Priscila Gonsales e Gilson Schwartz falam sobre uso de recursos digitais na aprendizagem

Priscila Gonsales, diretora-executiva do Instituto Educadigital, e Gilson Schwartz, pesquisador do núcleo de política e gestão tecnológica e coordenador do projeto cidade do conhecimento da USP, conversam com o jornalista Ederson Granetto sobre o uso de jogos virtuais e aplicativos para tablets e computadores na escola. Explicam a eficiência dessas novas ferramentas de ensino, como elas devem ser usadas e avaliam o preparo das escolas para essa nova fase da educação.


O filme, os vídeos e a mobilização (parte I)

O que o sucesso de bilheteria 2 Filhos de Francisco, de 2005, pode ter em comum com dois projetos de vídeo recentemente bem-sucedidos em sites de crowdfunding? Enquanto me recuperava de uma gripe forte que trouxe dos meus 21 dias de “retiro” em San Francisco/EUA, pensava num gancho para escrever um post sobre a viagem. Foi quando me deparei na madrugada de ontem (insônia pela diferença de 6 horas de fuso), zapeando pela TV, com as cenas que eu mais adoro nesse longa do diretor brasiliense Breno Silveira, atualmente em cartaz com o ótimo Gonzaga de Pai para Filho.

Com todo seu entusiasmo misturado com amor e perseverança, o “seu” Francisco, pai de Zezé e Luciano, aposta, literalmente, todas as fichas mobilizando sua rede social para promover  a música de seus filhos. Para quem não lembra, ele primeiro deixa a fita demo na rádio local e depois começa a telefonar dos orelhões na cidade pedindo para tocar a música e, ao perceber que a ideia funcionava, compra muitas fichas de telefone e passa a engajar amigos, companheiros de trabalho e até desconhecidos nas ligações para poder conquistar seu objetivo de ver “É o amor” como a mais pedida nas paradas de sucesso.

Sempre choro nessa parte, confesso. Me emociono demais pensando em como é mesmo gratificante conseguir algo com nosso esforço e persistência, especialmente coisas em que se acredita e que parecem impossíveis. Nosso projeto da vídeo-entrevista da Léa Fagundes no Catarse foi assim. Quando tudo começou era apenas uma ideia que a gente sabia que devia fazer, que devia ir atrás. A trajetória de uma personalidade ilustre da educação brasileira, que vem inovando há tempos mesmo com todas as dificuldades, mostra que o foco sempre deve estar no desenvolvimento humano,  independentemente das mais avançadas tecnologias digitais.

Estamos muito felizes com o resultado, um trabalho árduo de edição (mais de 10 horas gravadas!) feito com nossos criativos parceiros da Filmes Para Bailar. O lançamento oficial será em fevereiro. Para tornar o projeto realidade, foram necessários 40 dias de trabalho intenso de mobilização de redes sociais. E nossas “fichas” estavam nos cliques e recursos digitais disponíveis, além dos inúmeros e-mails mais que pedintes para familiares e amigos íntimos. E conseguimos, até passamos da meta pretendida!

Nesse início de ano em San Francisco, tive a feliz oportunidade de acompanhar de perto outro projeto de vídeo bem-sucedido em crowdfunding graças também à forte mobilização de rede: o documentário Lives in Transit (vidas em trânsito) do Global Lives Project. Global Lives Project é uma ONG fundada em 2004 pelo sociólogo californiano David Evan Harris, que fez seu mestrado aqui na nossa USP e por isso fala um ótimo português. Sua missão é criar uma videoteca sobre a experiência de vida humana a partir da produção de vídeos que registram 24 horas na vida de pessoas comuns de diferentes lugares do mundo. Os vídeos, produzidos por videomakers independentes, são licenciados em Creative Commons, estão disponíveis na web (alguns já com legendas feitas por voluntários) e também em exibições periódicas em formato de instalação artística.

Empatia é a palavra-chave. Conhecer o outro para conhecer melhor a si mesmo. Uma iniciativa encantadora que faz lembrar as palavras de Eduardo Galeano: “é preciso ser capaz de olhar o que não se olha, mas que precisa ser olhado, as pequenas coisas de pessoas anônimas que os intelectuais costumam desprezar”.

Quando cheguei ao escritório deles no aconchegante coworking PariSoma, no início de janeiro, a arrecadação no Kickstarter não tinha chegado nem na metade e só restavam 6 dias para o prazo final. Postais estavam sendo preparados para enviar pelo correio, tuitadas e mais tuitadas, e-mails para amigos e amigos de amigos, posts os mais diversos no Facebook. Mas a ação mais bacana que participei foi a uma força-tarefa do conselho de voluntários, um dia antes do prazo final. Todos juntos, na mesma sala, divulgando e acompanhando a arrecadação em tempo real. Um lindo processo que gerou um resultado mais que satisfatório: a campanha atingiu 10 mil dólares a mais do pretendido. Com o valor excedente, a equipe vai produzir um material educativo para apoiar o uso dos vídeos nas escolas. E um novo site do projeto será lançado também agora em 2013.


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Sem dúvida, San Francisco é uma cidade altamente inspiradora para quem quer arriscar sair da zona de conforto e deixar vir a ousadia. Em inglês, o termo seria “risk taker”, justamente para designar aqueles que acreditam piamente nas palavras do poeta de que “tudo vale a pena se a alma não é pequena”. Listo aqui alguns dos projetos incríveis que conheci, cada um deles mereceria um post específico (quem sabe ainda faço):

PariSoma, um coworking arrojado, organizado em dois andares independentes, porém integrados.  Na parte de baixo, mesas de ping-pong se transformam em estações de trabalho coletivo durante o dia e, à noite, são dobradas e recolhidas para darem lugar a eventos, debates, exposições e cursos os mais variados. O piso de cima é reservado a equipes de uma mesma empresa e/ou instituição. Bolas de alongamento estão ali espalhadas para uma esticadinha básica  durante o expediente.

Women Who Code, coletivo de mulheres apaixonadas por tecnologia digital. Atualmente, elas já são mais de 2 mil e fazem encontros presenciais específicos sobre alguns temas e também promovem seus “talks” para que possam compartilhar  projetos e experiências de trabalho. Um desses “talks” aconteceu no PariSoma no dia 10 de janeiro. E eu estava lá!

Women 2.0 é mais uma iniciativa de mulheres inovadoras em tecnologia. Uma rede que reúne empreendedoras e potenciais financiadores e  já conta com uma versão em Espanhol. Oferece encontros, competições e conferências como esta que será em fevereiro deste ano.

Dojo é uma start-up que nasce de uma ideia de associar tecnologia para estimular atitudes positivas em larga escala, a partir da motivação em rede. Praticar meditação, parar de fumar, comer salada, escrever um diário, telefonar para amigos, dizer a sua esposa que você a ama são algumas dessas atitudes disparadas por um app para celular. Seu idealizador, Jordy Mont-Reynaud, que já trabalhou em outras start-ups no Vale do Silício, como o Facebook, acredita no poder da tecnologia para alcançar milhões de pessoas e que inserir mais atitudes positivas no cotidiano delas pode ser mais fácil com a ajuda mútua de amigos dessa rede.

DIY (Do It Yourself), esse na verdade foi descoberto aqui no Brasil pela minha parceira de trabalho Bianca Santana que, toda encantada, me “intimou” a visitar. E eu fui. Adorei. Me lembrei do projeto Minha Terra, uma rede social para escolas que fizemos no EducaRede de 2004 a 2011. O site, dirigido a crianças e jovens, funciona como um agregador de recursos interessantes, abertos e disponíveis na web, além de estimular que os usuários façam upload de suas próprias produções multimídias. Tudo em Creative Commons. A Daniela Silva, nossa consultora em dados abertos, aproveitou e já postou lá sua linda animação sobre o tamanho da Terra. “Awsome!”, foi o que ouvi da equipe DIY. Nós IED queremos trazer o DIY para o Brasil, traduzir e remixar. Ficamos de continuar essa conversa com eles 🙂

California Academy Night Life é uma baladinha no museu. Sim, imagine ir a um museu à noite e aproveitar a exibição tomando um vinho ou outra bebidinha a escolher e ainda dançar ao som dos DJs espalhados pelos vários cantos do lugar, do aquário ao simulador de terremoto. Nunca tinha visto um jacaré branco antes, parecia estátua até, mas num certo momento, não é que ele andou? Super iniciativa para pensar no Brasil e atrair especialmente o público adolescente (claro que com refrigerantes e sucos!) para ir a museus e centros culturais, #ficaadica para as novas gestões municipais.

Design Thinking for Educators é uma iniciativa da IDEO para educadores, agora em sua segunda edição licenciada em Creative Commons. A IDEO é uma das companhias mais referenciadas no mundo no tema inovação, que tem na abordagem do Design Thinking seu principal foco de trabalho junto a seus clientes, a maioria grandes empresas. O escritório de San Francisco é simplesmente demais, à beira da baía, lembra um coworking dos mais inspiradores. Sem divisórias entre as mesas de trabalho, cantinhos de reunião com sofás e pufes, guarda-bicicletas suspenso, post-its coloridos e lousas brancas por toda parte. Como trabalhamos aqui no Brasil com formação de educadores a partir do DT, já fechamos com eles uma tradução oficial do material para o Português, agora precisamos de empresas/pessoas interessadas em patrocinar.

Carrotmob iniciativa que propõe atitudes em vez de boicotes e protestos contra empresas que não são socialmente responsáveis. Mobiliza um grande número de consumidores para adquirir determinado produto de uma empresa tendo como contrapartida dessa empresa a utilização de parte da verba em ações sustentáveis. Começou em San Francisco em 2008 e até hoje já realizou mais de 200 campanhas em 20 países.

FunsheapSF é um site muito interessante com dicas de atividades e eventos baratos e gratuitos em San Francisco. Criado por um casal que tem seus respectivos empregos em tempo integral (ele designer, ela restauradora) e que mantém o site por pura paixão e com alguma publicidade para pagar os custos de manutenção. Foi lá que descobri, por exemplo, o SF Crowdfunding Launch Party um evento com artistas e designers que estão usando o crowdfunding para viabilizar seus produtos.  Claro que já lembrei dos meninos do Catarse. Seria muito legal termos eventos periódicos como esse por aqui, com tantos projetos legais que estão conseguindo virar realidade nesses dois anos de vida do Catarse.

Techshop uma espécie de hackerspace criado e mantido de forma coletiva e aberta para quem quiser participar. Uma mesma ideia pode gerar várias outras, esse é o princípio deles. Não tive a oportunidade de visitar pessoalmente ainda, infelizmente, pois fica um pouco afastado da cidade. Mas a Gabi Augustini foi no ano passado e escreveu esse post aqui.


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Um lugar fascinante que não tinha ido da primeira vez é o Palace of Fine Arts, apresentado pela amiga e consultora de propriedade intelectual, Carolina Rossini, seu gentil  e talentoso marido John Wilbanks e o pequeno Noah que, aos 2 anos, era uma atração à parte por seu encantamento com os patos no lago. Uma estrutura momumental de inspiração greco-romana construída em 1915 para exibir o trabalho de artistas.

Para quem gosta de museu como eu, não dá para perder o lindo Asian Art Museum que traz um acervo belíssimo de obras artísticas das civilizações que formam o continente. Além de China (30% da população de SF é de origem chinesa) e Japão, o museu também contempla Vietnã, Índia e Mongólia, além de oferecer audio-guia gratuito para visitantes.

Na sequência, recomendo tomar um café no bairro Hyes Valley, ali pertinho, cruzando o Civic Center. Depois que conheci essa parte da cidade agora, apresentada pelo amigo e morador Jordy Mont-Reynaud, não achei mais graça no downton da Union Square.  Mais aconchegante e com menos turistas, o local tem uma atmosfera pacata durante o dia e boêmia durante a noite. Um certo ar parisiense até, para quem conhece Montmartre.

Quem quiser observar um pouco os contrastes da cidade, recomendo pegar um Muni no início da Mission St. a partir da 2nd ou 3th St. e ir até o ponto final. Dá para ter uma ideia de como a paisagem vai ficando diferente, algumas vezes mais residencial, outras parecendo que se está numa cidade completamente diferente, especialmente pelas evidências de imigração de hispanofalantes e asiáticos nos estabelecimentos comerciais.

Fiquei espantada com tantas pessoas que falam sozinhas nas ruas e nos ônibus em San Francisco, umas brigam mesmo, falando alto e gritando com as pessoas. E ninguém se incomoda, até riem. Parece que já estão acostumadas aos “crazy people”, como dizem e aos “homeless”, cada vez mais comuns nas áreas centrais, atraídos por uma ação humanitária que a cidade desenvolve.

Para quem quer aliar museu, conhecer cidade nova e ter, de quebra, uma vista deslumbrante, nada melhor do que ir a Berkeley . Pegue o bart (o metrô deles) no sentido East Bay e desça na estação Downtown Berkeley. Caminhe um pouco pela agradável Shattuck Ave e depois pegue um ônibus até o Lawrence Hall of Science para ter uma das vistas mais lindas da Bay Área. Fiquei umas duas horas ali só olhando para aquela beleza toda. Meditei bastante. Hoje posso dizer sem hesitar que esse é um passeio tão imperdível quando andar de bike na Golden Gate Bridge (que fiz na minha primeira vez).

Outra vista panorâmica imperdível e que fica dentro da cidade é Twin Peaks. De lá de cima dá para ter uma ideia de como SF é uma cidade plana, com poucos prédios concentrados no Financial District.

Comer em San Francisco é simples e barato. Saladas as mais diversas são encontradas em delis, pequenos restaurantes a até em farmácias (sim, as farmácias de lá parecem nossos supermercados daqui). Mas se a vontade pedir um jantar mais requintado, com preço justo e atendimento cordial, indico o Perbacco, também apresentado por Carol e John, que traz pratos criativos e deliciosos, especialmente frutos do mar.

Agora se a ideia é sair para dançar, a salsa é a opção mais divertida. Há várias casas que oferecem aulas antes da balada começar de fato. A mais famosa é o Café Cocomo, que fica num bairro um pouco escondido, mas está sempre cheio de pessoas das mais diversas nacionalidades. Desde os norte-americanos mais “duros” tentando aprender os primeiros passos até os hispanofalantes mais rodopiantes.

E o melhor da noite em SF é que acaba cedo, ou seja, dá para curtir sem correr o risco de não acordar a tempo no dia seguinte. Ah e uma dica incrível para quem ama dançar como eu: a OCD Dance é uma escola de danças, que oferece vários ritmos e funciona 7 dias por semana em todos os períodos. Dá para fazer aula avulsa ou fechar um pacote. Fiz uma aula maravilhosa de afro-brazilian dance, sugerida pela amiga Lauren Valdez, com quem trabalhei no projeto Global Lives Project.

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Educação e Cultura Digital: o carnaval como inspiração para a escola da era digital

Em reportagem publicada hoje no jornal O Globo, a diretora executiva do IED, Priscila Gonsales, a professora Léa Fagundes, o pesquisador Henry Jenkins e a diretora do Instituto Paramitas, Cláudia Stippe falam sobre educação e cultura digital.

Henry Jenkins vê no carnaval mais do que uma festa popular: um exemplo de interação social que deve servir como modelo para os educadores da era digital. De acordo com o pesquisador americano, o carnaval e as escolas de samba são exemplos típicos de cultura participativa, onde todos estão aptos a produzir informação, e o conhecimento é passado de maneira informal.

Com a proliferação das tecnologias de informação, o sistema tradicional de ensino está com os dias contados. As pessoas, principalmente as mais jovens, buscam bens culturais antes inacessíveis, se comunicam por diversas mídias com grupos distantes fisicamente, mas com os mesmos interesses. Para Jenkins, se a escola não se apropriar dessa nova forma de difusão do conhecimento, ficará para trás.


Ética e segurança no currículo escolar

Além da falta de acesso, faltam treinamento e incentivos para que a tecnologia mude o dia a dia das salas de aula. Especialistas concordam que não basta colocar um tablet na mão do aluno e trocar o quadro negro por uma lousa interativa. É preciso mudar a maneira de ensinar.

“Ainda se olha para a tecnologia com o paradigma da revolução industrial. A cultura digital mudou o mundo, mas a escola continua com o sistema falido, de aulas de 50 minutos com o professor falando e o aluno escutando”, avalia Priscila Gonsales, diretora-executiva do Instituto Educadigital.

Para Jenkins, essa é uma das principais lacunas deixadas pela escola. Em vez de aproveitar os dispositivos técnicos para incentivar a participação, os estudantes ainda são mantido apenas como receptores. Segundo ele, os jovens da era digital são acostumados a produzir informação. Eles publicam filmes no YouTube, compartilham informações em redes sociais, e manter esse mundo fora das escolas é até mesmo perigoso para as crianças.

Apesar das dificuldades, existem experiências exitosas e não são poucas. A professora da UFRGS Léa Fagundes, de 82 anos, pioneira no uso da tecnologia na educação no Brasil, conta que em uma escola do Rio Grande do Sul atendida pelo projeto “Um Computador por Aluno”, do Ministério da Educação, os alunos estão se comunicando e trocando experiências com crianças do Uruguai e da Argentina.

Leia reportagem completa em  http://oglobo.globo.com/tecnologia/o-carnaval-como-inspiracao-para-escola-da-era-digital-6473977#ixzz2BMpkrTn1

Programa Roda de Conversa da Escola Municipal de Saúde aborda REA

No fim do mês de agosto, o Programa Roda de Conversa da Escola Municipal de Saúde de São Paulo convidou especialistas em Recursos Educacionais Abertos para abordar o tema. Participaram Priscila Gonsales, diretora-executiva do Instituto Educadigital representando o Projeto REA Brasil, Andreia Inamorato dos Santos do Projeto Oportunidad e Universidade Mackenzie, Alexandre Barbosa, do Centro de Estudos sobre Tecnologias da Informação e Comunicação e a coordenadora de gestão de pessoas da Escola Municipal de Saúde, Jeane Marinho.

Inaugurada em 2008, a Rede São Paulo Saudável, rede de transmissão e recepção de sinais de TV digital via satélite, conta com cerca de 1000 pontos de recepção dois estúdios de geração e três canais de TV, o Canal Cidadão, o Canal Profissional e o Canal Interativo.

Os objetivos do projeto são melhorar a capacitação dos profissionais, através de Educação à Distância; transmitir conteúdo educativo para os cidadãos usuários das unidades de saúde, enquanto estes estão aguardando atendimento. A Rede São Paulo Saudável é uma ferramenta de comunicação, que integra e difunde informações importantes em toda a rede municipal de saúde, de forma direta, rápida e objetiva.

Confira os 4 blocos do programa na íntegra:


“Mais importante do que falar de tecnologia na educação, é falar de cultura digital”

Priscila Gonsales, Diretora-Executiva do Instituto Educadigital colaborou com a matéria Inserir a Educação no mundo digital pode melhorar a qualidade de ensino do Blog Educação, veja abaixo.

As novas tecnologias já fazem parte do cotidiano da maior parte dos estudantes brasileiros. A pesquisa de Tecnologia da Informação e Comunicação – TIC, na categoria Kids Online, realizada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil – CGI, em 2012, comprovou que 47% das crianças entre 9 e 16 anos usam a internet todos os dias no país; 38% utilizam de duas a três vezes por semana; e apenas 5% utilizam uma vez por mês. Com base em dados como esses, especialistas acreditam que uma das grandes questões a enfrentar para garantir a qualidade do ensino seja a dificuldade existente para inserir a Educação no mundo digital.

“A nossa sociedade está mudando. Então, mais importante do que falar de tecnologia na educação, é falar de cultura digital”, disse a diretora do Instituto Educadigital, Priscila Gonsales. Para ela, a cultura digital que temos, hoje, não está inovando a maneira de ensinar. “Quando falamos só em tecnologia digital na educação, podemos, muitas vezes, fazer mais do mesmo. Você não muda as práticas e metodologias antigas só disponibilizando e introduzindo os equipamentos. Na verdade, precisamos começar a pensar em como mudar a lógica, em como a escola se abre para o mundo que está lá fora”, explicou.

Ao mudar a cultura digital atual, a escola atuaria como questionadora das novas formas de ser e estar. “A internet está criando valores que não tínhamos antes. A instituição de ensino, dessa forma, pode criar reflexões do tipo ‘identidade virtual versus identidade presencial’. Dá para ser duas pessoas ao mesmo tempo? Qual deve ser a postura no meio digital, já que todo mundo pode publicar o que quiser?”, exemplificou a diretora.

Além de assumir esse papel, a instituição de ensino, segundo Gonsales, teria que explorar três focos de aprendizagem: a pesquisa, a comunicação e a publicação. O primeiro ensinaria o aluno a como pesquisar, como achar o que procura em meio a quantidade ilimitada de informações que a internet proporciona. “É interessante pensar que, hoje, temos a vantagem de as coisas não serem totalmente confiáveis, porque é importante para o aprendizado o aluno saber desconfiar das informações, poder buscar em várias fontes, comparar e chegar ao que realmente vai ser útil”, contou a diretora.

O segundo foco, a comunicação, ou trabalho coletivo, abre o universo de informações da escola e permite o intercâmbio de informações com a sociedade. “As redes digitais possibilitam a comunicação entre escolas. Uma escola do Sul do país pode falar com uma escola do Norte. E, de repente, fazer um trabalho em conjunto, colaborativamente, respeitando as diversidades regionais”, sugeriu Gonsales.

Por fim, o foco na publicação ensina sobre a responsabilidade ao criar um conteúdo próprio e divulgá-lo na rede. “A criação de conteúdo próprio é muito positiva para o aluno. Mas, ele deve saber de sua responsabilidade diante do que publica. A escola pode ajudá-lo a compreender melhor seu papel no mundo digital”, afirmou.


O papel do professor

Desde que a internet se tornou ponto fundamental na vida do estudante, o professor e os livros didáticos deixaram de ser a única fonte de informação nas escolas. Por isso, o educador, segundo Gonsales, deve ser o facilitador da aprendizagem. “É por meio dessa nova dinâmica que a educação precisa pensar nas tecnologias digitais e em como, de fato, se consegue envolver os estudantes para que eles sintam vontade de aprender, para que a aprendizagem seja uma coisa para a vida toda – não só aquelas disciplinas específicas do currículo de cada ano.”

Para tanto, a especialista acredita que o professor deve deixar o medo de lado. “Ele tem que experimentar. Não dá para achar que precisa aprender primeiro para trabalhar e aplicar as tecnologias digitais na escola. A tecnologia se renova sempre. Por isso, é importante que ele experimente com seus alunos, porque eles também têm muito o que ensinar. Vamos todos aprender juntos.”

A introdução dessa cultura nas escolas não tem fórmula mágica. Para a diretora, isso deverá acontecer a partir do momento que estimular a troca de experiências entre os professores. “Na pesquisa TIC Educação, tanto de 2010 quanto de 2011, 70% dos professores revelaram que aprendem melhor sobre como inserir a tecnologia na aprendizagem quando trocam informações uns com os outros, informalmente”, explicou. Esse estímulo, para ela, partiria das políticas públicas voltadas à Educação. “Hoje, existem muitos programas de entrega de equipamentos nas escolas públicas, o que é muito bom, mas ainda falta uma formação continuada que estimule o professor a implantar a tecnologia em sala de aula. E não é alguém chegar e ensinar, é propiciar espaços de aprendizagem entre os professores. Isso é uma coisa que não vemos na política pública”, conclui.

Continue lendo e veja boas práticas de professores que integram e inovam com tecnologia na sala de aula.