenvolvimento de sistemas baseados em IA podem subestimar as necessidades de populações vulneráveis ou marginalizadas, o que aparece em exemplos citados por jovens indígenas.  “Existem indígenas que não falam português direito. A tecnologia precisa ser aprimorada porque considera a diversidade só em português. Só aqui no Amazonas são mais de 350 etnias com línguas variadas. A tecnologia não se interessa por essas etnias” (menino, 14 anos, Manaus).

Se a multiplicidade de atores e interesses for desconsiderada no desenvolvimento de tecnologias de IA, o alcance de soluções inclusivas e efetivas estará comprometido. Nesse sentido, a escuta a jovens de realidades diversas pode inspirar saídas valiosas e inovadoras. 

Os jovens participantes dos workshops identificam que a criação, o desenvolvimento e a aplicação de sistemas de IA pressupõem o controle humano, assim como reconhecem os possíveis impactos decorrentes de interesses específicos. No entanto, observa-se a falta de clareza sobre quem são os atores responsáveis por garantir que as oportunidades trazidas por esses sistemas sejam de fato aproveitadas e que os riscos sejam mitigados. O desenvolvimento de sistemas é bastante associado a cientistas e desenvolvedores que trabalham com IA, mas há pouca menção às empresas (enquanto instituições) responsáveis por disponibilizar tais sistemas. Isso pode representar uma incompreensão dos participantes a respeito do ecossistema de IA como um todo, levando à falta de entendimento sobre quem responde pelas tecnologias e quais seus interesses. Além disso, embora possíveis falhas e vieses sejam recorrentes nas falas dos jovens, são raras as referências ao desenvolvimento de instrumentos normativos em relação ao papel do Estado. Ainda que haja criticidade por parte das populações jovens e potência para o seu engajamento no debate em torno de IA, as lacunas em instâncias de participação causam dúvidas sobre como se inserir nesses espaços e a quem cobrar por seus direitos.

Sem que as perspectivas e as necessidades específicas de crianças e adolescentes sejam de fato consideradas, o desenvolvimento de tecnologias seguras, justas, equitativas e voltadas às demandas desse público não será efetivo. É determinante que essa população seja consultada e inserida nas arenas de participação, tendo contato com a multiplicidade de atores e interesses envolvidos na cadeia de produção das tecnologias. 

Em abril de 2021, a ONU lançou o  Comentário Geral sobre Direitos das Crianças em Relação ao Ambiente Digital. Disponível em Português, Espanhol e Ingles, o documento pontua como a Convenção sobre os Direitos da Criança, tratado de direitos humanos mais ratificado em todo o mundo (com mais de 190 Estados signatários), se aplica igualmente ao mundo digital.

Mapeamento inédito mostra exposição da educação brasileira à vigilância

 

Educação Vigiada mostra que 65% das universidades públicas e secretarias estaduais de educação estão expostas ao  “capitalismo de vigilância”. O projeto vem chamar a atenção da sociedade para o problema da falta de transparência e regulação nas relações público-privadas em serviços e plataformas tecnológicas, comprometendo direitos dos usuários, como privacidade e a proteção de dados pessoais

Educação Vigiada

Bastou começar a suspensão das aulas pelas instituições de ensino, no esforço coletivo de contribuir com a disseminação do COVID-19, para surgir uma lista imensa de empresas e plataformas de tecnologia ofertando ferramentas diversas para EaD (educação a distância) como forma de evitar prejuízos ao semestre letivo. Entretanto, boa parte delas, inclusive, disponibilizando acesso e serviços ‘gratuitos’ para incentivar o uso.

Só que essa disputa pela atenção de educadores e gestores de instituições de educação no Brasil não é de agora.

Mapeamento realizado por dois núcleos de pesquisa da Universidade Federal do Pará (UFPA) e pela Iniciativa Educação Aberta (Cátedra UNESCO de EaD sediada na Universidade de Brasília (UnB) e Instituto Educadigital) revela que 65% das universidades públicas e secretarias estaduais estão expostas ao chamado “capitalismo de vigilância”.

Esse termo é utilizado para designar modelos de negócios baseados na ampla extração de dados pessoais por algoritmos e técnicas de inteligência artificial. Esses dados servirão para obter previsões sobre o comportamento dos usuários e com isso ofertar produtos e serviços.

Intitulado Educação Vigiada, o mapeamento tem por objetivo chamar a atenção da sociedade. Isso devido a falta de regulação de parcerias estabelecidas por órgãos públicos de educação com organizações comerciais.

Sendo assim, o que compromete o direito à privacidade e à proteção de dados pessoais dos cidadãos e também de crianças e adolescentes.

LEIA O POST COMPLETO AQUI

Educadigital na Bett Educar 2020

O Educadigital foi convidado para ministrar duas oficinas na Bett Educar, considerado o maior evento de educação e tecnologia da América Latina. 

A pedagoga e coach educacional Graça Santos, facilitadora associada do Educadigital no Rio de Janeiro, vai facilitar uma oficina de Design Thinking para Educadores, enfatizando como a abordagem possibilita que educadores e educandos exercitem o autoconhecimento quando aprendem.  
                       Dia 13 de maio 
                       14h-16h 

Já a diretora-fundadora do Educadigital, Priscila Gonsales, vai trazer a perspectiva da Inteligência Artificial na atualidade, que se baseia no uso de dados e metadados para refletir com os participantes os desafios que a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais trazem para o contexto educacional. 
                       Dia 15 de maio 
                       14h-16h 


A Bett Educar congrega, anualmente, mais de 270 empresas nacionais e internacionais, mais de 20 startups do setor e cerca de 30.000 participantes da comunidade educacional de todos os estados brasileiros, que se encontram com o propósito de buscar inspiração, discutir o futuro da educação e o papel que a tecnologia e a inovação desempenham na formação de todos os educadores e estudantes.

Local: Transamerica Expo Center
Av. Dr. Mário Vilas Boas Rodrigues, 387 – Santo Amaro-SP

Inscrições devem ser feitas diretamente no site do evento.

Meu trabalho já é “do futuro”! E o seu?

futuro

Estudo 100 Jobs of the Future (100 ocupações do futuro) traz algumas pistas sobre quais são as aprendizagens relevantes para a convivência humana desde sempre

Por Priscila Gonsales

Viramos, então, o ano de 2020 e com ele mais uma década vai chegando ao fim. Aquele futuro imaginado, tomado pelos avanços avassaladores da tecnologia digital e da inteligência artificial está cada vez mais se concretizando.

Muita coisa vai mudar, especialmente no campo do trabalho. De certa forma, é natural imaginar que poderemos exercer diferentes funções ou ter várias carreiras ao longo da vida, mas ainda não temos nenhuma certeza quais serão os tipos de ocupações que efetivamente surgirão e que vão demandar uma formação nova ou específica.

No entanto, o estudo 100 Jobs of the Future, lançado no segundo semestre de 2019,  nos traz algumas pistas.  De autoria de duas universidades australianas,  Deakin e Griffith, em parceria com a Ford Go Further, o estudo parte do pressuposto de que no futuro teremos pessoas e máquinas colaborando efetivamente para fazer o que nenhuma delas poderia fazer sozinha.

Bem interessante, não?

A lista das 100 ocupações do futuro foram organizadas em 10 categorias e logo atrás da categoria “Trabalho com Tecnologias”, campeã com 21 possibilidades, vem “Trabalho com Pessoas” com 14 possibilidades — mas em várias das demais categorias dá pra ver o quanto o foco em pessoas estará em evidência . Aha!

Se por um lado já podemos supor que o trabalho do futuro exigirá aptidões científicas, tecnológicas e digitais, por outro, valorizamos pouco habilidades relacionadas ao autoconhecimento e à convivência humana que serão altamente necessárias, quase como um alicerce para o bom desempenho profissional e pessoal.

O ano de 2020 também marca 10 anos de existência do Educadigital, é gratificante notar que, mesmo depois de uma década, nosso foco de trabalho centrado nas pessoas (de forma “plugada ou desplugada”), continua sendo o que se espera no futuro!  Confira algumas das ocupações que destaquei do estudo, sendo que várias delas de alguma forma já estamos  “semeando” por aqui!

Educador em Inteligência Artificial

Ensinarão as pessoas a usar a IA da melhor forma possível, seja para lidar com robôs domésticos e assistentes digitais, até aprender como usar algoritmos para analisar dados ou tomar decisões.

Ao contrário de ser um intérprete algorítmico, que apenas explica como uma IA chegou a uma conclusão específica, o Educator em IA vai promover que pessoas compreendam como as máquinas aprendem.

Negociador de Propriedade Intelectual

Vão precisar conhecer bem o valor da criatividade.

Eles negociarão em nome de seus clientes pela propriedade ou uso de novas tecnologias, produtos, software ou outras saídas criativas.

Eles também representarão pessoas quando a IA usar idéias sem permissão. Precisarão ter habilidades e conhecimentos avançados em leis de direito autoral dentro de suas jurisdições.

Guia de experiência analógica

Darão suporte às pessoas para ‘desconectar’ da vida digital e reconectar com o mundo natural, sem implantes digitais ou realidade aumentada.

Eles ajudarão as pessoas a apreciar uma vida mais simples e mais lenta experimentando ambientes naturais como florestas ou áreas montanhosas sem acesso digital em infra-estrutura ou vigilância.

Gestor de expansão digital

Terá um alto nível estratégico na maioria das organizações, pois será responsável por escolher quais tecnologias devem ser usadas de acordo com as tarefas e atividades e objetivos.

Poderão também projetar processos de trabalho onde humanos e máquinas trabalharão juntos de maneira complementar.

À medida que mais humanos buscarem implantes e modificações no corpo/cérebro para aumentar suas capacidades como cyborgs, o profissional terá que cuidar de questões de condições e direitos no local de trabalho.

Facilitador transcultural

Serão especialistas com profunda capacidade de responder pelo respeito e direito de pessoas de diversas culturas e origens. Eles vão trabalhar diretamente com pessoas em contextos transculturais, facilitar negociações ou projetos.

Muitos também trabalharão com programadores de software, designers de robôs e criadores de experiências de realidade aumentada/virtual. Terão forte conhecimento e comprometimento com princípios de diversidade e inclusão, mobilidade internacional, resolução de conflitos e sensibilidade cultural.

Estrategista de privacidade de dados

Projetarão soluções para proteger dados pessoais. No futuro, será mais desafiante que nunca salvaguardar a privacidade dos dados, porque todos estarão sempre “conectados” às redes
através dos implantes digitais em seus corpos que garantam sua saúde e melhorem o estilos de vida.

Criarão sistemas e softwares para reduzir o risco de pirataria. Se um sistema for hackeado, eles podem trabalhar para repará-lo, recuperar dados e minimizar o impacto sobre a vidas das pessoas.

Apoiadores para tomada de decisão

No futuro, as pessoas terão assistentes virtuais que usam sistemas de recomendação (com base em algoritmos de machine learning)para ajudá-los a tomar decisões.

Contudo, decisões automatizadas nem sempre são assertivas, ainda mais se não há dados corretos disponíveis.

Às vezes, as pessoas precisam tomar decisões muito significativas e vão preferir trabalhar com o apoio de um humano para garantir uma escolha mais apropriada.

Hackers éticos

Também conhecidos como ‘chapéus brancos’ ou ‘hackers éticos’, identificarão pontos fracos nos sistemas de cibersegurança.
Em um mundo onde todos estão constantemente conectados digitalmente e os dados são coletados sobre tudo, o hacking se tornará um grande problema.

Dados pessoais podem ser roubados. Hackers éticos vão usar as mesmas ferramentas dos hackers criminosos, mas para investigar as fraquezas dos sistemas e evitar maus usos.

Eles vão trabalhar em equipe para encontrar e corrigir possíveis problemas, corrigir riscos de segurança e combater ataques.

Conselheiro de educação ao longo da vida

Cada vez mais, as pessoas terão várias carreiras ao longo de sua vida. Mesmo se elas permanecerem dentro de uma carreira, com a introdução constante de novas
soluções tecnológicas e mudanças sociais, aumentará a necessidade de atualização.

Com isso, caminhos de educação e treinamento se tornarão mais complexos, com uma diversidade de profissionais, especialmente aqueles focados em orientar indivíduos e grupos em carreiras emergentes ou como permanecer a par dos avanços da tecnologia

Programador de robôs para crianças

Vai projetar robôs para apoiar crianças a brincar em segurança, respeitando seus direitos.

Poderão ler canções de ninar, personalizar histórias, ensinar números e palavras básicas, apoiar o aprendizado de habilidades, garantindo que elas estão seguras em suas explorações on-line.

Precisarão entender sobre primeira infância, desenvolvimento e direitos da infância, bem como teorias de aprendizagem.

Professor da primeira infância

Os professores da primeira infância farão muito do que eles fizeram no início do século 21, mas com ênfase no envolvimento de crianças em interações significativas para aprender sobre idéias e problemas locais envolvendo comunidade e relações sociais, sustentabilidade ambiental; competência intercultural; comportamento saudável, e alfabetização digital.

Os robôs farão grande parte dos cuidados básicos de garantir a segurança infantil e os dados dos sensores serão lidos, interpretados e utilizados na tomada de decisão do desenho curricular com foco no perfil individual.

Designer de gameficação

Gamificação é o processo de adicionar lógica e processos do jogo para aprimorar o engajamento do usuário e alcançar melhores resultados.

A gamificação pode ser usada em uma variedade de campos, da educação à saúde, para melhorar os resultados da aprendizagem ou aprimorar qualidade de vida.

O jogo se tornará um parte penetrante de nossas vidas com organizações usando gamificação para incentivar comportamentos e aumentar o envolvimento.

Por exemplo, organizações de saúde pública poderiam oferecer recompensa para compra saudável ou aumento da atividade física.

Organizadores de desordem virtual

No futuro, as pessoas terão muita confusão virtual, porque será cada vez maior a quantidade de dados que elas criam, acessam, usam e guardam.

Não apenas terão inúmeras contas de usuário on-line, também gerarão dados de seu corpo e família em sensores.

O organizador de desordem virtual ajudará a remover o excesso de dados e organizar o restante.

Eles usarão software de gerenciamento de dados e inteligência artificial para fazer seus trabalhos mais fáceis, mas grande parte de seu papel não pode ser feito automaticamente.

Eles terão de perguntar ao cliente sobre o que não está funcionando ou onde os dados poderiam ser melhor organizados.

Enfim, você pode acessar o relatório completo do estudo (em inglês) clicando aqui

Inteligência Artificial e Alfabetização em Dados

Estreamos a nova oficina do Educadigital no LER – Salão Carioca do Livro, dia 28 de novembro, na Biblioteca Parque, Rio de Janeiro

Pela primeira vez, o tradicional LER – Salão Carioca do Livro organizou o Encontro com o Educador, um evento simultâneo com várias atividades práticas e mesas-redondas sobre temas contemporâneos da educação. 
O Educadigital esteve presente com duas oficinas, a de Design Thinking para Educadores, conduzida por Priscila Gonsales, diretora-executiva, e por Graça Santos, facilitadora associada no Rio de Janeiro. Em apenas duas horas, foi possível apresentar como uma abordagem baseada em empatia, colaboração e experimentação pode ser transformadora. Vários professores se emocionaram ao se verem contemplados como autores de processos de transformação da educação. 

A segunda oficina foi sobre Inteligência Artificial e Alfabetização em Dados, estreia nas formações do Educadigital e tem por objetivo levar mais conscientização aos educadores em relação às escolhas de ferramentas e aplicativos que são feitas para uso em sala de aula. “Hoje não basta levar as tecnologias para a escola, é fundamental questionar como uma determinada tecnologia captura e usa dados de nossas crianças e adolescentes”, ressaltou Priscila Gonsales. 
Veja mais fotos aqui 

Leve essa formação para a sua escola entre em contato!  

Inteligência Artificial na educação: possibilidades e desafios

IBM, PUC-SP e Educadigital organizam em parceria workshop em São Paulo reunindo professores e gestores para cocriação de ideias sobre o tema 

No dia 30 de novembro, na sede da IBM, em São Paulo, profissionais da educação, atuantes em redes públicas e privadas participaram de um encontro de cocriação a partir de uma imersão em Inteligência Artificial.  Cada participante tinha pouco ou nenhum conhecimento sobre o tema. A ideia central foi compreender o alcance dessa tecnologia para poder pensar como podemos nos relacionar com ela de forma saudável, procurando contemplar os apoios que ela pode oferecer e, claro, as limitações.

Para estruturar o encontro e as atividades, a abordagem do Design Thinking,  focada em empatia, criatividade, colaboração e experimentação. O DT busca criar uma cultura de inovação baseada no ser humano, isto é, sempre as pessoas envolvidas devem estar no centro do processo. O DT transforma o tradicional mindset baseado em “fazer para” para o de “fazer com” e vem sendo utilizado nas mais diversas áreas, de negócios ao terceiro setor e tem por objetivo incentivar a busca de soluções que resultem em valor percebido.

Ao encarar os temas e problemas cotidianos como desafios, é possível pensar em oportunidades que levem a soluções criativas. O Design Thinking é muito eficiente ao propor o trabalho em grupos para valorizar a troca e a colaboração. A primeira parte do encontro contou com uma apresentação do Thiago Soares, da IBM, sobre as soluções de Inteligência Artificial que já estão disponíveis por meio da tecnologia Watson. Para a escuta atenta dos exemplos apresentados, foram propostas as seguintes perguntas norteadoras:

  • Quais foram os problemas que a ideia/solução resolveu?
  • Quais os caminhos utilizados? Como poderiam ser utilizados em outros contextos?
  • Quais as estratégias?
  • Quais as inspirações?

Como resultado desse primeiro encontro entre educadores, o Educadigital e a PUC-SP estão organizando um relatório aberto, que ficará disponível online, com o objetivo de enfatizar a importância cada vez mais significativa de a educação se preparar para educar pessoas para tipos de competências e habilidades que não serão substituídas pelas máquinas. Se operadores de telemarketing, motoristas e recepcionistas são algumas das ocupações com dias contados, outras, cujo ponto focal seja o cuidado ou a habilidade de se relacionar com seres humanos tendem a crescer.

O relatório vai apontar, ainda, algumas das preocupações relacionadas a questões éticas que precisam ser consideradas, questões estas que  estão sendo pontuadas no mundo todo. Personalidades notórias como o físico Stephen Hawking e, até o momento, outras 8 mil pessoas assinaram uma carta aberta chamando a atenção para o uso responsável da IA em benefício da humanidade. Temas como “até que ponto” as informações pessoais podem ser colhidas ou usadas para outros fins, a privacidade,  a segurança, a exposição de crianças e jovens e questões que nem podem ser consideradas neste momento, precisam ser aprofundadas e debatidas, em especial, pelos educadores, pais e pela sociedade como um todo.