Curso: facilitação de aprendizagem remota

Educadigital lança curso novo, especialmente criado para o contexto atual, em que educadores se deparam com a demanda por uma nova habilidade 

Assim que as escolas foram fechadas como medida de contenção do avanço da COVID-19, nossa diretora, Priscila Gonsales, fez um post no intuito de chamar a atenção para a importância da colaboração, algo sempre relevante entre educaodores, mais ainda em tempos emergenciais.

Nesses últimos dois meses, no entanto, o que se viu com mais frequência foi a corrida por  plataformas e ferramentas digitais para aulas remotas, com pouca ou quase nenhuma preocupação em relação à proteção de dados dos estudantes. O projeto Educação Vigiada enfatiza bem esse aspecto.

Para Priscila Gonsales, escolher a plataforma ou ferramenta não deve ser a primeira ação a fazer, mas sim considerar as pessoas envolvidas no processo. “Facilitar a aprendizagem é o que o bom professor faz desde sempre, o ponto agora é refletir e prototipar possibilidades de facilitação remota, com muita empatia em relação aos estudantes e a si mesmo”, ressalta.

Promover a cultura da colaboração é a melhor maneira de lidar com as incertezas que esse contexto traz, pois não existem respostas prontas.  Além disso, o papel de facilitar a aprendizagem de maneira remota surge como uma nova habilidade.

Pensando em apoiar nossos alunos da turma 10 do curso-laboratório on-line de formação de facilitadores em Design Thinking para Educadores, criamos um novo curso.

Agendado para iniciar no dia 19 de maio, o curso será no formato de 4 encontros em tempo real e  poderá receber também outros interessados, mesmo que não estejam matriculados no curso-laboratório.  As inscrições estão abertas e as vagas são limitadas. Saiba mais aqui

No dia 15 de maio, sexta-feira, 18h, faremos uma LIVE no Instagram do Educadigital para contar um pouco mais sobre o curso e esclarecer dúvidas

 

Mapeamento inédito mostra exposição da educação brasileira à vigilância

 

Educação Vigiada mostra que 65% das universidades públicas e secretarias estaduais de educação estão expostas ao  “capitalismo de vigilância”. O projeto vem chamar a atenção da sociedade para o problema da falta de transparência e regulação nas relações público-privadas em serviços e plataformas tecnológicas, comprometendo direitos dos usuários, como privacidade e a proteção de dados pessoais

Educação Vigiada

Bastou começar a suspensão das aulas pelas instituições de ensino, no esforço coletivo de contribuir com a disseminação do COVID-19, para surgir uma lista imensa de empresas e plataformas de tecnologia ofertando ferramentas diversas para EaD (educação a distância) como forma de evitar prejuízos ao semestre letivo. Entretanto, boa parte delas, inclusive, disponibilizando acesso e serviços ‘gratuitos’ para incentivar o uso.

Só que essa disputa pela atenção de educadores e gestores de instituições de educação no Brasil não é de agora.

Mapeamento realizado por dois núcleos de pesquisa da Universidade Federal do Pará (UFPA) e pela Iniciativa Educação Aberta (Cátedra UNESCO de EaD sediada na Universidade de Brasília (UnB) e Instituto Educadigital) revela que 65% das universidades públicas e secretarias estaduais estão expostas ao chamado “capitalismo de vigilância”.

Esse termo é utilizado para designar modelos de negócios baseados na ampla extração de dados pessoais por algoritmos e técnicas de inteligência artificial. Esses dados servirão para obter previsões sobre o comportamento dos usuários e com isso ofertar produtos e serviços.

Intitulado Educação Vigiada, o mapeamento tem por objetivo chamar a atenção da sociedade. Isso devido a falta de regulação de parcerias estabelecidas por órgãos públicos de educação com organizações comerciais.

Sendo assim, o que compromete o direito à privacidade e à proteção de dados pessoais dos cidadãos e também de crianças e adolescentes.

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LGPD e os impactos na educação

Com a entrada em vigor da Lei Geral de Proteção de Dados em agosto de 2020, escolas e demais instituições de ensino têm a oportunidade de tornar a educação em direitos digitais uma prática cotidiana

 

Você já parou para pensar porque uma Lei de proteção de dados é importante para um país? Hoje estamos diante de uma sociedade cujos sistemas, informações, serviços e processos são cada vez mais baseados em “dados”. Nesse sentido, torna-se fundamental regular a forma como nós cidadãos — titulares desses dados — vamos controlar o uso.

É importante diferenciar “proteção de dados pessoais” do “direito à privacidade”. Privacidade é algo que não é público, diz respeito à intimidade e à vida privada e está contemplada em diversas legislações brasileiras como a Constituição Federal e o Código Civil. O Marco Civil da Internet, de 2014 e regulamentado em 2016, traz em seu artigo 3º a proteção da privacidade e a proteção de dados, na “forma da lei” — já indicando a necessidade de uma lei exclusiva para o tema.

Quando nos referimos a “dados pessoais” não importa se são públicos ou privados para que possam ser protegidos. Nesse sentido, proteção de dados pessoais se relaciona com o direito à privacidade, mas vai além, pois diz respeito à igualdade, acesso a informação, liberdade de expressão, dentre outras questões. Se pensarmos que tudo o que consumimos de informação nos é direcionado pelos algoritmos de inteligência artificial a partir de nossos dados, é aí que surge aquela sensação de “bolha”, ou seja, de que estamos somente acessando e dialogando com o que nos é conhecido. Se não temos consciência de que isso acontece assim, podemos ficar presos na “Matrix” — só para brincar com a referência ao primeiro filme da trilogia, que vai ter mais um, e a estreia está prometida para 2020.

Outro ponto importante no contexto dos dados pessoais é a questão da vigilância, desencadeada com as denúncias do ex-oficial americano da CIA e NSA, Edward Snowden, em 2013. Vivemos num mundo em que cada vez mais sensores estão espalhados, seja em câmeras de reconhecimento facial ou em bilhete de transporte público, quase tudo que nos rodeia se baseia em dados. O limite entre o que se pode coletar ou não seguirá sendo alvo de debates por muito tempo ainda.

Quais seriam, então, as funções de uma Lei de proteção de dados? A primeira delas tem a ver com proteção de liberdades e direitos fundamentais do cidadão (por exemplo, igualdade, acesso à informação, liberdade de expressão, privacidade). Além disso, uma regulamentação oficial permite que se busque fomentar o desenvolvimento econômico e tecnológico ao mesmo tempo que oferece segurança e controle para as pessoas, além de criação de políticas públicas que determinem transparência como um valor.

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Pioneira em educação digital no Brasil faz 90 anos

Uma das educadoras pioneiras no uso de tecnologias digitais na educação brasileira, a professora doutora Léa Fagundes completou 90 anos dia 16 de março. Há 8 anos, o Educadigital organizou um projeto colaborativo para registro da história dessa educadora e suas contribuições para a educação com tecnologias. Dentre outras coisas, foi Léa quem começou a fazer EaD na Universidade Federal do Rio Grande do Sul ainda sem ter EaD na universidade! Ousadia, compromisso, talento, coerência, determinação. Mas também leveza, generosidade, alegria. 
Na foto acima, tirada em 2012, na época do projeto, ela inclusive veste a camiseta da campanha de financiamento coletivo no Catarse (tivemos mais de 200 apoiadores!).
Aproveite para assistir aos 4 vídeos-entrevista, gravados no Teatro São Pedro, em POA, que estão disponíveis até hoje no site especial criado para ela: https://biodaleafagundes.educadigital.org.br/

Entrevista – Fernanda Furia

Terceiro post da série de mini-entrevistas com especialistas e
estudantes convidados que vão apresentar seu ponto de vista para 5 perguntas-chave sobre educar em cidadania digital, tema do nosso novo projeto, a plataforma colaborativa Pilares do Futuro

Fundadora do Playground da Inovação- consultoria de Inovação em Psicologia e Educação. Mestre em Psicologia de crianças e adolescentes pela University College London na Inglaterra. Professora de “Psicologia da Inovação” na FIAP (SP). Professora de Habilidades Socioemocionais da pós-graduação “Formação Integral” no Instituto Singularidades (SP). Foi professora assistente na The American School em Londres. Foi mentora do Social Good Brasil- organização de tecnologia para transformação digital. Membro da The British Psychological Society da Inglaterra. Especialista em Psicoterapia de crianças e Adolescentes pelo Instituto Fernandes Figueira (Fiocruz- RJ). Psicóloga pela PUC-RJ. Foto: Arquivo pessoal

Como você definiria a importância de educar para a cidadania digital atualmente?

A educação para a cidadania digital é um direito de todos. Crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos devem ser contemplados na construção de políticas públicas e de iniciativas que nos prepare para os novos tempos. A alta complexidade do mundo atual, em grande parte, impulsionada pelo rápido avanço tecnológico exige uma integração e uma parceira de vários setores da sociedade: governo, universidades, empresas multinacionais de tecnologia, startups e instituições de ensino em geral. Somente desta forma poderemos continuar a nos desenvolver de forma ética, sustentável e afetiva em um cenário ultratecnológico.


Quais os temas você considera prioritários de serem trabalhados pela escola?

Antes de tudo, é importante que as escolas definam como elas irão se posicionar com relação ao mundo digital. Questões sobre a infraestrutura tecnológica da escola, as tecnologias usadas pelo corpo docente e pelos os alunos, a gestão de conflitos no âmbito digital envolvendo alunos e a integração do brincar com tecnologias digitais são pilares de sustentação da educação para a cidadania digital. Além disso, a escola tem um papel importante em trazer discussões e ações mais amplas sobre as tecnologias avançadas e as necessidades do mundo. Estas atividades têm o potencial de formar alunos capazes de pensar de forma global e de serem agentes de transformação social. Outro ponto crucial é o foco na integração de três dimensões da Cidadania Digital: a técnica, a emocional e a social. Aulas de programação, desenvolvimento de aplicativos, robótica, criação de canais no Youtube, inteligência artificial e Big data são aprendizados fundamentais para as novas gerações. Porém, pela minha experiência, a competência técnica é atravessada pelas habilidades socioemocionais e a combinação das competências técnicas com as habilidades socioemocionais têm um impacto profundo no social. Ou seja, a capacidade técnica é favorecida ou atrapalhada pelas questões psicológicas individuais que, por sua vez, impactam a sociedade como um todo. Neste sentido, o conceito de Inteligência Emocional-Digital é uma ótima ferramenta para entender como nos posicionamos no mundo digital e como podemos maximizar as nossas competências digitais. A partir do desenvolvimento da inteligência emocional-digital será possível abordar com os alunos e educadores vários aspectos que afetam as pessoas no mundo digital: saúde mental-digital, cyberbullying, ética, direitos digitais, fake news, deep fake, rastro digital, inclusão digital, segurança cibernética, etc… A Inteligência Emocional-Digital é um conjunto de habilidades sociais e emocionais aplicadas ao mundo digital:

1- Conhecimento da linguagem das tecnologias que usamos.
2- Abertura para aprender e incluir novas tecnologias no cotidiano.
3- Entendimento sobre os próprios hábitos tecnológicos e comportamentos nas redes sociais.
4- Gestão das emoções quando estamos online.
5- Reflexão sobre o impacto das tecnologias no desenvolvimento pessoal.
6- Comunicação eficaz e respeitosa nos diferentes canais digitais.
7- Empatia com o comportamento e com as emoções dos outros online.
8- Habilidade de se relacionar com as tecnologias e com o ambiente online de forma sensata, consciente e ética.
9- Desenvolvimento de uma visão crítica sobre os conteúdos produzidos e compartilhados na internet.
10- Criação de uma estratégia sobre o próprio posicionamento nas redes sociais, considerando os objetivos de vida e profissional.
11- Criatividade para desenvolver tecnologias que atendam as necessidades humanas.
12- Compreensão do impacto social e global das novas tecnologias na evolução da Humanidade.


Conhece alguma boa prática em cidadania digital que poderia relatar brevemente?

Um caminho bastante eficaz quando se trabalha com crianças e adolescentes é abrir uma janela de comunicação direta para conhecer as estórias vividas por eles no âmbito digital. Desta forma podemos criar junto com eles iniciativas pontuais e/ou programas mais longos de educação digital alinhados à realidade prática das novas gerações. Uma forma lúdica de educar para a cidadania digital é usar filmes como ponto de partida para discussões mais aprofundada sobre o tema. Big HeroWally-E e Wifi Ralph são ótimos exemplos de filmes que reúnem vários aspectos sociais, emocionais e técnicos sobre o universo digital e ainda levantam questionamentos éticos vitais para o mundo atual e futuro.
Uma instituição que considero uma referência no tema da Cidadania Digital é do DQ Institute que lançou o “DQ Global Standards Report 2019- Common Framework for Digital Literacy, Skills and Readiness”, reunindo práticas globais de várias organizações internacionais.


Como o profissional da educação pode buscar formação e informações sobre temas de cidadania digital?

Precisamos cada vez mais de uma combinação de diferentes formas de aprendizado sobre cidadania cigital. Podemos nos informar através de canais especializados, buscar informações em websites de referência, visitar instituições que já estão mais avançadas nestas práticas e trocar com profissionais de diferentes áreas. No campo do autoconhecimento, acho fundamental o educador desenvolver um “Eu Digital”, ou seja, refletir sobre a sua relação pessoal com o ambiente digital e com o uso das tecnologias. Reflexões do tipo “Como eu me sinto ao lidar com esta ferramenta tecnológica? Que tipo de emoções a internet e as redes sociais evocam em mim? De quais redes sociais eu devo participar e por quê?” são essenciais para o desenvolvimento de uma inteligência emocional-digital. Outros elementos importantes para o Eu Digital são a manutenção de hábitos pessoais digitais seguros e sem excessos e a construção de uma “identidade digital” coerente com as atitudes e os valores que exercemos no cotidiano. Além disso, a consciência do rastro digital que deixamos ao usar a internet e a pesquisa sobre quais tecnologias podem nos auxiliar na organização do cotidiano e no nosso bem-estar geral ajudam a construir uma saúde mental digital.


De que forma uma plataforma para buscar e compartilhar boas práticas pode apoiar o trabalho docente?

Uma plataforma digital capaz de reunir em um único lugar informações de qualidade, com diferentes níveis de aprofundamento e baseada em experiências reais de sucesso e fracasso pode servir como um guia confiável para inspirar os educadores. Além disso, uma plataforma que favorece a colaboração e a troca entre as pessoas funciona como um amparo emocional em momentos de desafios e construção.

 

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Pilares do Futuro Entrevista – Roxane Rojo
Pilares do Futuro Entrevista – Rosa Lamana

Cidadania Digital é o 3º tema de maior interesse entre os professores 

Entrevista – Roxane Rojo

Segundo post da série de mini-entrevistas com especialistas e 
estudantes convidados que vão apresentar seu ponto de vista para 5 perguntas-chave sobre educar em cidadania digital, tema do nosso novo projeto, a plataforma colaborativa Pilares do Futuro

Professora livre-docente do Departamento de Linguística Aplicada da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e pesquisadora do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, autora e organizadora de publicações referenciais sobre alfabetização, letramento, multiletramentos e linguística.  Fez estágio de Pós-Doutorado em Didática de Língua Materna na Université de Genève (UNIGE), sob a direção de Jean-Paul Bronckart (1996).  
Crédito da foto: Escrevendo o Futuro 

Como você definiria a importância de educar para a cidadania digital atualmente?

Podemos dizer que mídia digital é o principal canal de comunicação hoje em dia, seja para contatos sociais, comunicação, informação, aprendizagem ou trabalho. Participar ativamente na mídia digital, seja em redes sociais ou de mídia, requer redobradamente senso cidadão. Nesse sentido, educar para isso torna-se cada dia mais importante. 


Quais os temas você considera prioritários de serem trabalhados pela escola?

Cidadania digital, funcionamento das TDIC (Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação), dimensões humana, econômica, social e cultural do desenvolvimento, uso das tecnologias, mudanças de mentalidade da Web 1.0 a 2.0, criatividade, remix e propriedade intelectual, compartilhamento, colaboração e ética, acesso, segurança de dados e privacidade.


Conhece alguma boa prática em cidadania digital que poderia relatar brevemente?

Citizens connect (Boston, EUA); E-Cidadãos (Estônia, ), Plataforma da Cidadania Digital (Brasil, ) WikiLeaks (Assenge)


Como o/a profissional da educação pode buscar formação e informações sobre temas de cidadania digital?

Na própria Web 


De que forma uma plataforma para buscar e compartilhar boas práticas em cidadania digital pode apoiar o trabalho docente?

Plataforma como essas já existem e contribuem para a docência, por exemplo, a plataforma Currículo+ da SEE-SP ou o repositório Escola Digital (parceiros). Mas não necessariamente para a cidadania e sim para o ensino.


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Pilares do Futuro Entrevista – Rosa Lamana

Cidadania Digital é o 3º tema de maior interesse entre os professores 

Coronavírus pode ser a “limonada da criatividade” para as escolas

Com as orientações para suspender aulas presenciais e ajudar a conter o avanço da doença no país, mais do que simplesmente indicar ferramentas tecnológicas, é importante planejar colaborativamente possíveis propostas e metodologias para uma boa educação a distância

Por Priscila Gonsales

O coronavírus trouxe para a educação uma evidência até então bem encoberta: culturalmente, não estamos preparados para  atividades pedagógicas a distância. Não estamos. Adoramos ressaltar a importância das tecnologias na educação, mas não estamos. E não estou falando dos professores somente, pois são justamente eles que, quando a coisa aperta,  imediatamente são escalados para achar uma solução (bem boa e rápida de preferência)  para uma urgência que até então não receberam formação sobre (nem hora extra) e que nunca havia sido cogitada  antes pela instituição ou rede de educação. 

Falo também das famílias que, por desconhecimento ou mesmo por necessidade de ter com quem deixar os filhos,  acreditam pouco que possa ocorrer aprendizagem em qualquer lugar, não apenas na escola.

Além disso, muitos de nossos estudantes ainda estranham metodologias diferentes do esquema tradicional “transmissão de conteúdos” e não compreendem as potencialidades de autonomia que o estudo remoto pode oferecer.  Sem falar na urgente questão “isolamento”… quem tem filhos grandinhos em casa, sabe do que estou falando. 

E, claro, não poderia deixar de mencionar que a sociedade em geral ainda não se conscientizou que educação é responsabilidade de todos, ou seja, algo a ser feito em cooperação. 

A pandemia do coronavírus está aí para apontar como precisamos (e muito!) levar em conta nossas vulnerabilidades e despreparos para promover o coletivo, a cultura de compartilhar — se passarmos a cultivar isso a partir de agora, nunca vamos perder. Recuperar o tempo do semestre letivo vai ser tranquilo se a gente puder aprender a conviver, mesmo no isolamento, e buscar adotar uma postura voltada à inovação. Como? Experimentando! 

Noto que muitas instituições já estão apontando ferramentas de ensino a distância para serem usadas durante a suspensão das aulas, no intuito de tentar manter exatamente o mesmo esquema da escola e, de quebra, estão fazendo propaganda de empresas que ainda precisam lidar melhor com várias questões de proteção de nossos dados pessoais (e de nossas crianças!). A LGPD vem aí. 

Talvez possamos aproveitar esse “limão” inesperado que surgiu para fazer uma boa e doce “limonada da criatividade”. Claro que não é simples, mas talvez possa ser instigante e surpreendente.  

Algumas sugestões: 

1) No comunicado às famílias dos alunos, além de justificar a suspensão de aulas para seguir a conduta das autoridades, por que não dizer, com humildade,  que “vamos estudar” possibilidades para esse período e pedir ajuda da comunidade? Vai que tem alguém que possa e queira colaborar para uma chuva de ideias? 

2) Usar alguns dos primeiros dias de suspensão para planejar em conjunto com os professores quais as possibilidades viáveis. Isso mostra que se acredita de fato no poder do coletivo e não em uma determinação hierárquica. Esse planejamento pode ser feito remotamente, assim, os próprios docentes já vão experimentando como se sentem criando algo por meio de um recurso on-line. 

3) Usar e abusar do que já existe disponível na web.  Em diversos formatos e mídias, há conteúdos sobre qualquer tema trabalhado nos componentes curriculares. Que tal exercitar a curadoria dos estudantes? E se eles pudessem planejar eles mesmos um roteiro de “aula” sobre um determinado tema? Quais materiais indicariam?  

4) Se os estudantes não têm acesso à internet em suas casas, como poderiam exercer essa curadoria com conteúdos da televisão, por exemplo, comparando com o que eles têm nos livros e em outros materiais? E se eles criassem um programa de TV para ensinar algo que aprenderam a outras pessoas? Talvez até possam usar o celular para gravar. 

5) Considerar as preferências, os perfis e as aptidões dos estudantes. Por exemplo, estimular a leitura e a reflexão dos que adoram ler (e depois criar um texto? um vídeo?). Promover a análise crítica e comparativa dos que gostam de filmes e poderiam assistir a versões diferentes para um mesmo tema.   

6) Desenvolver práticas com foco em cidadania digital, como por exemplo, como surgem as fake news e a desinformação se espalha? Quais as dicas de segurança online? Como discordar com respeito? Qual a diferença entre liberdade de expressão e discurso de ódio? Simular situações reais e pedir que eles sugiram as melhores condutas é sempre uma boa proposta!  

7) Passar exercícios, tarefas etc que possam ser feitas em conjunto entre pequenos grupos de alunos. Eles podem escolher qual o meio de comunicação remota mais acessível para que todos  possam participar. 

Seja qual for a atividade escolhida pela escola, esse é o momento para tentar fazer diferente. Aquele velho paradigma de esperar que alguém resolva a situação ou diga o que fazer, pode ser, conscientemente, deixado de lado para adotar uma postura mais proativa. 

Aproveite também como oportunidade para buscar e oferecer inspirações. Contribua, colabore com outras escolas, compartilhe ideias, materiais e propostas de atividades. Que a gente saiba usar a ocasião para gerar mais cooperação. 

Vale a pena conhecer: 

REliA 
Primeiro referatório de recursos educacionais com licenças abertas, para buscar por tipo de mídia, área do conhecimento, disciplinas etc 
www.relia.org.br  

Plataforma MEC-RED 
Nova plataforma do MEC, lançada em 2018, que reúne recursos digitais produzidos pela pasta ao longo dos anos
https://plataformaintegrada.mec.gov.br/home 

Moodle
Software livre para criação de cursos e atividades EaD. Tem uma opção grátis para até 50 participantes
https://moodle.org/ 

Lista Educação Aberta da Wikiversidade 
Organização de links e informação sobre diversos tipos de serviços abertos que podem ser recomendados para docentes do ensino superior para utilização em atividades a distância

Entrevista – Rosa Lamana

Primeiro post da série de mini-entrevistas com especialistas e
estudantes convidados que vão apresentar seu ponto de vista para 5 perguntas-chave sobre educar em cidadania digital, tema do nosso novo projeto, a plataforma colaborativa Pilares do Futuro

Graduada em Educação Artística pela Faculdade Mozarteum de São Paulo, especialização em Tecnologias em Educação pela PUC/RJ e mestrado em Educação: Currículo pela PUC/SP. Professora da rede pública estadual, Ensino Fundamental I, II e Ensino Médio. Atualmente compõe a equipe da Escola de Formação e Aperfeiçoamento dos Professores do Estado de São Paulo. Foi membro colaborador da Comissão de Educação Digital da OAB de São Paulo, é integrante do grupo de pesquisa Comunidade Práxis.  

Como você definiria a importância de educar para a cidadania digital atualmente?

Somos cercados pela tecnologia. Mas será que sabemos usá-las adequadamente? Qual a importância de ler os termos de uso de aplicativos e plataformas antes de aceita-los? Como saber se uma informação é verdadeira ou não? Muitas vezes nós somos pegos nessas questões sem saber resolve-las. A necessidade do trabalho nesse tema vai além do uso de redes sociais. Envolve nossa vida social, financeira, nossos ambientes de trabalho, etc. Educar para a cidadania digital é educar para a vida. As 10 competências da BNCC trazem isso claro, pois  destacam a importância da argumentação, pesquisa, responsabilidade e cidadania, conhecimento, pensamento científico crítico e criativo, comunicação, empatia e cooperação, trabalho e projeto de vida, cultura digital e repertório cultural

Quais os temas você considera prioritários de serem trabalhados pela escola?

O tema cidadania digital é muito amplo e todos os temas são importantes. Deve-se considerar a faixa etária com a qual o professor irá trabalhar, além das necessidades da turma com a qual ele trabalha. Considero importante a observação dos alunos para compreender o que acontece com eles e, de acordo com isso, trabalhar as vertentes desse tema. Em algumas idades a vertente pode ser a mesma porém com um aprofundamento maior.

Conhece alguma boa prática em cidadania digital que poderia relatar brevemente?

Algo bem interessante é mostrar aos alunos algumas imagens de propagandas (antigas ou atuais). A partir daí, propor uma discussão. Por exemplo: o que faz aquela propaganda ser confiável ou leva-lo a comprar o produto? Mostrar ao aluno que é preciso que a imagem mostre que o produto é bom ou tenha como garoto propaganda alguém que inspire confiança. Além disso, as palavras usadas também devem inspirar confiança e convencer o consumidor que o produto é bom e indispensável. Depois dessa discussão, vale formar  grupos e distribuir  temas (diferente para cada grupo). Deverão pesquisar o tema que receberam e construir um texto sobre ele. Para um dos grupos o (a) professor(a) dá a comanda de que devem inserir uma informação falsa de forma convincente. Quando todos os grupos terminarem os respectivos textos deverão compartilhar com toda a turma e os ouvintes receberão a comanda de dizer se as informações são novas para eles. Também é possível que o (a) professor(a) deixem a turma ter acesso ao texto escrito e pesquisem a veracidade ou não das informações.

Essa atividade é interessante para que os alunos percebam que as informações podem transmitir ideias erradas sobre os assuntos sendo necessário verificar a veracidade ou não delas. Os temas podem ser dados de acordo com o conteúdo da atividade que está sendo trabalhada pelo professor.

Como o/a profissional de educação pode buscar formação e informações sobre temas de cidadania digital?

A internet fornece alguns bons caminhos para esse trabalho através de plataformas que tratam sobre o tema. Outro recurso que pode ser usado pensando diretamente na escola são as plataformas colaborativas onde professores podem compartilhar os trabalhos que realizam e juntos trocar ideias e aperfeiçoar as que já existem.

De que forma uma plataforma para buscar e compartilhar boas práticas pode apoiar o trabalho docente?

Plataformas que permitem a troca de ideias trazem vivências semelhantes que podem ser discutidas, ampliadas, modificadas de acordo com a necessidade da turma que o professor está trabalhando. O trabalho colaborativo contribui para troca de experiências exitosas ou não. Acredito que mesmo uma experiência não exitosa pode contribuir no trabalho de outros professores pois ela permite que outros possam corrigir os possíveis “erros” que fizeram com que a experiência não desse certo. Até mesmo experiências que não deram certo com algumas turmas podem ser ótimas para outras.

Educadigital na Bett Educar 2020

O Educadigital foi convidado para ministrar duas oficinas na Bett Educar, considerado o maior evento de educação e tecnologia da América Latina. 

A pedagoga e coach educacional Graça Santos, facilitadora associada do Educadigital no Rio de Janeiro, vai facilitar uma oficina de Design Thinking para Educadores, enfatizando como a abordagem possibilita que educadores e educandos exercitem o autoconhecimento quando aprendem.  
                       Dia 13 de maio 
                       14h-16h 

Já a diretora-fundadora do Educadigital, Priscila Gonsales, vai trazer a perspectiva da Inteligência Artificial na atualidade, que se baseia no uso de dados e metadados para refletir com os participantes os desafios que a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais trazem para o contexto educacional. 
                       Dia 15 de maio 
                       14h-16h 


A Bett Educar congrega, anualmente, mais de 270 empresas nacionais e internacionais, mais de 20 startups do setor e cerca de 30.000 participantes da comunidade educacional de todos os estados brasileiros, que se encontram com o propósito de buscar inspiração, discutir o futuro da educação e o papel que a tecnologia e a inovação desempenham na formação de todos os educadores e estudantes.

Local: Transamerica Expo Center
Av. Dr. Mário Vilas Boas Rodrigues, 387 – Santo Amaro-SP

Inscrições devem ser feitas diretamente no site do evento.

Como funcionam as mentorias para profissionais da educação?

mentorias

Você já ouviu falar em “mentoria”? Podemos definir as mentorias como uma relação de troca na qual uma pessoa que é especialista ou tem mais experiência em determinado campo de atuação orienta outra pessoa interessada em receber informações, aconselhamento, sugestões e dicas de conduta.

Então, no Educadigital, oferecemos mentorias para educadores e demais profissionais da educação, individualmente, nos seguintes temas:

  • Uso do Design Thinking na educação (formação profissional e/ou corporativa, planejamento de projetos pedagógicos);
  • Uso de licenças abertas de direito autoral e disponibilização de materiais de ensino em conformidade com a Lei de Direito Autoral;
  • Planejamento e desenvolvimento de cursos on-line: organização, design de experiência (antigo “design instrucional”);
  • Organização institucional para a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD): aspectos formativos, curriculares e comunitários;
  • Elaboração de práticas pedagógicas de cidadania digital a partir da promoção de direitos humanos no contexto digital.

As sessões podem ser feitas de forma presencial ou remota, sobretudo precisam ser agendadas e têm duração mínima de 1 hora. É possível organizar um plano de sessões conforme a necessidade da pessoa mentoranda. Para agendar a sua, envie email para
contato@educadigital.org.br

Assim, há também as mentorias coletivas on-line, denominadas Jornada Conexão, com duração de 1h a 2h, dependendo do tema.  A próxima, sobre Inteligência Artificial e Alfabetização em Dados será no dia 7 de abril. Saiba mais aqui.