Design Thinking e a Ritualização de Boas Práticas Educativas — lançamento

Um fascículo de coleção que virou livro independente e busca enfatizar o potencial motivador do DT para transformar atividades pedagógicas de qualidade em rituais a serem compartilhados ao longo dos tempos


Há exatamente um ano, recebi o convite de uma grande editora para escrever um fascículo sobre Design Thinking na educação que iria compor uma coleção sobre metodologias para uma aprendizagem ativa. Puxa, fiquei muito contente! Com a rotina atribulada, tantos compromissos e atuação muito voltada para a prática, normalmente sobra pouco espaço para sistematizar os aprendizados do caminho. E a iniciativa Design Thinking para Educadores ia completar 4 anos de aventuras.

Como era fim de semestre e o prazo meados de julho, decidi que o esforço valia a pena. Afinal, seria uma oportunidade ímpar para poder organizar uma escrita ainda incomum aqui no Brasil que é inter-relacionar os princípios do Design Thinking (DT) com as atuais concepções sobre educação de qualidade.

Porém, quando finalizei o texto e as orientações para infográficos, soube que a editora não concordou em colocar licença Creative Commons (versão não-comercial) no meu fascículo, como eu havia solicitado logo quando aceitei o trabalho. Ainda são poucas as editoras que topam projetos mais abertos, uma delas é Cereja/Hedra, com quem fiz este livro aqui.

Infelizmente, tive que deixar o projeto e renunciar a remuneração oferecida, algo que sempre pesa em decisões como essa. Mas para mim, o mais importante naquele momento, era manter coerência com meus próprios valores de abertura na educação, que é a causa pela qual tenho me dedicado nesses anos todos.

Sempre pontuo nas formações de educadores que o DT não é metodologia nem ferramenta para a educação. Mas sim uma abordagem que inspira criar diversas metodologias e, mais do que isso, transformar boas práticas em rituais. Um ritual é sempre aberto pois pode ser adaptado por quem o realiza; é também compartilhado para ser duradouro.

Com um texto pronto na mão, comecei a buscar informações sobre como poderia publicar o livro de forma independente e sem investimento para gráfica. Nesse esforço, encontrei pessoas que me levaram ao editor digital Heinar Maracy, que foi quem me ajudou a publicar no Create Space, um sistema da Amazon em que você pode produzir sua própria publicação e disponibilizar de modo impresso ou digital sob demanda. Se ficou curioso(a) para conhecer o livro, veja aqui.

O primeiro setênio de uma organização social

Ciclos, fases, etapas. São vários os termos usados para falar sobre mudanças. Nenhum deles, no entanto, pode dar conta de expressar a dimensão do processo em si, considerando conquistas, erros e aprendizados que estão sempre presentes em um momento de transição. Por isso, gosto de fazer analogia com a teoria dos setênios da Antroposofia, uma linha de pensamento que propõe um caminho de compreensão do desenvolvimento humano (físico, intelectual, emocional)  a partir das transformações que todos nós vivemos a cada 7 anos. Disseminada pelo austríaco Rudolf Steiner, a Antroposofia nos convida a olhar para nossa própria história com mais sensibilidade e cuidado, de forma a gerar reconhecimentos e reflexões sobre nossas vivências e aprendizados. A teoria dos setênios, em essência, favorece o autoconhecimento para que então possamos compreender melhor o contexto em que estamos e as relações que estabelecemos com o mundo exterior.

O primeiro setênio da vida do ser humano, dos 0 aos 7 anos de idade, é marcado pelo crescimento mental e físico, sendo que o primeiro é ainda mais acentuado. A criança se conhece e se reconhece no mundo, aprende a andar, conquista seu espaço, começa a falar, a se expressar e até a dar nomes aos seres com os quais se depara. Formas de comunicação e imaginação aguçada são características fortes, assim como o reconhecimento do “eu” que, numa analogia com a constituição de uma organização, tem a ver com a consciência sobre a sua identidade.

No final de 2010, mas operando oficialmente no início de 2011, surge o Instituto Educadigital. Há sete anos minha vida mudava completamente. Decidi finalizar um ciclo de atuação de 10 anos no CENPEC para empreender minha própria organização social e me aventurar em um universo de experimentações, ousadias e, claro, diversos contratempos. Naquele momento, a única certeza era a necessidade de ter um pouco mais de autonomia para criar e propor novas possibilidades para a educação a partir dos elementos trazidos pelo advento da cultura digital, algo mais moroso de se conseguir quando se está em uma instituição já com anos de existência e diversas instâncias decisórias. Era preciso mostrar que habilidades de pesquisa, comunicação e publicação não se resumiam a meras atividades relativas ao uso pedagógico da internet, mas sim representavam novas aprendizagens, posturas e atitudes. A identidade de uma organização social, no entanto, não se forma apenas pelas ações que ela realiza, mas sim por sua missão no mundo. Ter um propósito é condição fundamental para uma instituição poder, de forma coerente, realizar seu trabalho e contribuir com sua comunidade.

A história do Educadigital, no entanto, ilustra como nem sempre essa identidade emerge tão claramente no momento da sua fundação, como se fosse algo celestial ou estrategicamente planejado. Em vez disso, a identidade veio da própria experiência de ação, como um resultado do aprendizado e da análise crítica sobre a ação. Ainda que o desejo de fazer acontecer seja muito forte e motivador por parte de quem cria uma instituição, somente as descobertas no processo é que vão dando pistas do que pode ou não fazer sentido. A primeira pista para o Educadigital veio logo no primeiro ano de operação, 2011, e de um novo desafio de trabalho, focado em uma temática pouco conhecida até então, a da Educação Aberta .  A advogada (hoje amiga e membro do conselho consultivo) Carolina Rossini, já morando nos Estados Unidos havia alguns anos, precisava de uma pessoa e de uma instituição no Brasil para coordenar as ações locais de advocacy do projeto Recursos Educacionais Abertos Brasil (REA.br), focado em advocacy para a causa nas instâncias legislativas nos três níveis de governo.

O convite veio com muita generosidade e confiança no meu perfil profissional que, mesmo à frente de um Instituto recém-criado, conseguia com facilidade reunir uma rede de profissionais com expertise no campo de atuação. Como acontece com a criança pequena do 1º setênio, foi preciso muito esforço e persistência para aprender algo novo, assim como imitar atitudes de pessoas inspiradoras para compreender o valor daquela causa social. Falar de abertura em educação é muito mais do que enfatizar a importância de haver recursos educacionais disponíveis com licença de uso livre para  reuso, distribuição e adaptação. Trata-se de uma concepção de educação que ressalta a formação de consciência sobre as escolhas que fazemos e os caminhos que definimos. Escolhas podem nos aprisionar ou nos motivar. Certos caminhos podem nos fazer chegar rápido a uma meta ou ampliar essa mesma meta se nos abrimos para possibilidades de colaboração.

O primeiro setênio da criança é marcado pela abertura para absorver novas informações e pela entrega. E foi isso que aconteceu, entrei de cabeça no mundo da educação aberta, com todos os percalços, que no fim valeram a pena, não apenas pelas conquistas que estão vindo numa crescente, como também para a consolidação de um identidade no Brasil e internacionalmente. Aos três anos de vida à frente do Educadigital, veio o primeiro reconhecimento global: fui identificada como empreendedora social (fellow) da rede global Ashoka pelo trabalho em prol da educação aberta no Brasil. Uma bolsa financeira de incentivo, mais que bem-vinda, ajudou a manter o foco nos ideais de uma instituição que deseja ser efetiva independentemente de estrutura física constituída.  Além disso, poder criar e concretizar ações em torno de uma causa para a qual até hoje no Brasil não há sequer linhas de financiamento ou patrocínio por parte de fundações públicas ou privadas.

Sustentabilidade sempre foi o calcanhar de Aquiles de uma organização social. Por ter sido pauta constante nas discussões internas das organizações em que trabalhei anteriormente, em minha bagagem não havia ilusões a esse respeito. Era fundamental equilibrar propósito com a necessidade de manter a organização.  Ou seja, estabelecer desde o início uma postura ativa em vez de só esperar os projetos chegarem para serem executados.

Foi assim que a iniciativa Design Thinking para Educadores nasceu. Quando fiz a especialização em DT em 2010, quase ninguém tinha ouvido falar no assunto, menos ainda no meio educacional. Até que, em 2012, tomei conhecimento do material que a IDEO havia feito especialmente para uso em educação com licença Creative Commons BY-NC-SA. De um simples desejo de traduzir e adaptar esse material e torná-lo público e disponível, nascia uma linha nova de atuação, que atende não apenas a Educação Básica, mas também a Superior, e que segue cada vez mais forte e robusta. Obter financiamento inicial foi suado e precisou de muita justificativa. Perguntas do tipo “mas você não trabalha com tecnologia?” pediam argumentos bastante assertivos em relação a uma abordagem aparentemente analógica que usava post-its:  mesmo em tempos de tecnologia digital, a educação precisaria sempre de empatia, colaboração e experimentação. Além disso, a convergência de mídias e a perspectiva de múltiplas possibilidades metodológicas é que podem de fato levar à inovação.

Em 2016, usamos as possibilidades metodológicas do DT em um Hackathon com estudantes do Ensino Médio, em 5 estados brasileiros, para prototipar soluções de melhoria na gestão escolar. Crises do primeiro setênio Sem dúvida foram várias crises. Até dariam insumo para elaborar uma publicação só para relatar todas elas. Mas vou dar uma pausa em relação a elaborar publicações, pois foram muitas em pouco espaço de tempo: em 2014 o material de DT para Educadores,  em 2016, o estudo Inovação Aberta em Educação, em 2017 o livro-guia Como Implementar uma Política de Educação Aberta e em 2018 o livro Design Thinking e a Ritualização de Boas Práticas Educativas. Diante das crises, reações de desalento são comuns e normais mas, se não tomarmos cuidado, elas nos paralisam e nos impedem de buscar outras oportunidades. Para a maioria das crianças, o final do primeiro setênio representa o início da vida escolar e isso pode trazer crise e medo ou, se bem trabalhadas, evocam sentimento de auto-afirmação, orgulho e libertação.

Quando o financiamento de cinco anos do projeto REA.br foi descontinuado devido à instabilidade na política nacional em 2016, o grau de motivação chegou a quase zero. Justamente no momento em que mais sabíamos como continuar, por conta de todo o aprendizado acumulado. Porém, foi justamente ali que consegui compreender claramente que Débora Sebriam e eu havíamos nos tornado profissionais gabaritadas da Educação Aberta em todos aqueles anos. Que nosso trabalho não era condicionado a um projeto nem a um financiador. A causa nos movia e nos move até hoje. Foi com base nessa autoconfiança que continuamos, buscando outras oportunidades de financiamento e gerando novos resultados antes nem almejados. Lançamos em 2017 a Iniciativa Educação Aberta, em conjunto com a Cátedra de Educação Aberta da UNESCO no Brasil e nos unimos a outro parceiro, o professor Tel Amiel, atualmente na UnB, com quem somamos forças para nossas atividades na formação de gestores/servidores públicos no Ministério da Educação (MEC). Hoje temos 300 professores da Universidade Aberta do Brasil em nosso curso de REA e conseguimos aprovar a primeira portaria de REA no MEC.

Em relação ao Design Thinking, se em 2014 seu uso na educação era novidade, em 2018 é mencionado em todo e qualquer congresso educacional. Pipocam empresas e pessoas que oferecem formação sobre a abordagem. Alguns enaltecem o caráter de inovação que o DT pode trazer, outros querem enquadrá-lo numa lista de metodologias ativas. Sigo com a crença de que o DT deve estar embasado em uma concepção de abertura, flexibilidade e autoria. E que pode ser remixado segundo diversas intencionalidades, como as recentes junções que fiz do DT com a Jornada do Herói, com o Jogo dos Futuros Emergentes e com o Jovem Aparelhado. Criei um curso-laboratório online de formação de facilitadores que pode receber no máximo 20 pessoas a cada edição (indo agora para edição 7), pois foca no acompanhamento constante e personalizado, visando germinar uma rede de facilitadores no Brasil e no mundo.


Rumo ao segundo setênio 

Com todo esse repertório, experiência e conhecimento de causa, me vejo pronta para encarar mais um desafio, o de desmitificar a atividade de mentoria como sendo distante do mundo da educação. O ConexãoIED – Mentoria on-line tem como tema central a Educação para o Desenvolvimento Humano.  Como professores podem ser mentores uns dos outros? Como podem receber e oferecer mentoria, fomentando cada vez mais a troca e a partilha de saberes e experiências em uma sociedade em constante transformação?  Para saber mais sobre a ideia, vale ler este post aqui. O segundo setênio no desenvolvimento humano é marcado pela entrada na rotina de estudos mais formalizada, pela compreensão do valor do dinheiro, bem como da responsabilidade, da disciplina e de questões éticas.

Na Antroposofia, normalmente se fala em desenvolvimento “anímico”, isto é, da alma, a partir do resgate da memória e reconhecimento das emoções. Similarmente, em uma organização, é um momento propício para celebrar as conquistas anteriores e escutar com atenção os sentimentos que agora surgem. Questionamentos chegam também com mais intensidade, especialmente em relação a algumas convicções sobre qual seria a melhor forma de atuar para obter estabilidade financeira, ou ainda ao que o senso comum espera em termos de sucesso e evolução. Nesse sentido, a única certeza que de fato tenho é a de que entro em uma temporada de reflexão ainda mais intensa sobre possibilidades, mas sem que isso impeça experimentações práticas que tanto marcaram minha trajetória. Experimentações que podem abranger novos projetos colaborativos ou mesmo desafios junto a outras organizações. Assim como a criança pequena desta fase, é fundamental valorizar os próprios sentimentos para poder perceber com mais clareza como as escolhas profissionais podem ser emocionalmente ainda mais significativas.

Mentoria para e entre educadores: foco em habilidades e competências

Você já ouviu falar em “mentoria”? O termo vem sendo muito utilizado ultimamente no mundo das startups —um modelo de empresa que surge a partir de uma ideia nova transformada em negócio. Para poder impulsionar esse negócio, gerando valor aos futuros possíveis usuários e, consequentemente, lucro para a própria startup, algumas ações são fundamentais, dentre elas, a mentoria.

Podemos definir mentoria como uma relação de troca temporária na qual uma pessoa que é especialista ou tem mais experiência em determinado campo de atuação orienta outra pessoa interessada em receber informações, aconselhamento, sugestões e dicas de conduta.

As startups começaram a ganhar força com a popularização da internet no final dos anos 90 e algumas se transformaram em empresas gigantes conhecidas mundialmente, como Google e Facebook. As áreas mais requisitadas para mentoria nas startups são finanças, administração, marketing e, mais recentemente, “soft skills” — o nome dado para o que em educação chamamos de habilidades socioemocionais.

Mas não foram as startups que inventaram a mentoria, elas apenas estão contribuindo para disseminar o conceito na atualidade. No livro Odisseia, de Homero, uma das obras clássicas da Grécia Antiga, o sábio Mentor recebe do rei Ulisses a missão de dar suporte e orientação ao príncipe Telêmaco durante sua ausência. Tempos depois, Mentor parte com Telêmaco em uma jornada inspiradora em busca do rei.

A figura do mentor ou mentora também aparece no Monomito (Jornada do herói), como um arquétipo que dá subsídios e referências para que o herói possa escolher o próprio caminho. Basta lembrar de personagens de diversos obras famosas, como o Yoda, de Star Wars; Grilo Falante, do Pinóquio; Fada Madrinha, da Cinderela; Dumbledore, de Harry Potter, e muitos outros.


Mentoria para e entre educadores

No contexto da educação, espera-se que a mentoria aconteça desde sempre na relação educador-educando, mesmo quando ela não é assim denominada, já que incentivar, valorizar e inspirar são atributos de bons mentores.

Mas será que os educadores se consideram mentores? E se os educadores pudessem, também, receber mentorias que os apoiassem em seu próprio processo de desenvolvimento pessoal e profissional?

Ainda são bem raras as formações docentes pautadas no autoconhecimento e no aprimoramento de relações interpessoais para uma melhor convivência entre os diversos atores da comunidade escolar. A prioridade é sempre ofertar um conhecimento técnico específico ou uma metodologia de ensino.

Há claramente uma lacuna a ser preenchida aí. Hoje há uma demanda forte em relação ao trabalho com habilidades socioemocionais com os alunos, mas e com os educadores? Apenas ensinar os professores a como ensinar a desenvolver tais habilidades nos alunos, por meio de “planos de aula”, certamente será inócuo.

Educadores precisam de mentores, pois carecem de escuta, valorização e incentivo. A mentoria pode oferecer um sistema de apoio que ajude o educador a desenvolver-se intelecto e emocionalmente de forma constante. Favorece, ainda, a reflexão sobre identidade e reconhecimento de seu papel como autor.

No entanto, é fundamental que haja no processo de mentoria um compartilhar de entusiasmos, uma ação recíproca, isto é, a convicção de que ambos os envolvidos são professores e aprendizes. Para quem oferece, a mentoria é desafiante, pois deve inspirar sem criar dependência.

No Instituto Educadigital, vamos iniciar o projeto de Mentoria on-line coletiva, o ConexãoIED, que tem como mote a“Educação para o Desenvolvimento Humano em uma Sociedade em Constante Transformação”. Por meio de webinars ao vivo, com interação por chat, e na sequência, um fórum para conversas aprofundadas, teremos mentores e mentoras convidados para um compartilhar de experiências em 4 áreas foco, como mostra a mandala: 



Cada Mentoria on-line será organizada em “jornadas temáticas” que vão fomentar perguntas e não trazer respostas.

Participe do webinar de lançamento do projeto, no dia 15 de maio, às 20h. É gratuito, basta se inscrever aqui.

Fundadora do IED recebe “flash grant” da Shuttleworth Foundation

Priscila Gonsales, diretora-executiva do Educadigital, foi indicada pelo fellow Andrew Rens, por seu trabalho voltado para a causa da educação aberta no Brasil


Por seu trabalho nos últimos 6 anos voltado para a causa da Educação Aberta, a fundadora e diretora-executiva do Instituto Educadigital foi indicada pelo pesquisador em Propriedade Intelectual, Andrew Rens, atualmente Legal Lead do Creative Commons na África do Sul, para receber um pequeno subsídio da Shuttleworth Foundation, no valor de US$ 5.000.

Os subsídios, chamados “flash grant” são concedidos somente por nomeação de fellows da Fundação Shuttleworth a indivíduos cujo trabalho na área social foi avaliado como exemplar para ser apoiado/recompensado/encorajado. Fundada pelo empreendedor sul-africano Mark Shuttleworth, criador do sistema operacional livre Unbutu, a Shuttleworth identifica indivíduos em diversos países do mundo que atuam a partir de filosofias abertas, voltada para o compartilhar.

“Fiquei imensamente grata pela confiança e respaldo de um ativista que admiro tanto como Andrew. Tivemos a oportunidade de nos conhecer durante o 1º Congresso Mundial de REA da UNESCO, em 2012, fico muito feliz por ele ter acompanhado meu trabalho e da minha equipe nesses últimos anos”, ressalta Priscila, que também é fellow Ashoka Empreendedores Sociais. 

O subsídio será aplicado no projeto RE-li-A, uma plataforma-referatório de recursos educacionais digitais com licenças abertas disponíveis na web. Primeira no Brasil a reunir recursos por área do conhecimento, disciplinas curriculares, tipos de mídia, dentre outros metadados. Atualmente, o RE-li-A está em campanha de financiamento coletivo para receber colaborações da comunidade educacional brasileira e internacional.


Shuttleworth Foundation from Blink Tower on Vimeo.

Estudo inédito analisa a relação entre inovação aberta e educação

Publicação foi lançada em São Paulo durante o 1º Encontro Brasileiro de Governo Aberto


Como criar novos modelos de negócio mais coerentes com a cultura digital, com licenças autorais flexíveis, em prol de uma economia do bem comum? Com esse desafio em mãos, Débora Sebriam e Priscila Gonsales, do Educadigital, mergulharam em intensa pesquisa e levantamento de informações durante dois meses e meio, além de realizar entrevistas com especialistas e entidades envolvidas com o tema no Brasil e em outros países. Inovação aberta é um conceito que surgiu nos anos 2000 e é bastante conhecido em alguns setores de negócios, pois envolve um processo de combinar ideias internas e externas para gerar inovação. Trata-se de uma nova forma de operar que rompe com a estrutura tradicional dos departamentos de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) das empresas que controlavam informações e ideias.

A inovação aberta envolve cocriação, colaboração e, ainda, mais flexibilização com a questão das patentes e dos direitos autorais, à medida que a empresa pode disponibilizar ao público ou a outras empresas algo que não seja tão importante para o seu negócio principal. Henry Chesbrough, professor da Universidade da Califórnia em Berkeley, precursor do conceito e autor de livros sobre o tema, foi entrevistado no estudo.

Mas o que inovação aberta tem a ver com educação aberta? Bastante coisa. Primeiramente, pela semelhança de concepção que ressalta um modelo mais distribuído, compartilhado e acessível. Depois, pela ideia de flexibilidade em relação à propriedade intelectual ao mesmo tempo que oferece serviços de valor agregado que garantem a sustentabilidade do negócio ou empreendimento.

“Elaborar esse estudo era um sonho antigo, pois sempre soubemos que precisávamos estreitar o diálogo com editoras de livros didáticos e empresas que comercializam produtos educacionais, para mostrar que educação aberta e recursos educacionais abertos são, na verdade, uma oportunidade e não uma ameaça”, ressalta Priscila. “Estamos diante de um contexto de mudanças constantes nas práticas sociais e a educação precisa se abrir para essa reflexão”, complementa Débora. O projeto contou, ainda, com o trabalho da pesquisadora Viviane Vladimischi na realização das entrevistas.


A parceria entre Educadigital e o Centro de Inovação para a Educação Brasileira (CIEB) surgiu em meados de 2016, no grupo de trabalho da sociedade civil para a construção do Plano de Ação para Recursos Educacionais Digitais da Parceria Governo Aberto do Brasil (OGP-Brasil).

Lançado dia 29 de novembro durante o 1º Encontro Brasileiro de Governo Aberto, o estudo está disponível para download e leitura online em um site especialmente criado para o projeto que reúne ainda uma série de materiais utilizados na pesquisa, além de uma curadoria de vídeos sobre o tema: www.educadigital.org.br/estudocieb

Como podemos integrar as tecnologias digitais na aprendizagem?

2º Simpósio Nacional sobre Adolescência da Unifesp reúne pesquisadores e profissionais de educação, psicologia, neurociências e saúde


Os dias 10 e 11 de novembro, no campus Vila Mariana da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) , estiveram reunidos educadores, professores e pesquisadores interessados em entender melhor a fase complexa que é a adolescência, considerando o desenvolvimento pleno dos jovens, mas também suas vulnerabilidades, protagonismos e desafios.

Priscila Gonsales, diretora-executiva do Educadigital, foi convidada para apresentar os aspectos relacionados à educação na cultura digital, destacando a importância de integrarmos as aprendizagens relacionadas ao comportamento digital e riscos, além do estímulo à produção autoral dos estudantes.

“Existem várias novas competências e habilidades no campo da ‘inteligência digital’ que precisamos aprofundar, não somente com os jovens, mas também com os professores, pois nós todos estamos diante de novas formas de comportamento e práticas sociais que ainda nós mesmos não compreendemos”, ressaltou Priscila.

A Unifesp já disponibilizou as palestras e os painéis gráficos de registro no site: http://www.adolescenciaunifesp.com/

Por mais “Spotlights” em nossas relações ;-)

Mais do que realçar o bom jornalismo, filme põe em evidencia o papel da
liderança e do trabalho em equipe


Se você achou que Spotlight é só mais um filme sobre jornalismo e ponto final, vale a pena reconsiderar. O longa, que está na corrida do Oscar 2016, fala dos bastidores de uma grande reportagem sobre os escabrosos casos de pedofilia na igreja católica denunciados no início dos anos 2000 por uma série publicada no Boston Globe.

Imperdível, claro, para quem estuda jornalismo ou atua na imprensa, mas deveria também fazer parte da lista de todos que estão de alguma forma envolvidos em ações ou projetos de liderança, gestão de pessoas e desenvolvimento de trabalho em equipe.

Com um roteiro absolutamente cativante e elenco de primeira, vamos acompanhando o desenrolar da trama a partir de uma decisão, aparentemente arbitrária, de um novo chefe que chega para conduzir a redação de um dos mais influentes jornais americanos.

A função de um gestor está sempre entre os principais temas debatidos nas mais diversas profissões, da medicina à engenharia, da política à educação. Cabe a esse profissional lidar frequentemente com polaridades constantes, tais como: conduzir um grupo com leveza e firmeza, tomar decisões com ousadia e responsabilidade, ouvir seus funcionários com paciência e inquietude. Parece que tudo pode começar ou acabar na gestão.

Na área educação, a gestão de uma secretaria, de uma escola ou mesmo da sala de aula costuma ser determinante na manutenção de regras já estabelecidas ou no rompimento de estruturas tradicionais em busca de inovação. Gosto de citar o caso da professora e pesquisadora da UFRGS, Léa Fagundes, que ilustra bem essa segunda possibilidade. Pioneira em educação digital no Brasil, ela teve a audácia de desafiar a própria universidade e iniciar, na década de 90, o primeiro curso de pós-graduação a distância da instituição para um grupo de educadores da Costa Rica enquanto rolava toda a burocracia interna de aprovação do novo curso por meses a fio.



Quando os dirigentes acadêmicos finalmente a chamaram para fazer os questionamentos sobre como resolver diferenças de idioma e localização geográfica, Léa já tinha pronto um relatório de avaliação elaborado por sua equipe sobre a eficácia do processo mesmo com a precária internet disponível na época (ver entrevista no vídeo). Seu papel de liderança pode ter sido crucial, mas o trabalho em grupo de seus orientandos não ficou nem um pouco atrás. Somente com uma postura colaborativa por parte das pessoas envolvidas e o comprometimento com o projeto é que foi possível empreender uma iniciativa tão ousada como aquela.

Nesse sentido, colaboração e cooperação são os pontos altos da equipe de Spotlight. Não há um herói ou uma heroína como protagonista. O furo — se é que houve mesmo um furo de reportagem — não foi um ato glorioso de um único jornalista em destaque. O trabalho investigativo de qualidade dependeu do envolvimento coletivo de cada um, da confiança mútua e da valorização dos diferentes talentos ali disponíveis. Todos tiveram que lidar com erros, acertos, angústias e comidas de bola, e ainda contornar situações nem sempre favoráveis ao andamento do projeto, que acabou se tornando uma verdadeira causa comum. Quem dera pudéssemos vivenciar com mais frequencia “spotlights” assim em nossas relações pessoais ou profissionais, e em qualquer ambiente.

Originalmente publicado em Medium

Comece o ano letivo com ele: David Bowie

Que tal planejar projetos e atividades irreverentes inspirados na vida e obra do astro da música pop mundial?


Sem dúvida, o mundo perdeu um pouco de ousadia, irreverência e talento musical com a morte do roqueiro britânico no início deste ano. Ídolo de muitas gerações, Bowie também exerceu forte influência não apenas na área cultural, mas também nos cenários político e social de uma época. É provável que o cantor, compositor e ator vá para o rol eterno de mitos como Elvis, no bordão “não morreu!”. 
 
Parafraseando Let’s Dance, uma de suas obras mais famosas, faço um convite para um “Let’s Talk” sobre como podemos trazer a figura de Bowie para nossos projetos ou atividades de sala de aula. Mais do que incorporar várias personas — mostrando ao pé da letra como vale a pena a gente se colocar no lugar de outras pessoas para compreender o que elas sentem, pensam ou fazem — Bowie ele mesmo também se adaptava aos vários contextos de seu tempo para criar seus sucessos. A própria canção Let’s Dance surgiu em um momento em que o rock dançante dos anos 80 despontava. Ele tinha o dom de observar e saber encontrar o que havia de melhor, em diversas áreas.

Que contexto temos hoje, por exemplo, no qual nossos estudantes vivem? O que meninas e meninos veem e escutam diariamente em suas famílias, amizades, nas mídias sociais digitais e — ainda bem considerável — nos meios de comunicação de massa? Do que gostam nossas crianças e jovens? Como poderíamos criar projetos educativos de sucesso para esse público?

Bowie pode ser inspiração pra atividades variadas de empatia relacionadas ou não ao currículo oficial. Imagine cada dia a turma vindo a caráter, representando um personagem específico ou uma personalidade de época relacionados a um conteúdo de estudo. Isso pode dar um tom lúdico ao aprendizado, independentemente da faixa etária.

Agora, pense também em Bowie como representante de pessoas que viveram um tempo marcado por fatos históricos fundamentais da humanidade. O Muro de Berlim foi cenário para a canção Heroes. Em vez de simplesmente enumerar eventos básicos e sucessivos para estudar o período da Guerra Fria, que tal falar sobre o assunto a partir de como vivia a população na época, de um lado e de outro do Muro? E também pessoas de outros países, quais percepções tinham daquele momento? Algo a ser destacado na ocasião em outras áreas como ciência e artes? Rende uma boa investigação! E construir uma linha do tempo como parte de uma gincana de “caça aos acontecimentos” pode ser uma ideia interessante!

Se os alunos já estão mais familiarizados com o audiovisual, ótima oportunidade para incentivar a produção com tecnologias digitais disponíveis. Vale lembrar que Bowie também ficou famoso por revelar todo o potencial da estética do videoclipe com o lançamento de Ashes to Ashes em 1980. E, anos mais tarde, por seu vanguardismo ao ser um dos primeiros artistas a liberar música para baixar na internet, como relatou a reportagem do The Guardian.

Na exposição no MIS em São Paulo, em 2014, os visitantes puderam ver de perto vários símbolos e imagens que levam à reflexão sobre androginia, transexualidade, relações de gênero e diversidade sexual, temas para os quais Bowie já vinha chamando a atenção ao longo dos anos e que continuam sendo bem importantes para debater nas escolas.

Polêmicas e excessos também fizeram parte da vida de Bowie, como o vício em cocaína, que percorreu alguns anos de sua carreira. Ótimo gancho para um diálogo franco sobre drogas com adolescentes e comunidade escolar, problematizando questões de saúde, redução de danos e fatores sociais.

Com tantas possibilidades, parece evidente que experimentar, testar e prototipar foram atitudes constantes no legado de Bowie. Portanto, o convite agora é “Let’s Try”, ou seja, mão na massa para redesenhar nossas propostas de ensino e aprendizagem sob novas perspectivas!


Por que vale a pena gostar de Joy, o filme

Indicado ao Globo de Ouro e concorrente ao Oscar na categoria melhor atriz, o longa é uma alegoria do empreendedorismo — feminino, claro!


Se você digitar nos buscadores, vai encontrar críticas negativas. Dizem que o roteiro é truncado, a trama previsível, ou que só a atriz salva. Sugiro ignorar e assistir de mente aberta. Por mais que o filme gire em torno da história real de uma norte-americana, com todo o “way of life” típico daquele país, se você é mãe e é também — ou já foi — empreendedora, não tem como não se identificar em várias situações ali mostradas. Sim, o filme fala sobre mulheres e, infelizmente, talvez somente as mulheres consigam ser tocadas por ele.

Quando o empreender dá certo para mulheres, costuma ser considerado algo missionário. Aliás, essa comparação também é grosseiramente usada para se referir a mulheres professoras competentes, já que a imensa maioria de profissionais da área de educação é feminina. Por que será que batalhar por aquilo que se acredita, passando por incontáveis rejeições, descrédito e falta de reconhecimento muitas vezes da própria família, é simplesmente taxado de função divina quando funciona? Ou ainda, como história de sucesso de mulher “mal resolvida”?

Com toda a carga secular da sociedade patriarcal que nos rodeia, independentemente do país em que vivemos, algumas de nós mulheres se arriscam a romper o padrão estabelecido para buscar um sonho. Sonho este de seguir uma determinada carreira, de aliar retorno financeiro com satisfação profissional ou até de viver com mais qualidade e flexibilidade. Um caminho árduo e nem sempre certeiro, recheado de avanço e retrocesso em curtos intervalos de tempo. “Mas porque você largou aquele emprego? Ganhava tão bem!” é uma das frases enfrentadas na jornada feminina de tentar mudar o modelo “mulher-de-sucesso-é-executiva-de-multinacional” . Outra frase bem típica é “Mas você viaja muito, quem fica com as crianças? Seu marido te ajuda?”, essa costuma vir carregada de expressões e olhares de reprovação caso o retorno financeiro não seja evidente ou imediato. E tem também aquela bem cruel “Ah, claro, trabalhando tanto assim, difícil arranjar marido!”, reforçando o estereótipo da mulher sempre submissa e esposa de alguém como sendo a meta de vida.

No longa, o diretor trata do assunto do empreendedorismo com muita alegoria e confusão nas cenas, exatamente porque a vida anda em desalinho assim. Notei sensibilidade dele com o universo empreendedor feminino, exercido não apenas no trabalho, mas também na maternidade e no cuidado com entes familiares nem sempre merecedores de tamanha dedicação. A protagonista tem muito o que fazer e todos dependem dela e ela está lá, firme, presente, enfrentando os percalços, mas sem reprimir os conflitos internos e toda a vontade natural de xingar ou sumir do mapa que todas nós temos invariavelmente. Um alívio ver isso na telona!

Caricatura dos tempos atuais do universo emergente das startups, o diálogo travado com a então investidora e as quatro perguntas fundamentais, ilustra com maestria toda a tensão que a gente sente quando sabe que tem uma ideia boa, que vai dar resultado, mas tem que provar isso em sei lá quantos poucos minutos sem deixar a peteca cair. “Pitch” é o nome da tortura. E nossa, quantos “nãos” vão para a nossa coleção!É bacana ver também que, apesar de tantos contratempos, a personagem inventora consegue se manter fiel à pessoa humana que ela é, não se deslumbrando com o figurino ideal da TV ou a fama momentânea que o show business pode trazer. O filme chegou a ser apontado como mera auto ajuda por alguns críticos, mas foi indicado ao Globo de Ouro e Jennifer Lawrence concorre ao Oscar como melhor atriz. A trama gira em torno da história real da empresária Joy Mangano, mãe de dois filhos, divorciada, que trabalhava dentro e fora de casa e ainda carregava toda a família nas costas. Mesmo nessas circunstâncias, desde criança, Joy já conseguia olhar além de seu cotidiano previsível e criar oportunidades.

 

#DesignThinking contribui com a inovação em escolas e universidades

Em uma oficina de formação para diretores de escolas públicas de Cajamar, na Grande São Paulo, os grupos precisavam apontar palavras que expressassem sensações ou comportamentos dos professores de suas respectivas unidades, a partir de quatro coordenadas: o que pensam, sentem, escutam e dizem.

Ao passar pelas mesas para acompanhar a atividade, notei que em um dos grupos havia muito mais papeizinhos coloridos grudados na parte assinalada como “escuta”. Cheguei mais perto e observei que o tom era de cobrança, ou seja, os professores retratados pelo grupo estariam escutando muitas frases impositivas. De repente, uma das diretora teve o insight: “Espera ai, gente! Se os nossos professores estão escutando tudo isso, é porque somos nós que falamos!”

Pronto. Meio caminho andado da formação já estava dado com aquela intervenção da diretora. Insight é uma palavra da língua inglesa que podemos traduzir por “percepção”. Isto é, aquele momento em que parece acender uma luz dentro da gente e as coisas começam a fazer mais sentido. Não foi preciso que eu como facilitadora explicasse que havia algo importante a ser registrado ali, a percepção surgiu do próprio grupo, já sensibilizado com a atividade. A oficina de Cajamar era sobre a abordagem do Design Thinking (DT) para Educadores, um recurso educacional aberto (REA), composto por livro e caderno de atividades, que enfatiza a importância dos momentos colaborativos para a resolução de problemas comuns ao cotidiano da escola ou da sala de aula.

Design pode ter múltiplos significados: plano, projeto, criação. E Design Thinking? Algo como pensamento de design ou design de pensamento? Trata-se de um conceito que ganhou popularidade no mundo empresarial nos começo dos anos 2000, quando a Ideo, uma das agências mais influentes e premiadas internacionalmente, com sede no Vale do Silício, na Califórnia (EUA), começou a utilizar em seus trabalhos de consultoria para organizações públicas e privadas do mundo todo. Em 2012, a Ideo lança um material especial sobre DT voltado a educadores, licenciado em Creative Commons. Em 2014, o Instituto Educadigital traduz e lança a versão em português, disponível para download na íntegra ou por capítulos e ainda para leitura on-line.

Antes que alguém questione se o DT para Educadores é mais um material americano – como outros tantos – traduzido para o português para ser aplicado nas escolas, preciso dizer que sim – e não!  “Sim” porque de fato foi traduzido e adaptado para o contexto brasileiro, trazendo exemplos de práticas realizadas pelo Instituto Educadigital desde 2011. E “não” porque a palavra “aplicar” não faz o menor sentido no DT, ao contrário de impor um roteiro a seguir, existe total liberdade para adaptar as etapas (descoberta, interpretação, ideação e experimentação) a diferentes usos e situações.


Podemos definir Design Thinking como uma abordagem para a solução de problemas centrada nas pessoas e baseada em processos intencionais colaborativos para se chegar ao novo, ao que pode de fato inovar. Ou seja, o DT tem como concepção a cocriação. É preciso reunir pessoas de diferentes perfis para resolver um problema ou desafio, mas sempre tendo como foco o público diretamente envolvido no problema ou desafio. É uma estratégia de todos para todos (bottom-up), contrária do um para todos (top-down).

DT na educação valoriza algo que há tempos precisamos resgatar: a empatia. A atividade com os diretores de Cajamar incentivou o olhar empático para seus professores e a reflexão sobre como seria interessante que esses mesmos professores pudessem estar mais envolvidos nos processos decisórios em vez de apenas receber ordens e determinações da direção. Se o caminho para isso não é simples, juntos, os diretores trocam ideias e criam protótipos de possibilidades.

Na sala de aula, oferece uma oportunidade prática para que os educadores sejam de fato mediadores na construção do conhecimento. O professor pode utilizar o DT para planejar a sala de aula invertida ou implementar o trabalho diversificado por perfis de alunos. O gestor pode utilizar para organizar uma formação docente ou alcançar um objetivo da instituição como, por exemplo, estimular os pais a participar mais do cotidiano escolar.

O DT é muito eficiente ao propor o trabalho em grupos para valorizar a troca e a colaboração. Permite estimular o espírito cooperativo e a colaboração entre as pessoas para buscar sinergia nos processos e resultados pretendidos.  O DT entende inovação como valor percebido pelas pessoas. Ao encarar os temas e problemas cotidianos como desafios, é possível pensar em oportunidades que levam a soluções criativas, como foi o caso dos professores da Escola da Associação de Servidores da Universidade de Brasília (UnB), que durante uma oficina de formação propuseram criar o “Fail Festival”, um dia especial durante o ano letivo em que os educadores poderão expor seus erros e compartilhar o que aprenderam com eles.

Para saber mais sobre como levar o DT para sua escola ou universidade:
https://www.educadigital.org.br/site/formacao-em-dt-especial-para-escolas-e-instituicoes-educativas/